Por que me temem? Uma velha reflexão

Eu escrevi aqui, lá pelo começo do ano, que este ano seria marcado por coisas inéditas. Ou seja, eu faria e aconteceriam coisas comigo que nunca havia feito/acontecido.

E é verdade. Aliás, a verdade me persegue e esta não é inédita.

Não sei se eu já contei aqui que uma água-viva me queimou. Pois é. Há vinte e tantos anos assídua frequentadora do mar e nunca uma água-viva tinha me dado um “oi”. E eis que uma abelha me picou.

Então, também em vinte e poucos anos nunca havia sido picada por uma abelha. Fiquei com o braço super inchado, doendo e ardendo. Não sabia o que fazer/passar. Coloquei gelo, o que aliviava por algum tempo. Dei aulas (muitas aulas) com o braço coçando loucamente e sem poder fazer nada. Passei mais de uma semana assim, pois me recusei a ir ao médico (a chance de levar uma injeção era muito grande e além de não gostar eu estava sozinha). Aí, numa tarde de desespero de tanta dor, inchaço e coceira, resolvi passar vinagre (é, esta coisa que não serve pra nada na cozinha). E resolveu! Vinagre realmente alivia a coceira e a dor. A mancha vermelha enorme que tinha tomado meu braço (e no meio uma bola vermelha dura e dolorida) foi diminuindo. Descobri, então, que vinagre serve para três coisas: para picada de abelha, queimadura de água-viva e tirar mofo dos armários. Vivendo e aprendendo. Hoje ainda tenho uma mancha um pouco mais escura que a pele onde ficou inchado – mas de marcas no corpo é que eu vivo.

Sobre viver e aprender é que eu venho escrever hoje.

Além das coisas inéditas que acontecerão neste ano, há as repetições. Aquelas coisas que já conheço há muito tempo.

E elas volta e meia, voltam.

Eu falei sobre a verdade ali em cima, e lhes digo que da verdade ninguém gosta. A falsidade, por outro lado, é abraçada por muitos.

O tempo tem sido escasso, fato. Só comparar a quantidade de posts ano passado e esse ano. Mas este ano apresentou-se como uma reedição de velhos temores dos outros em relação a mim.

Há certas pessoas, colegas de trabalho, namoradas de conhecidos/amigos, “superiores”, parentes e afins que se sentem ameaçadas por mim. Vejam só, eu sou uma ameaça.

E de tanta confusão, dor de cabeça e encheção de saco que eu já tive este ano por esse motivo eu resolvi escrever este texto. Hoje amanheci (depois de um dia turbulento) pensando qual o motivo, afinal, para essas pessoas se sentirem assim? Porque eu não me acho uma ameaça à namorada de ninguém, nem a nenhum colega, muito menos aos meus “superiores”. Não sou do tipo que tenta subir às custas dos outros, não invento picuínhas, não dou em cima de homem comprometido (não mais, ok?), não sou falsa, não faço nada escondido, não sou puxa-saco. Formulei mentalmente esta lista e pensei cá comigo: peraí, a lista só se refere ao que eu não sou. Mas então o que eu sou que ameaça tanto as pessoas? A primeira resposta (com aquele carregado sotaque paranaense) foi “ah, pára, né”. Ou seja, eu não sou nada que ameace as pessoas.

Ou sou?

E aí fiquei analisando os fatos das últimas semanas (e alguns dos últimos meses). Em menos de uma semana fiquei com o estômago literalmente revirado ao ter dois desagradáveis imbróglios nos dois trabalhos que tenho (ou tinha). Os dois casos aconteceram por intermédio de pessoas falsas e incompetentes que não querem minha presença por perto. Vejam só, em nenhum momento eu briguei com ninguém, nem falei por trás nem coisas do tipo que pudessem levar a isso. Eu ali, fazendo meu trabalho zelosamente, calma (aliás, sempre comentam isso nos meus trabalhos), prestativa, sempre pronta a ouvir e ajudar. Sei ser profissional. Além, é claro de tremendamente brincalhona e de bom humor (não tolero ir trabalhar de mau humor). E? E? E? Levei na cabeça.

O motivo?

Pessoas foram falar isso ou aquilo. Pessoas disseram que eu disse ou fiz isso ou aquilo. Pessoas, pessoas… eu sempre disse que o mundo seria perfeito, se não existissem pessoas nele. Simples assim.

E essas pessoas falam para outras pessoas. Hum… interessante. Porque pra mim ninguém veio falar nada.

Aí surge a primeira pista. Falsidade. Num dos meus trabalhos aprendi uma coisa este ano (mais uma para as inéditas): falsidade se paga com falsidade. Acabei levemente entrando nisso para tornar minha presença suportável diante de certas criaturas. Mas falei para uma pessoa muito querida, que me disse que eu demorei pra aprender isso (ele um menino de uns quinze anos, vejam só!), que eu aprendi mas não vou praticar. Não cabe em mim a falsidade. Nem o disse-me-disse. Eu digo na cara o que tenho que dizer. Não esperem menos de mim. Aqui eu falei só do trabalho, mas isso é assim também nos estudos. Não fui a primeira colocada na seleção, não sou puxa-saco-bolsista-faz-tudo, falto aula e às vezes não leio um texto ou outro. Mas mesmo assim as poucas conversas que se dignam a ter comigo são permeadas de frases desconfiadas e de testes (será que ela é inteligente mesmo ou só aparenta ser?!). Não preciso provar nada pra ninguém, meus queridos. Aliás, provas, o que são provas? Eu com meus alunos nem faço provas (sou uma professora adorável) e tenho que fazer prova no mestrado (infelizmente o professor precisa disso para confirmar certas coisas, que tem aluno que está lá para nada).

