Ditadura Reservada, mais uma boa surpresa audiovisual joinvilense

Já escrevi aqui sobre o Catavídeo, se não estou enganada, ano passado. Até então eu nunca tinha ido ao evento. Sou anti-social e anti-eventos (sejam eles acadêmicos ou mostras, exibições, etc.). Não adianta, tenho que fazer um esforço sobrenatural para ir a essas coisas. E normalmente me dou muito mal num ambiente desses. Além do mais, me deixar presa numa sala por muito tempo sempre foi e talvez sempre será algo que me deixa feito bicho enjaulado. Por agora, então, anda bem complicado.

Porém (ah! porém!), a amiga convidou e eu topei (tenho dessas de topar tudo, e nem é por dinheiro!).

Lá fomos nós a um dia do Catavídeo deste ano. Ele ainda não terminou, mas resolvemos ir terça-feira. Saio correndo da praia no meio da tarde (a praia estava, em vários sentidos, uma delícia – tão mais fácil me deixar num lugar a céu aberto!) e em uma hora chego na Fundação BADESC.

O que havia me chamado a atenção na programação do dia era um vídeo joinvilense. Fiquei curiosa, é claro. Não sei porque, mas me bate um orgulho chinfrim quando vejo Joinville produzindo audiovisual. Meu pé atrás: era sobre a ditadura.

Sinceramente, acho que esse papo de ditadura já deu o que tinha que dar. E penso que é tão desagradável hoje falar em ditadura ao tentar mostrar que não foi tudo ruim. Eu não quero que meus filhos (pobrezinhos, acredito que ainda ouvirão os saudosistas da ditadura!) fiquem nessa ladainha batida do terror da ditadura. Mas, enfim, se o presente anda nessa, com o atual mundinho lindão do governo PT e afins, acho que o futuro não será lá grandes coisas. Ninguém nega que aconteceram coisas horríveis, atrocidades, o que poucos tentam é ter um olhar um pouco além, é questionar.

Esses dias ainda meu pai estava serrando uma madeira e me contou que na época dele na escola tinha aula de marcenaria e tantas outras. Coisas que eu não tive na escola. Ah, escola pública nas décadas de 1960 e 1970. Mas, voltemos…

O título era Ditadura Reservada – achei difícil, antes e mesmo depois de assistí-lo, entender o título. Ficamos surpresas quando o rapaz apresentou-o como um longa. Eu pensava que só passavam curtas.

A obra tem cerca de uma hora e meia, se não estou enganada. E aí já começa a crítica. Apesar do tempo, bastante para um documentário, ele não cansa, não entedia. Porém, há uma repetição em algumas falas que seriam dispensáveis. Como há várias falas em momentos diferentes com os personagens (idosos) é natural que eles repitam histórias e fatos, e aí a edição precisa dar aquela lapidada. Senti falta de uma presença mais veemente da edição em conseguir coordenar o bom roteiro apresentado. Contudo, a questão da memória ficou bem mais evidente por este motivo – não sei se foi intenção do diretor. Um determinado personagem numa fala diz que ficou trinta dias preso, na outra diz que foram dez dias. Como foram várias prisões em circunstâncias específicas e com todo um contexto nebuloso, é eminente que estes dados ficarão obscuros na fala do depoente.

O documentário trata de apresentar alguns presos políticos joinvilenses do período militar. Há um casal (sou péssima com nomes!) que protagoniza o roteiro, porém os depoimentos mais enfáticos e emocionantes são dos coadjuvantes. E aqui, partindo de um comentário da amiga que assistia comigo, surge uma coisa curiosa sobre o vídeo.

Ela disse que ficou confusa, que não conseguia dizer o que o diretor quis com o documentário. Eu achei divertido o comentário. Sei lá, devo gostar de “obras em aberto” demais pra não me deixar incomodar com isso. Aí fiquei pensando em algo que um professor sempre comenta sobre obras audiovisuais, quando elas apresentam um problema, mas não apresentam uma solução. Nunca comentei com ele, mas sempre me perguntei: e precisam? Uma obra audiovisual precisa dar uma resposta para o problema que apresenta? Era da opinião que não. Mas, assistindo uma coisa aqui, outra ali, comecei a delinear que talvez, em alguns casos, isso realmente falte. Não sei se foi assistindo 7 Dias em Havana ou Tropicália, sei que foi tanto com ficção quanto com documentário.

