Os homens da minha vida – a impossibilidade e je repars à zèro

Eu, do nada, perguntei: vamos jantar no Subway? E a resposta foi positiva. Mal sabia eu o que me preparava o destino. Lá fomos nós, conversa aqui, ali e chegamos na lanchonete. Às vezes eu esqueço o motivo de não sair em Joinville. Esta cidade me guarda surpresas impensáveis, até pra mim.

Abro a porta de vidro e um olhar me traz o passado. Eu com essa mania do sangue inglês de disfarçar o que sinto, vejo o dono daqueles cachos arregalar os olhos daquele jeito que, ó Deus, eu ainda conheço tão bem, virar a cabeça repentinamente pra fugir (com toda razão, como sempre) da memória do corpo (a melhor memória de todas), falar alto “sim, mas claro, azeitona” com aquela voz travada e o sotaque que, ó Deus, eu amei por tanto tempo e ficar revirando as mãos nervosamente, me evitando a todo custo.

E nós ali na fila, duas pessoas entre nós, meus olhos perscrutando enquanto os dele fugiam. Sempre fora assim, enquanto havia sido.

Tudo continuava igual, tudo, tudo. Bem, nem tudo. Ele usava tênis agora, não mais as sedutoras botas e o relógio era digital (estranhei muito isso) não mais de ponteiros. A pele. A pele estava bem mais marcada pelo tempo. Ele gosta do sol, um ponto em comum. Mais um. Ainda tinha uma caminhonete, ainda era casado (com outra, é verdade). E estava na cidade numa quinta-feira.

Eu me divertia, novamente (como sempre fora), ria do jeito assustado e fugidio dele. Falava com quem estava comigo com a cabeça em outro mundo. Igual como no passado. Eu ri à toa.

Sim, ele foi meu caso mais divertido. Ele foi o mais inspirador. Ele foi com quem mais aprendi. Foi ele o culpado por todos os meus planos daquela época – que fazem de mim o que sou hoje.

E ele ali, disfarçando, fugindo. E eu me divertindo. Ao sair, passando pela mesa deles somente aquela troca de olhar com um sorriso e um meneio de cabeça. E eu sorrindo.

Confesso que a volta para casa foi em suspenso. Minha cabeça rodava feliz pelas lembranças, o corpo adormecido de dias trancada em casa numa longa e quase interminável convalescença havia sido despertado por doces e aterradoras lembranças. Há muito tempo que eu não tinha nenhuma notícia dele nem sequer nos meus delírios imaginativos.

Eu me divertia lembrando de tudo. Postei o fato, resumidamente, lá no Facebook. Me divertia em lembrar e relembrar, em captar cada detalhe, como aprendi a fazer. Contei a uma amiga, testemunha dos fatos e companheira da época.

Faltou perguntar se ele continuava no mesmo hotel. Porque os dias haviam mudado.

Só os dias?

Eis que me pego pensando durante o banho: nada havia mudado. Ele que me havia aberto todos os mundos possíveis diante dos meus jovens olhos, estava ali no mesmo lugar, pelas mesmas razões, do mesmo jeito.

Um peso no coração me abateu. Foi por isso que há tanto tempo atrás eu havia tomado uma das primeiras decisões mais difíceis da minha vida. Ele estava ali. Se eu tivesse dito “sim”, eu também estaria ali, na mesma, do mesmo jeito. Eu não era mais a mesma. Não cresci, é fato, mas não envelheci. Sim, eu faria tudo novamente hoje. Tirando o peso dos anos (bem, neste caso acho que empatamos), eu poderia sentir a mesma coisa por ele e não sou do tipo que diz “eu não faria de novo”. Faria, com muito (mais) prazer. E, provavelmente, me divertiria muito, novamente.

E aí, cai água do chuveiro e eu penso que esta história resume o fato do fim de todos os meus (quase ou não) relacionamentos: o caminho. Terminei todos (e, sim, eu sou a má que é sempre quem termina os dito cujos) pelo mesmo motivo, caminhos diversos a serem seguidos. Difícil colocar isso em palavras. Todos eles chegaram naquele momento em que eu segui, eu desejava mudar, ir para a direita, esquerda, pra frente ou até pra trás e eles… bem, eles ficavam (e ficariam, mostrou o futuro ao se tornar presente) no mesmo lugar. Garanto que posso encontrar todos eles a hora que eu quiser porque continuam com a mesma vida, exatamente igual – talvez apenas usando um relógio diferente.

