Lúcia morreu em vão

Diante de tanta indecência e imoralidade, fica difícil entender o que nos causa mais dano. Indecência e imoralidade, entendam, não é sobre gente pelada e cenas de sexo, não. Isso aí é até um refresco para os olhos nos tempos que vivemos. A indecência e a imoralidade ficam mesmo por conta das atrocidades dos governos e da irresponsabilidade desenfreada do povo. Por primeiro, quero dizer: você, querido e querida, que tem respeitado o isolamento social, que sabe que não precisa ir pro shopping, pra praia, pra academia, subir o mirante, fazer churrasco com os amigos, sair pra namorar, que só sai pro essencial (supermercado, farmácia e tal) devidamente paramentado de máscara, luva e álcool em gel porque protege e respeita quem ama e aos outros, você não está sozinho. Esses dias ainda pensei “mas será que eu estou exagerando?”; não, não estamos exagerando, somos nós que estamos garantindo que este Estado, que esta cidade, que este país não esteja numa situação ainda muito pior.

Mas, afinal, como sentir-se diante de um governo que tem por política de Estado a morte? Como sentir-se sã diante do incentivo ao extermínio de idosos e pessoas com doenças crônicas? Como ser saudável e preocupar-se com o corpo e com a mente quando o país se empenha em matar a periferia? Como? O tempo sempre faz com que entendamos melhor as coisas, porém, ninguém precisava de tempo para saber que este criminoso que chamam de presidente era só isso mesmo, um criminoso. Esses dias lembrei de quando acompanhei angustiada o julgamento do STF, sobre o crime de racismo que o Bolsonaro cometeu: eles o absolveram. Tomara que se arrependam até a alma, pois colaboraram em deixar livre um criminoso que tornou-se presidente (sob o aval de boa parte do povo, nunca esqueçamos) e hoje os ameaça semanalmente.

A morte, atirar brasileiros e brasileiras à morte, é o princípio deste governo. E, não, não tem nada a ver com a economia. É o prazer sádico de enviar à morte pretos, pobres, velhos e doentes. Por pouco, não iriam os judeus junto. Exceto esta ausência, sabemos bem com qual lista de extermínio ela se assemelha. É extermínio, não tem outra palavra. E, por falar em extermínio, lembrei-me várias vezes, nos últimos tempos, da Hannah Arendt. Como não lembrar dela, não é? Esta confusão absurda entre público e privado, este povo que cumpre as ordens dos seus superiores sem questionar-se. Então, se ele manda fazer algo imoral e criminoso, você fará? Ah, claro, o amor ao emprego. Se fôssemos mais éticos, como trabalhadores, obrigaríamos, à força, que os patrões o fossem também. Mas, negligenciamos nossa moral. Calamos e procedemos feito gado com medo, sabendo, porém, que ao final só nos caberá o abate.

Enfim, tudo isso para falar só uma coisa… da Lúcia. Conhecíamos a Lúcia faz muitos anos. Em algumas ocasiões minha mãe foi tratada por ela, que atendia os curativos, pontos e tal no hospital da Unimed, em Joinville. Foi um espinho um dia, uma mordida do cachorro no outro, um corte de qualquer coisa acolá (minha mãe é sapeca, eu sei). Ao longo dos anos estabelecemos uma relação muito boa, Lúcia sempre conversava durante os atendimentos (eu e minha mãe temos esse costume também). Mesmo quando não era atendida no curativo, víamos a Lúcia, pois a sala do curativo era próxima dos consultórios e inúmeras vezes lá estava ela quando passávamos. A última vez que a vimos foi final de janeiro, começo de fevereiro deste ano. Levei minha mãe para uma consulta e ela passou por nós, sempre gentil.

Minha mãe, há mais de setenta dias sem sair de casa, sem contato com ninguém além de nós, há meses acompanha a situação da pandemia pelo mundo. Lamentou muito a situação na Itália, onde ela esteve recentemente. Sei que sofreu calada vendo as imagens e os números de Manaus, para onde ela já viajou e voltou encantada com o povo, com a natureza, com tudo. Com Guayaquil não foi diferente, até tentei evitar que ela visse os vídeos que rodaram a internet. Ela via, de longe, lugares que ela conhece, sempre lembrando das pessoas que ela conheceu por lá, pois, sim, mamãe faz amizade onde quer que ela vá.

Quando li, há uns dias, do falecimento da Lúcia, enfermeira de Joinville, não sabia se devia contar pra minha mãe. Lúcia, enfermeira, que tantas e tantas pessoas cuidou durante anos e anos de profissão, ficou dois meses internada com covid-19. Não, Lúcia não era idosa nem tinha comorbidades, fatos tão queridos pela imprensa local para justificar as mortes. Lúcia não foi a única profissional de saúde da cidade que morreu decorrente da contaminação por covid-19. Lúcia morreu, vocês entendem?

