Versos diretos transitivos

Do nada

abro os olhos

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há música no ar

sonho 

o dia

o farei ser bom

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Às quartas,

pés na areia

alma em paz

o instante 

o mergulho

o caminho

o silêncio

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Chamei

fez que não ouviu

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Ao me ver de novo

sorriso frouxo

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Festa

é raiar o dia

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À beira da estrada

sem companhia

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Fez a lição de casa

ao deitar para dormir

apagou tudo com borracha

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Esperou três semanas e quatro dias

antes do mês fechar

abriu a janela, saiu caminhar

suportou a chuva fria

abraçou a monotonia

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Criei

alimentei

dei água

levei passear:

a expectativa nem quis

me amar

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Era quase esquecimento

de surpresa teu nome ouvi

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desgosto senti

despeito ou ainda te gosto?

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Lua cresce em sagitário

Deus abençoe a nós

os sem juízo

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sorte, nos guie

pelo menos

ainda temos réu primário

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Já esqueci

a cor dos teus olhos

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É que nunca os vi

no escuro

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Um brinde de conhaque

(acabou o gin):

perdi a esperança

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O tempo não esperou

arrancou-me as decisões

das mãos

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Te achei fraco e medroso

perdeste, enfim

o gozo

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Ela sorri ao olhar

para trás:

se vê no espelho

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Na iminência do golpe

suportou a deserção

esse safado, o coração

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Compôs sonhos de dia

organizou o futuro

catalogou os planos

ouviu ladainhas

à noite traduziu tudo em rimas

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Mirei um amor

acertei em problemas

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Volto ao mar

estou em casa

o coração se agita

apaixone-se, menina

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Velhos jornais me dizem mais

do que teu duro silêncio

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Não serei ridícula

como soam ser

as cartas de amor:

serei anônima

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Com quantos adeus

se faz uma solidão?

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Carimbei o passaporte

rumo ao destino de sempre

o trem encontrei

numa nova estação

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O mar

com saudades minha

pediu aos céus

boas notícias

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Quanto mais penso em ti

mais sei

que nem lembras que existo

é o breve lamento da poetisa

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Vayate

Vayate

no quedaste aquí

vayate de mis pensamientos 

lo ruego a los cielos

quiero vivir

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Vayate

no tengo esperanza

solo traigo decepciones

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tu no tuviste coragem

y yo que temí?

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nunca olvides

las miradas, las palabras

el abrazo

lo tanto que nos traicionamos

lo tanto que no hemos dicho

lo tanto que nos queríamos

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Vayate

ya esperé demasiado

Medo

Solidão

perfaz o reflexo

do que tanto atrai

É o medo

que fala por eles

no calor do impulso

refreado

Ela é temida

Ou eles 

têm medo?

Fosse fraca

frágil

submissa

a força deles se assumiria

Ela é forte

inquebrável

autoritária

dona (como a canção)

Solidão

Capítulos reprisados

daquela novela

o que tanto atrai

afasta – dá medo

Troco de canal

no anseio de um filme:

lindas e fortes mulheres

no final feliz eles as dominam –

igual nos meus romances 

da adolescência 

Não professo essa fé.

Vencido o medo

eles se acham os galãs

(Tyrone Power que os perdoe)

e tentam destruir

o que tanto os atraiu à chama

Perdem

perdem e saem feridos

– veem ruir a idealização

de si mesmos

Nunca é sobre ela

Solidão

sempre opção

– não por falta de opção

O medo

a ferir seus egos

Ela livre

jamais suportarão

Solidão

a preço de ouro

para conquistar seu coração

Vem

Vem

ser feliz até onde a vista alcança

Vem que eu sou boa de improviso

Faço versos que deixo em cadernos

longe do coração dos moços

São sensíveis e desconfiados

esses homens criados no mundo

feroz feito à imagem e semelhança

de seus pais

Vem que eu sei onde o mar termina

eu sei encontrar ouro na mina

eu domino a arte de sorrir

pra te ver feliz

Você vai me odiar

Você vai me temer

Vai tentar fugir

Vai

vai, porque voltar é mais fácil

lembra: não faço promessas

Eu sou boa em te deixar confuso

solto a corda e em pouco tempo

te afundo em incertezas

jogo as cartas na mesa

A próxima jogada é sua

nos restam algumas rodadas

tenho tempo

é meu mais precioso bem

vem

roubo pensamentos

rogo pragas

jogo bem – nem graça mais tem

vou me aposentar

Vem

olhar horizontes de quem

não procura mais emoções

por experiências e solidões

Sou boa em dar o que não tenho

ofereço sonhos

de brinde tens minha sinceridade

sei uma dúzia de coisas da vida

te digo: não dói mais

Vem

Vem sorrir junto

deitar na areia

ralar o joelho e cair

dar as mãos e seguir

Vem

não tem sentido

a cada passo

te conto um segredo

até desnudar a alma

e vesti-la

de abraços teus

vem.

Anotações de versos para uma composição

(À moda da bossa nova)

Seus olhos ao cruzarem

com os meus e naquele olhar

a promessa ficou

Desfiz semanas em novelos

de dias contados

à sambas à beira-mar

Em euforias e tanto

de silêncios 

o som das ondas

Os moços ao mar, ao longe

próximos da ilha

namoram ondas que nunca virão

Você, meu amor

não veio, de novo

Nada de beijinhos, carinhos

só vislumbro um fim

O mar caliente

gelo se desfaz nos oceanos

destruímos o mundo

no outono o mar tão calmo nunca vi

transparente até às oito da noite

e eu e minhas ilusões a sós

Encerro meu show sem bis

o amor que não se deu

na arena do conflito

qual a cor dos teus olhos?