E foi isso, até hoje, que me fez seguir sozinha: o fato de querer (e precisar) seguir. Eu não poderia ficar para discutir qual máquina de lavar roupa comprar, ou qual a cor da cortina da cozinha. Eu não conseguiria. Eu não consegui.

Eu não disse “sim” (nem nunca consegui dizer) a um casamento e aos filhos quando este não era, ainda, o caminho que eu traçava.

Vejam só, eu vou do desânimo à euforia em um olhar.

Terminei todos eles até hoje porque não consegui estar ao lado deles onde eles ficavam, e eles, definitivamente, não me seguiram. E, por que, ó Deus, esse azar no amor de cruzar com esses homens que param, que ficam e não vão?! Seja para qualquer lugar, mas não seguem, param, se acomodam, se satisfazem. Por quê?!

Há um que não é assim. Mas o destino é tão sacana com os encontros e desencontros (muito mais estes do que aqueles) que acredito na doce ilusão de um dia nossos caminhos cruzarem de vez. Acredito somente na ilusão, pois sei que é (quase) impossível. E, às vezes, me dou ao luxo de acreditar no impossível.

E de toda a felicidade legítima que eu tive naqueles cachos, naquele sorriso e naquele sotaque me sobraram as lembranças divertidas. Por que o destino cruzou nossos caminhos tão despretenciosamente hoje? Não sei. E prefiro não pensar nisso (vejo chifre em cabeça de cavalo, diria meu pai). Comentei que eu pensaria, obviamente, sobre o incidente do dia. Mas que eu não deveria me deter demais no “pensar”. E não devo. Quem me conhece sabe que eu sempre faço o que não devo.

Ao lado da delícia de lembrar e, de certa forma, reviver aquilo tudo de um passado até que distante, veio uma tristeza agridoce por vê-lo ali, um ídolo de pés sujos na lama. Ele que podia tanto, ali estava. E nada mais. Como flecha me acerta a certeza da minha decisão repentina na época. E se eu tivesse insistido e dito “sim”, sei que hoje eu não estaria com ele e provavelmente as lembranças seriam amargas num encontro assim fortuito.

Por que esse azar no amor, ó Deus, de não cruzarem meu caminho no momento certo? Sempre o homem certo na hora errada. Sempre caminhos embolados, um no fim e o meu sempre dando voltas. Por quê?!

E aí veio a madrugada, o vinho, a música, os amores que já senti, o chocolate e saiu tudo isso daí, todos esses pensamentos provocados pelo banho, por aquele olhar, por aquelas lembranças.

Só posso dizer que eles nunca entenderam e nem entederão. Se aquele um vai se tornar realidade, só o destino sacana dirá. Se o azar no amor é esse mesmo, mais caminhos desencontrados virão. Cenas para os próximos capítulos.

E toca agora aqui “Non, je ne regrette rien”.

Nunca um sanduíche do Subway me fez tão feliz.

O Big Brother, a novela das 19h, a covardia e os seus julgamentos

 

Essa semana eu pensei várias vezes em escrever um post sobre uma personagem da novela das 19h da Globo. Mas como o assunto passava perto (bem perto) de questões pessoais, eu relutei. Além do mais, alguns torceriam o nariz e diriam “mas você assiste novela?” ou coisas semelhantes. Aí me ocorreu um post um tanto mais descontraído sobre esses rótulos, justamente. Porque coloquei o disco de vinil da Angela Rô-Rô para tocar e pensei: um monte de gente já diria “essa aí é sapatão, ouve Angela Rô-Rô”. Como se o que eu ouço ou o que eu assisto determinam o que eu sou ou até o que eu faço da minha vida sexual.

 

Pois bem, acho que juntei tudo isso neste post que culminou com o Big Brother. Sim, o tal BBB. Se já torceriam o nariz ao me verem falar em novela, imagine em Big Brother, né? Pois é. Isso que eu vou contar para vocês que li a Veja ontem. Sim, podem pensar o que quiser. Li a Veja sentada em frente à TV sem som que passava o Fantástico e parei para assistir o Big Brother. Perdi a sua amizade por isso? Pois então não me fará falta.

 

Porém posso dizer que ouvi Norah Jones e li Stendhal antes de dormir. Nesse meio tempo vi e li muitas coisas. Porque se você me julga por isso, querido, precisa conviver vinte e quatro horas comigo para poder fazer um bom julgamento. E ainda assim este será deficiente. Aliás, você não suportaria esse tempo todo convivendo comigo, ouça o que eu lhe digo, não é fácil.

