O que a universidade pública faz por NÓS

Diante das atrocidades do atual governo, foi incentivada intuitivamente uma campanha para mostrar aos outros (àqueles que acham que “sustentam vagabundo com seu dinheiro”) o que a universidade pública fez por nós. Por nós, porque mesmo que ela tenha feito por mim, eu replico, todos os dias, os efeitos dela na Cultura, no Conhecimento e na Educação. E isso é fundamental para o país. O governo Bolsonaro é inimigo do nosso futuro. Estava conversando com um estrangeiro que mora aqui e ele disse não entender a atual política, chamando-a de “política da destruição”. E é isso mesmo, uma política que visa destruir o Meio Ambiente, a Cultura e a Educação é uma política que aniquila o Futuro. O Brasil sempre foi o “país do futuro”, desde minha infância ouço isso; de um futuro que nunca chegou. Agora, até este sonho querem nos tirar.

Eu que nem gosto de sair por aí falando da minha vida darei o testemunho do que o ensino fez por mim. Porque tem pai e mãe apoiando este imbecil eleito sem saber que, se não fosse a universidade pública, seus filhos não teriam professores de qualidade em sala de aula. É simples assim.

Estudei o Fundamental e o Médio em escola particular, uma opção dos meus pais em busca da melhor educação que eles poderiam nos dar. O Médio só consegui terminar com bolsa. Fiz curso de Inglês dos seis aos dezessete, fiz curso de Espanhol. Minha mãe sempre repetia o que meu avô dizia: a educação é a melhor herança que eu posso deixar pra vocês. E eles deixaram mesmo.

Aos dezoito anos saí de Joinville, sozinha, para ir fazer graduação em Florianópolis. Levei comigo uma mala com roupas e uma pequena caixa com livros. Fui fazer Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina e Cinema e Vídeo na UNISUL, esta particular. Foi a minha escolha. Meus pais haviam cursado ensino superior, meus irmãos também, todos apenas em faculdades particulares devido à dificuldade de acesso, histórica, ao ensino superior público. Meus avós não tiveram esta oportunidade. Não foi fácil, eu garanto. Os gastos, os perrengues, as dificuldades de viver sozinha longe de casa. Mas, me sentia feliz e corajosa, pois vi muitos, inúmeros colegas até bem mais estudiosos que eu, ficarem pelo caminho. Ouvi de colegas do ensino médio, que o pai preferia que ele/a fizesse faculdade em Joinville mesmo, nem tentasse o vestibular da Federal, porque a mensalidade seria o valor dos gastos em outra cidade. Uma idéia péssima, eu garanto.

Em cinco anos eu me formei nas duas. Mera coincidência, a formatura das duas foi exatamente no mesmo dia. Optei pela cerimônia da Federal, porque até nisso uma universidade federal faz diferença – eles não cobram pelo local, etc.. Foram cinco anos intensos, fui bolsista do PET (Programa de Ensino Tutorial), do governo federal, do curso de Letras da UFSC. Uma das melhores experiências da vida, pois vivíamos envolvidos em atividades de pesquisa, ensino e extensão, além de um convívio intelectual enriquecedor. Fui bolsista de iniciação científica, na UNISUL, com verba federal, na área do Cinema. Participei de eventos na universidade, comi no bandeijão pagando R$1,50, paguei passe estudante (em 2004 o valor do passe era R$1,50 e pagávamos metade), conheci gente de todo canto do país e do mundo, tive acesso a uma biblioteca maravilhosa. Vivi intensamente.

Depois eu fiz mestrado em História na Universidade do Estado de Santa Catarina, hoje também ameaçada de cortes. Ampliei ainda mais meus estudos e visão de mundo. No primeiro ano do curso, trabalhei em sala de aula como professora substituta de Filosofia na rede estadual em uma cidade pequena, com menos de 30 mil habitantes, que sempre sofreu com falta de professores. Ia de uma cidade para outra, toda semana. No segundo ano recebi bolsa Capes, até defender minha dissertação de mestrado na data, sem prorrogação nenhuma. Nestes dois anos de mestrado participei de vários eventos científicos da área, apresentei trabalhos, publiquei textos e artigos. Uma vez tive dinheiro de verba para viajar, pela universidade, mas em todos os outros eventos paguei com o valor da bolsa. Bolsa de R$1.500 (o valor hoje continua o mesmo), para pagar tudo (aluguel + transporte + comida + etc. etc.), e dedicar-me exclusivamente à pesquisa, à leitura, ao aprimoramento intelectual. E não foi pouco, eu garanto.

Depois do mestrado fui professora de Filosofia na rede estadual, no Ensino Médio, numa cidade da grande Fpolis. Em todas essas escolas eu vivi o dia a dia de alunos que são abandonados pela sociedade. Eu vivi o dia a dia de profissionais que dão o sangue pela Educação, conheci pessoas maravilhosas, admiráveis em caráter e empenho.

