2025

J’ai ouvert mon cœur pour toi, nouvelle année
Je suis victime de tes désires

Prendre moi !
Prendre moi !
Prendre moi sans pietà !

Je ne te connais bien
Mais je t’adore déjà

Prendre moi
Sur ton lit d’étoiles
Et de promesses
À l’oreille du cœur

Prendre moi
Au sein des réalisations

Je suis heureuse
Mais, s’il vous plaît
C’est notre secret
Parque j’aime tout le monde
Je ne sais pas la raison
Qu’ils n’aiment pas aussi

Prendre moi !
Prendre moi sur ton plaisir !

J’aime le plaisir
C’est bon
C’est bon dire en haute voix
Ici, à la plage : j’aime le plaisir !

Personne ne va m’arrêtera
Prendre moi !

Prendre moi sur tes griffes
De récompenses et d’amour

Prendre moi, nouvelle année

Prendre moi sans doutes et problèmes
Prendre moi, au bord de la mer
Nous sommes amants et confidents
Ça, tout le monde le sait déjà

Protège-moi de l’envie
Et du mal
Que rampe sur les yeux enflammés

Protège-moi, nouvelle année

Prendre moi !
Prendre moi dans tes jambes chaudes
Le plaisir sera notre cadeaux

Dois parágrafos

Último parágrafo

Caminhei com uma atípica tranquilidade pelas últimas horas do último dia do último mês do ano entre pessoas em demasia que invadiam o espaço que durante meses fora somente meu. Por ali passei muitos dias daquele ano, entre nevoeiros e dias de sol, com chuva e céus enfarruscados. Nada me atingiria, lixo sobre a areia, gritos estridentes, músicas saindo de caixas de som gigantes, nada me abalaria. Eu pertenço a este lugar. Fui até meu observatório da vida e senti-me como as tartarugas, o mundo se perturba e minha certeza é que elas estarão lá nadando e comendo seus peixes, sem olhar o trânsito parado, sem se importar com a roupa branca nem se o espumante gelou. Era isso, eu e minhas companheiras nadamos entre águas turvas e perturbadas. No santuário, fiz minhas últimas preces e carreguei o corpo salgado de mais fé. Como qualquer outro dia daquele calendário, era eu e o mar e a paz. Nada me atingiria. Nunca foi sorte.

Primeiro parágrafo

Se fosse possível descrever o quanto de histórias e força vivem nestas paredes e neste chão de areia, eu pararia de escrever. Por isso acordo nas primeiras horas do primeiro dia do primeiro mês do ano com essa gana de viver. É preciso contar histórias e vivê-las. Imperturbável atravesso as marolas e as tormentas, cochilo na rede da varanda como se não viesse uma rancheira chata da rádio do vizinho nem me provocassem os desafetos. É bonito o vai e vem das nuvens do céu assim como esteve lindo o céu estrelado de fogos coloridos nas boas-vindas de mais uma longa e desafiante caminhada. Encontro sorrisos em mim mesma. Faço meu percurso, que Deus me dê chance de ainda fazê-lo muitas vezes este ano, até o observatório onde alinho os pensamentos, sonhos e desejos. Parece até que vou abrir as portas para estes últimos, em breve. Eles estiveram esquecidos. O exército precisa ser montado, os alimentos e estratégias serão preparados, insiste a alma em lançar-se sôfrega e eu a acalmo. Hoje, ainda não.

Dezembro

Era domingo e era dezembro. A vida soprou da janela com calma e os pássaros cantaram novos dias. Ainda bem que o tempo havia chegado, sem mais peso nem lamento. Juntamos tudo numa fogueira no jardim: queimamos o passado e o mal, as cinzas adubaram as roseiras. Este ano o jacatirão já floriu. Sorrio para as flores que eu cultivo contra cada braços cruzados e cara feia de quem furou o barco esperando que eu naufragasse. São anos de experiência no timoneiro.