 

Mas as pessoas gostam de tentar te rotular, de tentar te atacar só porque ele acha que você é pedante porque vai para a aula com uma dúzia de livros debaixo do braço, mas quando chega junto pra que você dê para ele, aí você descarta. E aí chegamos ao assunto do começo.

 

Na novela das 19h da Globo, “Aquele Beijo”, a personagem da Giovana Antonelli, Cláudia, está em processo de separação do seu já ex-esposo (eles já não vivem mais sob o mesmo teto pois Cláudia decidiu separar-se após ver sua mãe ir presa inocentemente por conta de falcatruas do pai do personagem Rubinho, na época esposo de Cláudia e que sabia o que estava acontecendo, mas que não contou para ela). Houve separação de corpos e ela entrou com o pedido formal. Rubinho, no entanto, disse que não aceitava a separação (e aqui eu me pergunto: o que há para aceitar se a separação em si já é um fato?) e que teriam que seguir no litigioso.

 

Pois bem, situação mais comum do que a gente pensa. Mas, mais comum ainda é a sequência das ações de Rubinho. Citarei três: num capítulo, Cláudia está chegando em casa e ele surge ao lado da porta do seu apartamento, insistindo para entrar e questionando onde ela estava. Cláudia se assusta, barra a entrada da porta e diz que não lhe deve satisfação, afinal não está mais com ele. Bem interpretada por Giovana, a personagem fica visivelmente abalada e assustada, contudo ela, ao entrar (fecha a porta rapidamente para que o ex não entre) e encontrar com a mãe que agora mora com ela, não lhe conta nada; num capítulo seguinte, Cláudia está no primeiro encontro com o engenheiro que ela conheceu numa obra, eles estão num restaurante jantando quando do nada surge o ex, Rubinho, pergunta quem é o “cara”, diz que ela não pode fazer isso e numa primeira atitude agressiva, esfrega a cara do engenheiro no prato de comida, sendo retirado à força pelos seguranças, o engenheiro sai logo em seguida culpando-a por ter um ex assim e ela fica lá jantando sozinha; no capítulo seguinte, após contar para a mãe o que ocorreu (ela tenta erguer-se do fim de um relacionamento que durara anos), a mãe tenta encontrar justificativas para o ex, dizendo que é natural que ele sinta-se como dono de Cláudia pois eles tiveram um longo relacionamento e homens sentem-se assim, Cláudia, porém, não aceita essas palavras e ainda conclui que está sendo seguida por ele. Logo em seguida vemos Cláudia ao telefone, no seu lugar de trabalho que é a obra onde conheceu o engenheiro, o qual pede sua demissão pelo ocorrido. Eis que entra Rubinho e faz as perguntas descabidas sobre quem era o homem que estava com ela, que ela era dele e coisas afins. Cláudia se nega a concordar com ele e ainda tenta mostrar que ele causou um problema profissional para ela, ao que Rubinho a agarra com as duas mãos e diz palavras agressivas, diante do susto e do medo, Cláudia fica paralisada. O escândalo chama a atenção dos operários que se colocam para defender Cláudia, assim Rubinho vai embora.

 

O texto do Miguel Falabella é muito bom e me parece que esta sequência terá ainda um crescente. Um crescente, creio eu, um tanto familiar. Como eu disse, é algo pessoal, já passei por isso. Pensava em escrever aqui pedindo que meus leitores dessem uma atenção especial às notícias diárias sobre exs que matam, sequestram, assediam, agridem as mulheres que ousaram dizer “não, não quero mais”. Não são poucas, tenho certeza. São muitas mais do que podemos imaginar. A situação em si já é grave, mas mais grave ainda é não denunciar. É calar-se. Você cala por vergonha, por susto, por medo. Se você se vê como uma mulher dona do seu nariz, como pode se ver numa delegacia dizendo a um policial que quer fazer um BO porque tem um homem lhe perseguindo? Parece simples, mas não é. Lhes garanto que não e compreendo o silêncio dessas mulheres. Como Cláudia, muitas vão tentando ignorar, sentem medo, esperam que aquilo acabe por si, que o idiota acorde num belo dia e a esqueça para todo sempre. Isso, infelizmente, não acontece em muitos casos. E diriam, como a mãe de Cláudia: homens são assim. Pois então o problema são eles, quem precisa de cura ou de solução são eles: nós não. Mas quem precisa se rebaixar e ir a uma delegacia (onde normalmente nada é feito e só alimenta a frustração) somos nós. Nós?