Há alguns anos sou professora da rede particular, professora de Filosofia do sexto ano do Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio. E há dois anos sou professora de graduação em Cinema e Audiovisual. É o trajeto de uma vida toda. É estar em sala de aula, todo dia, defendendo a Educação. Defendendo a formação que eu não pude ter em Joinville, pois aqui faltam professores de Filosofia e só tem, sei lá, eu e mais um graduados em Cinema – em toda uma cidade de seus quinhentos mil habitantes. Porque, acreditem, há um mundo além de ser chão de fábrica e trabalhar em prestação de serviços – sem desmerecê-los, mas não podemos condenar uma juventude inteira de uma cidade a essas ocupações.

Meu sonho era ter uma escola de Cinema em Joinville, com filiais em Lages e Criciúma, por exemplo, para descentralizar o conhecimento e o acesso. Sou defensora da UFSC em Joinville (“em Joinville”, não na BR) com cursos de Licenciaturas de todas as áreas, esta sempre foi a minha bandeira. Eu nunca quis ser professora – achava chato, repetitivo, entediante. Até que descobri como é fazer algo por tanta gente (hoje tenho mais de trezentos alunos) e ver como isso, de fato, muda o mundo. Como é bom deixá-los em dúvida, como é bom vê-los questionarem, como é bom vê-los crescerem intelectualmente. Eu mudo o mundo e construo o futuro, todos os dias, dentro da sala de aula.

Hoje sou orientadora de Iniciação Científica, na graduação, na mesma área do mestrado e da Iniciação Científica que fiz lá na graduação. São anos desenvolvendo trabalhos, estudos e crescendo para poder trabalhar junto com alunos e novos profissionais. E minha formação não foi “paga” por esses aí que desmerecem e achincalham a universidade pública, foi paga com a vida inteira correta e trabalhadora dos meus pais. E, hoje, eu posso dizer com orgulho o quanto devolvo para a sociedade o investimento que fiz na minha formação. Por isso, senti como ofensa pessoal o corte aleatório de bolsas dos programas de pós-graduação. Vi ontem na TV pesquisadores sendo estrevistados, tendo que mostrar a importância dos seus estudos para o país (pré-sal, vacina da zika) e que estão à mercê de parar por questão de não conseguir se manter sem a verba das bolsas. Ninguém fica rico “ganhando” bolsa de pós, ok? E, também, porque sei que o conhecimento não pode ficar parado, quero ver no horizonte do meu futuro a possibilidade de continuar os estudos em universidade pública.

Ouvi de uma educadora de respeito, ontem, “Todos deveriam aderir, pois afetará a todos” se referindo às escolas e universidades particulares, estaduais, etc. diante da greve que começa hoje, dia 15 de maio. Concordo com ela, e digo mais: toda a sociedade deveria aderir à greve da Educação porque esta é uma luta de todo um país. É uma luta de todos nós contra esse disparate inconsequente que estão perpetrando. História como a minha e a de milhares estão em jogo diante da alucinação de cortar verba da Educação.

Mais alucinação ainda foi entender que o governo “contingenciou” a verba da Educação para ameaçar a população a apoiar a reforma da Previdência. Ouvi do ministro que não há corte de verba, mas se houver apoio à reforma, então os valores serão liberados normalmente. É ameaça, é chantagem, estamos reféns de um governo de incompetentes que, diante de uma população que não quer perder mais e mais – enquanto eles não abrem mão de nada – diz “não”. São uns canalhas. É canalhice dizer que não haverá verba para pagar as aposentadorias, dentro de meses – por que não cortar os salários de deputados e senadores, e suas verbas de gabinete, por seis meses? (eles não trabalhariam por amor à pátria?).

A partir de hoje, declaro-me em greve. Mesmo estando em sala de aula, pois trabalho para a iniciativa privada e se eu faltar sofrerei as consequências – até o momento que todos, mesmo estas instituições, seus alunos e funcionários, tomem consciência que a luta é necessária e fundamental ao Brasil -, estarei em situação de greve. Estou em greve pelos valores e atitudes de toda uma vida.

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As balas perdidas do Bolsonaro já fazem as primeiras vítimas

Sei que muitos de nós estão esmorecendo. Já nos sentimos doentes e, por vezes, o corpo sucumbe aos maus tratos pscicológicos que temos sofrido no último ano. Aquilo que parecia inacreditável se realizou: Bolsonaro tornou-se presidente. E, deste posto, desfere suas balas perdidas em muitos – milhares, milhões – de nós.

Escrevo para todos aqueles que se sentem como eu e, em especial, aos colegas e amigos que estão caindo diante das ameaças e atitudes concretas do esfacelamento que planejaram para o nosso país – porque o país não é nem jamais será deles. Ele não é meu presidente, ele não me representa. Ele, não.

Estudo, trabalho e atuo em duas das grandes áreas que ele escolheu como inimigas: Educação e Arte/Cultura. Ele as escolheu como inimigas porque são essas duas áreas que nos tornam quem somos: seres humanos críticos e combatentes. Sem arte e educação a pessoa não se torna grande. Como eles, aliás, não o são. E, além disso, sou uma pessoa que vive e trabalha neste país, atacada, também, pelos outros desmandos de ordem estúpida e conluios com os empresários que querem mais e mais para si – vide as mudanças em leis de questões relacionadas ao trânsito e à reforma da previdência. Em tudo, sinto-me atacada, diariamente.