Lúcia morreu por causa de você que vai pro shopping. Lúcia morreu porque você achou que era só uma gripe e foi pro hospital pegar um atestado, mas não lavou as mãos direito e pegou nos trincos das portas, porque você espirrou sem máscara. Lúcia morreu porque você acha que não pode descuidar do corpinho e exigiu a reabertura das academias. Lúcia morreu porque você achou o cúmulo o Estado intervir no fechamento da igreja e hoje vai à/ao missa/culto de máscara, só por obrigação, mas abraça todo mundo, e fica, sem máscara, conversando na porta da igreja. Lúcia morreu porque, é claro, a economia não pode parar. Lúcia morreu porque, “e daí?”. Lúcia morreu porque os ônibus precisam voltar a rodar, porque os pais não aguentam mais seus próprios filhos dentro de casa e as aulas, é óbvio, precisam voltar, expondo professores, funcionários e o escambau, afinal, a economia, é claro. Lúcia morreu pela estupidez humana que abriu baladas e bares pro pessoal poder encher a cara e ouvir música. Lúcia morreu. Lúcia morreu porque estas gerações nunca passaram por uma pandemia nem por uma guerra e, sem a experiência empírica, não têm capacidade intelectual de compreender uma nova situação que se apresenta. Lúcia, a Lúcia morreu.

Lúcia morreu para satisfazer a ganância de alguns e a ignorância violenta de um Estado que vai perdurar apesar das mortes, dela e de milhares de brasileiros. Lúcia morreu porque há alucinados a negar os fatos, as estatísticas e a Ciência. Lúcia morreu porque você acha que tudo bem não sossegar o facho e passar uns finais de semana em casa. Lúcia morreu e as pessoas não entendem que recuperar onze mil diariamente não é número a ser comemorado quando nas mesmas vinte e quatro horas confirmamos mais trinta mil casos e mais de mil mortes. A conta não fecha. E, acima de tudo, essas vidas não voltarão. Assim como a doença é dolorosa, de lenta recuperação, aniquila a pessoa, além de usar métodos invasivos para garantir a sobrevivência. Quem, por livre e espontânea vontade, assume que não se preocupa com isso? Ah, sim, só os atletas que acreditam que com eles será só uma gripezinha. É a política de Estado: matar, matar, matar. Você que hoje vai ao shopping e à academia, você pratica a política de Estado assassina. Você que não pensa nos seus funcionários e cumpre as regras meia boca, você pratica a política de Estado assassina.

É só entrar num comércio, num colégio, no shopping, na loja de departamento, num escritório. Em nenhum lugar você verá as pessoas seguindo as normas à risca. Vide as máscaras no pescoço ou no bolso, a economia no álcool em gel, as conversas e risadas, etc..

Nós vivíamos num mundo tão difícil, no qual a luta pela conscientização contra o machismo, a violência, o racismo, as desigualdades tomavam nossos dias. E, hoje, a pandemia só evidencia como a ignorância e a estupidez são latentes – e a política de Estado é assassina. Não me venham querer fazer crer que tudo será melhor, depois. Lúcia morreu, em vão.

Não há normalidade nos nossos dias

Duas frases têm me cansado bastante nestes tempos de pandemia. A primeira, otimista aos raios da irritação, “Tudo vai passar (logo)”; a segunda, inocente na sua ignorância analítica, “seremos outros depois disso tudo” (ou equivalente com “tudo vai mudar”). Além das previsões estapafúrdias que tenho visto por todos os lados, além da discussão política sobre os limites do Estado sobre nós. Discutem sem olhar o básico.

O ponto principal, me parece: não estamos vivendo uma situação normal. Portanto, não finjamos que está tudo normal, não sigamos nossos dias como se houvesse normalidade, não trabalhemos como se fosse uma situação igual à anterior. A minha geração, a geração dos meus pais, as gerações depois de mim, nenhuma viveu uma pandemia. Os nossos idosos (tão, mas tão, maltratados pelas suas famílias, pelo governo, por tudo e todos) acima de uns oitenta anos podem ter lembranças de epidemias de tifo e outras, quando as pessoas, naquela época, passaram por situação semelhante.

Como exigir normalidade numa situação extraordinária? Como manter dias e horários? Como pressionar e manter prazos e datas? Trabalhos e estudos online, compras por entrega, bancos com atendimentos restritos, protocolos para todos os lugares. Onde está a normalidade? Máscaras, meus queridos… não há nada de normal nestes dias.