As peças se encaixam no quebra-cabeça como água que rola pelo rio. Há um dom em alguns seres humanos de destruir o que é bom. Mantenho distância das fraquezas daqueles que não sabem ser quem são. Era dezembro, mais um belo ano chegava ao fim: eu nem no meio do caminho ainda estou. Cada dia, alguns leões, cada ano mais força de nem sei onde. Ou, sei muito bem.

Lágrimas vieram, de alegria. Eu sorria naquela sexta, noite adentrando as frestas da porta, esta porta e estas paredes tão velhas companheiras de grandes sonhos e muita luta – amor, sempre amor transbordando – eu sorria com lágrimas doces brilhando na escuridão. É preciso saber brilhar na escuridão. Quando apagarem a última vela, quando cortarem todos os fios, quando destruírem os postes, aí mais que nunca é preciso saber brilhar – algo assim que vem de dentro, do mais duro e profundo que posso ter. 

Era a última sexta e era dezembro. Anunciam as boas novas, previsões não cansam de chegar, exibem-se a escancarar seus vazios e desesperos. Eu silencio. Ouço a luz que brilha em graças na janela. As nuvens são bom agouro. Aprecio o silêncio desde o início da manhã até alta madrugada. O ritmo pontuado pelo bem-te-vi a bater galhos na calha, em cadência com o sabiá a preparar a minhoca pro desjejum. Sempre foi fé. Quando nem mesmo eu sabia o que estava por vir, era fé. Quando souberem, já será tarde. Meu coração não olha pra trás.

No silêncio e na paz, você me visita em sonhos. Quem sabe mês que vem não apareça mais. Plantei jasmins no jardim e enterrei junto nossos sorrisos para que eles floresçam mais viçosos na próxima Primavera. Sim, vivo em saudades da Primavera – até lá já terei muitas mais histórias para contar e amores em poesia para cantar. Amores de Verão não sobem a Serra, os da Primavera não duram uma florada – qual o destino dos amores de Outono? 

Sinto falta da poesia. Fiz promessas – sou dessas. Minha única promessa de Ano Novo. Não prometo nada aos outros, só a mim. Sou dessas. A poesia vai invadir os dias, as horas, as noites, as páginas. Sê fiel a si mesma. É preciso e preciso.

Amor não se conjuga. Amor é prática e precisa ser alimentado dia a dia. Quando eu me levantar amanhã, vou calçar os passos do Destino. A confiança passa pela sola dos pés descalços. É preciso despir-se de tudo, desnudar-se por completo o corpo e a alma. Não importa qual vestido ou sandália, é preciso descer do salto. Eu sempre soube, dezembro é tempo de eterno retorno. 

Dezembro. Domingo. Sexta. Últimos… próximos passos a abrir portas e janelas ao Destino. Enxugo as lágrimas enquanto sorrio. O segredo é o amor que sempre esteve em todos os sorrisos.

Aventura humana

Estava lendo e uma afirmação me chamou muita atenção: dizia que fazer cinema é uma aventura humana. 

De fato, boa definição – engato essa na sequência da definição que ouvi de um professor no início da graduação, é a “arte de resolver problemas”.

Seriam, então, humanos e problemas assim tão próximos? Quem sabe, para fazer cinema você deva amar problemas e humanos? Ou amar problemas e desgostar dos humanos?

Um dia defini que a matéria prima do cinema é o ser humano: fazemos histórias sobre pessoas, trabalhamos com pessoas para fazermos os filmes que serão exibidos… para pessoas! É inviável existir cinema sem pessoas. Também não há nada mais difícil com o que lidar do que seres humanos.

Já diria toda a criação artística humana o quão inexplicável é o mundo das paixões humanas. Talvez seja fascinante, talvez seja apenas desmotivador. Um dia você acha que conhece uma pessoa, no outro ela te apunhala pelas costas. Num trabalho ela se mostra muito competente, no outro se desmancha em vacilos. Não há bola de cristal, nem sobre o futuro nem sobre as pessoas.