E a questão aqui é, Ditadura Reservada precisa dizer a que veio? Precisa posicionar-se contra ou a favor de algo? Seria só mais um documentário sobre presos políticos, ou comunistas, de um período tão famoso e exaustivamente levado às telas se não houvesse um depoimento fundamental ali no meio. Nelson Bender, prefeito da cidade na época da ditadura, conta como o período foi decisivo para a cidade, como a visita dos presidentes foram bem vistas pela população, como ele era amigo íntimo do Geisel (Ou seria do Costa e Silva? Agora não recordo). (Já esqueceram da última eleição para prefeito? Bender teve um papel fortíssimo, assim como as acusações de “nazista” ao Udo.)  Ele reitera o discurso de que os “comunistas” queriam tomar o poder para ter a ditadura sob o jugo deles – este discurso é bem conhecido e repetido infinitas vezes, daí a julgar se é ou não verdade ficamos somente no “se”. O que se sabe é o que o comunismo fez (e faz) em alguns países. Coloquei comunistas ali entre aspas porque a impressão que fica é que era um comunismo de bar.

Aqui terei que ser um pouco cruel, mas me amparo nos depoimentos. Ao falar dos encontros do grupo, eles dizem que se encontravam em casamentos e batismos. Mais para o final há a questão do batizado de uma filha do casal protagonista, o qual eles faziam questão. A mulher deste casal saiu de um convento quando o conheceu. Meu pouco conhecimento do comunismo me fez estranhar e muito esta ligação com a igreja católica (apesar da forte presença luterana na cidade por questões óbvias). Além disso, Júlio Serpa diz com todas as letras que o que eles fizeram na época foi muito pouco – provavelmente tão pouco que não fez diferença. Minha amiga comentou que os comunistas pareciam os caras que ficavam em casa lendo. Há reiteradas falas sobre esconder livros do partido, da vida de Lênin, das buscas que encontravam estes livros.

O sentimento que fica é de que aquelas pessoas sofreram, mas o motivo parece pouco construído. Falam em reuniões, em distribuir panfletos, em arrebanhar pessoas, mas o que eles faziam além disso não fica claro. Sei que pode ser um modo de proteção ou a questão do trauma, mas mesmo assim fica difícil desenhar a luta deles para criar a empatia.

Em vários momentos, também, eles relembram soldados que os tratavam bem, que “vinham conversar com a gente”. Em um determinado momento sai um “parecia que eles nem queriam estar ali”. Esse tipo de depoimento gera controvérsias sem fim para o pessoal da História! Ao mesmo tempo a senhora protagonista diz “Me jogou pra fora da sala, tratou pior do que a um cachorro. Quer dizer, a gente nem trata um animal assim.” (não exatamente com essas palavras, claro). Colocações assim me lembram o começo do documentário, num colégio eleitoral (eu nunca sei o nome, só sei que é ali perto de casa e onde minha irmã vota) no dia da votação a presidente em 2010. Algumas pessoas são entrevistadas sobre se lembram da ditadura, se era bom ou ruim. Uma senhora pergunta “quando foi isso?”. Outro senhor rasga elogios ao período. Um fala da questão da liberdade. Ali está dado o argumento do documentário: teve quem gostou, teve quem sofreu e teve quem nem sabia o que estava acontecendo. Qual era maioria em Joinville? Só sei que fiquei me remoendo por nunca ter tido a oportunidade de perguntar sobre essas coisas para o meu avô. Hoje ele teria alguns anos a mais que o Bender e sempre foi bastante politizado. Coisas da vida que deixam a gente assim, sem chance.

Eu acredito que a controvérsia sobre o período é que destaca-se no vídeo. Por isso essa confusão nas pessoas. E, também, por isso que cada um vai conseguir identificar o seu posicionamento nele. Quem tem a visão predominante de que foi tudo ruim e muita gente sofreu vai se amparar nos extensivos depoimentos sobre as prisões e perseguições. Quem tem seu pé atrás com a verdade do comunismo e dos seus seguidores, vai se amparar nas contradições e no Bender. Quem não tem posicionamento vai ficar intrigado e bastante confuso. Sinceramente? Acredito que este é o grande trunfo!

Não vejo o longa como um claro posicionamento diante do que apresenta. E isso pode ser muito bom num audiovisual.

Devo fazer um elogio à fotografia que dá fôlego ao formato. Sei que fazer documentário com tantas entrevistas é difícil, pois enquadramentos, espaços limitados, personagens-diretores são elementos que não estão o tempo todo sob o comando do diretor. Gostei particularmente dos momentos em que a fala está cortada no áudio e vemos a equipe pra lá e pra cá, um personagem mostrando algo. Se fossem só os depoimentos teria pesado negativamente no tempo. A câmera, apesar disso, é titubeante em alguns momentos como, por exemplo, a senhora conta que estava no canal 12 falando do marido desaparecido e que estava com muita luz “como essas duas agora aqui” e aponta para os refletores fora de quadro. E aí a câmera abre o quadro para tentar mostrá-los, mas eles acabam não aparecendo. Apesar de ser uma titubeada, é o tipo de coisa que eu adoro em documentários. Essas quebras, essas imperfeições atraem muito mais a obra à realidade do fazer audiovisual. Em alguns momentos, prejudica a fala externa ao quadro, do mediador, para completar o que o personagem quer dizer. Em compensação, o áudio é de uma qualidade admirável. Estes detalhes deixam perceber que o domínio da técnica é muito bom na equipe.