E as dicas e reportagens sobre o que fazer na quarentena? Livros, filmes, séries, receitas… eu dava conta disso tudo, antes da quarentena. O volume de trabalho, problemas e responsabilidades na quarentena acabaram com meu “tempo livre”. Admiro quem está aproveitando a quarentena em casa até para aprender a cozinhar, maratonar séries e fazer cursos online. A quarentena acabou com tudo isso pra mim – e, por favor, cozinhar e tantas outras coisas cotidianas sempre fiz. O que faziam antes da quarentena essas pessoas que fizeram seu primeiro pão ou bolo em casa? O que faziam da vida antes da quarentena esses pais e mães que não aguentam seus próprios filhos? O que faziam da vida antes da quarentena essas pessoas que foram ler tutoriais de como limpar a casa? Viviam no shopping? Não saíam da academia? Confesso que prefiro não conhecê-las (nem às suas respostas). Que a quarentena mostrou o quão vazios são muitos dos indivíduos contemporâneos, já sabemos.

Ninguém estava preparado para a quarentena global, eis a verdade. Os sistemas de saúde muito menos. Mas, tudo faz parte de um processo de adaptação temporário. Não se pode transferir em pé de igualdade a realidade presencial para a virtual. Toda adaptação prevê considerações sobre os meios – posso falar da minha área, como a discussão de adaptar um livro para o cinema, são meios diferentes, impossível apenas “reproduzir” a história escrita em imagens. Mas, as pessoas não pararam para refletir.

Aliás, talvez a quarentena devesse ter sido apenas isso: parar e refletir. Deveríamos todos ter parado absolutamente tudo, e ficado em nossas casas, reclusos e contemplativos, consumindo apenas o essencial (comida, água e tal, nada perto das MPs desvairadas do pseudo-presidente). Não há que se discutir a economia. Paremos, apenas isso. Somos seres humanos, apenas isso. Humanos que, mesmo diante de tecnologias e ciência tão avançadas em plena segunda década do século XXI não sabemos direito o que fazer diante de um vírus invisível (e que é negado por muitos, não apenas por ser invisível). Nos falta, em geral, momentos de reclusão, contemplação e reflexão. É o que a vida contemporânea nos quitou. Neste momento é crucial pensar, e pensar novamente. Repensar o modelo de sociedade na qual vivemos, repensar nossos hábitos (e não esses discursos fúteis das redes sociais), repensar nosso modelo de trabalho, repensar nosso modelo de ensino (e aprendizagem, às vezes esquecemos que é uma via de duas mãos), repensar nossos espaço habitacional, repensar nossos hábitos alimentares, repensar nossas atitudes em relação aos outros. Repensar tudo, enfim.

Mas, como contemplar e refletir enquanto temos que assumir papéis que não nos cabem, diante de meios que desconhecemos (e que não são feitos para nossas necessidades!), na tensão e angústia da vida e da morte, na preocupação com os que amamos, com responsabilidades que acumulamos? Impossível. E, assim, nos quitaram, também, nossa humanidade. Somos seres humanos, apenas. Não somos máquinas. E, num repente, reproduzimos uma relação homem x máquina mais atroz do que a Revolução Industrial (naqueles tempos, dizem uns, havia justificativa para não se saber ao certo os efeitos da máquina sobre o ser humano – hoje, não há nenhuma).

Esse mundo contemporâneo do século XXI mostrou-se estúpido e embrutecido. Estúpido, visto que não aprendeu nada com os últimos milhares de anos. Embrutecido, visto que acha que se garante tanto com suas máquinas e tecnologias e ciência, mas, na verdade, está apenas assustado e sem rumo.

Parem o ENEM, parem os vestibulares, parem as fábricas, parem as escolas, parem as instituições, parem as igrejas, parem as praias, parem (os governos), parem as academias, parem os shoppings, parem tudo. Apenas, parem. Não há normalidade nos nossos dias. Para voltarmos à vida, teremos que estudar uma outra realidade. E, não, não acredito que será tudo diferente porque as pessoas, essas mesmas que não vêem motivos para pararmos, continuarão a existir. Se não pararmos para refletir sobre o hoje, o amanhã será muito pior – passará longe desses olhares otimistas e inocentes.

(Quase caí na tentação de terminar com um “quem viver, verá”, mas, não só pelo clichê, não quero desrespeitar as centenas de milhares de mortos; nem quero ser mais uma a rabiscar previsões. De fato, só temos o hoje.)

A angústia de cada pôr-do-sol

O pôr-do-sol de todos os dias me trouxe algo novo: uma angústia que não passa. Logo ele, que sempre tanto amei. Aliás, sempre tanto amei a natureza, estar em contato com ela, longe dos seres humanos, mais próxima de mim. Todos os dias, acordo e abro as cortinas janelas. Ao cair da tarde faço o movimento inverso. Tenho parado uns instantes a ver o sol ao longe fazendo do céu uma pintura sempre linda. Vê-lo, trancada em casa há mais de um mês, assim furtivamente me enche de angústia. O sol, por sinal, tem aparecido com mais frequência do que a usual para esta época. O calor do nosso querido Verão estendeu-se como quem dizia “vim pra ficar”. E nós dentro de casa.