Eu gosto de aventuras, desde as mais convencionais até as mais delirantes. Talvez não goste muito de me envolver com a humanidade. Talvez, por isso mesmo, já sou mais atinada com suas manhas e personalidades. Tem muita coisa que eu não gosto nos seres humanos.

Não gosto da desonestidade, da falta de caráter e personalidade. Não suporto manipulação (do mais leve ao mais alto grau). Mas, como sempre digo, em toda profissão tem gente desonesta e sem caráter, assim como tem bons e competentes profissionais. No cinema não é exceção. 

Quem sabe tenha mais aproveitadores ao redor, visto como é escasso o campo de trabalho. É uma possibilidade. Mas também o setor ainda patina em se profissionalizar e está cheio de gente que considera terra de ninguém.

Aventurar-se é bom. Te chama à vida. No texto buscava-se a compreensão das condições de produção para “ver” os filmes, até mesmo do ponto de vista da crítica. Desde que entrei na produção, apoio esta vertente. Um filme nunca é só um filme – aquele que vemos na tela. Um filme é um contexto muito amplo. 

Esses tempos andava desconfiada de que faço filmes para que eles sejam o refúgio de outras pessoas, assim como eu me refugio nos filmes (nos meus e nos dos outros). É uma forma de encarar o mundo, refugiar-se da aventura humana que é a vida (por vezes uma aventura muito desastrada, no meu caso) vivendo a aventura humana que existe em cada filme – no enredo, é claro; a aventura humana que é fazer um filme já é outra história.

Então foi essa a nossa grande atração. Há anos digo que fui para o cinema porque eu gostava de contar histórias. Contar histórias não basta. É preciso dar sabor e emoção ao que eu faço e nada como uma boa aventura.

Lá se vão algumas aventuras humanas, alguns filmes rodados, outros já por rodar – o futuro só o tempo dirá. Como toda aventura, há muitas outras histórias para contar, tanto boas quanto ruins. Se pensam que vou me trancar em casa a cada aventura que teve um tropeço numa pedra ou um arranhão em algum espinho, enganados estão. Não tem como idealizar nada nessa vida. A pedra a gente joga longe, bem longe, e o espinho a gente poda. 

O coração já planeja as próximas aventuras…

Texto sem título

Foram-se os dias, foram-se as noites. Enganei-me horas a fio, sem hesitar percorri estradas e praias fingindo acreditar que existia sem atentar para o que me perturbava por dentro. Meus olhos nunca me traíram. Talvez o gesto, o breve gesto da impaciência – o chegar e já partir, o não quedar-se mais que o tempo estritamente necessário, o sorrir sempre. Nem a inconstância já contumaz era possível, nada justificaria esse não deter-se em lugar algum, em olhar nenhum, os abraços frios.

Isolei-me, eu só tinha a certeza de não querer companhia alguma – além da minha, que me sufocava nos momentos ruins, que me acalma nos momentos distraídos. Mas, eu só queria a mim. Como é doloroso se fazer presente quando a única sanidade possível é estar sozinha. As pessoas falam e eu não ouço, me contam histórias, fofocas, causos e minha cabeça está em outro lugar. Eu finjo o tempo todo. 

Meus ouvidos, em períodos afogados em água, sem foco, a fixarem-se no último volume do rádio do carro. Nada mais eles ouviam. 

Tanta gente, por tanto tempo, tão perto. É demais.

Porque a vida é viver coletivamente, mas as pessoas só pensam em si mesmas e no que importa para elas. Ainda acham ruim quando você as confronta com a realidade. A vida não merece ser desgastada com gente egoísta.  A vida é curta para esperar virginianos dizerem o que precisa ser dito. Passa uma lombada, um controlador de velocidade, mais um domingo de trabalho. Logo, já será outubro. Eles não conseguem acreditar no que sentem. 

