Dando ordem ao mundo

I

Como eu, ele vai de Banda Beijo a Tim Maia num piscar, e ainda vai dançando de um jeitinho bobo e meio trôpego. Vale sempre a pena ver e me arranca um sorriso.  Se não fosse a música a organizar meu humor, nem chá de camomila ou café serviriam. 

Faço olhar de peixe morto com a prática de anos de vida enquanto observo tudinho nos mínimos detalhes. Observar é um hábito (nem sempre agradável). O óbvio entedia e o tédio mata. 

II

Curiosa a vida de quem não tem caráter. Observo, à distância. Ter ao lado quem você tanto despreza. E ambos sabem dos seus desafetos mútuos. Eu, daqui, também sei. 

III

Drama: amo (na ficção). Um bom drama é sempre bem-vindo. Gosto de molhar os dias em dramas, desde os mais clássicos, até os mais fuleiros. Na vida, bate de frente, quer drama procure outra pessoa. Por quem me tomas que encenação alguma vai sequer tirar meu (sagrado) sono?

IV

As notícias chegam quando devem chegar. Nem antes, nem depois. O Destino mandou avisar. Se esqueço, ele sorri ali do cantinho dele, balança a perninha e me olha “tá boba?”. É, às vezes fico boba. Ou não. Ou estava tão concentrada em outras coisas que esqueci. Ok, lembrei, lição sempre reaprendida. Destino, não cedo, não abro. Sigamos.

V

Enviar coisas boas, receber coisas boas. Funciona.

VI 

Não precisa subir tanto, não. Precisa tirar as pedras do caminho, com carinho a si mesma. Precisa ter o coração batendo forte. Precisa ter os olhos em direção ao amor. Cada passo é uma conquista.

VII

O Medo. Assim, com letra maiúscula para muita gente que ainda não aprendeu: o verbo viver não se conjuga com o Medo. Você vai acordar todo dia com ele enrodilhado no seu estômago, ao colocar os pés no chão ao lado da cama ele vai agarrar seus tornozelos e ao longo do dia vai controlar suas ações, seus pensamentos e afogar seus sonhos. Caríssimos, isso não é viver.

VIII

Há pessoas que vão longe demais para conseguir o que querem. E quando eu digo longe demais, é longe demais: moralmente, inclusive. Tem coisas com as quais não se brinca, já disse várias vezes. O quão longe (ou baixo) você foi para conseguir o que queria: é proporcionalmente ao preço que vai pagar. Vai sair caro, muito caro. Quando a conta chegar eu sei que você vai se desesperar: suas lágrimas não me comoverão. Não aceitarei desculpas. Teu nome será riscado pra todo sempre. Limites: um bom tema para um longo livro (e algo a se aprender desde os primeiros dias de vida). Bonne chance !

IX

Os pássaros nas árvores. As ondas batendo nas pedras. Os peixes saltando, as tartarugas nadando. As minhocas se reproduzindo. Os cães que dormem. A alamanda em flor. As acerolas caídas na terra após o temporal. O limoeiro carregado. As nuvens avolumadas deixando o sol chegar. A areia sacudida pelo vento Sul. O jasmin-manga perdendo suas folhas. As crianças brincando na praia. 

X

O mundo em erupção com guerra cambial e uma sopa de lentilhas no fogão. É preciso saber cair de pé, eu sabia. Ao longo do caminho, às vezes, é permitido sentar-se na beira da estrada, ouvir Erasmo e refletir sobre os desgostos. Somente às vezes e com o tempo você percebe que isso é cada vez mais inútil. No terminal de ônibus da Trindade aprendi o quanto tenho ojeriza de quem reclama (demais, de tudo, sempre). Levanta-te e vai, toma uma atitude que tua língua apodreceria com tanta coisa ruim e chata que tu professas.


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