A princípio, não me angustia ficar tanto tempo em casa. Amo minha casa. Começo a sentir falta da natureza, por certo. Mas a angústia tem outra razão de ser. O que existe lá fora.

Quando pensamos que nosso maior inimigo seria um vírus de alta letalidade que já entrou para a História Contemporânea, com imagens da Lombardia e de Guayaquil como impressão profunda desses tempos em nossa consciência, nos deparamos com algo muito mais letal. Sim, a ignorância de um povo que já havia jogado o próprio país ao precipício. 

Nosso inimigo não é a fome. Não será o desemprego. Não é a falta de UTIs e respiradores. Nosso maior problema não é a crise econômica que virá para o mundo todo nem as consequências práticas de uma pandemia global. Nosso inimigo é o discurso assassino. É o desvario coletivo sob a batuta da mais pura e indigna maldade. Não me digam que são só alguns poucos, porque não foram poucos os que correram ao comércio, não são poucos os que vão todos os dias às padarias, não são poucos os que querem academias reabertas, não foram poucos os que correram ao litoral para aproveitar o feriadão nas praias. Enquanto isso, quem pode, sob a mesma batuta, faz demissões em massa, pressionando seus funcionários a que trabalhem dobrado, apenas para lucrar mais com uma situação de calamidade global. 

O desvario é o tom do discurso, porque a essência é a maldade. Há dias tenho pensado como deve ser, no mínimo, constrangedor estar do lado errado da História. Tento encontrar outra palavra para constrangedor, mas que mantenha o decoro do texto. Como deve ser doloroso, estupidificante, nojento, quem sabe, descobrir-se na contramão dos fatos históricos. Gostam tanto sempre de usar o exemplo do nazismo, tentemos: como deve ter sido para milhares de alemães, levados pelo discurso de desvario e maldade apedrejar, cuspir e denunciar judeus (muitos seus amigos, vizinhos, colegas). Um exemplo mais próximo que me apetece sempre usar: como deve ter sido para gerações perceberem-se escravagistas neste país, saber que a riqueza de sua família veio do sangue dos negros, para muitas das mocinhas e mocinhos da época que desprezavam a pele negra e foram se dando conta, ao longo do tempo, que eles eram cruéis bestas que chicoteavam seus iguais. 

Deve ser um encontro interessante dessas pessoas com suas próprias consciências, ao verem que a História clamava por eles no momento, que defendessem o que era certo como um imperativo categórico apenas e pronto. Mas, optaram pelo erro, guiados ou não pelo discurso desvairado de uns, explícitos na maldade. Já diz a igreja que temos, de fato, o livre-arbítrio para tomar essas decisões, enquanto igrejas que já estiveram do lado errado da História tentam acertar pelo menos desta vez- outras disseminam a mais rasa ignorância a mascarar a completa maldade de suas ações, que também não são de hoje. Contudo, não há como negar, foi o ser humano que buscou este vírus. É o ser humano que escolhe propagá-lo,  em carreatas pelo país, em caminhadas aparentemente inocentes na beira da praia, em idas ao supermercado aos risos e conversas desbragadas. 

A natureza deve assistir a tudo pasmada. Precisou que um vírus inocente que vivia em seu seio viesse tomar metrópoles para que nós a deixássemos em paz. A produção de petróleo parou. Nosso consumismo estúpido parou. As máquinas assassinas de todo tipo pararam. A natureza vive seu devir a ignorar nossa estupidez e desespero. Ou, quem sabe, ela nos olhe como eu, com uma angústia sem fim, a cada pôr-do-sol… pensando, talvez, que a humanidade nunca aprendeu com seus próprios erros, que a humanidade sabe propagar melhor a maldade contra seus iguais do que sabe curar as doenças. E, vejam só, a natureza é testemunha dos nossos atos desde tempos imemoriais. Nós passaremos, ela permanecerá.

Damas da noite

Um dia me perguntaram o que era o amor. Sim, eu sei. É cada pergunta… quem diria que eu tinha resposta para esta. O amor é a dama da noite florida numa noite de Primavera.

Ela encanta meus dias e noites. Obrigo-me a deixar as janelas abertas até mais tarde – a despeito dos pernilongos – para conviver com seu perfume entorpecedor. Que perfume! Se o amor não cheira a isso, melhor não me contarem. Damas da noite floridas mudaram minha vida. Conheci-as há um tempo, quando caminhava longas caminhadas noturnas com paixões e sonhos e idéias. Sabia identificá-las à distância, cheguei a mapeá-las pela cidade. Eu era feliz. Hoje tenho duas no jardim, coisa linda é contemplá-las carregadas com suas pequeninas flores brancas e tão perfumadas. Nas Primaveras chuvosas desta terra onde me exilei, elas caem e estampam o terreno por onde meus cachorros correm alegres. Eu sou feliz. Penso que deveria plantar uma delas mais próximo ao portão, para despertar nas pessoas tudo aquilo que, anos atrás, elas me despertaram. Enfim, dizem, sou egoísta. Eu quero ser feliz. Por aqui não há muitas damas da noite, nem eu faço longas caminhadas. O cinza nos espanta. O cinza nos exila em nossas próprias casas. Mas, é preciso ser feliz. Reparo que há, ainda, alguns ipês, amarelos na sua maioria, e azáleas. Um salve aos nobres de coração que cultivam tais belezas que nos encantam os olhos todas as Primaveras e Invernos. Não é fácil cultivá-las, precisa dedicação, tempo, amor e prazer.