Parado não se chega a nenhum lugar.

Não todo dia, mas um dia romper o silêncio e a solidão. Buscar companhia, arrastar o coração ferido na areia, encharcá-lo de vinho, afogar as lembranças no mar – é uma nova história, daqui uns meses será mais um marco, uma conquista, uma superação.

Novos finais para bons começos. Sou péssima em esperar. Eu gosto de ação, de movimento, de vida correndo nas veias e na cabeça. Quem sabe um novo projeto, um novo roteiro, um outro bar, uma ideia que me cutuca o sono da madrugada.

Amanhã, de novo a estrada.

Boa a companhia de quem se ama, de quem analisa, de quem nunca se deu de verdade – sou demais minha. Os nomes, os rostos, as pessoas. Limpar a vista, acalmar a paisagem, mirar o mar, a praia em lua cheia. Pode ser fugir, será sempre encontrar-se.

A sós comigo mesma assumo até que tenho pensado cada vez menos nele. Amor, como eu sempre disse, precisa ser alimentado todo dia. A distância faz morrer o prazer. Assumo, porém, há anos não conhecia alguém tão interessante – alguém com quem conversar valia a pena. Ando sem vontade de conversas. Vou, aos poucos, apagando-o da memória. Se os olhos não vêem, a lembrança se esgota.

O amor, porém, também sufoca, morre de tédio e de claustrofobia.

Qual será a medida certa do amor? Vou descobrir, qualquer dia eu conto. Tenho praticado experiências sócio românticas nas horas de distração. Me distraio, quase nem a cabeça nem o coração se ocupam dele. 

Queria que esse final fosse mais triste do que tem sido. Preferi ficar sozinha a lutar. Foram os dias, foram as noites sem saber se ele lutaria ao meu lado. Não compro mais qualquer guerra sem alguém ao lado.

Volto ao caminho. Escrevo versos e o muso inspirador se desvanece no tempo de quem perdeu a oportunidade e uma baita mulher. Quem sabe qual será o próximo? Meus olhos nunca me traem.

Rasgar o coração aos poucos

Como é delicado e doloroso e precisa ser aos poucos rasgar o coração e expô-lo ao outro. Como é tradição sempre fechar-se, viver em pedra e cascas grossas, camadas e camadas de cascas onde ninguém pode adentrar porque é um santuário protetor da nossa paz e segurança (de ser quem somos). Tão diferente é demonstrar vontades, não é? Vontades qualquer um pode vê-las, tê-las, satisfazê-las. Para despertar vontades não precisa nada além de qualquer coisa, não demanda nem laços, nem sedução, nem inteligência.

É delicado e doloroso e eu nunca aprendi a fazer. Estou tentando, pela primeira vez. Nem acreditava em mim, nunca teve quem me despertasse para desvelar o que se passa debaixo de tudo – das aparências, do exterior, do que vêem. É aos poucos, em semanas, meses… entre parênteses que dizem tanto e não revelam nada. Delicado como uma estrela-cadente, doloroso como os dias sem notícias. Doloroso como expor-se a quem não se expõe. Incerto ao calcular tanto o próximo passo e, ao dá-lo, sentir-se cair no precipício de ter afugentado aquele a quem quero cada dia mais perto. Delicado como senti-lo tão junto, a ponto de sentir-lhe as lágrimas à noite, e viver a uma centena de quilômetro de distância… 

