Nossa Esperança

De esperança se enche

nos últimos dias

enquanto houver

Esperança, sempre haverá

ao levantar os olhos ao altar

banha meus dias

enaltece meu coração

em cada queda

Não morre, não me abandona

mantém-me de pé

mesmo a chorar

e a querer voltar

Tempo não volta

tempo se vai

em fios de esperança

De tão bonita Senhora

nossa, a amparar-me

cheguei até aqui

viverei, ainda

só a esperança

sob meus pés.

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Cemitérios no inverno

O caminho é pedregoso e necessário. Longo e cheio de curvas aborda rios por vezes. A poeira embaça o olhar que tenta atirar-se para todo aquele verde quase negro dos morros. É preciso estirar o corpo lançando-se aos caminhos sem destino nem objetivo. Era quase inverno, ou, quem sabe, era um inverno como esse que hoje se apodera da minha primavera.

Há todo esse mundo distante do correr de tantas vidas para pouco tempo. Você me levou e o silêncio permeava estes pensamentos que não se aquietam. Eu sorri ao ver os patos em linha irem dormir pois o sol se punha: a natureza é assim belíssima e exata.

Foi quando nos deparamos com um cemitério, onde você por acaso fez a volta. Casa dos mortos, singelo e solitário naquele dia frio, cinza e silencioso. É uma lembrança que guardo do inverno. Quando você me salvou daquele dia sufocante e meu olhar perdeu-se nos pensamentos cemitério adentro. Não há nada mais triste. Os mortos ali a me lembrar que tudo finda. Os mortos têm o mau gosto de sempre nos lembrar que tudo acaba. Esses cemitérios de interior fincam no coração que mesmo em meio ao mundo a parte, mesmo nos rincões mais perdidos, mesmo longe desta vida – sufocante sufocante sufocante – a morte chega. E fica. E constrói seus túmulos frios.

A natureza é assim belíssima e exata. Vivemos a vida, nos alcança a morte – quando, e somente quando, já tivermos concluído nossa missão na Terra. De nada serviria que fosse diferente.

Tenho tantas lembranças boas do inverno. Esta me perseguia, enquanto não fosse martelada nas letras não me deixaria em paz. Naquele dia senti o alívio da surpresa e do respiro. Hoje a surpresa – e eu que sempre surpreendo por vezes me quedo surpresa, mas é raríssimo – obrigou-me a anotar no céu das lembranças as cenas do último inverno. Eu gosto de cemitérios. Tanto no inverno quanto na primavera – já te contei como ficam belos cheios de andorinhas? Às vezes também gosto da tristeza. Diria que gosto até de dias frios. E nublados – desde que não abafados.

A natureza é assim belíssima e exata. É assim também o amor, posto que tão natural quanto a morte. Amemo-nos, por certo. Até o próximo inverno. Até a próxima surpresa. E renovemos sempre a beleza e exatidão que nele há.

Terrorismo: o tema queridinho do cinema atual

Não é de hoje que eu digo que o cinema francês é o melhor em lidar com suas questões contemporâneas. E nem precisaria ser eu a dizer. Todos os “problemas” sociais, questões pertinentes para o presente são tratadas com faca afiada pelos melhores diretores e roteiristas. Na pauta dos últimos temas estavam o desemprego, a imigração e agora a presença do terrorismo.

Talvez seja de mau gosto a comparação, mas é interessante. Se fosse os EUA a sofrer os últimos ataques desde o do Charlie Hebdo, teríamos no cinema a recriação da História encenando os fatos e, claro, teríamos os heróis americanos, os dramas do povo em luta pela sua liberdade. O cinema focaria na sequência dos fatos ocorridos e teriam um prato cheio para um filme de ação com o atropelamento em massa de Nice ou o massacre no Bataclan.