Então eles me temem?

Eles me temem porque sou contra as mentiras, a falsidade, a incompetência deles, o mau humor perene de alguns falsos profissionais. Porque eu falo na cara o que tenho para falar (isso faz os incompetentes e mentirosos tremerem nas bases). Aliás, nunca minta pra mim. Porque antes de você terminar a frase eu já terei descoberto o tamanho da mentira. E posso até te dar detalhes. Esse é um dom que eu tenho. A falsidade pode até ser ensinada, há alunos que já agem conforme esta praga só por vê-la sendo praticada dentro de uma escola e por ver as “vantagens” que ela pode trazer. O caráter! Ah! O caráter! Também tenho. E para os que não o tem o temor é ainda mais pungente. Porque, meus queridos, caráter, ou se tem, ou não se tem. Nem o passar do tempo muda isso. Ah, e tem aquilo que eu sou moderna (demais), liberal (demais). Isso já diziam meus amigos e professores do ensino médio. Então as caretas e os caretas me temem por isso, porque eu assumo o que faço e penso diferente dessa gente quadradinha. Vai ver minhas atitudes profissionais, apaixonadas e afins joguem na cara destes despeitados e despeitadas o relacionamento falido que eles tentam fazer sobreviver, a pobreza intelectual do que eles tentam produzir. Vai ver é isso. E aí eu começo a entender tudo!

Quando é espelho, serve. Quando é realidade, desgosta.

Não gostam, então, de ser confrontados com alguém diferente deles, com capacidades, bom humor, paixão. Porque, vamos e venhamos, é preciso paixão nesta vida em tudo! E não como a paixão biológica que dura seus dois anos. Temem que eu roube os corações dos outros? Ah, mal me conhecem! Tenho um coração que me dá tantas alegrias e trabalho que nem me passa pela cabeça ter outro! Temem que eu me destaque numa equipe? Que eu seja a favorita de alguns alunos (por favor, unanimidade nunca!)? Temem o que mais mesmo? Que a minha felicidade e jogo de cintura com a vida escancare a infelicidade e a fraqueza deles? Aí eu realmente entendo todas as sacanagens que fazem comigo, todo o leva-e-traz, todas as fofocas, a falsidade, a grosseria. São pobres infelizes, incapazes, incompetentes e mal-amados. Como eu disse, não é novidade nenhuma este tipo de situação na minha vida, por isso já tenho uma noção do que acontece. E por isso já aprendi a dar a volta por cima rapidinho. Aliás, nesses casos nem volta por cima mais dou porque não caio. É, as cicatrizes já foram profundas o suficiente pra eu nem me cortar ou me deixar cair por essas bobagens.

Mas digo uma coisa a quem leva a sério essa gentinha: me perder é o pior que você pode fazer. E não é porque eu posso ser vingativa ou coisa assim porque realmente não sou. Mas porque eu realmente me empenho em ajudar e colaborar, em fazer um trabalho bem feito e porque sou uma amiga sem igual (esses dias ainda recebi uma mensagem, por ter feito algo por uma amiga, que dizia “a amiga mais amiga de todas!” – e realmente sou). Faço de tudo pelos meus amigos. E não vou escrever “amigos de verdade”, pois não existe outro tipo de amigo que não seja de verdade; ou é amigo, ou não é.

Falar abetamente das coisas, como faço aqui no blog inclusive, gera revolta e desperta este sentimento de ameaça nas pessoas. Não colaborar com os planinhos bobos delas, não se mostrar conivente e cúmplice com a falta de ética que serpenteia em alguns lugares, não ficar quieta: tudo isso faz com que o mundinho hipócrita, falso e sem caráter delas pare de girar. E as pessoas precisam que o mundo gire. Quando ele pára elas percebem que estão num relacionamento falido, estão maceradas pelo tempo no mesmo ambiente e emprego, são incompetentes e vivem mentiras. E isso, meus queridos, é choque demais para elas aguentarem – pois normalmente já são pessoas fracas, por isso agem assim.

Temam… continuem temendo. Porque definitivamente eu não pretendo entrar no mundo de vocês. Já experimentei muita coisa nessa vida, e isso que vocês reproduzem só faz mal às pessoas, inclusive a vocês. Eu sei porque já senti na pele. Não me cabe, nesta vida, fazer mal a quem quer que seja.

E como disse um excelente professor do Jornalismo da UFSC (de quem eu tive o prazer de ser aluna) no Twitter esses dias (bem durante a minha turbulência), “as ideologias é que são vãs, não a filosofia”.

Essas ideologias do mal reproduzidas afú por vocês é que são vãs. Não eu.

E nem me darei ao trabalho de lembrar Maquiavel. Sobre os que me amam há problemas ainda maiores.

Temam. Porque, infelizmente, é só o que resta para vocês.

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