Das coisas que gosto

Das coisas que gosto.

Da água caindo do chuveiro no banho quente ou frio, escorrendo pelo corpo na sensação mais feliz de leveza, limpeza e alienação do mundo.

De ouvir, sem querer, de surpresa, aquela música romântica e doce mesmo que brega e sorrir.

De sofá. Deitar no sofá, me jogar no sofá. Toda estirada no sofá assistir aquele filme gostoso que me leva para longe mesmo que o filme seja bobo ou óbvio.

De fotografias. Fotografar. Ser fotografada. Ver fotografias. Digitalizar as fotos antigas. Colocar fotos em porta-retratos e quadros. Olhar fotos nas paredes. Lembrar de fotos. Pensar em enquadramentos e cores e luzes.

Do mar. Simples e direto: olhar o mar, viver o mar, estar no mar. Preciso tanto olhar o horizonte. O mar é meu horizonte.

De ler. Letrinhas, letrinhas. Me acompanham desde pequenina quando nem sabia ler nem escrever e rabiscava nos papéis e paredes imitando como se escrevesse um idioma próprio. Ler placas, legendas, embalagens de cosméticos, de comidas, ler revistas, jornais, panfletos (pego qualquer papel que me derem na rua, que estiver em cima de um balcão), livros, queridos velhos amigos, dos mais conceituados até os meus fofos romances de banca de revista. Preconceito pra que, as letras não merecem. Leio pichações, mesmo que minha mãe tenha sempre me dito para não ler.

De escrever. Porque as letrinhas além de entrar queriam sair.

De chegar. De partir.

De encontrar aquele prato delicioso preferido servido na mesa por aquela pessoa que me ama.

De encontrar. De desencontrar.

Da pele hidratada e macia e cheirosa.

Da chuva fraca à tarde.

Da janela aberta, sempre aberta.

Do sol queimando na pele e do cheiro de carne queimada.

De suar. Gosto muito. Suar por prazer.

De saia. Curta. Comprida.

Do silêncio que me permite pensar e sentir. Apenas desse.

De roupas feitas sob medida por uma boa costureira.

De unhas pintadas. Cores são essênciais na vida.

De andar. Andar tanto até sentir aquele formigamento nas pernas quando pára e senta.

De viajar. Para quem é inconstante não há constância na vida que seja bem vinda, nem a geográfica.

De bolsas. Não é vício, não é consumismo, não. É uma coisa que me pegou lá pequenina e com a qual convivo muito bem e feliz. Uma bolsa é uma companheira. Cada uma delas me diz algo. Desde aquela bolsinha vermelha com branco da Moranguinho.

De quindim. De sorvete de coco. De empada de palmito. De croissant de chocolate. De mjadra. De bacon. De melancia. De maçã. De pinhão. De milho! De camarão.

De vinho. De cachaça. De espumante. De frisante. De rum.

De caipirinha. De cuba.

De pessoas bem resolvidas – seja profissionalmente, com a família, amorosamente, financeiramente, sexualmente, pessoalmente.

De coalas.

De mesas de vidro.

De tela LCD.

De touch screen.

De banco pela internet.

De coberta de lã de carneiro.

De dormir com o ventilador ligado. Sempre e sempre. Sim, mesmo que faça muito frio.

De velas.

Dos quadros do Monet.

Dos filmes do Truffaut.

Dos livros do Érico Veríssimo.

De sabonete para o rosto.

De tartaruga.

De filmes de época.

De sentir a dor passar.

De saxofone.

De violino!

De lixa de unha. Mesmo quando as pessoas em volta ficam arrepiadas e reclamam.

De lavar roupa.

De lã.

De diálogos. Diálogos em filmes ou livros. Mas, principalmente, diálogos alheios, de pessoas estranhas, nas ruas, ônibus, lojas.

De vermelho. De lilás. De laranja.

De cama com cabeceira alta. Antiga, de madeira.

Do Google Earth!

De sentir calor.

De secar o cabelo com secador. Só para vê-lo radiante, brilhante, armado, solto.

De cozinhar.

De mentir quando não é necessário. Aliás, de tudo que não é necessário.

De adiantar ou atrasar o relógio dos outros. Por interesse ou passatempo apenas.

De criticar! Ao contrário do que pensam, criticar não é só falar mal.

De sedas. De veludos.

De sentir a nuca arrepiar. Só por ver ou lembrar ou ouvir algo.

De andar pela casa no escuro.

De luz apagada na hora do filme.

De creme para as mãos.

De botas!

De almofadas.

De cruzar os olhos com um desconhecido que me olha fixamente e ao qual eu nunca mais verei.

De batom vermelho.

De virar para a direita (ou esquerda), caminhar um pouco, parar, pensar, (causando estranhamento nas pessoas), e caminhar para outra direção. Ou, ainda, parar novamente e voltar para a direção inicial.

De sentar quando recebo uma notícia. Seja boa ou ruim, eu sento. Como se sentar organizasse meus pensamentos e sentimentos.

De casas com escadas.

De sótão. De porão.

De caixinhas para guardar segredos. Enfim, das caixinhas pois não guardo segredos. Não que não os tenha, apenas não os guardo.

De retratos pintados. Como antigamente.

De dar uma rasteira – não literal – em quem não espera isso de mim.

De cabelos curtos!

De ficar acordada de madrugada. Sozinha. Com mil coisas para fazer. E pensando que a maioria das pessoas está dormindo. Do verso “o mundo inteiro acordar e a gente dormir”.

De vestido.

De área de serviço.

De anéis.

De pulseiras e braceletes.

De pedras preciosas e semi-preciosas.

De ouro branco.

De ir no dentista. No otorrinolaringologista. No oftalmologista.

De homem de barba recém feita.

De jogar dados. De jogar até não aguentar mais.

De xarope expectorante.

De tatu bola.

De freezer.

De fogueira.

Da lua.

De pescar.

De ir dormir. Assim, sem sono, ou caindo de sono e cansaço, mesmo sabendo que não irei conseguir dormir em nenhum dos casos.

De pijama!

De aquecedor elétrico.

De lembrar.

De tijolo à vista.

De madeira.

De gritar. Alto. Sem controle.

De sonhar meus sonhos loucos e incoerentes.

De olhos castanhos escuros.

Da palavra “terrível”.

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