O que eu aprendi com o nissin

 

Tentarei ser breve porque as coisas por aqui me cutucaram e senti como se fosse um soco no estômago. Não é simples quando a gente descobre que quer ser feliz. Descobri isso faz tempo, mas as últimas horas e os últimos pensamentos… bem, deixa pra lá.

 

Não sei porque eu e meu irmão começamos a gostar e comer nissin. Já faz um bom tempo, é claro. Mas minha mãe sempre foi excelente cozinheira e nem víamos comida pronta em casa. Sei que quando ainda morávamos com ela descobrimos o nissin (provavelmente pelas propagandas), depois ele foi um bom companheiro quando fomos morar longe de casa. Fato é que de vez em quando fazíamos nissin.

 

Minha mãe sempre serviu o almoço e sentávamos todos juntos para almoçar na cozinha. Era sagrado. Mas janta era cada um por si, um tempo depois até comíamos em frente à TV. Faz um tempo minha mãe pegou o costume do café-da-tarde (por influência da vó). Eu, como sou boa de garfo, almoçava em casa, tomava café na vó e jantava em casa depois. Pior, fiquei com todos os costumes… eu sou uma embolada de costumes.

 

E eis que toda vez que eu abria o pacote do nissin fissurava no medo de derrubar o sachê do tempero na panela com água fervente. Toda vez. Tipo doentio mesmo. Devo comer nissin há um tanto mais que dez anos (com uns intervalos quando não podia nem ver um na minha frente – tenho disso – qualquer dia falarei mais sobre meus interessantíssimos hábitos alimentares) e sempre e sempre fissurava no medo.

 

Semana passada me deu desejo de comer nissin, eu estava na praia e não tinha nenhum. Nenhum. Assim só para aplacar o lanche começo de madrugada de uma solitária imersa em pensamentos, trabalho e ficção.

 

Hoje fui ao supermercado e comprei nissin e espigas de milho. Só. Aliás, eu tenho essa mania de observar o que eu e as pessoas compram. Acho algumas compras muito interessantes. Fico observando os carrinhos alheios, confesso. Traço um perfil da pessoa só pelo que ela coloca no carrinho. Faço o mesmo com o lixo alheio. Bem, são outras histórias.

 

Aí fui fazer um nissin para comer enquanto assistia alguma coisa ou pensava na vida. Água fervendo, abro a embalagem em cima da panela, coração travado na fissuração e… cai o sachê na panela. Reflexo rápido (sim, eu tenho e ele é muito bom), puxo o garfo e saco o sachê do afogamento. Nem me queimei. Não é época de queimaduras, é época de caneladas. Sim, tenho épocas para desastres físicos. E é inferno astral, então…

 

Primeira conclusão rápida: o sachê é feito de algum material que é bem resistente à água fervente. Eles devem prever que isso pode acontecer.

 

E eis que me peguei pensando em quantas coisas eu fiz com o coração angustiado, medo?, para evitar alguma outra consequência não desejada e… não tive o gosto de descobrir que o medo era infundado? Quantas? Quantas?

 

Quantas coisas eu deixei de fazer porque rondava aquela tensão do que poderia “dar errado” e… o errado poderia ser tranquilamente nada desastroso? Quantas?

 

Tem sempre alguém pensando e prevendo que eu posso errar, fazer alguma bobagem ou ter um lapso qualquer e, por isso, fazendo embalagens resistentes à água fervente? Terá sempre esse alguém olhando para os meus temores?

 

Foi assim que o nissin e, depois, tantas coisas deram voltas na minha cabeça e nos pensamentos sobre se eu quero mesmo ser feliz. E por que diacho eu tenho tanto – mas tanto – isso de pensar demais nas coisas e nos atos e calcular cada gesto, cada palavra, para não expor os meus temores como fraturas expostas que realmente são? Se mesmo assim me machuco tanto, que diferença faz assumi-los e que caia o sachê, que derreta, que eu coloque fogo na cozinha. Às vezes não me reconheço. Porque eu já coloquei fogo na cozinha quando menos esperava.