Alguns colegas foram para o exterior – e decidiram ficar, atrasando sua volta porque não vêem horizonte por aqui. Não os culpo. Milhares de jovens só sabem dizer “quando tiver a chance, vou embora” – colegas e amigos dentre estes. Só fica quem não tem como sair, quem tem outros motivos que os prendem aqui, ou, ainda, poucos que preferem lutar. Porque, agora, não há mais espaço para a ingenuidade.

Ano passado, assim que ele foi eleito, um aluno me disse “Não será assim tão ruim, professora” diante dos meus temores. Bem, nem ele acredita mais nisso, e dizer que temos só quatro meses do pior governo deste país. Apoiado por militares e seus filhos, que o ajudaram a se eleger, todos ignorantes e com a maldade evidente nas suas ações e discursos, já abandonado por muitos que nele votaram e até mesmo pelos que fizeram campanha por anos em prol da sua candidatura. O fenômeno Bolsonaro eu conheci, eu vi crescer, eu acompanhei a cooptação e proliferação de idéias populistas e violentas que atraíram uma juventude agressiva e desiludida e idosos raivosos, principalmente, além da classe patronal ressentida.

Estamos adoecendo, estamos nos sentindo fracos a cada ataque. Sem preparo nenhum, rodeado de incompetentes, o governo destila maldade contra a Educação e a Arte/Cultura, investindo em ações que querem cumprir “promessas de governo” a partir de frases feitas e uma estupidez que parece não ter fim. Primeiro foi a ANCINE, depois a Lei Rouanet, agora as Humanidades. Um estúpido que quer que o seu filho tenha um “ofício” (termo em desuso desde o começo do século passado). Um estúpido que governa pelo Twitter, divulgando mentiras e infâmias. Uma equipe que não consegue colocar sequer um site no ar, que divulga “mudanças” numa lei que ninguém viu.

Vejo colegas e amigos doentes. Eu também fiquei, ano passado. Porque não quis acreditar que vocês votariam e votaram nele. A propagação de idéias maliciosas foi tão bem arquitetada há anos que pessoas lúcidas preferiram ignorar o fato de que estavam votando num energúmeno maldoso a posicionarem-se contra este senhor que, até o momento, acha que acabar com o horário de Verão foi uma atitude benéfica em relação aos “péssimos governos anteriores”. Que estúpido acredita nisso? E dizer que muitos votaram nele por isso mesmo, para acabar com o horário de Verão.

E ele quebrará o país como tem quebrado muitos de nós. As privatizações, os ataques ao funcionalismo público, o assassinato de idosos aposentados e pensionistas, o desemprego, os salários baixos, a exclusão escolar. Se ele ficar quatro anos é isso que teremos: um país quebrado, com uma população miserável, inflação explodindo, hospitais sem atender, falta de itens básicos nos supermercados. Tipo a Venezuela. Enquanto eles estarão no poder, fazendo piada no Twitter. Ele, que viveu a vida inteira às custas do dinheiro público – como militar e parlamentar.

A tristeza também adoece e mata. Ver as Humanidades atacada de forma tão vil e inconsequente me revoltou. Ele jamais saberia, pois nunca pôs os pés num curso superior, que até as engenharias precisam dos graduados em Filosofia. Pois a Lógica, a Filosofia da Matemática, a Filosofia da Ciência existem. Não que ele saiba, é claro. Os cursos de Pedagogia, Direito, Psicologia, Comunicação, e até mesmo a Biologia nasceu pelas idéias de um filósofo. O desconsolo de alguns amigos que, sabiamente, afastaram-se das notícias e do contato com as pessoas me assusta e entristece. Porque estes ataques não têm sido em vão e têm alcançado seus objetivos. E, com uma canetada, digo, uma tuitada, ele ceifará muitas vidas.

Somos resistência, porém. A cada dia, todos os dias. Eu estou com bandeira em punho, vinte e quatro horas por dia, em todos os espaços e canais que tenho contato. Porque eu sei que eu mudo o mundo a minha volta, todos os dias. E esse era meu sonho de adolescente: mudar o mundo. Não o abandonarei jamais – nem a vocês, caros amigos e colegas. Devemos nos deixar cair, de vez em quando, porque o fardo é pesado e difícil de assimilar. Mas, é preciso mostrar porque e para que estudamos tantos, lemos tanto, nos posicionamos o tempo todo e nos tornamos grandes. É preciso mostrar que eles não são maioria – e que nós somos melhores. É hora de levantar a cabeça.

O nosso lugar

Li uma declaração do Haneke, diretor de cinema, endossada por Antonio Banderas e outros, sobre o risco de transformar o movimento de libertação das mulheres que sempre sofreram abuso no meio cinematográfico numa “caça às bruxas”. E, sabe, achei correto. Queremos mesmo caçar as bruxas.

