Rastilho

Queima-me a alma

estopa embebida em paixão

Sangrento devaneio das tardes

Teu corpo quis

Pereci no desejo

Daqueles anos, uma canção

Meias palavras e adeus

Queima-me o presente

querosene pelo chão

dias enfadonhos vêm e vão

Foste traição

Em meio à tarde

Ardo vontades

Não mata nem fortalece

Se faz rastilho

aos olhares, cobiças

E saudades e carros

e noites intermináveis.

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É Carnaval!

Vista sua fantasia
Saia na avenida
Goze a alforria
Destes dias
É Carnaval!
Vem, escolhe a máscara
Seja hoje
Quem você quiser
Nos outros 360
A gente não vive
Apenas tenta
Chegar de novo
Com fôlego
A gritar
É Carnaval!
Junta em bloco
Sua a camiseta
Beba que não há amanhã
É Carnaval!
É o feriadão
Que a gente ama
Seja de rei ou de índio
É Carnaval!
Vista todas as fantasias
Arraste foliões
Em orgasmos de alegria
É, Carnaval…
Em teus braços

Todos podem ser deuses

Perdoei

Aprendi a inundar a alma

cada onda passa

sussurrando os nomes

dos inimigos

Atiraram – me pedras

Rogaram – me pragas

Derrubaram – me

Zombaram das minhas conquistas

Mergulhei

afoguei as desonras alheias

                em perdão. 

O mar se esbalda 

nos pecados dos desamados;

Desejam o mal

Respiram o mal

Alimentam – se de ver

Vidas se perderam

Lava, molha, afoga 

            perdoa. 
Perdoa aos que te doeram. 

Perdoa aos que sucumbiram. 

Perdoa como eu perdoei. 

Nossa Esperança

De esperança se enche

nos últimos dias

enquanto houver

Esperança, sempre haverá

ao levantar os olhos ao altar

banha meus dias

enaltece meu coração

em cada queda

Não morre, não me abandona

mantém-me de pé

mesmo a chorar

e a querer voltar

Tempo não volta

tempo se vai

em fios de esperança

De tão bonita Senhora

nossa, a amparar-me

cheguei até aqui

viverei, ainda

só a esperança

sob meus pés.

20h20

Enfim a espera se desfez

às oito e vinte daquele sábado

diante das águas paradas do rio

e outubro será sempre o mês


Em teu abraço estou

e paro o carro a mirar-nos

naquele banco

sob o céu nublado


Amar-te era certo


De outubro a outubro

percorro o tempo

e estradas e Estações

em busca do teu sorriso


Nos chegam boas novas nos costões

tardes preguiçosas no sofá

e emoções em bairros afastados


Entre idas e vindas

abraços e despedidas

amar-te me pertence


De companhia e companheiro

narramos nossos encontros

em verso prosa e risos

por todos os próximos outubros

Sonha-te quem és

O que sonhas, meu bem

quando te afago a nuca?

O que te sonha o verde

dos sombreiros sobre nossas cabeças?

O que sonhas

ao te roçar o pêlo?

O que te sonha o futuro

a te trazer o que não tens, ainda?

Abandona-te, suplico

aos sonhos

aprisiona-me nesta vida

te juro, não posso

salva-me ao sorrirmos

sonhando sonhos impossíveis

Queira-me a vida a simplicidade

Queria-me a vida a rotina

expulso-te se me querem rendida

O que sonhas, meu bem?

A amarrarmos os barcos

em novos desafios

a protestarmos diante

de outros desaforos

a enchermos o tanque

e rodarmos estradas inclementes

O que te sonha, repara

a cada alvorecer

em todas as tardes longas

em especial num dia de sol

Sonha-te quem és

perturba-te o desejo mais sincero

acalma-te as certezas mais puras

Sonha-te quem és

de pés descalços e nu

contemplando a vilania

das máscaras que te caem

e do sonho mais voraz

que te abraça agora.

Amantes

Olhar noturno

sobre o lençol amassado

a névoa do desamparo

nem um bilhete


perderam-se as horas

no escuro


Um soluço

na almofada calado

o coração de retalho

nem a porta bateu


perderam-se os amantes

no desamor

Ela chegou

Sem licenças

pedidos ou renúncias

ela chegou

sem malas ou passagens

sem avisos prévios

ela chegou

de sorriso no rosto

esperança e despojamento

ela chegou

de palavras sinceras

carinhos e paciência

ela chegou

Revoando tempo e espaço

vestidos e nuvens

ela chegou

Renovando promessas

beijos e laços

ela chegou

Sem peso na consciência

nem passado

ela chegou

sem culpas nem exigências

nem coração em pedaços

ela chegou

Reinventado o céu

sob madrugadas

e sonhos em trens:

ela chegou.

Em ilhas

Teu traçado mínimo

à flor da pele

em engastes dourados

no meu coração

Em Ilha te fazes

em ilhas me desato

carrego teus caminhos

em memórias ilustres

do que percorri

insensatas flores

desabrochavam em ti

Só e nós nos encontramos

no silêncio dos morros

e nas cores do pôr do sol

nas noites frias

e no vento à beira-mar

Cresci aos teus pés

e em ti menina me sinto

foi assim possível

despedir-me e partir

Os amores eternos

não nos aprisionam o medo

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