Porém, para o cinema francês a preocupação é outra. Foi recentemente veiculado na TV francesa um filme (feito para a TV) sobre uma mãe que descobre que a filha estudiosa está recrutada pelo Estado Islâmico. O drama tem alguns problemas, é claro. Mas segue o padrão filme para TV e tem claramente a intenção (todo cinema tem) de ser pedagógico, para instruir os pais. Existem lá programas e associações para pais “órfãos” de filhos que seguiram para se juntar ao Estado Islâmico. O ponto forte do filme é mostrar que esses jovens enganam bem todos a sua volta (pais são, no geral, bem desatentos) e evita o preconceito mostrando que são ricos, inteligentes e estudiosos.

Nas escolhas dos países para a indicação a Oscar estrangeiro figura o holandês que trata da mesma questão. Infelizmente há uma maioria de escolhas nacionais focadas no político, nas questões de gênero principalmente. Uma jovem também é recrutada e se casa pela internet com outro jovem que já está na jihad. Neste, porém, a jovem chega a ir para o Oriente Médio. Lá ela descobre que o seu ímpeto de lutar e defender seus novos valores e povo serão tolhidos por leis e regras ainda mais severas.

O Oscar não gosta muito de filmes políticos para a categoria de Estrangeiros (talvez achem que em termos políticos eles podem fazer melhor, com seus diretores que inventam histórias para tratar dos temas atuais sem dizer uma única palavra sobre tal: parece até que há algum tipo de censura). No começo imaginei que o holandês seria uma boa opção, afinal a luta contra o terrorismo, segundo os americanos, é deles. Porém, o filme traça um perfil que responsabiliza os pais (descendentes de país e com origens no Oriente Médio e África) de se afastarem da religião e dos seus valores, criando, assim, uma ruptura que faz falta aos seus filhos – ao se sentirem oprimidos pelas leis e preconceitos por terem a pele mais escura ou pertencerem ao islamismo tornam-se alvo fácil dos recrutadores e seu discurso de liberdade e defesa do próprio povo. O filme não culpabiliza os jovens por serem tão inocentes e criminosos de aceitarem explodir pessoas inocentes. Os jovens recrutados são vítimas de uma sociedade ocidentalizada (mesmo os “recém” chegados) que discrimina e não dá espaço nem valoriza valores que estão no sangue deles, como vítimas de não poder usar seu véu ou reunirem-se em espaços públicos, eles decidem revidar, encontram na religião o amparo que não têm nem em casa.

Desta forma, parece-me que o holandês não será um dos indicados. Porque o discurso não só é politizado como bate de frente com os ideais americanos. No caso francês o filme foi um sucesso exibido na TV em seguida de um programa que procurava instruir pais de como identificar os sinais de recrutamento nos filhos. Didático, pedagógico, alarmista (neste ponto quase americano). O indicado da França para o Oscar? Um filme sobre direitos homossexuais (ainda não assisti, portanto sem comentários). Poucas chances tem o suíço, apesar de ser um filme divertido e necessário; o sul-coreano, com toda a qualidade dos filmes de lá e que nós amamos, retrata um fato histórico com muito drama e heroísmo (boas chances, do ponto de vista americano).

A diferença entre o cinema francês e o americano não é apenas a forma como trata sua história recente, é claro. Mas isso diz muito de ambos. Os cinemas nacionais (para além dos EUA) têm muito a mostrar e a nos fazer entender sobre o mundo e a nós mesmos. Porém, comercialmente, etc etc etc. Cinema é contemporâneo, a história do agora é inerente a ele – mesmo quando faz releituras sobre fatos do passado. E é só uma das coisas que faz do cinema a arte mais apaixonante de todos os tempos.