É como o florescer das damas da noite. Talvez, sem saber, eu as tenha sequestrado ao meu jardim para ter amor – para sempre. Nem sempre, eis que florescem apenas na Primavera e parte do Verão. No Outono, sabemos, não há amor. E o amor, por vezes, hiberna… não há amor que dure um ano inteiro. Por vezes, penso, ela chega intempestiva bem naquela época do ano que o peso da vida nos carrega à desesperança e impaciência. Ela me avisa: calma. Faz com que eu não desista depois de tempos tão sombrios. Procura mostrar-me amor, novamente, o conheces tão bem. Vê-la cheia e vistosa muda meus dias – ainda exaustivos, ainda carregados da vida mesquinha e diária. Motivo do meu sorriso em dias desenganados. O amor, enfim, faz promessas. Mas não dura o ano inteiro.

É preciso viver algum tempo sem amor para saber dar a ele a devida atenção. É fácil (quem sabe até mais fácil) viver sem ele. Não me recordo de algo fácil na minha vida. Sei que aguardo pela Primavera e seu vizinho Verão, ano após ano, no longo exílio. A dama da noite é o símbolo da minha espera, que nunca é em vão. A dama da noite sacode a umidade do corpo e o torpor das sensações. É seu perfume forte e doce que irrompe meus pensamentos, dia após dia – mesmo sem as longas caminhadas, ainda há sonhos, paixões e idéias. Ela surge exatamente quando eu poderia iniciar a implosão, para segurar-me firme nos desejos que me assolam (porque eles sempre estarão aqui). Todos os dias, paro a fitá-la curiosa do poder que exerce sobre mim. É o amor, enfim. Passei meses a vê-la verde como mais uma das árvores do jardim, às vezes em expectativa, confesso – às vezes, indiferente. Diante dela revejo a vida nos seus explícitos detalhes: eu amo.

Amores pensados

Senti falta de escrever – de escrever aqui. E o que me fez voltar é nobre: cinema e relacionamentos (não falemos de amor, que raramente este é o problema). Nada menos que um filme argentino com o Darín, Un amor menos pensado (Juan Vera, 2018). Darín é o ator perfeito para o papel do hombre tierno e a história trata de um relacionamento como todos os outros, que sofre aquilo que todos sofrem: a ação do tempo, seu maior inimigo. Porém, é um belo filme com uma preocupação detalhista que engrandece-o diante dos espectadores. Talvez não seja para qualquer espectador reparar nos enquadramentos a partir das luminárias e abajures, tampouco reparar no design dos copos que se repetem ou na direção que nos prende em diálogos exatamente ao ritmo deles.

Um casal de meia idade que se separa após a partida do filho para estudar no exterior. Simples assim. E a esposa, após esta viagem, se vê numa madrugada, sem sono, se perguntando o que é tudo aquilo a sua volta, para que cada xícara, cada móvel. O marido não entende bem e prefere justificar com uma explicação psicológica de “síndrome do ninho vazio” e logo, do nada, eles se separam.

O filme é muito bem escrito, dosando ritmos necessários a cada cena. Até a separação o drama predomina, você acompanha o cotidiano e a cumplicidade do casal. Após a separação o humor (por vezes hilário) predomina e vemos os “novos” relacionamentos dos personagens, cada um tentado a vida de algum jeito – vale ressaltar que é a esposa que irá “desbundar”, enquanto o marido se debate na precariedade da vida sozinho e demora mais para envolver-se com outras mulheres (cenas hilárias, Darín escondendo o corpinho numa cena pós-sexo – para quem lembra da juventude dele quando seu derrière era bastante explorado). Boa também a introdução do uso da tecnologia digital de redes sociais e aplicativos num filme com personagens acima dos cinquenta.

Como filme ele mostra que a experiência como Produtor e Roteirista permitiu a Juan Vera afinar sua Direção num nível bastante sutil e elevado. Como história nos leva a pensar… a pensar o que fazemos com nossas vidas a dois. Parece-me que os casais, quando se juntam, vivem de objetivos: o anel, o noivado, a festa de casamento, a casa, o carro, as viagens, os filhos, os empregos estáveis, etc.. Mas, e quando este “etc.” acaba, o que acontece? Por que os relacionamentos são feitos de metas a serem cumpridas – e, normalmente, com prazos? Por que não se pode viver a vida a dois pelo que se sente um pelo outro? Porque, neste meio, há um relacionamento. E quase tudo num relacionamento é problema. Muitos desses problemas são disfarçados pela busca incessante em cumprir os objetivos, juntar dinheiro para as metas, que se multiplicam junto à multiplicação dos filhos.