 

Há a esperança que lhe prende e não lhe permite tomar uma atitude mais severa. Há uma ferida no ego ter que desprender-se de si para rebaixar-se ao nível de que aquilo que o outro faz não é correto nem bom. O homem? Primeiro há o desespero e as atitudes ligadas a isso; depois há a percepção de que a rejeição é real, e aí o pior que há no sexo masculino transborda: a covardia e a agressividade. O homem se ampara na sua “natureza” como disse a mãe da Cláudia para justificar a covarida diante daquilo que não vai mudar e como já não há nada mais a ser feito ele só consegue agir, o que significa violência e agressividade. É o velho “tomar à força”. Homens são repugnantes por isso. Mas, mas, mas… dirão que estou generalizando.

 

Enquanto a mulher sente-se impotente o homem usa de toda a sua “potência”.

 

E aí eu vou ligar diretamente com o Big Brother. Programa da mesma emissora que já faz e ainda faz (para desgosto de muitos) muito sucesso no Brasil. Acho de uma hipocrisia sem tamanho quem hoje tanto critica mas já foi lá seu fã. A esmagadora maioria dos brasileiros já assistiu alguma temporada do Big Brother. No começo, acho que a curiosidade e o estrondo levaram muitos de nós a assistir. Porém, hoje muitos assistem porque querem ver barraco, putaria e coisas afins. A própria produção do programa deixa claro que visa isso. A escolha dos participantes (não é quem quer ganhar um milhão de reais e por consequência aparecer, é quem quer aparecer e por consequência ganhar um carro ou dinheiro), as festas regadas a muito álcool, o número reduzido de camas, as intrigas. O nível moral do Big Brother foi sendo construído ao longo de algumas temporadas, somou-se o que o povo mais gostava de ver com o que os participantes ofereciam. Bem, diante desta equação é óbvio que o resultado foi o mais baixo e constrangedor possível. Se eu estivesse lá, provavelmente não haveria sexo em frente às câmeras; se você estivesse lá, provavelmente não haveria mentiras. Por isso, eu e você não somos escolhidos para o programa. Simples assim.

 

Diante destas colocações, não há boas coisas à espera. Contudo, o ser humano é foda. (desculpem-me pelo palavrão, ele foi necessário)

 

Ontem a internet pulsava frenéticamente acerca de o que foi chamado de “estupro” e aí muita coisa foi exigida (as massas, na internet, exigem alguma coisa?) e escrita. Resumindo: uma participante (catarinense, por sinal, mas que eles chamam de gaúcha porque mora em Porto Alegre, Monique Amin (!)), bebeu, bebeu e bebeu na festa – ou seja, fez seu papel – e caiu na cama apagada. Logo, um rapaz que só sei o nome, Daniel, deitou ao seu lado e nitidamente teve algum tipo de contato sexual com ela (debaixo dos tais edredons). Se foi masturbação, se foi bolinação, se houve ou não penetração (li em algum lugar algo assim “nem houve sexo, os dois estão o tempo todo de lado” – oh, wait! que tipo de vida sexual tem uma pessoa que diz isso?!), não se sabe nem se saberá. O que se sabe é que a tal Monique de nada participou conscientemente. Poderíamos saber a verdade caso o tal Daniel fosse uma pessoa correta e sincera, porém, tudo já demonstra o contrário.

 

A Globo, que não é boba nem nada e sabe que internet só é para poucos, ainda, fez seu procedimento normal, chamou a Monique, fez suas perguntas e, não pasmem, continuou como se nada tivesse acontecido. Não houve estupro (e a discussão jurídica acerca da coisa foi enfadonha), tudo continua como antes, a moça disse que sabia o que estava acontecendo. Aham… sabia. Sabia tanto que foi perguntar para o tal Daniel e questionou uma colega “será que eu fiz?”. Ah, o Daniel… a resposta dele: você fez alguma coisa que não queria? Ela: não! Então está tudo bem, diz o rapaz.

 

Homens, não é mesmo? Eu assisti o programa à noite curiosa por como a Globo apresentaria a questão. Uns seis segundos da cena do edredon, um “o amor é lindo” dito pelo velho ridículo Bial, as perguntas de uma Monique que demonstra estar completamente alheia ao que aconteceu e uma cena em particular: o tal Daniel agarra com força uma moça (que eu obviamente não sei dizer quem é) durante a festa, puxando-a ao encontro do seu corpo e forçando um beijo, ela não gosta, tenta se afastar, nega, vira o rosto e diz “me deixa ir, pode me largar?” algo assim.