À beira-baía 

(para Itajaí) 

Desfaz, vento

Ondas em par

Nuvens nenhumas

De sábados de sóis

Que amanhã é domingo

Em paz de dia frio

E almoços e sobremesas

Desfaz, vento

O alinhado dos cabelos

O desenho das areias

Que é sábado de praia

E amanhã é domingo

À beira-baía e crianças

E barquinhos atracados

Ouvindo o ondular

Das águas nas pedras

“que hoje é domingo

não é dia de pescar ”

Desfaz, vento

O domingo a passar

Até os peixes descansam

E ninguém quer ver

A segunda chegar

A Filosofia e a Omissão

Por vezes eu me sinto culpada. Principalmente por ter sido omissa. A omissão é a pior das culpas. E não adianta dizerem “mas você fez o que podia” ou, pior, “você não podia ter feito nada”. A culpa persiste. Já fui omissa algumas vezes na vida, reconheço – e lamento, de um jeito meio doloroso.

Uma ex-aluna minha, de Filosofia do Ensino Médio, fez vestibular para o curso de graduação em Filosofia, para a mesma universidade onde eu fiz. Fiquei feliz, óbvio. A sensação de fazer diferença na vida de algumas pessoas é muito boa. E pela Filosofia, então, essa desesperançada beleza que está mais em desuso e em desvalorização do que qualquer área do conhecimento. Não fui, claro, a única influência dela para seguir neste curso, mas sei que tive lá minha pontinha de responsabilidade.

Depois de um tempo que ela entrou no curso eu acompanhei relatos e a luta dela, e de outras alunas, diante dos abusos e assédios no curso. Meninas mulheres sendo assediadas por professores, colegas e funcionários do departamento. Além disso, complicado dizer “ainda pior”, elas também relataram a luta que é para que sejam reconhecidas como capazes e iguais, numa das áreas mais difíceis dentro de uma universidade. Sim, pode parecer incrível (e, de fato, é), mas mulheres, hoje, em 2017, no Brasil, precisam lutar para mostrar algo tão óbvio: somos intelectualmente tão (ou mais) capazes que os homens.

Eu fiquei triste. Porque eu sabia que era assim – e em nenhum momento a preveni do que ela teria pela frente. Se eu tivesse prevenido, sei que não teria a desencorajado – mulheres que fazem Filosofia são destemidas. Mas ela não teria se desiludido tanto, talvez. Ou ela já estaria melhor “armada” quando se deparasse com as agruras da vida acadêmica de uma estudante de Filosofia.

Mas, pior ainda mesmo, é a sensação de culpa por eu ter silenciado. (vocês estão de prova, não silencio mais: a gente aprende) Eu não lutei e não me fiz ser ouvida quando fui assediada no curso, por professores, por colegas. Eu não expus os abusadores que mantêm o status quo atrás de suas poses intelectuais. Eu deixei de frequentar a lanchonete do prédio, eu ficava chateada e de vez em quando pensava duas vezes antes de me vestir para ir à aula. Eu não ficava em certos horários, em certos lugares. Nem mesmo quando era de conhecimento de muitos que eu estava em algum relacionamento, na época, eu me livrei dos assédios. Coisa que, de vez em quando, nos dá um pouco de sossego.

Eu silenciei. Talvez seja hipócrita, por isso, hoje eu dizer para que não silenciem. Ou não. Porque eu não silencio mais. Eu exponho homem machista, abusador, assediador, intransigente, intolerante, agressor e tudo o mais. A gente aprende.

Além do assédio, que parece tão comum nas ruas e em todos os ambientes, existe esse ranço de superioridade intelectual. Sim, há. E não é só nas Engenharias. Aliás, nesta área os melhores profissionais que eu conheço são mulheres. E sei que elas tiveram que batalhar o dobro para mostrar que são capazes. Porque é essa a nossa vida: mostrar que somos capazes. Até quando? Até quando esse mundo e esses homens vão ficar nos forçando a mostrar que somos iguais? Ou até melhores (e é bem isso que eles não aceitam). Filosofia é difícil pra caramba. Nós, mulheres, também nos destacamos. Nós também somos capazes. Coisa inteligente não é só pra homem.

