Danem-se as pedras

Ali, então, entrou uma mulher. Todos sabiam o que ia acontecer: seria apedrejada. Este costume ancestral, uma tradição passada de geração em geração, era imediatamente colocado em ação.

Onde quer que uma mulher ouse entrar, ela será apedrejada sem um milésimo de segundo de dúvida antes da ação.

É o peso da realidade que carregamos no lombo. Um corpo por vezes cansado, exausto das tentativas e ciente das oportunidades que nos escaparam porque somos quem não querem que sejamos. 

Somente uma mulher para mudar tudo. O medo lança as pedras.

Mesmo quando somos procuradas e convidadas para adentrar naquele espaço – seja público ou privado – somos condenadas por não seguir o modelo que esperam de nós. Uma mulher só pode ser uma mulher.

As pedras são lançadas sem dó, sem piedade, sem justiça. 

As pedras nos atingem – muitas aprendem cedo onde podem e onde não podem entrar e assim seguem suas vidas o resto dos seus dias. 

Outras, bem poucas, ignoram os roxos na pele e as cicatrizes e em algum momento partem para chutes e empurrões de portas e janelas. Vai doer mais para as pedras.

Danem-se as pedras, pois elas continuarão a ser lançadas. Por todos, em cada lugar onde uma mulher ouse entrar.


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