Eis o fracasso do amor: os relacionamentos. E o tempo vai corroendo tudo aquilo que se constrói dia a dia. Diante dos nossos questionamentos interiores – que, quando exteriorizados são impossíveis de ser compreendidos por quem amamos – pouco importa que o outro é um excepcional degustador de empanadas. Os objetos de decoração, as lembranças da vida a dois, as fotografias de momentos felizes se despedaçam diante de novos objetivos. Tudo o que fazia o relacionamento ter sentido incomoda e atrapalha: não se está mais apaixonado. Esquece-se que manter-se apaixonado toda uma vida é obra diária e que requer todas as nossas forças e atenção. Justamente um dos grandes erros das pessoas num relacionamento: que tudo está garantido (they take it for granted, é a expressão que me parece sob medida). Nos conhecemos, apaixonamos, começamos o relacionamento, estipulamos as metas e seguimos em frente. O “apaixonar-se” fica lá no início e, assim, esquecido.

Por isso, no filme eles decidem se apaixonar novamente – ela mais que ele, sejamos justo, mas é o dado especial para o hombre tierno do Darín, porque, de modo geral é mais raro encontrar estes homens. Em nenhum momento, sabemos, se trata de sentimento. O amor não é o problema e por isso o título em português, derivada da tradução do inglês (sei lá porque, né, afinal espanhol é nosso parente, inglês não), “Um amor inesperado” (“An unexpected love”, em inglês) não faz jus ao original El amor menos pensado. É, de fato, o amor mais esperado (o final não surpreende, nem deveria). Mas, é aquele amor que nós não pensamos, que existe e não é um problema – é, bem provável, a solução.

Quando não pensamos, nos perdemos em todos os perrengues de uma relação sujeita às intempéries. A burrice de todo casal é não perceber que as tempestades passam, as boas obras resistem. O casal do filme prova que o fim dos objetivos e das metas esvazia o que existe na vida a dois e o amor não parece o suficiente para garantir a felicidade – pensar numa tarde de domingo es peligroso e abandonar o programa do cinema à noite porque ficou tarde minam tudo. O amor menos pensado reconstrói uma vida sem toda aquela lista de obrigações e objetivos a serem alcançados. Eu nunca vi um relacionamento desta forma, devo ser exceção.

Corta a cidade

O trem cortou a noite

dezenas de vezes ouvi-o

esvaziar meus pensamentos

naquele instante

porque o trem cortou a noite.

A alma que, de madrugada,

sonha acordada

com as férias? O futuro? O nada?

desperta assustada

é o trem varando a friaca.

O tempo passou, me veio a idade

encontro-me em certezas

questiono o brilho das estrelas!

julgo partir em pedaços a hipocrisia.

Olho ao redor…

somos todos os mesmos.

E, ainda,

o trem, à noite, corta a cidade

(e minh’alma).

Cambiar mi suerte

Mira
Me conoces poco
Te quiero mucho
Haces flores de mis destrozos
¿Cuánto cuesta tu sonrisa?
Tu alma me extraña
¿No?
Mira
Yo no quiero todo
Puedes tenerme sólo
Puedes tenerme hoy
Te quedas en dudas
Quedate conmigo, niño
Mira
Esto es imposible
Yo, sinto, no soy la misma
Tengo un corazón a proteger
Y un cuerpo a desear
Pues, hoy, te los quiero dar
Mira
No tengas vergüenza
Sé que soy un riesgo
(Una chica de verdad)
Que ni sueñan los padres
Pues te garantizo placeres, niño
Mira
No me hagas decirle dos veces
Te quiero mucho
No me engañas tu mirada, niño
La vida puede que me sea una tormenta
Y no tengo ojos al pasado
Si no vas a cambiar mi suerte
Quedate acá, cerca del mar
¿Sabes que no voy a volver?

Em dia de Santo Antônio

O sorriso de quem batia à porta do céu

em dia de Santo Antônio

avisando que vinha num pôr-do-sol

depois de fechar os olhos ao amanhecer.

Elias, também, para aí partiu

em carruagens de fogo

que os bons Deus leva

ao seu encontro.

Nossa mania de lavar as mãos

em demasia

e o que a esquerda fazia

a direita não via.

Há quem nunca aprenda

o que a vida ensina:

a amar nos resquícios do dia

nos labirintos do silêncio.

O coração gigante dos olhos azuis

captei para lembrar

como era chegar em casa

e vê-la dependente e frágil.

