A ignorância e a arrogância de mãos dadas e um comentário sobre o horário eleitoral

 

Minha mãe chega em casa e relata a seguinte história:

 

Na clínica, sala de espera.

 

– Ai, cheguei atrasada porque teve um acidente na rua Aubé, com três carros. Mas não tiraram os carros da pista, deixaram lá, ninguém ia nem vinha. Tive que dar a volta e ir lá por trás. – diz uma mulher

-Ah, mas ano que vem isso tudo vai mudar. Vão colocar elevado pra todo lado, duplicar. Ano que vem! – diz minha mãe citando ironicamente a propaganda política que vimos ontem no horário eleitoral.

– Ah, é mesmo! Ano que vem a cidade vai ter “elevado” o trânsito! Mas elevado não é nada, vai ter até túnel! O túnel foi demais! – diz um homem, citando a tal propaganda do candidato a prefeito.

– Túnel? Elevado? – pergunta a mulher que ficou presa no trânsito.

– É, é, não viu o horário eleitoral ontem? Disseram que vão fazer até túnel em Joinville! – responde o homem.

– Túnel em Joinville? Pra quê? Pra encher de água da enchente?! – pergunta a mulher.

 

Aí entra em cena outro personagem, quieto até o momento.

 

– Eu nem vejo horário eleitoral porque eu tenho TV a cabo. Aliás, esses canais todos aí, Globo, SBT, eu nunca assisto porque tenho TV a cabo.

 

E o silêncio domina.

 

Eu pergunto pra minha mãe: E tu não respondeu que também tem TV a cabo e que coloca no horário eleitoral porque vota e quer ver o que está acontecendo na campanha?!

 

Eu digo, meu povo, arrogância e ignorância andam de mãos dadas.

 

Sim, a ignorância do high society brasileiro é arrotar que não assiste Globo. E ignorância maior é fazer questão de dizer que não ouve no rádio (não sei se vocês sabem, mas tem propaganda no rádio também, tá?) e nem assiste na TV. Fazem questão de dizer. Sim, porque é aí que entra a arrogância.

 

Fiz meu título de elitor com dezesseis anos. Desde então talvez só não tenha votado em uma eleição para prefeito porque não estava na cidade. E assisto e ouço no rádio frequentemente os horários eleitorais (que, não sei se vocês sabem, mas não tem nada de gratuito).

 

Além de assistir comento em casa e onde eu bem entender sobre os candidatos e sobre os programas. Te incomoda? Problema teu.

Se paga de inteligente e blábláblá e ignora Política? Ou, ainda pior, se paga de revolucionariozinho-esquerdista-pseudo-mil-coisas mas não tem um argumento atualizado sobre Política? Taí, ignorância e arrogância em lua-de-mel.

 

Próximo post vai pensar um pouco mais sobre isso, sobre a falsa associação que se faz entre renda, nível social, educação, cor e outras cositas mais.

 

 

Água oxigenada

Entro na loja de cosméticos aqui perto de casa para dar aquela olhada básica. Um alvoroço vem logo atrás de mim.

Entra uma perua velha. Não há outro modo de descrevê-la. Loira com laquê, estampa de oncinha e sei lá mais quais animais pela figura toda, aquele dourado nos dedos, batom vermelhão, bolsa de alguma marca cara demais.

 

“Olha, aqui não dá pra estacionar. Eu quero estacionar!”

 

A moça do caixa olha sem entender nada.

 

“Eu deixei meu carro ali, atravessado, estou com medo que alguém bata! Metade dele está na rua! Aquele homem ali, ó, parou no estacionamento da loja só pra falar ao celular!”

 

(Gente, todo mundo acha um absurdo, né? Imagina! O cara parou o carro para falar ao celular e, assim, não matar ninguém! Ó!)

 

“Você vai lá dizer pra ele sair?”

 

Eu já com muita pena da moça do caixa.

 

“Porque eu preciso comprar isso aqui, ó.”

 

Água oxigenada.

 

“Mas talvez ele já saia. A senhora quer ver mais alguma coisa? Ou eu posso cobrar?”

 

“Ai, olha, estou com medo! Podem bater no meu carro! Metade dele está na rua. Como que esse homem pára ali pra falar no celular? Hein? Pode cobrar, então. Ai, ele já está saindo!”

 

“Ah, mas é rapidinho, a senhora pode pegar o troco aqui, pode ser?”

 

“Ah, pode, isso. Obrigada, querida! Vou lá tirar o carro, olha o risco que eu corri!”

 

E eu ali parada, saio da loja e vejo um sedan atravessado, não na rua, mas na calçada impedindo qualquer pedestre de passar. É, absurdo para a água oxigenada é parar para falar no celular. Absurdo é a quantidade de gente que eu ainda vejo dirigindo e falando ao celular. E, claro, estacionar na calçada é perfeitamente normal, só o carro corre risco.

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