Chegou a hora, não? Aí vejo mulheres dizendo que os homens estão com medo porque acham que nós vamos agir como eles. Não, claro que não iremos. Mas quero que vocês tenham medo. Acredito que o medo pode ser bastante pedagógico no caso.

Pensem vocês em homens com medo. Medo de fechar a porta do escritório quando forem conversar com uma funcionária. Medo de serem mal interpretados na mesa do bar ao fazer uma piada obscena. Os homens aprenderão a fechar as pernas – literalmente – ao andar de ônibus, com medo de serem acusados de abuso por apenas encostar o joelho numa moça.

Mas, a melhor parte: imaginem homens com medo, de madrugada, ao andar solitários, e sentirem-se obrigados a atravessar a rua para não cruzar com alguma mulher. Porque o medo de que ela se sinta assediada o fará correr para a outra calçada. Não seria o máximo? Homens taxistas e motoristas de Uber e companhia só aceitando passageiros homens, para evitar denúncias de assédio! Quero que chegue este dia.

Porque os homens jamais saberão o que é ser mulher nesta sociedade hipócrita e arbitrária. Jamais. Não digo que queremos igualdade nem “nosso espaço”. O que eu sei é que não queremos mais viver submetidas ao que vivemos até hoje – sim, até hoje. Ou vocês acham que cerimônia do Oscar, Lei Maria da Penha, e muito blábláblá em rede social mudou, de fato, a nossa realidade? Não. Não mudou. E esta é a merda.

Vivemos diariamente engolindo o machismo idiota de vocês. As grosserias. A estupidez porque vocês são melhores em tudo. Temos que conviver com vocês. Todos os dias. E isso é uma merda (não tinha como dizer isso de outro jeito). A maioria tem o rei na barriga, é machista sem nem perceber, quer mandar e desmandar, tem atitudes grosseiras e nos inferioriza por mero prazer. O exemplo clássico: os machões adoram “ensinar” e “ajudar” as mulheres no trânsito. Porque dirigir é coisa de homem, claro. Mas palpite para caminhoneiro peludo não dão. Coloquem-se nos seus lugares. Não incomodem, já é um começo. E tenham medo.

Tenham medo de nós não nos calarmos mais. De nós termos a bendita coragem de olhar para o colega de trabalho, numa boa, e dizer “cara, tu é muito machista”. É libertador perceber como os homens começam a sentir medo rechaçando novas idéias e nos acusando de “banalizar” o estupro, por exemplo. Nós, meus queridos, não banalizamos nada. Estupradores banalizaram o estupro. Nós conseguimos, a duras penas, desentalar um grito histórico que nos afogava – o mesmo que, calado, matou tantas de nós.

Eu quero mesmo é ver os homens viverem com medo. Com medo de andarem por aí desnudados na sua violência e desrespeito. Nus das suas supostas maravilhas e da sua inexistente superioridade. Lidem com isso. Aprendam que não são mais os reis da selva. Tenham medo pelas suas vidas diante de mulheres que são competitivas, que falam o que pensam (e pensam), que produzem e são independentes. O dia que o medo dominar os homens poderemos dormir um pouco tranquilas. Não queremos ser idiotas como vocês, nem dominar o mundo. O que não queremos mais é viver uma posição que não nos cabe. E queremos que vocês encontrem o lugar de vocês: fechem as pernas, fechem as bocas, baixem a cabeça, baixem a mão, baixem a voz.

Cemitérios no inverno

O caminho é pedregoso e necessário. Longo e cheio de curvas aborda rios por vezes. A poeira embaça o olhar que tenta atirar-se para todo aquele verde quase negro dos morros. É preciso estirar o corpo lançando-se aos caminhos sem destino nem objetivo. Era quase inverno, ou, quem sabe, era um inverno como esse que hoje se apodera da minha primavera.

Há todo esse mundo distante do correr de tantas vidas para pouco tempo. Você me levou e o silêncio permeava estes pensamentos que não se aquietam. Eu sorri ao ver os patos em linha irem dormir pois o sol se punha: a natureza é assim belíssima e exata.

Foi quando nos deparamos com um cemitério, onde você por acaso fez a volta. Casa dos mortos, singelo e solitário naquele dia frio, cinza e silencioso. É uma lembrança que guardo do inverno. Quando você me salvou daquele dia sufocante e meu olhar perdeu-se nos pensamentos cemitério adentro. Não há nada mais triste. Os mortos ali a me lembrar que tudo finda. Os mortos têm o mau gosto de sempre nos lembrar que tudo acaba. Esses cemitérios de interior fincam no coração que mesmo em meio ao mundo a parte, mesmo nos rincões mais perdidos, mesmo longe desta vida – sufocante sufocante sufocante – a morte chega. E fica. E constrói seus túmulos frios.

A natureza é assim belíssima e exata. Vivemos a vida, nos alcança a morte – quando, e somente quando, já tivermos concluído nossa missão na Terra. De nada serviria que fosse diferente.