Escrever, caro poeta, se aprende com as porradas e gozos da vida. E, graças a tudo isso, que manejo as palavras com cuidado… revelo o que penso, subtraio cada palavra que trai meus sonhos. Deixo as vírgulas e os pontos de interrogação como cortes de leve sobre o coração: os olhos vão lê-los com a devida atenção? É ali, bem ali, que rasgo a ti meu coração. Ensaiamos uma dança pródiga em subterfúgios, eu gosto. Confesso, gosto. Não alcançamos, juntos, um ponto final. Por quê? Eu tentei. Sou de pedra, gosto dos pontos finais. Quando menos esperei, a casca da cicatriz já secando, a memória guardada: você escreveu mais um capítulo. Como é doloroso reabrir a cicatriz e ver tatuado ‘esperança’, como é delicado decidir reviver aquilo que pode ainda rasgar mais e ser caso para uma sutura dolorosa no futuro. Não sei se quero. Tudo começou com uma simples e animal vontade… 

Como é delicado ler cada linha, suspeitar entrelinhas, manter-me sóbria, admirar a profundidade e a sinceridade que se abre de tão pouco em pouco… corrói minha curiosidade, atinge minha loucura. 

Nunca quis seguir somente a vontade, pela primeira vez (também). Quem diria… foi essa delicadeza de decisões sérias que me trouxe até aqui. Por que já não é passado? Talvez saibamos dançar. Quando deixei a pista, dei as costas, fui embora – é o que eu sei fazer. A música voltou a tocar e eu não ouvi, lá estava, um convite? Uma mão estendida? Um olhar? Perdi o sono, aquela noite. Como é delicado rever decisões. 

Como é delicado e doloroso rasgar-se, aos poucos.

l’étoile filante

Depuis la nuit de l’étoile filante

quand elle a reçu un câlin

très bienvenue et déroutant au même temp

_______

Elle a espoir

_______

Bien qu’elle est une person accéléré

‘tout est pour hier’

_______

et peut être, pour il, certains choses ce sont

une investissement à long terme

_______

Elle se sent tellement comment la mer en hiver

Elle n’oubliera jamais 

leur premier coup de foudre

_______

C’est un peu comme un au revoir

mais quelque jour

elle a espoir

_______

Aujourd’hui, il est le passé

Parce que elle a attendu trop longtemps

et toujours elle a besoin de l’amour

Resolvo outro dia



Em um dia eu vi nevoeiro e sol de rachar, percorri (numa sequência de dias) vários quilômetros, ouvi coisas abomináveis de pessoas que mal conheço (e fiquei quieta), me senti subvalorizada profissionalmente, quase parei na estrada por falta de gasolina porque nem percebi que tinha acabado, desliguei a música (amo dirigir ouvindo música) porque meus pensamentos estavam gritando, eu chorei ao volante em alguma altura da estrada. Eu comi por compulsão para desabafar emoções (o pior dos meus maus hábitos). Elaborei mentalmente listas e listas do que há por fazer. Me atrasei para compromissos e tive que cancelar outro porque o trânsito estava o caos. Minha cabeça e sentimentos também. Culpei a lua vazia da manhã toda, é claro, e ao consultar meu horóscopo ele dizia que era hora de aceitar a quantidade de conflitos instalados na minha vida e bater de frente com as pessoas sem esperar o Destino resolver tudo (quase chorei de novo). Eu ri de mim mesma por criar expectativas e querer tudo, sempre, pra ontem. Pensei 400 vezes no futuro. Lembrei de me dizer: o que pintar, eu assino, poeta, e dou tudo de mim em todos os desafios que cruzam o meu caminho – eu jamais diria as coisas abomináveis que ouvi mais cedo. Diriam que nem sempre vale a pena, mas se me proponho fazer, faço bem feito, com criatividade e sem comodismo – senão, não seria eu. Me espantei com minha maturidade em prever problemas e tive trocas intensas de áudio para que o pior não aconteça. Conversei com o moço sobre o cafezinho da máquina ser viciante e que gosto também das mensagens nos copos, pois, é claro, sou supersticiosa e Destino sempre me manda recados. Fiquei encucada com a forma como uma pessoa está me tratando. Fiquei triste porque há quem não perceba o mal que faz com poucas palavras. Tive instantes de tensão achando que uma desgraça tinha acontecido (o dia parecia caminhar pra isso), ufa! não (aí chorei de novo). Eu sei o motivo de eu estar vivendo esses dias tensos e intensos, não paro nem pra chorar. Eu sempre pago o preço. Por um segundo eu quis ir para o meu esconderijo e fugir de tudo – eu quis mesmo, mas eu decepcionaria muita gente e não saberia viver com esse peso. Fui gentil com quem foi gentil comigo e percebi que minha pressa não adiantaria de nada, não mudaria o dia, o trânsito, nem os astros, não resolveria, à distância, os problemas. Resolvi caminhar para lembrar do que mais falta colocar nas listas, quem sabe encontrar alguma boa nova história para criar e para lembrar de quem preciso esquecer (para tirar do coração não basta uma caminhada). Fui nadar pra colocar a cabeça no lugar. Impávida, encarei a piscina cheia, a raia da parede e a instrutora chata. Anotei para não esquecer que nunca – nunquinha – sabemos o que passa cada pessoa – num dia, num ano, numa vida. Quem sabe os astros tivessem esgotado suas artimanhas e pude voltar pra casa com fome de jantar pipoca e vinho e assistir aos capítulos finais das primeiras temporadas das duas séries que estou assistindo. Os sentimentos? Resolvo outro dia. Amanhã eu sempre tento de novo.

