Às vezes, estranho meus impulsos
em querer ser Verão a vida inteira
Às vezes, deixo de acreditar em mim
até que voa um papel em branco
nova ideia explode no peito
Às vezes, o pé proibido de pisar a areia
descubro-me forte como leoa
Às vezes, dúvida vem teimosa
por que continuo aqui?
Se, ali, sou feliz
Às vezes, a certeza amante e amigo
único possível no badalar das ondas
Me quedo a mirar
Às vezes, a distância me fere
meu rumo é estar contigo
Verão todo dia na nossa companhia
Às vezes, arrasto meu corpo
sem vida, sem teu afago
sem nosso trago
na despedida do sol
O sol voltará, amanhã – é o que dizem
Verão voltará na sua estação
Se te tenho, desdenho de todo resto
abro mão das gentes, do mundo
Todas as vezes, eu, você, as tartarugas
os siris na areia, os desenhos do céu
Às vezes, uma lua cheia, um eclipse
Netuno sai ou entra em quadratura
a alma treme, se rasga, cresce
na tua despedida, Verão
um sismo por dentro
a única solidão que pesa
as outras virão
em silêncio passarão
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