Corta a cidade

O trem cortou a noite

dezenas de vezes ouvi-o

esvaziar meus pensamentos

naquele instante

porque o trem cortou a noite.

A alma que, de madrugada,

sonha acordada

com as férias? O futuro? O nada?

desperta assustada

é o trem varando a friaca.

O tempo passou, me veio a idade

encontro-me em certezas

questiono o brilho das estrelas!

julgo partir em pedaços a hipocrisia.

Olho ao redor…

somos todos os mesmos.

E, ainda,

o trem, à noite, corta a cidade

(e minh’alma).

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Cambiar mi suerte

Mira
Me conoces poco
Te quiero mucho
Haces flores de mis destrozos
¿Cuánto cuesta tu sonrisa?
Tu alma me extraña
¿No?
Mira
Yo no quiero todo
Puedes tenerme sólo
Puedes tenerme hoy
Te quedas en dudas
Quedate conmigo, niño
Mira
Esto es imposible
Yo, sinto, no soy la misma
Tengo un corazón a proteger
Y un cuerpo a desear
Pues, hoy, te los quiero dar
Mira
No tengas vergüenza
Sé que soy un riesgo
(Una chica de verdad)
Que ni sueñan los padres
Pues te garantizo placeres, niño
Mira
No me hagas decirle dos veces
Te quiero mucho
No me engañas tu mirada, niño
La vida puede que me sea una tormenta
Y no tengo ojos al pasado
Si no vas a cambiar mi suerte
Quedate acá, cerca del mar
¿Sabes que no voy a volver?

Em dia de Santo Antônio

O sorriso de quem batia à porta do céu

em dia de Santo Antônio

avisando que vinha num pôr-do-sol

depois de fechar os olhos ao amanhecer.

Elias, também, para aí partiu

em carruagens de fogo

que os bons Deus leva

ao seu encontro.

Nossa mania de lavar as mãos

em demasia

e o que a esquerda fazia

a direita não via.

Há quem nunca aprenda

o que a vida ensina:

a amar nos resquícios do dia

nos labirintos do silêncio.

O coração gigante dos olhos azuis

captei para lembrar

como era chegar em casa

e vê-la dependente e frágil.

“Nossa Senhora” sussurrava

aos meus sorrisos

“Puta, tudo puta” gritava

às minhas gargalhadas.

Versos, apenas

para não esquecer.

Saudade imatura irrompe

às portas abertas do guarda-roupa

dos dias que descobri, por fim

o vazio. O vazio.

Foi sacrifício

agarrou-se a todo o respiro

invencível e forte – que forte!

um de nós, teria sucumbido.

Instalou-se aqui como uma prece

inundou-nos com parábolas

e lições de ouro e de prata

ditou seu evangelho e nos salvou.

Do teu olhar lúcido e passageiro

às tuas últimas palavras.

O amor vence

a memória.

Outros campos

Olhos abertos ao sol

São tristezas passageiras

Agosto sopra à nuca

Meus desgostos à tona

Do topo avisto outros campos

Permaneço pés imóveis

há montanhas demais a galgar

A descida é uma escolha

Ensino-te

Ensino-te

a pisar caminhos e tropeçar sem medo

escapamos de dias de desespero

de sábados sem sol e de domingos mornos.

Ensino-te

o doce lambuzar das palavras mais sútis

em troca de olhares e nervosos sinais

sobre ondas do nascer do sol primaveril.

Ensino-te

a não morrermos de tédio em frente a TV

a despedaçarmos os amores vãos e frios

a superarmos distâncias num piscar da lua.

Ensino-te

meu bem, que a vida é mesmo assim

superar dores e lambermos afagos

a cada perigo na esquina, olhares atentos.

Ensino-te

que não sou de ninguém nem nunca fui

que o tempo é um velho amigo

a deslizar pela estrada que tracei.

Ensino-te

o tanto que tenho fome do mundo

o tanto que o mundo me destrói

o tanto de invernos que já sofri.

Ensino-te

o tamanho das coisas sem importância

a palavra amarga dos filósofos

e a câmera nervosa que nos desperta.

Ensino-te

eis quem sou.

Descalça

Desnuda estas pernas
deixa o colo à mostra
Seduz, teu sorriso
De alma velha
de quem já sofreu
e não se entrega
Mais uma Primavera!
Entrega teus pensamentos
ao sol
confessa teus desejos
brinca em segredo
Teu corpo ama
Entrega – te aos dias que virão
a paz tu mereces
mas não a quer teu coração
Ele quer vida bamba
Calor e paixão
Desafias o destino
descalça e cabelo ao vento
sorriso e vestido
e o olhar despido
mais uma…
Primavera.

Canção popular

Estou sem rima

para o teu sorriso

nego querer tê-lo

como abraço

e remetê-lo

ao desejo


Estou sem poesia

outra tarde, outro dia

quis morar no pôr-do-sol

e deixei a vida

mais bonita


Estou sem inspiração

a chuva infiltra

cada canto da canção

bebo pra não perder

horas vagas em oração


Estou sem pressa

a amar a Primavera

o sol e as flores

meu coração

de novo em cores


quis ser popular a fazer versos de paixão

e neles nos enroscavámos assim:


Me deixa cair no abraço dos teus lábios

a roçar no canto do teu sorriso

esse desejo proibido dia e noite comigo

o futuro é incerto, eu te digo

mas no sonho e no Verão a gente pode

se amar como dois conhecidos

e ninguém tem nada com isso!

The dogs

I found the sun behind the mountain

the children are playing in the garden

I left the books in the grove

Look all the lost smiles

Think about all the nights

I’ve spent dreaming with these days

You’ll never know, but try

The beach was empty

everyone has gone

the stars also

There’s not enough faith

for the time that will never come back

there was not a chance to go wrong again

I found the rain unspeakable on the streets

the children left their toys on the grass

the dogs are barking, they’re hungry

I want a map to the present

maybe a boat trying to reach my heart

There always some dreams to dream

today

Listen to the end of the silence

they’re coming back

the moon too

Les poèmes de l’est

Tes yeux ne atteint pas

Mon rêves son vers de l’est

De pierre, ils disent, si je regarde

Belles beautés, séductions sans fin

Je rêve avec le jeune fille sourient

Elle chanter les poèmes écrits sur le mur

Je sais : je peux toucher, ne regarde jamais

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