Tenho tantas lembranças boas do inverno. Esta me perseguia, enquanto não fosse martelada nas letras não me deixaria em paz. Naquele dia senti o alívio da surpresa e do respiro. Hoje a surpresa – e eu que sempre surpreendo por vezes me quedo surpresa, mas é raríssimo – obrigou-me a anotar no céu das lembranças as cenas do último inverno. Eu gosto de cemitérios. Tanto no inverno quanto na primavera – já te contei como ficam belos cheios de andorinhas? Às vezes também gosto da tristeza. Diria que gosto até de dias frios. E nublados – desde que não abafados.

A natureza é assim belíssima e exata. É assim também o amor, posto que tão natural quanto a morte. Amemo-nos, por certo. Até o próximo inverno. Até a próxima surpresa. E renovemos sempre a beleza e exatidão que nele há.

A Filosofia e a Omissão

Por vezes eu me sinto culpada. Principalmente por ter sido omissa. A omissão é a pior das culpas. E não adianta dizerem “mas você fez o que podia” ou, pior, “você não podia ter feito nada”. A culpa persiste. Já fui omissa algumas vezes na vida, reconheço – e lamento, de um jeito meio doloroso.

Uma ex-aluna minha, de Filosofia do Ensino Médio, fez vestibular para o curso de graduação em Filosofia, para a mesma universidade onde eu fiz. Fiquei feliz, óbvio. A sensação de fazer diferença na vida de algumas pessoas é muito boa. E pela Filosofia, então, essa desesperançada beleza que está mais em desuso e em desvalorização do que qualquer área do conhecimento. Não fui, claro, a única influência dela para seguir neste curso, mas sei que tive lá minha pontinha de responsabilidade.

Depois de um tempo que ela entrou no curso eu acompanhei relatos e a luta dela, e de outras alunas, diante dos abusos e assédios no curso. Meninas mulheres sendo assediadas por professores, colegas e funcionários do departamento. Além disso, complicado dizer “ainda pior”, elas também relataram a luta que é para que sejam reconhecidas como capazes e iguais, numa das áreas mais difíceis dentro de uma universidade. Sim, pode parecer incrível (e, de fato, é), mas mulheres, hoje, em 2017, no Brasil, precisam lutar para mostrar algo tão óbvio: somos intelectualmente tão (ou mais) capazes que os homens.

Eu fiquei triste. Porque eu sabia que era assim – e em nenhum momento a preveni do que ela teria pela frente. Se eu tivesse prevenido, sei que não teria a desencorajado – mulheres que fazem Filosofia são destemidas. Mas ela não teria se desiludido tanto, talvez. Ou ela já estaria melhor “armada” quando se deparasse com as agruras da vida acadêmica de uma estudante de Filosofia.

Mas, pior ainda mesmo, é a sensação de culpa por eu ter silenciado. (vocês estão de prova, não silencio mais: a gente aprende) Eu não lutei e não me fiz ser ouvida quando fui assediada no curso, por professores, por colegas. Eu não expus os abusadores que mantêm o status quo atrás de suas poses intelectuais. Eu deixei de frequentar a lanchonete do prédio, eu ficava chateada e de vez em quando pensava duas vezes antes de me vestir para ir à aula. Eu não ficava em certos horários, em certos lugares. Nem mesmo quando era de conhecimento de muitos que eu estava em algum relacionamento, na época, eu me livrei dos assédios. Coisa que, de vez em quando, nos dá um pouco de sossego.

Eu silenciei. Talvez seja hipócrita, por isso, hoje eu dizer para que não silenciem. Ou não. Porque eu não silencio mais. Eu exponho homem machista, abusador, assediador, intransigente, intolerante, agressor e tudo o mais. A gente aprende.

Além do assédio, que parece tão comum nas ruas e em todos os ambientes, existe esse ranço de superioridade intelectual. Sim, há. E não é só nas Engenharias. Aliás, nesta área os melhores profissionais que eu conheço são mulheres. E sei que elas tiveram que batalhar o dobro para mostrar que são capazes. Porque é essa a nossa vida: mostrar que somos capazes. Até quando? Até quando esse mundo e esses homens vão ficar nos forçando a mostrar que somos iguais? Ou até melhores (e é bem isso que eles não aceitam). Filosofia é difícil pra caramba. Nós, mulheres, também nos destacamos. Nós também somos capazes. Coisa inteligente não é só pra homem.

É triste. É triste ver essas meninas e essas mulheres desde cedo tendo que exibir na testa a sua força – física, intelectual, emocional. A gente queria só viver sossegada, às vezes. As universidades são muito machistas. Porque foram, por muito tempo, dominadas por homens, enquanto as mulheres, no máximo, podiam fazer pedagogia pra cuidar de crianças – porque isso é coisa de mulher. Aliás, curioso o relato de um moço que eu conheci. Ele fazia Pedagogia, único homem da turma, e nem estágio nas escolas e creches ele conseguia porque “um pai não vai querer que um homem cuide da filha dele”. O reverso é raro, mas é verdadeiro.