 

Esse Daniel não é bonito. Ele é feio. Não que isso importe para a maioria dessas mulheres que vão para a balada. Ele demonstra claramente que está no Big Brother com a cara dizendo “aqui vou pegar muitas, afinal o programa quer isso: todos se pegando”. Somente pela atitude dele com a moça durante a festa já diz quem ele é: mais um homem idiota, desses não faltam no mundo. Ele é um homem idiota que acha que toda mulher deve lhe dar. Sim, “dar” no sentido sexual. Porque os homens são assim. Eles cresceram assim, você os educou assim. Você, pai e mãe ausentes e irresponsáveis, nunca chegou para ele e mostrou que não era assim.

 

Eu tenho fatos pessoais sobre essas questões, e você, mulher, que me lê, pare um instante e puxe pela memória, certamente também encontrará alguns. Eu disse “não” a alguns homens. E vi a cara que não compreendia isso, como se para eles as mulheres fossem feitas para simplesmente obedecê-los. Bem, tenho um histórico ruim porque nem aos meus pais eu obedecia. Não seria a um marmanjo que acha que eu tenho que dar pra ele que eu obedeceria.

 

O Rubinho, lá da novela, é um personagem. O Daniel é um cara aí, normal. Poderia ser seu filho, seu namorado, seu pai.

 

Daniel foi rejeitado. Por beleza física ele está abaixo de muitos ali e talvez as mulheres (que também não são lá muito bonitas) não lhe dessem chance. O que ele fez? Seguiu o processo e agiu – com covardia e uma dose de agressividade. Agressão não é unicamente dar um murro na cara do outro, a agressão vem de muitas formas, pois se ela se apresenta até em palavras, por que não seria agressão manipular o órgão sexual de outra pessoa enquanto ela dorme? O covarde utiliza-se da agressão para sanar sua nulidade, e aí podem ser palavras, perseguições, o uso da força, a manipulação, a chantagem física e psicológica, etc..

 

Eu poderia contar uma dúzia de fatos para vocês, assim tornaria mais íntimo e pessoal o post, porém, não adentrarei neste nível de relato porque o ego fala mais alto. Bastam estes exemplos, de uma mesma emissora que usa suas novelas para condenar abusos e educar a população (os autores mesmos gostam de dizer que incentivam doadores de medula, que incentivam mulheres a denunciar casos de agressão familiar, etc.) e ao mesmo tempo dá ao povo aquilo que ele gosta, no nível que ele gosta.

 

Foi inevitável que ontem, ao tirar a colcha da cama, ainda um tanto chocada pela edição do programa do Big Brother, com o Stendhal debaixo do braço, eu lembrasse carinhosamente de Nelson Rodrigues já citado aqui no blog: se todos soubessem da vida sexual de cada um, ninguém falaria com ninguém. Nelson tem outras grandes análises do ser humano (o complexo de vira-lata, a burrice da unanimidade, dentre textos que relatam com detalhes sórdidos personagens nesses níveis que, caso fossem pessoas do nosso conhecimento, não teríamos coragem de falar com elas). E você tenta descobrir minhas opções sexuais através da música que eu ouço. Francamente! Você passa longe, bem longe, do Nelson Rodrigues.

 

Você tenta julgar meu caráter pelos programas de TV que eu assisto. Minha cultura e nível de conhecimento avaliando se eu leio Sidney Sheldon ou assisto Godard. Você aí que pode ser um homem dos mais clássicos, um Daniel. Ou você que está com a aliança no dedo, namorando ou noiva, de um… Daniel. (talvez você já desconfie que ele é um Daniel, ou ainda não tenha a menor idéia disso e provavelmente só vai descobrir tarde demais)

 

Confesso que a primeira coisa que me ocorreu sobre o caso do Big Brother foi que não havia nada de mais na situação, pois isto acontece todos os dias, em baladas e festinhas no mundo inteiro, todos os dias. Você mesmo talvez já tenha participado de uma dessas (eu nunca participei de festas ou baladas, por isso nunca vi com meus belos olhos castanhos, mas, né, felizmente tem coisas na vida que não precisamos ver para crer). Moças bêbadas (beber até perder os sentidos é um atestado de “você é boazuda/o” no mundo) que caem inconscientes no meio da festa e rapazes que (muitas vezes também bêbados) abusam delas é tão comum, só não saem nos noticiários como as mulheres assassinadas pelos seus exs. E o que é comum, já se sabe, toma para si uma garantia de “normal”.

