Os rótulos que me dão, a pregação e a veemência

 

Querem dizer que eu sou contra o casamento? Só porque acho errado assumirem casar por conveniência? Porque sou contra uma mulher largar estudo, emprego e tudo para seguir um cara? Porque eu acho o fim “se ajuntar” para economizar no aluguel? Porque acho de uma hipocrisia sem tamanho continuar casado quando ambos traem, sabem disso e inventam mil desculpas? Começaram a dizer que sou contra o casamento porque faço algumas críticas como essas aos “casais” que tenho visto por aí.

 

Então, se isso satisfaz às pessoas, anotem aí: sou contra casamento.

(de fato sempre achei as cerimônias bem chatas, as festas também, o cardápio é que poderia salvar algumas; e eu nunca disse que não casaria, isso é intriga)

 

Então anotem aí também que sou natureba. Afinal, moro perto da praia, ando de bicicleta, como frutas (ontem mesmo foi o cúmulo do naturebismo: goiaba à beira-mar), tenho flores e plantas na varanda, gosto e tenho animais (tem uma diferença, né, vejo um monte de gente aí que diz “amo animais! amo plantinhas! mas não sabe diferenciar um poodle de um bichon frisé nem um hortelã de um alecrim – e, claro, vive o mais longe possível disso tudo), sou chegada numa trilha e em ficar horas longe da civilização, sou contra construções e obras que destruam a natureza, acho o cúmulo a Ilha não cuidar dos seus parques, acendo insenso, etc..

 

Sou natureba, dizem. Só deixem de lado meus banhos de, no mínimo, meia hora. Esqueçam que eu sou consumista – sou bem menos que a maioria das pessoas, mas vou enganar quem dizendo que não sou? Ignorem que eu vou no Burguer King. Ah, nem reparem que eu tenho uma bolsa linda de couro de bezerro e mais umas de couro de boi. Façam de conta que eu sou a pessoa que mais economiza luz e água. E, então, me chamem do que quiserem.

 

Aliás, sou branca. Repararam? Sou branca, cor de leite. Até tento pegar uma corzinha para parecer saudável, mas sou daquelas curitibanas coxa branca mesmo. Então, porque sou branca sou isso e aquilo. Julguem aí. Tudo o que quiserem.

 

Sabe por quê? Porque as pessoas precisam rotular as outras – e, em alguns casos, a si mesmas.

 

Porque sou branca então as pessoas acham que já sabem tudo da minha vida! Ah, claro, dos meus pais e avós também. Sabe como os brancos faziam com os negros? “Ah, esse é negro, então é escravo.” Pois é, exatamente assim. É assim que hoje fazem, continuam fazendo, nunca deixaram de fazer, nem os brancos nem os negros.

 

Eu aprendi a aprender com os erros dos outros. Sempre levei mal aprender com os meus erros, então adquiri esta tática. Tem gente que prefere repetir os erros dos outros – depois de devidamente apontados e criticados!

 

Sabe o que eu aprendi com meus pais? Ninguém é uma coisa ou outra por causa da cor da pele, do sexo, das escolhas que faz ou pelo que critica ou elogia.

 

Não esqueçam que sou liberal também – esta é a mais antiga!

Não posso argumentar a favor ou contra alguma coisa simplesmente porque me parece o mais racional que já saíam me tachando de liberal. Exercer o pensamento bem fundamentado é coisa de liberal, pelo jeito.

 

Quem rotula é porque não consegue mais discutir. Ou nunca teve esta capacidade ou já, infelizmente, a perdeu.

 

Percebo um agravamento da situação. Vejo diariamente muitas pessoas criticarem quem é religioso (seja lá qual for a religião, alguns preferem ainda andar na moda do passado e só criticar os católicos). Criticam principalmente a cegueira na qual o crente vive, o excesso de pregação (passam do limite e incomodam os outros) e a tentativa, nesta pregação, de convencer os outros das suas idéias sem, contudo, apresentarem argumentos.

 

Pois estas pessoas têm agido da mesma forma que estes religiosos (vamos atentar para o fato de que nem todo religioso faz pregação, etc.): parecem cegos a proclamar suas verdades, entulham a vida alheia (pessoalmente e no mundo virtual) com textos e imagens e frases feitas que corroboram com suas posições e tentam enfaticamente te convencer das idéias deles – seja sobre homossexualidade, vegetarianismo, ateísmo, racismo, preconceitos sem fim, feminismo e polêmicas afú.

 

“Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.” Para lembrar o sábio e ácido Nelson Rodrigues.

 

Vejo a veemência sendo gritada pos todos os cantos… e ao proferir alguma dúvida ou crítica a respeito dos discursos, levo chicotadas, rótulos e a ouço a ladainha (procurem quando o termo “ladainha” era usado, procurem e verão o que eu digo) ser repetida sem fim – e, também, sem novidade.

 

“Fique quieta (e nem escreva!), mulher branca de classe média brasileira da elite dominante heterossexual machista que estudou em escola privada (blergh! pra você) paga pelo pai e que não sabe o que é passar fome.”

 

Shhh! Essa gente tem bola de cristal também?

 

Se me deixarem escolher, na próxima, posso ser uma latinha de milho? Obrigada.

 

 

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