Sofremos muito preconceito em sala de aula na Filosofia. Teve uma professora que um dia nos chamou de galinhas. Simples assim. Nada aconteceu. No relato da minha ex-aluna ficou claro que não farão nada, na reunião de departamento disseram que só os casos reportados deverão ser examinados e seguir o que rege as regras da universidade. A gente sabe no que vai dar.

A gente aprende. A duras penas, mas aprende. E quanto mais cedo, melhor. Ser mulher não é pra qualquer um. Mas nós somos e estamos fazendo cada vez melhor. Levo minhas culpas comigo, para fazer ainda mais, dia a dia. O que aprendi foi a ser menos omissa. Parece pouco. Pouquíssimo.

A distância do tempo

Repare nestes corpos que estão à volta: em plena Primavera malhados e sem o suor sob o ar condicionado das academias. Logo será Verão e eles precisam se exibir à beira de piscinas e mares. Mas, veja, eles ficam exaustos dos pulos, das roscas, dos agachamentos. São corpos que não sabem mais (ou nunca souberam) o que é fazer força, sentir os músculos estirados ao sol com uma pá na mão, por exemplo. Repare, eles correm quilômetros intermináveis nas esteiras percorrendo parques imaginários.

São corpos que caminham sem sair do lugar. São mentes que possuem olhos que não vêem nem além da parede envidraçada das academias. São corpos que não caminham mais. Isso me diz o estacionamento lotado desses novos templos de Apolo, isso me diz a vizinha que não anda duzentos metros até lá. Por uma questão também de status, só andamos de carro – ou de moto, quando muito por necessidade. Inventar a roda nunca fez tanto sentido para uma humanidade falida presa aos freios do motor.

Nem o preço da gasolina, nem a tal vida saudável, nem nada. Nada mais nos faz andar a pé. Talvez nem os bebês mais se preocupem com isso, logo logo. Os pais perderão aquele momento emocionante de ver as perninhas trêmulas sustentarem-se sozinha e titubeantes. Porque não andamos mais a pé. E assim perdemos a força natural que o corpo desenvolve com o movimento essencial à vida. Preferimos modismos a simular os movimentos do corpo num cross qualquer a, simplesmente, fazê-los.

Simulamos demais a vida. Dentro de academias, dentro de computadores, dentro de selfies que não nos dizem nada. Não andamos mais a pé. E assim perdemos todos os entalhes do mundo ao nosso redor. Perdemos os pequenos detalhes que as ruas e as vistas panorâmicas nos proporcionam. Vamos de carro daqui até ali, paramos em frente de onde queremos e sequer nos preocupamos com o entorno.

Caminhar, e não a fatídica “caminhada” por ordem médica que é dar umas voltas pelo bairro fofocando ou absortos em fones de ouvido. Convido a caminhar, pé ante pé, a subir e descer morros, a entrar em ruas desconhecidas, a fazer pequenos serviços e burocracias cumprindo distâncias sobre os próprios pés.

Convido a esquecer nossa submissão humana de encurtar distâncias com o olho no relógio e adequar a vida à distância do tempo. “Estarei aí em uma hora” a substituir o “Estarei aí em dez minutos”. Ganha-se vida nestes cinquenta minutos a mais percorrendo com olhos, coração e pés a distância que nos separa do tempo.

Caminhar nos fez seres humanos. Nossa humanidade se esvai em canos de escape. Caminhar pelo simples fato de caminhar. De um lugar a outro. Sem prescrição médica. Dando ao corpo o movimento real da vida. Dando à distância o seu tempo. Fica o convite.

Nosso medo

Há dias que tudo o que se quer é uma boa noite de sono. Você deita querendo espantar o cansaço e adentrar o mundo dos sonhos. Mas, no meio da madrugada, o cachorro late insistentemente, late de forma agressiva. E você levanta para ver o que é. Na rua, um rapaz agride, física e psicologicamente, uma moça. Ela chora. Cachorros, vocês sabem, não toleram agressões. Nós também não deveríamos.

Caso você fosse um homem, eu diria que deveria intervir. Homens, diante do olhar dos seus iguais, tendem a recuar – quando sabem que estão errados. No caso, porém, era eu. Fiquei com receio de intervir e, por ser mulher, acabar junto à vítima. Recorri de imediato ao telefone. Na primeira ligação, “qual a sua emergência?”, só deu tempo de dizer que denunciava um homem batendo numa mulher na rua – a ligação ficou muda. Na segunda tentativa consegui fazer a denúncia e “Está registrado, se der enviaremos uma viatura”. Voltei para acompanhar o ocorrido, a moça havia se levantado (ela chegou a ficar no chão) e as agressões e ameaças verbais continuavam. Mais alguns minutos e eles seguiram. A polícia não apareceu.

