O mundo logo ali

Era sexta-feira, saí cedo (mas bem cedo) de casa para enfrentar uma viagem até a minha terrinha lá na Serra, com escala em Joinvilândia para levar mami junto. Resolvi ir cedo porque era dia de jogo da Seleção, nas quartas de final da Copa, às 11h e minha mãe queria assistir ao jogo, eu viajaria durante sem problemas, até acho que a estrada estaria mais tranqüila. Mas, enfim, mami queria…

Lá fomos nós. Chegamos já havia começado o jogo. Encontramos papi e fomos almoçar. Confusão básica de sempre para decidir algo e numa cidade até que bem vazia, pois o jogo é justificativa para parar tudo.

Lá perto da praça do Japão (não, esta viagem não teve fotos… infelizmente) encontramos dois restaurantes abertos, um em frente ao outro. O do outro lado da rua era nitidamente chinês, coisa que é bem comum por lá. Bem, resolvemos ficar no chinês mesmo.

Lugar admiravelmente limpo e organizado. Com um Buffet de dar água na boca! Comida típica mesmo, os melhores e mais conhecidos pratos da culinária chinesa. Já fui em alguns restaurantes chineses lá e o Buffet era uma mistura indecifrável de comida típica com comida brasileira e massas e carnes, confuso mesmo.

Eu sou uma entusiasta da comida chinesa, faço bons yakissobas! Mas os pratos estavam com uma aparência linda! E lá rolava o jogo do Brasil (nesse momento 1×0 para “nós”) numa TV, todos com a atenção voltada para ela. Eu não gosto de assistir jogo da seleção em lugares públicos, porque o povo se exalta e na maioria das vezes é bem desagradável. Mas ali até que eles estavam comportados. Só duas (mulheres…) que ficavam dando gritinhos contidos em alguma bola que passava bem longe do gol.

Fui algumas vezes até o Buffet me servir (tinha um bife de bacon… ah!) e reparei na cena: um jogo de futebol do Brasil com uma dúzia de pessoas (brasileiros) ali assistindo, comendo comida chinesa, ao lado do dono e de seus filhos que falavam chinês entre eles! Me senti mais cosmopolita e globalizada do que nunca!

Eu e papi comentando negativamente o jogo, afinal foi um vexame sem tamanho e sem precedentes! O que foi aquilo, grosseria, desespero, perderam a cabeça, expulsão, sem raça, sem paixão, sem vontade! Papi não torce (Itália e Inglaterra já tinham saído mais cedo e ele ficou chateado!) mas analisa e é bem realista. Eu não torço, entendo demais de futebol (aprendi, sem opção de não aprender, tudo sobre futebol com o meu irmão e com os programas de TV que ele assistia) e meto o pau na “nossa” seleção que me decepcionou sem volta na Copa de 98. Pra mim, basta me decepcionar uma vez, daí acabou mesmo.

O chinês dono do restaurante torcia para o Brasil. O pessoal começava a caminhar para os seus respectivos trabalhos, muitos com camisetas verde e amarela e com olhares desanimados. Bem, não teríamos mais folga na próxima terça-feira.

Depois dos compromissos burocráticos resolvidos, fomos passear em Curitiba, agora com maninha. Eu ainda queria vasculhar algumas lojas de cosméticos e de equipamentos de camping e pesca. Lá fomos nós para o calçadão da XV, ah, paraíso de compras. Fiquei muito contente em encontrar esmaltes diferentes e outras coisinhas e com o atendimento excepcional no setor especializado de pesca da Az de Espadas. Lugar muito bom para comprar roupa de inverno, apesar do calor maravilhoso que fazia (nem usei meu casaco nessa viagem!).

Por ali, lá pelas 18h, resolvendo algumas compras, encontramos um telão no calçadão. Lá estava o jogo Uruguai e Gana. Jogaço!! Com direito a prorrogação, defesa de mão do uruguaio, expulsão, pênalti perdido… ufa!! E o povo vibrando! Jogo de verdade! E vieram os pênaltis. Foi emocionante ver centenas de pessoas ali torcendo, alguns para Gana, alguns para o Uruguai, vibrando a cada lance! Até eu me emocionei! Todos olhavam para o telão, esquecendo por um momento que o “país do futebol” dera um vexame sem precedentes no maior evento de futebol do mundo.  Porque futebol é raça, é vontade, é paixão, não é, para nós torcedores, um simples “negócio”.

Realmente esta viagem de passagem em Curitiba me fez sentir no “meio do mundo”, com minha mãe já fazendo planos para a próxima Copa, quais jogos vamos assistir. Desejo que a Bolívia passe das eliminatórias, que o México venha, o Uruguai, o Paraguai.

Aliás, no sábado (ou foi no domingo?) o jogo Espanha e Paraguai foi sensacional! Fiquei até nervosa! Assisti em Joinvilândia mesmo, com o povo reclamando das minhas intervenções. Jogo de fé, surpreendente, com a Espanha chegando e levando uma surra de tática e vontade do Paraguai. O gol? Foi no momento da única falha do goleiro do Paraguai, que se adiantou. Mas, futebol é assim.

O jogo do Uruguai, depois, também foi bonito. Com direito a gol nos 47 do segundo tempo. Lutou até os últimos momentos. Um 3×2 com a Holanda, de encher de orgulho qualquer um. Como a Argentina. Chutando a gol, correndo, jogando. Não passaram vexame.

Agora só resta esperar que venham para cá. E que provavelmente eu irei assistir algum jogo. Talvez não do Brasil. E talvez não com as condições mínimas de estrutura. Ainda acho que não deveria vir pra cá, nem a Copa nem as Olimpíadas. Mas, enfim, dizem que não sou patriótica. Será? Eu defendo o meu país, mas na educação, na saúde, principalmente. No futebol? Só se mostrarem competência, né? Ou nem por isso.

E como comentou meu namorado: onde estão as bandeiras do Brasil? Acabou a Copa, tiraram. Só vejo bandeira do Brasil em casa de estudante de intercâmbio no exterior e nos jogos da Copa. E como disse um amigo: o Brasil ficou em oitavo na Copa, mas é 85 no ranking da educação e ninguém se importa. O que faz diferença?

Durante a Copa ouvi muitos torcendo pelos países da América Latina, dizendo que essa era a “nossa” Copa. Claro, os países ricos, desenvolvidos, investem e se preocupam com coisas mais importantes. Pouca importa para eles perder no futebol. Eis o pão para o povo. Em muitos outros esportes, países como os EUA e a China tem destaque e ganham muitas medalhas. Um dos principais motivos é que lá eles dão bolsas nas universidades e escolas de qualidade para quem pratica esportes, com disciplina e responsabilidade. Um bom filme é o que a Sandra Bullock ganhou o último Oscar de melhor atriz. Neste filme ela adota um negro que tem dificuldades na escola, mas se empenha em estudar para ir para a faculdade e entrar no time de futebol americano (acho) de lá.

É preciso conquistar. Conquistar mais. Crescer, desenvolver.

Não basta sentirmos que estamos no meio do mundo. Precisamos estar no mundo, de verdade.

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Um comentário em “O mundo logo ali

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  1. Texto 5 Estrelas, surpreso mesmo. Qualidade narrativa, prende e num estilo que é o meu (até por isso gosto particularmente)quando ainda tinha veia inspiradora e tentava aventurar-me nesta viagem…Há muito que partilho inteiramente das opiniões nele (texto) convertidas. Pena que não se manifeste, pela positiva, quanto à presença de Portugal no evento mas…muito bom mesmo !!!

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