É triste. É triste ver essas meninas e essas mulheres desde cedo tendo que exibir na testa a sua força – física, intelectual, emocional. A gente queria só viver sossegada, às vezes. As universidades são muito machistas. Porque foram, por muito tempo, dominadas por homens, enquanto as mulheres, no máximo, podiam fazer pedagogia pra cuidar de crianças – porque isso é coisa de mulher. Aliás, curioso o relato de um moço que eu conheci. Ele fazia Pedagogia, único homem da turma, e nem estágio nas escolas e creches ele conseguia porque “um pai não vai querer que um homem cuide da filha dele”. O reverso é raro, mas é verdadeiro.

Sofremos muito preconceito em sala de aula na Filosofia. Teve uma professora que um dia nos chamou de galinhas. Simples assim. Nada aconteceu. No relato da minha ex-aluna ficou claro que não farão nada, na reunião de departamento disseram que só os casos reportados deverão ser examinados e seguir o que rege as regras da universidade. A gente sabe no que vai dar.

A gente aprende. A duras penas, mas aprende. E quanto mais cedo, melhor. Ser mulher não é pra qualquer um. Mas nós somos e estamos fazendo cada vez melhor. Levo minhas culpas comigo, para fazer ainda mais, dia a dia. O que aprendi foi a ser menos omissa. Parece pouco. Pouquíssimo.

Diz-me, poeta

Diz-me, poeta: tão fácil saem as palavras das tuas mãos para o papel? Flutuam nuvens de céus encantados a dourar o branco do papel que te espera angustiado? Diz-me, poeta, se preciso alçar vôos sobre tantos amores para compor êxtases e desilusões em páginas com fins cada vez mais tristes. Seria a vida um pesadelo a registrar nossos medos em tintas cada vez mais esmaecidas? Diz-me, poeta, que só tu me permite estes devaneios e dúvidas. Diz-me, poeta, tu, também, amas?

Míseras comparações enchem versos vazios. Pobres metáforas acordam o tilintar do alarme falso. São os sofredores de falsas emoções que a todo custo querem desafinar a vida em poesia. Mas, tu, despreocupado poeta, escreves com a alma em sintonia. De onde tiras tanta inspiração? Diz-me, poeta. Sei dos ventos, dos faróis, dos barcos a navegar, também da lua, do sol e do mar. A qualquer um estão ao alcance. Mas só tu, querido poeta, a tudo enquadra em traços os mais belos. Diz-me, poeta, como não sentir a brisa ao tamborilar teus versos nos meus lábios?

Diz-me, poeta: acaso te inspiro? Meus olhares ou, quem sabe, meu sorriso? Diz-me, poeta, te causam calafrios? Pois já quis ser musa dos teus versos, dona dos teus suspiros, amante das tuas madrugadas. É o que sonham alguns dos que mal sabem conversar com a pena, como tu. Não é nada fácil, diz-me, poeta, confessar explicitamente o que te atravessa o coração? Sangrar diante dos olhos que farejam desgraças como urubus em beira de estrada? Diz-me, poeta. De onde tiras coragem para adentrar as almas que vagam solitárias pelos nossos dias, tristes dias?

Imagino-te feito de olhares velados e gestos sombrios. O que te encerra o corpo flameja em palavras. Diz-me, poeta, o que vês no espelho quando estás diante dele? Nenhum verso atrapalhado, nenhuma palavra fora do lugar, nenhuma pontuação sem sentido? Ou, quem sabe, algum verso mal conjugado. Diz-me, poeta, como não escorrem por ti os versos que lacrimejam nossos olhos? Como não vemos as pétalas das tuas poesias caindo-lhe das mãos quando atravessas a rua?

Diz-me, poeta. Diz-me, poeta, como te encontro a disparar-me, sem dó, verdades em três palavras de três linhas? Diz-me como amar-te até os próximos outubros, pelo resto dos anos que nos sobram? Diz-me onde escondes as poesias que ainda não escrevestes. Guarda-as tão bem dentro do peito e as aprisiona atrás destes olhos de desespero? Diz-me, poeta. Ou te desmanchas em segredos até para mim?