Não foi a primeira vez que liguei para a polícia denunciando o mesmo tipo de agressão. Num caso era minha vizinha de porta de apartamento. A última vez foi uma menina sendo agredida pela rua, jogada contra o portão de casa. Em nenhum caso a polícia se fez presente. Em todas, me senti tão amedrontada quanto as vítimas. Toda mulher sabe o que é isso. Todos os homens também deveriam saber. Em todos os casos, como nesta madrugada, várias pessoas foram testemunhas. Ninguém fez nada. Ninguém faz nada. Nós não fazemos nada. Nenhum homem parou o carro e defendeu aquela moça. Eu já disse aqui e repito: enquanto os homens não entrarem nesta briga, seremos só feministas, feminazis, mulheres de mimimi. Tem mulheres, inclusive, que pensam assim.

Não somos só estatísticas. Somos mulheres agredidas diariamente. A moça desta madrugada tinha menos de vinte anos, com um vestido lindo, corpete salmão e saia rodada de tule preto. O cara que a agredia era algum amigo ou namorado. Ela chorava e ele a chutava. Acusava-a de não ter noção e decência. Ameaçava “vou ligar pra tua mãe” e chutava aquele corpo bonito e jovem encolhido no chão. Depois, ela chorava mais alto e acusava-o de alguma coisa ao que ele retrucava “foi sem querer” e ela “é sempre sem querer”. Meninas, moças, mulheres: todas somos vítimas de relacionamentos abusivos. Percebam o tamanho da estupidez e segurança deste idiota ao ameaçá-la de telefonar para a mãe, pois ele tem certeza que ela jamais denunciará sequer à mãe a agressão.

Eu nunca consigo saber o que é maior: minha revolta, meu medo, minha empatia, minha insegurança, minha covardia. Eu voltei para a cama. Tive sucessivos sonhos ruins. Os traumas e lembranças não perdoam. Toda mulher vive com eles, escondidos lá num canto, sem querer vê-los, mas jamais serão abandonadas por eles. Era só uma madrugada de sexta para sábado, eu queria dormir até mais tarde, eu queria repor as energias e pensamentos das últimas semanas exaustivas. Aquela moça só queria divertir-se, dançar, aproveitar a vida. Nenhuma de nós teve o que queria porque a realidade de ser mulher nos assombra quando menos esperamos. Eu quero vencer o medo, quero poder fazer mais do que pedir ajuda quando testemunho uma igual sendo agredida. Eu ainda não consigo.

A vida na cidade

Eu sentia a cidade diferente. Faltava algo por ali. Vida. Havia pessoas, sem dúvida. Havia árvores, também. Mas algo faltava… no ar, quem sabe, não era Primavera, as flores não perfumavam as esquinas. Ainda não era isso. A cidade nem crescera, nem chovia menos. Prometo não entrar naquele papo de “quem mudou fui eu”. O cheiro ruim das fábricas também era velho conhecido – desconfio que jamais mudaria. Lojas que fecharam e outras que abriram no seu lugar. Era outra coisa…

Eu vinha do interior. As cidades tinham vida, os olhares se cruzavam pelas ruas. Acenos de cabeça a desconhecidos. A lanchonete oferecendo sopa àquela hora da noite, única de portas abertas no frio que arrasava esta terra. Um velhinho tarrafeava próximo ao píer, num repetir de gesto e vazios entre fios. Nada de peixes. As igrejas e seus sinos. Os alambiques no silêncio abençoado. O vento arrebatava os topos das árvores. Nós parávamos para contemplar o entardecer.

Agora eu percebia a diferença. Os cachorros e gatos pelas ruas. Eles se espreguiçavam pelas praças, nos seguiam abanando o rabo com aquele olhar cobiçoso ao nosso sanduíche. Os gatos, nas manhãs de domingo, preguiçosamente lambiam as patas sobre os muros. As crianças, nos dias de calor, gargalhavam entre guapecas e mangueiras esfuziantes de água fria. Era essa vida.

A cidade grande civilizara-se. Agora preocupávamos com tudo – e todos, claro. Todas as nossas mazelas deveriam ser superadas – ou devidamente escondidas das nossas vistas. Os cães agora dormiam em caminhas confortáveis, cheios de cobertas e brinquedos, e comiam sentados às mesas com seus tutores. Tutores, pois dono é quem possui algo ou alguém, o que não é o caso, agora os seres humanos civilizados apenas tutoram a vida dos animais. Me perguntei: se o cachorro quisesse partir, então seu tutor deveria deixá-lo. Certo?

Na cidade grande ainda havia outro tipo de vida. Eram essas pessoas que vagavam pelas ruas e dormiam sobre papelões. Era uma vida que não precisava de tutoria. E era uma vida que mortificava a vista do entorno. Não dava vida.

Eu sentia a cidade sem a vida que se criava ao rés das possibilidades. Observava como havia poucos cães e gatos a olhar pelos portões – mas muitas janelas de prédios com redes. Eu passava pelas casas ansiando vê-los agora bem alimentados, felizes, de banho tomado (toda semana no pet shop, é claro), e atrás dos muros e grades e portões a correr pelos gramados. Eu imaginava como era perder a liberdade. Sair da rua direto para um apartamento de um quarto espremido entre milhares de outros apartamentos assim diminutos. Ou, quem sabe, para o canteiro minúsculo de um geminado. Eu ouvia latidos e choramingos de segunda a sexta, das oito da manhã às seis e meia da tarde.