 

Não gosto do que é normal. Nem do que é comum. Não gosto. Por que haveria de gostar, não é mesmo?

 

Bem, aos que julgam, eu poderia citar o caso de amor da Campireali pelo Banciforte do Stendhal, onde há, nitidamente, mais um Daniel de outros tempos, que a corteja, a exije e a humilha para mostrar que é seu dono. Os Daniéis e as Moniques têm origens muito antigas e nem por isso estão certos. Porém, preferi citar o Big Brother e a novela das 19h. Suas condenações não me dizem respeito.

 

(Nota: eu tento assistir a novela das 19h do Falabella porque eu gosto do texto, mas como todo programa de TV que eu tento assistir tem o problema de eu lembrar quando passa e tal, porque o relógio e eu não nos entendemos; não assistirei ao Big Brother, podem ficar tranquilos, e acho que quem ficou “de cara” com a atitude da Globo deveria simplesmente parar de assistir, afinal, para ver pornô (muito mais interessante do que o que eles oferecem) tem tantos outros meios. Assiste quem quer e só. Ainda não terminei de ler o Stendhal. Ouvi Ultraje a Rigor também ontem. E eu ainda me apego MUITO ao Nelson Rodrigues porque, como eu sempre digo, quero continuar falando com vocês, meus queridos.)

 

 

Os Homens da minha vida – Parte IV

Todos eles, menos um, me disseram que eu era a mulher da vida deles. Alguns disseram isso depois que eu já havia seguido outro rumo. Alguns disseram cedo demais.

Muitas vidas para uma mulher só. Na vida deles vieram muitas mulheres depois de mim.

 

Mas um, só um, disse que eu sou o amor da vida dele.

Porque, enfim, há coisas que a maioria nunca vai entender.

 

(Atualização de última hora: disse, mas não demonstrou.)

Livrar-se de um homem ou prendê-lo. Dá quase no mesmo.

Às vezes, é difícil livrar-se de um homem. Às vezes, as mulheres, querendo prendê-los de vez, dizem coisas que os afugentam. Bem, se prestarmos atenção, estas duas situações podem ser definidas nas mesmas frases.

“Acho que estou grávida” (sabe-se lá porque a mente feminina cogita que isso prende homem, mas o efeito é sabidamente o contrário – sim, às vezes eles ficam, mas, minha querida, você será infeliz)

 

“Não estou falando/pensando em casamento. Pelo menos não agora.” (uh, viu, ele já sumiu! rápido e desesperado – com toda razão!)

 

“Você precisa aprender a combinar as roupas, se vestir melhor. Deixa que eu te ensino! Vamos ao shopping!” (putz! dessa até eu sairia correndo, me jogava pela janela, o que fosse!)

 

Tem algumas que nem precisam ser ditas, simplesmente pare na vitrine de uma loja de jóias, bem em frente às alianças, olhe um pouco e entre para ver uma que você achou linda.

 

“Eu gosto tanto da tua mãe! Você não acha, querido, que eu e ela nos damos bem?” (assustador, né? eu acho! mesmo que você esteja dizendo isso só pra forçar a simpatia e nem goste muito da velha, não vai cair bem. Eles querem uma “mãe”: que lave as cuecas, limpe a casa e cozinhe. Mas a mãe deles não é pra estar cheirosa na cama depois de deixar tudo limpo e arrumado! Essa é certeira combinada com a próxima – se ele aguentou voce gostar da tua mãe…)

 

“Você é tão parecido com o teu pai!” (Pense comigo: você tem semelhança com a mãe dele, ele é parecido com o pai… e? Ele vê você e ele como o casal que ele acompanhou a vida inteira: os pais dele. Cuidado que ele pode até cometer uma loucura!)

 

“Lindinho, comprei um multiprocessador!” (aí, morreu – rapazes, vocês não têm idéia de quanta coisa está implicita na compra de um multiprocessador por uma mulher que está namorando!)

 

Mas, é sempre bom saber negociar bem quando surge um “meus pais querem te conhecer” ou “acho que é hora de você conhecer meus pais”, se ela valer a pena – se não, bye bye. Mulheres, no geral, têm fixação doentia por isso. E, sabe, como é, você vai ser sempre o cara que está pegando a filhinha deles.

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