20h20

Enfim a espera se desfez

às oito e vinte daquele sábado

diante das águas paradas do rio

e outubro será sempre o mês


Em teu abraço estou

e paro o carro a mirar-nos

naquele banco

sob o céu nublado


Amar-te era certo


De outubro a outubro

percorro o tempo

e estradas e Estações

em busca do teu sorriso


Nos chegam boas novas nos costões

tardes preguiçosas no sofá

e emoções em bairros afastados


Entre idas e vindas

abraços e despedidas

amar-te me pertence


De companhia e companheiro

narramos nossos encontros

em verso prosa e risos

por todos os próximos outubros

O mundo não é justo

(porque o mundo não é justo)

Invade minha tarde estes parênteses e respinga nuvens no sol que, finalmente, se alastra pelo quintal. Penso nas praias poluídas e nas mortes de jovens envolvidos no tráfico. Tem, também, essas cidades cada vez mais caóticas e que nos deixam doentes. O mundo não é justo, concordo. Ele exige que eu trabalhe quando queria tomar banho de mar. Ele tira das nossas vidas aqueles a quem amamos. Ele transforma uma chuva melancólica num desastre que avança pelas casas. Seria, porém, o mundo justo apenas pelo fato de ser como queremos?

O mundo não é justo porque não estamos juntos. Talvez tudo seja assim simples. Como este quintal onde rolinhas namoram nos telhados, galhos secos caem com o vento, o cão lambe meus dedos e a gata reluz seu laranja ao sol. Talvez nesta simplicidade falte a sua companhia a ouvirmos o som dos carros que nos chega da avenida e o silêncio de mais um fim de dia. O mundo não é justo, enfim, porque há espaços vazios onde vontades encontram-se insatisfeitas.

Porque o mundo não é justo eu queria lançar barcos ao mar em jornadas de buscas infinitas. Eu queria, por vezes, não ser eu. Porque o mundo não é justo nada me falta se a medida é o tempo. Mas, falávamos do mundo. Há, acaso, algo que nos entristeça mais do que tal assunto? Eu conheço a beleza e o amor e sei que nem a beleza e o amor contidos na esperança nos fazem ver o mundo com alegria. Nós deixamos o mundo de pés sujos, alma partida e rosto desfigurado e ele nos responde não sendo justo.

E se acaso fosse justo, juntos estaríamos; a contemplar o pôr do sol, a ansiar as espigas de milho que cozinham na panela e a dormirmos na certeza de mais um dia sem faltas nem saudades. Se acaso o mundo fosse justo, quem sabe, mal caberíamos nele, impregnados de incertezas e medos. Porque o mundo não é justo ainda não é sábado.

Sonha-te quem és

O que sonhas, meu bem

quando te afago a nuca?

O que te sonha o verde

dos sombreiros sobre nossas cabeças?

O que sonhas

ao te roçar o pêlo?

O que te sonha o futuro

a te trazer o que não tens, ainda?

Abandona-te, suplico

aos sonhos

aprisiona-me nesta vida

te juro, não posso

salva-me ao sorrirmos

sonhando sonhos impossíveis

Queira-me a vida a simplicidade

Queria-me a vida a rotina

expulso-te se me querem rendida

O que sonhas, meu bem?

A amarrarmos os barcos

em novos desafios

a protestarmos diante

de outros desaforos

a enchermos o tanque

e rodarmos estradas inclementes

O que te sonha, repara

a cada alvorecer

em todas as tardes longas

em especial num dia de sol

Sonha-te quem és

perturba-te o desejo mais sincero

acalma-te as certezas mais puras

Sonha-te quem és

de pés descalços e nu

contemplando a vilania

das máscaras que te caem

e do sonho mais voraz

que te abraça agora.

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