Nunca haverá Paz

Existe uma certa quantidade de “tipos” de seres humanos, como uma tipologia mesmo. Dentre eles há os psicopatas, os homicidas, os totalitários, os pedófilos, os estupradores, os vários maníacos. Parece haver uma ilusão coletiva de que a disseminação da civilização, o desenvolvimento científico e tecnológico, a comunicação avançada, a democracia, e todas essas conquistas humanas trazem com elas a extinção desses tipos humanos indesejados.

Recentemente, o mundo todo ficou chocado com o massacre na “terra da paz” como alguns meios de comunicação chamaram o ocorrido em Oslo. Mais de oitenta pessoas mortas. O grande atentado terrorista que foi o ataque às Torres Gêmeas marcou e mudou a História Mundial. Todos ainda lembram da tragédia de Realengo há alguns meses. Não há ciência ou tecnologia ultra avançadas que extinguirão estes seres humanos, estes tipos de seres humanos.

Não podemos pensar que Hitler ou Napoleão foram casos únicos, específicos, que só tiveram a repercussão que tiveram, que quiseram dominar o mundo, porque viveram nos séculos passados. Homens como eles estão por toda parte ainda hoje. Os tipos humanos continuam sendo os mesmos.

Então, me perguntariam, onde estão os hitlers de hoje?

Pois bem. Eis que temos aqui um problema. Diria, até, arriscando um palpite que a democracia, por exemplo, é um grande problema. Diria que a repressão pelo politicamente correto, a perseguição moral que temos o tempo todo são grandes problemas também.

Há pessoas que têm desejo de matar. Isso é normal. Eu mesma conheço algumas. Contudo, matar é crime, há punição, é mal visto. Há pessoas que têm prazer em causar dor, em esquartejar, em maltratar, seja algum animal ou ser humano. Há pessoas que só sentem desejo sexual pelo estupro. Tudo isso existe, não pode ser ignorado. Mas o que acontece com essas pessoas diante de um mundo que criminaliza quase tudo, que inibe? Tornam-se, na maioria dos casos, retraídos.

Nos séculos passados essas pessoas levavam vidas mais “tranquilas” pois suas “necessidades” eram mais facilmente saciadas. Havia guerras, guerras sangrentas, onde homens podiam matar, ser violentos, causar dor, elevar seus egos. Ou devemos pensar que as guerras aconteciam somente por questões maiores? Não são as questões políticas que devem ser levadas em conta.

A humanidade padece de escapes. Com tanta civilidade nós perdemos isso e por isso surgem massacres e atentados que não podem, de outra forma, serem mais que retraimento. O retraído pode viver uma vida inteira sem dar vazão às suas “necessidades”, mas não acontece com todos. Alguns precisam de válvulas de escape ou simplesmente não conseguem controlar sempre seus impulsos.

Fiquei pensando que muitos desses jovens que cometem massacres não existiriam se tivessemos guerras como antigamente. Se tivessemos mais regimes totalitários, os egos inflados, os torturadores, os assassinos teriam seu “espaço”.

Contudo, caminhamos na trilha do “bem total”. Há um sopro de obrigação de civilização por todos os lados. Algumas culturas são condenadas porque possuem características rústicas, atrasadas, pré-históricas. E o mundo, principalmente o ocidental, clama pela democracia, pela moral, pela igualdade de cor e gênero, pelo correto. Esse clamor parece querer colocar ali no canto escuro a natureza do ser humano.

Não há mundo desenvolvido, tecnologia, que consiga extirpar os “maus” seres humanos do mundo. E, pensem bem, há um perigo imenso nisso, pois condenamos um Hitler que queria extirpar a raça “ruim” do mundo. Se pensarmos que há tipos que não se enquadram no “bem total” e que eles precisam deixar de existir estaremos agindo como os “piores” seres humanos. É aquela história que se repete diariamente nos comentários sobre algum assassino, estuprador, drogado quando dizem “devia morrer mesmo”, “esse não merece viver”, “isso aí uma camaçada de pau resolve”. Os “bons” seres humanos agem e pensam muito próximo do que eles condenam.

E o mundo parece preferir viver nessa bolha onde há susto e espanto a cada massacre. Não há. Em se tratando de seres humanos não pode haver surpresa nenhuma diante destes fatos.

O que me preocupa é ver uma população refém dessa imagem de que o mundo democrático desenvolvido e tecnologicamente avançado seria perfeito e não deveria conter algo inerente a ele mesmo, a humanidade. Não há uma paz que conviva com os tipos dos seres humanos. A paz é uma mentira, uma hipocrisia.

O maior erro será sempre condenar o criminoso com os mesmos parâmetros dele. E hoje todos somos criminosos. Esse policiamento da moral e do “certoXerrado” reprime e inibe perigosamente os seres que não encontram nem válvulas de escape nem “tratamento”.

Diante dos preceitos tão corretos e morais de vocês, eu sou criminosa. Eu tenho anseios que não podem ser saciados sem que eu seja levada à prisão. Acredito que você também têm. Talvez você prefira fazer de conta que não. Eu não tenho válvula de escape, somente posso me convencer hipocritamente de que o mundo democrático civilizado no qual eu vivo me obriga a controlá-los. E controle, meus queridos, não é algo infalível.

Se quem não reprimia tanto ou nada suas “necessidades” antigamente não era criminoso ou, pelo menos, era menos mal visto é porque a sociedade tinha consciência da existência deles. Podemos discutir que não era a melhor forma de “tratá-los”. Porém, ignorá-los, definitivamente, é ainda pior.

Me preocupa ainda mais ver que essa “onda” de democracia, civilidade, moral e afins só se agiganta e aumenta sua hipocrisia e fé desenfreada na paz e na ignorância dos seres humanos que somos.

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