Umbigos desimportantes

Os umbigos são assim tão desimportantes, acreditando serem cosmopolitas. É um “mainstream” pra cá e pra lá. Uma modinha, um lugarzinho da moda como tantos outros já foram. Uma exploração vulgar do próprio vulgar. E há quem defenda, quem ache “moderno”. (Moderno já não saiu de moda com o contemporâneo? Isso sou eu que mentalmente fico indagando.) Os arrotos se sucedem, pesteando o ambiente, o ar e a chuva radioativa que vem já do Japão – aliás, a melhor piada do século, só falta a tal chuva matar, a piada seria ainda melhor. Sou PhD, mas jogo videogame. Sou popzinha, mas freqüento boite fuleira. Sou intelectualóide, mas como peixe frito com o pé descalço na areia. Toco Caetano no violão, mas sou mestre por uma Federal. Amo moda indie, mas curto aquele filmão da Jolie. E assim se auto-denominam “multiculturais”, do A, do B, do C e do que mais for, “com um pé lá e um cá”, da “alta” e da “baixa” cultura e balelinhas semelhantes – que, por fim, são a mesma coisa. Tem lá o João Paulo, o Cacupé, e a Tapera, a Costeira. Mas quem tá lá não pisa aqui. Aí é fácil, aí qualquer um diz que é de todos os lados e de todas as culturas. Acha bunitinho o pessoal da favela e não ouve um “vai se f***” de um morador, trabalhador desses que mora lá no morro, no meio de tanta coisa ruim levando a vida como pode, sempre melhorando. Fica fácil aí do alto de um monstro colossal da Beira-mar norte, do carro próprio, da mesada e do salário confortável dizer que está do lado de uma prostituta que faz uma “personagem”. Não vive a pele esfolada auto-infligida com tesoura dessa mesma puta, ali, durante o dia, num momento de auto-dissolução da vida, na frente da boitezinha da moda dos playboys que se acham os alternáticos da cidade. Esses alternáticos que defendem a naturebice e moram em área de preservação permanente numa Ilha que é desrespeitada, andam de fusca porque é Cult e poluem mais que um ônibus. Esses mesmos que acham “escolha” de vida exercícios físicos e comidas naturebas – vão de carro até a academia do outro lado da cidade (porque é a que está na moda e vai que poluir também é moda!) e compram salada no McDonald’s e compram “orgânicos” no Angeloni, mas vivem lá no seu apartamentozinho hiper protegido com ar condicionado e nunca colocaram o mão na terra para plantar um pé de goiaba (essa árvore que esses aí nem reconhecem se verem uma, árvore das mais fáceis de pegar em qualquer lugar dessa região), ou vivem na casa toda arrumadinha pela empregada e com jardinzinho impessoal cuidado pelo jardineiro. Acham que frutinhas e verdurinhas saudáveis dão na prateleira refrigerada do supermercado popzinho do high society. E aí a moda diz que é sushi bar, comida japonesa, coisinha aqui e ali, e você vai e diz que “ama” isso ou aquilo, não sem antes consultar teus amiguinhos e afins sobre o que todo mundo está “curtindo”. E tem lá a defesa dos animaizinhos, vinda desses f**** da p*** que dão presunto para o seu poodle, que alimenta o seus gatinhos “tilindinhos” com lasanha e chocolate, que fazem os seus bichinhos que dormem nas suas camas sofrerem de obesidade e terem mortes infelizes e sofridas, mas que nunca abandonaram seus donos de m**** porque sabem que o amor é cego e, como diria meu pai, “quem você acha que tem que pensar? Você ou o animal?”. Esses aí, pai, são cabeças de m***** que fazem sofrer os coitadinhos que não pensam porque a natureza os fez assim. Quem deveria pensar, não pensa. E faz essas pobres criaturas padecerem. Mas não são esses mesmos que defendem a não exploração animal – seja para comida ou para outro tipo de exploração? É, são esses mesmos. Fazem padecer àqueles que declaram seu amor. Amor idiota. São humanos, incongruentes, incoerentes, infelizes, e Jesus diz lá de cima, balançando a cabeça de um lado para o outro: eu queria repetir que eles não sabem o que fazem, mas, po***, como que não sabem?!?! E aí tem uns lá nos seus luxos de pobre de alma e de dinheiro que um dia conseguem um carro parcelado e um apêzinho parcelado ou de aluguel e juntam as trouxas para diminuir as despesas com a aparência que é “por amor” – sim, eles se ajuntam dizendo que se amam mas é porque é mais barato pagar um aluguel do que dois. E esses aí compram sapato de seiscentos reais, frutas de R$30 o quilo, viagem pro nordeste em 12 vezes sem juros, mas ainda escrevem casa com “z”.

Eu poderia continuar. Mas há mais umbigos desses por aí do que eu tenha a mínima paciência de narrá-los. Desimportantes, continuam e sempre serão. Sempre “auto” tudo e mais um pouco. Repare nas auto-descrições on line e afins.

Já quase perdi amigos pelas coisas que escrevo aqui no blog. Já perdi leitores que prefiriram continuar sendo amigos. Desagrado.

Estou sempre com o “dane-se” ligado e deixo um aviso sobre a publicação: sim, há palavrões, por incrível que pareça. Não os tenho no meu vocabulário diário, eles são especiais para momentos nos quais eu preciso expressar essa intensidade. Feito.

No momento, não olhe para o seu umbigo.

 

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