Não sei quais foram as condições da realização do vídeo, mas confesso que fiquei naquela animação por ver Joinville fazendo audiovisual com uma alegria extra por ver uma obra com tantas coisas boas e que mesmo no que poderia ser apontado como erro conseguiu desenvolver questões que eu considero importantíssimas.

Queria ainda ressaltar que o depoimento da Rosemerie Bittencourt (acho que é esse o nome) foi, de longe, o mais enfático, emocionante e emblemático para mim. Ela representou a dor, a consciência. Com a curta fala dela eu poderia facilmente entrar na linha dos que consideram o período da ditadura tudo de ruim. E foi o que mais me deixou intrigada porque foi pouco explorado, ela só diz que era assistente social e um dia ao chegar no trabalho foi presa. Não há relato dela presente nas tais reuniões do partido que reúne os outros.

Espero poder continuar a assistir coisas boas assim feitas em Joinville. Espero que o público joinvilense assista. Querendo ou não, em todo o tempo que morei na cidade nunca ouvi histórias sobre a ditadura, a impressão sempre foi que por ali mal tinha tido alguma diferença. Por isso comentei que sinto não ter interpelado meus avós. Onde está esta história da cidade? Onde estão tantas outras histórias e personagens da cidade? Não acredito tanto no mundo acadêmico para vasculhar isto quanto acredito no audiovisual.

(Na sessão seguinte assisti mais dois vídeos da região e alguns outros. Porém, o sofrimento audiovisual foi tão grande que não quero contaminar este post com isso. Fica para o próximo.)

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4 comentários em “Ditadura Reservada, mais uma boa surpresa audiovisual joinvilense

