Com ele aprendi

Com ele eu deveria ter aprendido a chutar a porta, esbravejar ao ouvir um não, jogar a cadeira longe, chutar a porta do carro, dar um murro na cara, dar aquela risada debochada pra provocar até levar um murro na cara e revidar com tudo, gritar alto uma gama variada de palavrões que eu não conhecia metade na época. Sim, eu deveria ter aprendido.

Ano passado ainda, ao invés de sentar e chorar, eu queria ter empurrado quem aparecia no meu caminho, quebrado metade das portas da casa, chutado o telefone xingando alto os idiotas parcialmente culpados pelo que havia acontecido, mandado tudo e todos à merda (ou coisa pior, pois acho que hoje minha gama de palavrões pode estar ampliada), quebrado a mesa da sala de jantar.

Eu deveria ter aprendido e só naquela situação aterradora de impotência diante do inevitável é que me dei conta de tudo que eu deveria ter aprendido com ele.

O desespero calado da impotência traduzido em lágrimas é muito sofredor.

Controlar a ira faz mal à alma – e faz bem às portas, cadeiras, vidros. Mesmo que romper os limites da ira possa fazer mal (muito mal?) até ao corpo, a alma se sentirá em paz.

Afinal, com ele aprendi. Porque a vida ensina que tempo e distância não são nada.

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2 comentários em “Com ele aprendi

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    1. Enfim colocado em prática. A postagem é de maio, mas fiz questão de lembrá-la. Nunca é tarde e a gente aprende mesmo.

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