“Nossa Senhora” sussurrava

aos meus sorrisos

“Puta, tudo puta” gritava

às minhas gargalhadas.

Versos, apenas

para não esquecer.

Saudade imatura irrompe

às portas abertas do guarda-roupa

dos dias que descobri, por fim

o vazio. O vazio.

Foi sacrifício

agarrou-se a todo o respiro

invencível e forte – que forte!

um de nós, teria sucumbido.

Instalou-se aqui como uma prece

inundou-nos com parábolas

e lições de ouro e de prata

ditou seu evangelho e nos salvou.

Do teu olhar lúcido e passageiro

às tuas últimas palavras.

O amor vence

a memória.

O que a universidade pública faz por NÓS

Diante das atrocidades do atual governo, foi incentivada intuitivamente uma campanha para mostrar aos outros (àqueles que acham que “sustentam vagabundo com seu dinheiro”) o que a universidade pública fez por nós. Por nós, porque mesmo que ela tenha feito por mim, eu replico, todos os dias, os efeitos dela na Cultura, no Conhecimento e na Educação. E isso é fundamental para o país. O governo Bolsonaro é inimigo do nosso futuro. Estava conversando com um estrangeiro que mora aqui e ele disse não entender a atual política, chamando-a de “política da destruição”. E é isso mesmo, uma política que visa destruir o Meio Ambiente, a Cultura e a Educação é uma política que aniquila o Futuro. O Brasil sempre foi o “país do futuro”, desde minha infância ouço isso; de um futuro que nunca chegou. Agora, até este sonho querem nos tirar.

Eu que nem gosto de sair por aí falando da minha vida darei o testemunho do que o ensino fez por mim. Porque tem pai e mãe apoiando este imbecil eleito sem saber que, se não fosse a universidade pública, seus filhos não teriam professores de qualidade em sala de aula. É simples assim.

Estudei o Fundamental e o Médio em escola particular, uma opção dos meus pais em busca da melhor educação que eles poderiam nos dar. O Médio só consegui terminar com bolsa. Fiz curso de Inglês dos seis aos dezessete, fiz curso de Espanhol. Minha mãe sempre repetia o que meu avô dizia: a educação é a melhor herança que eu posso deixar pra vocês. E eles deixaram mesmo.

Aos dezoito anos saí de Joinville, sozinha, para ir fazer graduação em Florianópolis. Levei comigo uma mala com roupas e uma pequena caixa com livros. Fui fazer Filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina e Cinema e Vídeo na UNISUL, esta particular. Foi a minha escolha. Meus pais haviam cursado ensino superior, meus irmãos também, todos apenas em faculdades particulares devido à dificuldade de acesso, histórica, ao ensino superior público. Meus avós não tiveram esta oportunidade. Não foi fácil, eu garanto. Os gastos, os perrengues, as dificuldades de viver sozinha longe de casa. Mas, me sentia feliz e corajosa, pois vi muitos, inúmeros colegas até bem mais estudiosos que eu, ficarem pelo caminho. Ouvi de colegas do ensino médio, que o pai preferia que ele/a fizesse faculdade em Joinville mesmo, nem tentasse o vestibular da Federal, porque a mensalidade seria o valor dos gastos em outra cidade. Uma idéia péssima, eu garanto.

Em cinco anos eu me formei nas duas. Mera coincidência, a formatura das duas foi exatamente no mesmo dia. Optei pela cerimônia da Federal, porque até nisso uma universidade federal faz diferença – eles não cobram pelo local, etc.. Foram cinco anos intensos, fui bolsista do PET (Programa de Ensino Tutorial), do governo federal, do curso de Letras da UFSC. Uma das melhores experiências da vida, pois vivíamos envolvidos em atividades de pesquisa, ensino e extensão, além de um convívio intelectual enriquecedor. Fui bolsista de iniciação científica, na UNISUL, com verba federal, na área do Cinema. Participei de eventos na universidade, comi no bandeijão pagando R$1,50, paguei passe estudante (em 2004 o valor do passe era R$1,50 e pagávamos metade), conheci gente de todo canto do país e do mundo, tive acesso a uma biblioteca maravilhosa. Vivi intensamente.

Depois eu fiz mestrado em História na Universidade do Estado de Santa Catarina, hoje também ameaçada de cortes. Ampliei ainda mais meus estudos e visão de mundo. No primeiro ano do curso, trabalhei em sala de aula como professora substituta de Filosofia na rede estadual em uma cidade pequena, com menos de 30 mil habitantes, que sempre sofreu com falta de professores. Ia de uma cidade para outra, toda semana. No segundo ano recebi bolsa Capes, até defender minha dissertação de mestrado na data, sem prorrogação nenhuma. Nestes dois anos de mestrado participei de vários eventos científicos da área, apresentei trabalhos, publiquei textos e artigos. Uma vez tive dinheiro de verba para viajar, pela universidade, mas em todos os outros eventos paguei com o valor da bolsa. Bolsa de R$1.500 (o valor hoje continua o mesmo), para pagar tudo (aluguel + transporte + comida + etc. etc.), e dedicar-me exclusivamente à pesquisa, à leitura, ao aprimoramento intelectual. E não foi pouco, eu garanto.

