Nossa Esperança

De esperança se enche

nos últimos dias

enquanto houver

Esperança, sempre haverá

ao levantar os olhos ao altar

banha meus dias

enaltece meu coração

em cada queda

Não morre, não me abandona

mantém-me de pé

mesmo a chorar

e a querer voltar

Tempo não volta

tempo se vai

em fios de esperança

De tão bonita Senhora

nossa, a amparar-me

cheguei até aqui

viverei, ainda

só a esperança

sob meus pés.

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20h20

Enfim a espera se desfez

às oito e vinte daquele sábado

diante das águas paradas do rio

e outubro será sempre o mês


Em teu abraço estou

e paro o carro a mirar-nos

naquele banco

sob o céu nublado


Amar-te era certo


De outubro a outubro

percorro o tempo

e estradas e Estações

em busca do teu sorriso


Nos chegam boas novas nos costões

tardes preguiçosas no sofá

e emoções em bairros afastados


Entre idas e vindas

abraços e despedidas

amar-te me pertence


De companhia e companheiro

narramos nossos encontros

em verso prosa e risos

por todos os próximos outubros

Sonha-te quem és

O que sonhas, meu bem

quando te afago a nuca?

O que te sonha o verde

dos sombreiros sobre nossas cabeças?

O que sonhas

ao te roçar o pêlo?

O que te sonha o futuro

a te trazer o que não tens, ainda?

Abandona-te, suplico

aos sonhos

aprisiona-me nesta vida

te juro, não posso

salva-me ao sorrirmos

sonhando sonhos impossíveis

Queira-me a vida a simplicidade

Queria-me a vida a rotina

expulso-te se me querem rendida

O que sonhas, meu bem?

A amarrarmos os barcos

em novos desafios

a protestarmos diante

de outros desaforos

a enchermos o tanque

e rodarmos estradas inclementes

O que te sonha, repara

a cada alvorecer

em todas as tardes longas

em especial num dia de sol

Sonha-te quem és

perturba-te o desejo mais sincero

acalma-te as certezas mais puras

Sonha-te quem és

de pés descalços e nu

contemplando a vilania

das máscaras que te caem

e do sonho mais voraz

que te abraça agora.

Amantes

Olhar noturno

sobre o lençol amassado

a névoa do desamparo

nem um bilhete


perderam-se as horas

no escuro


Um soluço

na almofada calado

o coração de retalho

nem a porta bateu


perderam-se os amantes

no desamor

Ela chegou

Sem licenças

pedidos ou renúncias

ela chegou

sem malas ou passagens

sem avisos prévios

ela chegou

de sorriso no rosto

esperança e despojamento

ela chegou

de palavras sinceras

carinhos e paciência

ela chegou

Revoando tempo e espaço

vestidos e nuvens

ela chegou

Renovando promessas

beijos e laços

ela chegou

Sem peso na consciência

nem passado

ela chegou

sem culpas nem exigências

nem coração em pedaços

ela chegou

Reinventado o céu

sob madrugadas

e sonhos em trens:

ela chegou.

Em ilhas

Teu traçado mínimo

à flor da pele

em engastes dourados

no meu coração

Em Ilha te fazes

em ilhas me desato

carrego teus caminhos

em memórias ilustres

do que percorri

insensatas flores

desabrochavam em ti

Só e nós nos encontramos

no silêncio dos morros

e nas cores do pôr do sol

nas noites frias

e no vento à beira-mar

Cresci aos teus pés

e em ti menina me sinto

foi assim possível

despedir-me e partir

Os amores eternos

não nos aprisionam o medo

Para mañana

La antología de nuestros sueños

estuvo mirando estos días

fuéramos tan celosos

y nos traicionamos

Hubiera sido una estrella

mi deseo de ser feliz

contigo y brillaría

por todas las noches

Si tú ahogase mis miedos

en la lluvia fría del otoño

habríamos llegado a la primavera

Pero nos quedamos

infieles al despertar

de todo lo amor que teníamos

guardados para mañana

nos quedamos apáticos

al salir por las calles

llenas de dudas y tesoros

La vía tenia espinos dulces

donde me ha sangrado

el corazón y el pecho

he caminado sobre las manos

por dar-te esperanzas

de nuevos días y abrazos

piensa, no te quito las noches

piensa, no te quito la salida

piensa, no te quito la sonrisa

Habrá siempre la ventana abierta

y la cama caliente

y un té sobre la mesa

y yo a mirar la puerta

por las noches en el desierto

(se) Insurgir

Levarão nossas mulheres

levarão nossos sonhos

e noites de núpcias

levarão nossas moedas


Tomarão nossas casas

nossos caminhos

e nossos olhos

tomarão nossas colheitas

nossa fé e nossas crenças


Farão nossas tradições

nossos cardápios

e nosso porvir


Levarão nosso sangue

nosso corpo

nossos corações

e nossas defesas


Tomarão nossos copos

nossas alianças

nossos pés calejados

e nosso baú de saudade

tomarão nossas vozes

e nossos ataques


Farão nossos enterros

nossos velórios

e nossa eternidade


Olharemos

de mãos cruzadas no peito

a carpir o choro

à espera, ainda,

do nosso salvador.

Páginas em branco

Enquanto dormeseu escrevo furiosaas palavras que não se achegame penso no que me consomeem crimes desumanose estratégias viseu penso no trabalho da semanano quanto quero viajara subir escadarias e mirantesao teu ladocorro este tecladoatrás das idéias fortuitasque me abandonaramenquanto dormesquero que creiamno quanto tenho a dizermesmo quando tenhopáginas em branco a oferecer.

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