Conto não mais semanas

é mês e mês 

e esse amor que percorre

farol, molhe e rio

em passos silenciosos

Mal nasceu é algo de amor

Sem dar 

Sem ser

Exausto dorme em paixão

E brasa

São as águas

de além de março

noites e filmes

bonito ver

o sol nascer

em gritos de ansiedade

controlados

Disfarço

é muita mentira

negar e fingir

foi em dia de ressaca

que o amor virou

pois é

só eu sei

Melancolia e tristeza

dor cruel que me acorda

às três da madrugada

e triste enxoto a paixão

lá vou eu de novo…

(Busco versos melhor inspirados em dias de ressaca, de mar tumultuado e decisões que custaram a ser tomadas. Quem sabe a bossa não caiba ao tamanho dos versos e dos segredos.)

Abismo

Todos los miércoles tengo una cita

Con el viento

Él viene del sur

Y yo vengo del norte

Nos quedamos en la playa

Nos calentamos en el mar

Es vida, es amor, mi gran pasión

Veo el abismo

Pero yo, a mi me gusta el riesgo

Lo sabes, no?

Hermano, te he compreendido

Ahora, se me lo permites

Voy a ser un poco de ti hasta siempre

Fue en aquél ciudad

El juego y la pasión me han dominado

Hasta ahora me pregunto

Pero lo sé

El tiempo es mi mejor amigo

Hermano, perdóname el retraso

Tenemos tiempo y tu lo sabes mejor que yo

Me he dado cuenta

El abismo, el peligro

Lo riesgo

Es cómo la llama acesa

Me tragam el interés, la pasión, la vida

Tu eres un riesgo y sólo lo quiero, por ora

Lo sabes muy bien

Sólo mi hermano y yo lo sabemos

Es el motivo de no quitarmos el amor de nuestras vidas

El amor es siempre un riesgo

He decidido poner un fin a la ilusión

Por la mañana pienso que tu no piensas en mi

Luego llegó un mensaje

Sí, no eres indiferente 

Tu piensas en mi

El amor es siempre un riesgo

Pero no toda vez es amor, el amor

Por lo menos, puede que sea deseo

Y nada más

Te traigo muy cerca del pecho

Voy a poner la camisa

El corazón despierta 

En cada cerveza

En cada esquina

En cada palabra

Y hasta la memória

Yo lo sé

No hables mal del tiempo

Yo lo defendo 

Es más un riesgo

El amor es siempre un riesgo

Tengo ganas de mirar abajo

Al abismo

Venga

El amor es siempre un riesgo

No me lo arrepientiré

Je dire au revoir !

Je dire au revoir !

C’est le dernier moment

après la bataille contre le fascisme

et la injustice

avant tous les luttes du pouvoir

Je dire au revoir !

Comment a dit l’homme saint :

les pieds aux sol

les mains aux travail

les yeux au ciel

Je te dire au revoir !

J’oublierai

les baisers que je ne t’ai jamais donnés

Maintenant, j’ai seulement l’avenir

Je dire au revoir !

aux ennemis au cœur amer

qui se cachent

je ne suis pas seul non plus

Joie , joie ! Joyeux Noël !

Je dire au revoir !

La vie c’est le qui ont trouve au cœur

L’espoir et la justice se retrouve sur la joie !

Je dire, je crie, je susurre « au revoir »!

Poeminha aos histéricos

Aos ataques de pelanca

e aos gritos histéricos:

respondo com um poeminha

Uma mulher

permanece em pé

conhece e tem fé

na verdade

À difamação da boca pequena

resistem as conversas francas

a sinceridade, a fama

Queriam a Amélia:

que lava, passa, cozinha e limpa

carinhosa e submissa

Porque mulher incomoda

além de serviço da casa

estuda, trabalha e é bem sucedida

Por que mulher incomoda?

homens frustrados

seus egos e fracassos

cêis tão fora de moda!

Jaula

Yo he intentado no hacerme daño

Fue como una promesa

Pero, vida, siempre tengo ganas

Ganas de vivir, de ganar

de sentir, de amar

Y la vida pídeme

que yo vaya hasta el fin

como si mi hambre

nunca se quedara saciada

Tengo eso, ya ves

Nadie nunca me basta

es una inquietud en el alma

de placeres, de creación

de mirar, de oír

de descubrir el mundo

– y, quizá, a mí misma

Esa jaula que no existe

Pero yo la veo casi siempre

Todo es pequeño, y poco

y insuficiente, y despreciable

Nada me encanta

Nadie me apasiona

Mi deseo me aprisiona

Soy mi propia víctima

Soy mi verdugo

Soy mi abogada

y mi juez

De resto, siguen las calles

la misma ciudad

el mismo rio

la misma yo – de siempre

Aprisionada em mis vicios

Me encontrarás fácil

en el mismo lugar

a mirar el mar

a ahogarme en mis

precipicios y desafíos

a desear

a romperme hasta el fin

por el placer de hacerlo

Una sonrisa

Y algo habrá cambiado

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