Depois do mestrado fui professora de Filosofia na rede estadual, no Ensino Médio, numa cidade da grande Fpolis. Em todas essas escolas eu vivi o dia a dia de alunos que são abandonados pela sociedade. Eu vivi o dia a dia de profissionais que dão o sangue pela Educação, conheci pessoas maravilhosas, admiráveis em caráter e empenho.

Há alguns anos sou professora da rede particular, professora de Filosofia do sexto ano do Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio. E há dois anos sou professora de graduação em Cinema e Audiovisual. É o trajeto de uma vida toda. É estar em sala de aula, todo dia, defendendo a Educação. Defendendo a formação que eu não pude ter em Joinville, pois aqui faltam professores de Filosofia e só tem, sei lá, eu e mais um graduados em Cinema – em toda uma cidade de seus quinhentos mil habitantes. Porque, acreditem, há um mundo além de ser chão de fábrica e trabalhar em prestação de serviços – sem desmerecê-los, mas não podemos condenar uma juventude inteira de uma cidade a essas ocupações.

Meu sonho era ter uma escola de Cinema em Joinville, com filiais em Lages e Criciúma, por exemplo, para descentralizar o conhecimento e o acesso. Sou defensora da UFSC em Joinville (“em Joinville”, não na BR) com cursos de Licenciaturas de todas as áreas, esta sempre foi a minha bandeira. Eu nunca quis ser professora – achava chato, repetitivo, entediante. Até que descobri como é fazer algo por tanta gente (hoje tenho mais de trezentos alunos) e ver como isso, de fato, muda o mundo. Como é bom deixá-los em dúvida, como é bom vê-los questionarem, como é bom vê-los crescerem intelectualmente. Eu mudo o mundo e construo o futuro, todos os dias, dentro da sala de aula.

Hoje sou orientadora de Iniciação Científica, na graduação, na mesma área do mestrado e da Iniciação Científica que fiz lá na graduação. São anos desenvolvendo trabalhos, estudos e crescendo para poder trabalhar junto com alunos e novos profissionais. E minha formação não foi “paga” por esses aí que desmerecem e achincalham a universidade pública, foi paga com a vida inteira correta e trabalhadora dos meus pais. E, hoje, eu posso dizer com orgulho o quanto devolvo para a sociedade o investimento que fiz na minha formação. Por isso, senti como ofensa pessoal o corte aleatório de bolsas dos programas de pós-graduação. Vi ontem na TV pesquisadores sendo estrevistados, tendo que mostrar a importância dos seus estudos para o país (pré-sal, vacina da zika) e que estão à mercê de parar por questão de não conseguir se manter sem a verba das bolsas. Ninguém fica rico “ganhando” bolsa de pós, ok? E, também, porque sei que o conhecimento não pode ficar parado, quero ver no horizonte do meu futuro a possibilidade de continuar os estudos em universidade pública.

Ouvi de uma educadora de respeito, ontem, “Todos deveriam aderir, pois afetará a todos” se referindo às escolas e universidades particulares, estaduais, etc. diante da greve que começa hoje, dia 15 de maio. Concordo com ela, e digo mais: toda a sociedade deveria aderir à greve da Educação porque esta é uma luta de todo um país. É uma luta de todos nós contra esse disparate inconsequente que estão perpetrando. História como a minha e a de milhares estão em jogo diante da alucinação de cortar verba da Educação.

Mais alucinação ainda foi entender que o governo “contingenciou” a verba da Educação para ameaçar a população a apoiar a reforma da Previdência. Ouvi do ministro que não há corte de verba, mas se houver apoio à reforma, então os valores serão liberados normalmente. É ameaça, é chantagem, estamos reféns de um governo de incompetentes que, diante de uma população que não quer perder mais e mais – enquanto eles não abrem mão de nada – diz “não”. São uns canalhas. É canalhice dizer que não haverá verba para pagar as aposentadorias, dentro de meses – por que não cortar os salários de deputados e senadores, e suas verbas de gabinete, por seis meses? (eles não trabalhariam por amor à pátria?).

A partir de hoje, declaro-me em greve. Mesmo estando em sala de aula, pois trabalho para a iniciativa privada e se eu faltar sofrerei as consequências – até o momento que todos, mesmo estas instituições, seus alunos e funcionários, tomem consciência que a luta é necessária e fundamental ao Brasil -, estarei em situação de greve. Estou em greve pelos valores e atitudes de toda uma vida.

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