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  1. Olá.
    Eu trabalhei no documentário com a parte dos documentos históricos (entrevistados, jornais, fotos, livros e afins).
    Começo dizendo que é bom acessar a opinião de alguém que assistiu, esse retorno é fundamental.
    Vou comentar algumas coisas que você escreveu, só pra alimentar o debate que você abriu com sua crítica.
    1) O ensino brasileiro na década de 1960-70 sofreu uma grande modificação, onde os conteúdos das áreas de humanas foram substituídos por matérias voltadas ao ensino para o trabalho, na perspectiva de capacitar a mão-de-obra na produção industrial que ganhou um novo fôlego no país. A história da educação do Brasil registra que a mudança no enfoque no ensino aconteceu para atender as demandas dos organismos financeiros internacionais para emprestar dinheiro ao Brasil. Por exemplos (que pode ser anacrônico): em 2012, a União Europeia ofereceu ajuda para “salvar a Grécia da crise”, porém a Grécia é obrigada a realizar uma contrapartida. No caso da Grécia é reduzir os gastos do Estado com as áreas sociais. Nos anos 1960-70, a contrapartida foi a mudança do modelo de ensino. Isso não quer dizer que ensinar a marcenaria é algo ruim, mas manter o foco da educação voltado somente a preparação de mão-de-obra precisa de uma reflexão, seja no passado ou no presente.
    2) A fala do ex-prefeito Bender é fundamental, pelo menos nas entrelinhas, onde fica evidente o papel decisivo do apoio do governo militar para o crescimento econômico de Joinville. A Fundição Tupy era uma empresa estratégica para a segurança nacional, onde o governo federal, nos anos 60-70, investiu pesado para esse crescimento, segundo pesquisadores da área econômica a empresa chegou a crescer 600% no período ditatorial. Também vale ressaltar o apoio civil ao golpe militar de 64, onde figuras do poder econômico local foram importantes. O próprio Bender fez carreira na Tupy antes de assumir como prefeito da cidade. No momento pré-golpe, a Tupy, assim como outras empresas, financiava um instituto de ensino que “prepara a população para o perigo do comunismo”. Pelas pesquisas históricas acadêmicas mais recentes, a cidade de Joinville foi um local onde o “controle social e político” de sucesso ao conter o sindicalismo e outras formas de resistência.
    3) A relação dos militantes locais do PCB com a Igreja Católica é uma história interessante, pois é uma ruptura do estereótipo do “comunista ateu’. O teólogo Rubens Alves num livro sobre a história das religiões comenta a passagem de Marx “a religião é o ópio do povo”, segundo Rubens Alves, Marx faz uma crítica elogiosa a religião, pois ela consegue levar um apoio espiritual as pessoas que estão inseridas nas fábricas na Europa do século XIX, mas que muitas vezes esse apoio espiritual era usado para manter as pessoas na condição de exploração. Ou, seja essa relação de religião e comunismo tem particularidades válidas para a nossa reflexão. Ainda mais quando todo o desenvolvimento de uma ideia que está em 2 páginas do livro é reduzida a uma frase fora do contexto. Aqui em Joinvas, assim como em toda América Latina, no Bairro Floresta, existiu uma forte atividade da Teologia da Libertação, que realizava uma leitura do evangelho do ponto de vista dos pobres, onde “o reino do céu não deveria ser uma realização posterior a passagem na terra”. Que a mudança deveria ser aqui na terra. É uma leitura do evangelho do ponto de vista da esquerda. A experiência da Teologia da Libertação levou os militantes do PCB a se relacionar com o catolicismo. Até porque antes da “descoberta” do comunismo, os homens e as mulheres tiveram uma formação religiosa, que ainda estava com eles e elas, mesmo depois da adesão ao PCB. Um amigo iniciou uma pesquisa sobre o luteranismo no contexto do golpe em Joinvas, mas ainda não tive acesso aos dados dele.
    4) Os comunistas ligados ao PCB queriam conquistar o poder do Estado, porém o partido acreditava que pela via democrática, onde a aliança com burguesia nacional era fundamental. Até por isso muitos militantes do PCB atuavam clandestinamente no MDB, inclusive exercendo uma influência significativa, já que o PCB tinha base políticas nas fábricas e nos bairros periféricos. Por exemplo, essas atuações, segundo as memórias dos militantes locais do PCB, foram importantes nas eleições do prefeito Pedro Ivo Campos e Luis Henrique da Silveira, ambos do MDB, e de outros vereadores do MDB. Importante notar uma pluralidade de interpretações das táticas e métodos de tomada do poder: organizações de luta armada, de propaganda. Eu sugiro a leitura dos textos do historiador Daniel Aarão Reis.
    5) O documentário não tinha a pretensão de ser uma visão final sobre o tema. Eu não acredito nessa proposta, por isso é preciso desconfiar de todos os filmes, livros e afins que se colocam assim. Como dizia o professor Howard Zinn, é mais importante a dúvida, a pergunta do que as certezas, pois não produzem reflexões e questionamentos. Aliás, essas certezas excessivas foram um dos erros do PCB na atuação contra a ditadura civil-militar. Olha, esse é o meu julgamento político sobre o PCB. Então, é uma questão de interpretação.
    Tem outros pontos para falar, mas deixo para outro momento. Mas espero que contribuído para debater o tema.
    Abraço
    Maikon

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  2. Olá,
    Sou o diretor do documentário “Ditadura reservada”. Desde já agradeço a crítica sobre o documentário. Quando ele foi exibido aqui em Joinville, o casal Edgar e Dona Lúcia estavam presentes, e a reação do público foi fantástica. Os dois são duas figuras.
    Com relação ao objetivo do documentário… De fato, meu único objetivo era mostrar as histórias daqueles que passaram por aquela época, sejam presos, prefeitos, radialistas ou daqueles que nem sentiram a diferença. Por isso a enquete do início do documentário entrevistando até mesmo as pessoas que nem tinham nascido na época.
    Acredito que a opinião do Bender e de algumas outras pessoas no documentário, tenta mostrar o contraditório. Isso, os próprios presos políticos acharam interessante. Um documentário que abre espaço para outras falas. Inicialmente, o projeto era de realizar um curta sobre o casal Edgar e Dona Lúcia, mas a equipe foi trazendo outras histórias e o projeto foi crescendo. Mas confesso que se eu pudesse reeditar, o deixaria mais enxuto.
    Abraço
    Fabrício Porto

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    1. Olá, Fabrício!
      Seja bem-vindo! Devo até me desculpar pela falta dos nomes (sou péssima com nomes!), mas sentimos falta disso porque a cópia estava sem créditos. Eles não souberam explicar, parece que foi algum problema com a cópia.
      Acredito que o projeto ter crescido foi bastante favorável a ele, apesar de possíveis cortes. Parabéns pelo trabalho!
      Concordo que a grande surpresa deve-se a estes vários olhares! Normalmente sinto falta disso, principalmente sobre o tema da ditadura.

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  3. É… Senti falta de saber o objetivo do documentário, mas realmente se eles se posicionassem sobre o assunto teria perdido todo o “sentido”. Realmente muito bom. Que venham mais, e quem sabe até com créditos! 🙂

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