Versos diretos transitivos

Do nada

abro os olhos

____

há música no ar

sonho 

o dia

o farei ser bom

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Às quartas,

pés na areia

alma em paz

o instante 

o mergulho

o caminho

o silêncio

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Chamei

fez que não ouviu

____

Ao me ver de novo

sorriso frouxo

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Festa

é raiar o dia

____

À beira da estrada

sem companhia

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Fez a lição de casa

ao deitar para dormir

apagou tudo com borracha

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Esperou três semanas e quatro dias

antes do mês fechar

abriu a janela, saiu caminhar

suportou a chuva fria

abraçou a monotonia

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Criei

alimentei

dei água

levei passear:

a expectativa nem quis

me amar

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Era quase esquecimento

de surpresa teu nome ouvi

____

desgosto senti

despeito ou ainda te gosto?

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Lua cresce em sagitário

Deus abençoe a nós

os sem juízo

____

sorte, nos guie

pelo menos

ainda temos réu primário

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Já esqueci

a cor dos teus olhos

____

É que nunca os vi

no escuro

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Um brinde de conhaque

(acabou o gin):

perdi a esperança

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

O tempo não esperou

arrancou-me as decisões

das mãos

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Te achei fraco e medroso

perdeste, enfim

o gozo

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Ela sorri ao olhar

para trás:

se vê no espelho

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Na iminência do golpe

suportou a deserção

esse safado, o coração

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Compôs sonhos de dia

organizou o futuro

catalogou os planos

ouviu ladainhas

à noite traduziu tudo em rimas

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Mirei um amor

acertei em problemas

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Volto ao mar

estou em casa

o coração se agita

apaixone-se, menina

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Velhos jornais me dizem mais

do que teu duro silêncio

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Não serei ridícula

como soam ser

as cartas de amor:

serei anônima

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Com quantos adeus

se faz uma solidão?

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Carimbei o passaporte

rumo ao destino de sempre

o trem encontrei

numa nova estação

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

O mar

com saudades minha

pediu aos céus

boas notícias

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Quanto mais penso em ti

mais sei

que nem lembras que existo

é o breve lamento da poetisa

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Vayate

Vayate

no quedaste aquí

vayate de mis pensamientos 

lo ruego a los cielos

quiero vivir

_______________________________

Vayate

no tengo esperanza

solo traigo decepciones

_______________________________

tu no tuviste coragem

y yo que temí?

_______________________________

nunca olvides

las miradas, las palabras

el abrazo

lo tanto que nos traicionamos

lo tanto que no hemos dicho

lo tanto que nos queríamos

_______________________________

Vayate

ya esperé demasiado

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