A vida da cidade agora residia sob roupinhas engraçadas e lacinhos dourados a dormitar sobre sofás, estressada a correr atrás do próprio rabo e condenados a dermatites sem cura.

Reclamar é um vício

Com licença, tudo bem? Desculpe-me por incomodar. Eu vim só reclamar de quem reclama. É que não aguento mais. Como vocês conseguem – reclamar de tudo, o tempo todo? Reclamadores de plantão. Ganham dindin pra isso? Porque, só pode. Não quero crer que reclamam de graça, estariam ricos! Mas eu não aguento mais. Primeiro tentei ignorar, assim, de boa, com meu sorriso de sempre no rosto e um comentário ou outro a fugir do assunto. Depois, mantive o sorriso, preferi deixar passar, fiz que não ouvi. Agora não tem mais condições.

Primeiro achei que a pessoa estava num dia ruim, sei lá, aquela dor de cabeça, uma noite mal dormida, alguém doente na família. Mas, aí, como explicar tanta gente tendo o mesmo dia ruim? Todos do mesmo signo, quem sabe. Depois achei que era o ambiente, pô, ninguém quer trabalhar sábado à tarde, ou, sei lá, a pessoa está nessa profissão mas não queria estar. Por último, já meio pelas tampas de revolta, desconfiei que são todos infelizes. Mas, Deus do céu, tanta – mas tanta – gente infeliz assim a minha volta? Será se?

Eu queria dizer isso mesmo: não dá. É o tempo todo. Todo mundo. Dá pra ser infeliz e não reclamar o tempo todo também, tá? Dá pra estar com baita azar e problema e ainda sorrir e fomentar um ambiente agradável (minimamente respirável) ao redor. Confiem em mim, dá sim. E, ó, vale ouro (se não, ao menos vale mais do que reclamar): reclamar e reclamar e só reclamar NÃO muda absolutamente nada. Nada. Nadinha. Nadica de nada. Vão por mim. Não muda. Reclamar é totalmente inútil. No máximo, você consegue se tornar um chato e ganhar algumas doenças (porque, sério, tanta coisa ruim da boca pra fora só pode ir contaminando por dentro). Reclamar não faz diferença nenhuma. Repitam comigo: n e n h u m a.

Eu estou aqui, eu sei, reclamando. Mas, eu sei que vocês não podem ver, eu estou sorrindo. É aquela coisa de querer abrir o coração, sabe? Então. Vocês me expliquem como é que pode esse povo todo reclamando de tudo, de qualquer coisinha, o tempo todo? Desanima a gente – e não pode. Ou eu que estou numa onda de azar, me relaciono mal, estou frequentando ambientes nocivos. Quem sabe. Eu levo a vida numa boa, sabe? Com esse sorriso no rosto. Se o dia vai mal, coloco umas músicas aí num volume meio alto, que é pra silenciar os pensamentos ruins e deixar a vida no prumo. Ou peço colo. Ou leio. Sei lá, pode comer também. Uma conversa boa, ajuda, viu? Só não pode ficar ressecando os ouvidos alheios com suas infelicidades.

Aliás, dia desses quis xingar uma criatura e me saiu um “ô, seu infeliz!”. Eu não sei nem xingar. Infeliz, pra mim, seria um xingamento monumental. Mas, vejam meu azar, o cara era desses que sequer sabem o que é felicidade. Daí xingar de infeliz é tiro no pé, né. Vai que esse povo todo reclamando, sei lá, só uma hipótese, nem percebe que só reclama? Posso gravá-los falando e daí mandar o áudio para uma avaliação consciente? Ajudará?

Mas, viu, já estou terminando. Passei só pra dizer isso mesmo e mais uma coisa: coloca esse sorriso no rosto (tem a canção, lembra?). Experimenta não reclamar. Um dia. Depois dois, três, quatro… Experimenta reclamar só sobre o que realmente importa, para os órgãos ou pessoas responsáveis. Não fica na ladainha chata. Toma atitude, quando estiver mais seguro de si. Aí fará diferença. E se o dia começar mal, se você odiar o que faz, se tua vida é uma lambança (estou evitando palavrões), se tem amor não correspondido ou é mal-amado, se o dinheiro ainda não caiu na conta (ou quando cai não dá conta), se chegou a fatura do cartão de crédito, se está tendo que trabalhar mais e quase não descansa, se a pia está vazando ou o chuveiro queimou e teve que tomar aquele banho gelado no inverno: sorria. Ria. Se divirta. Sei lá, pede ajuda. Conta uma piada. Deixa pra amanhã. Repensa a vida. Mas, eu queria pedir, não reclame, tá? Posso confiar? Obrigada.

Eu andava por aí pensando nisso e ó o que encontrei.

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