 

 

Num corredor do supermercado…

 

Às vezes acho que tenho os pensamentos mais impróprios para os lugares onde estou.

Esses dias saí e enquanto caminhava me duelei com uma das teorias que fico formulando nas horas menos vagas. Horas depois, quando cheguei em casa, sabia exatamente onde, qual música tocava no mp3, como eu andava, o que eu vi – tudo passava como um filme colorido na minha cabeça – quando estava duelando com a teoria na rua e por nada desse mundo conseguia lembrar qual era a grande questão acerca da teoria. Dias depois, do nada, lembrei. Volta e meia essa teoria reaparece nos meus pensamentos.

Ela é simples e boba. Não vale nem o tempo de leitura de vocês.

Há tanto tempo tenho a teoria de que encontrarei o amor da minha vida num supermercado. Um olhar, um esbarrão, uma coincidência boba qualquer. Convivo com essa idéia e muitas vezes lembro dela quando entro num supermercado. Passei aí mais de um mês sem entrar em um supermercado e quando o fiz semana passada nem lembrei da teoria – me preocupava encontrar espigas de milho com qualidade e bom preço para fazer um estoque. Nem vou dizer que tinha, comprei bastante (agora somos em quatro para dividí-las!) e ainda vi um homem vendendo na estrada e outro em frente ao restaurante onde fui no dia seguinte. Depois de meses sem em dois dias havia milho para todos os lados. Mas essa é outra história.

Então tenho essa teoria. Às vezes caminho despercebida pelo supermercado pensando na teoria. Normalmente não gasto muito tempo em supermercados. O que, aliás, diminuiria minhas chances de encontrar o amor da minha vida.

A teoria não tem nada de romântica, é verdade.

Mas não me vejo encontrando o amor da minha vida no carnaval, por exemplo. Amor no carnaval, só de carnaval – como diz aquela belíssima canção cantada pelo Jair Rodrigues (aliás, ele é uma simpatia e o show dele é uma loucura!). Mamãe e papai não querem que eu case porque acham que é cedo (para eles sempre será) e saudade é coisa boa que dá e passa.

Eis que há um tempo, encontros e desencontros da vida, pensei em reencontrar um grande amor da minha vida num avião. Ponho mais fé e romantismo no encontro num avião (sem aquele clima de “foi por medo de avião que eu segurei pela primeira vez a tua mão”) do que num supermercado, é verdade. Num aeroporto não. É difícil eu encontrar alguém num lugar assim porque meu estado de espírito é sempre aéreo demais (só por milagre encontrei minha mãe no de Brasília). O “aéreo” não foi piadinha infame. Meu nome não é à toa, ele diz tudo a meu respeito. Tudo.

Eis, então, duas boas possibilidades. A eterna do encontro num supermercado e a do avião. Cada uma delas traduz um perfil de “amor”. Era sobre esses “perfis” que eu tenho pensado nos últimos dias… culpa do Christopher. Mas essa é, ainda, outra história.

Quando eu caminhava naquele dia, o que me trouxe a teoria à tona (eu não ia ao supermercado) foi que nunca imaginei encontrar o amor da minha vida numa livraria ou num sebo. Fiquei, então, me perguntando porque diacho eu nunca havia pensado nisso. Uma boa parte do caminho foi para entender porque eu não pensava no meu príncipe encantado em meio a livros… de cara tive duas boas respostas e, bem, fui veemente o suficiente para me convencer a mim mesma delas. Há lugares que dizem muito das pessoas que os frequentam. Essa foi a teoria que nasceu da discussão. Provavelmente esta teoria nasceu carregada por alguns traumas que já tenho na vida com pessoas que frequentam sebos e livrarias. Mas ficou de pé.

Li um livro esses tempos que me fez pensar que nunca vivi certas cenas tão clichê de cinema – e me levou a perguntar se elas só existem nos filmes. Há cenas no cinema e na TV (bastante frequentes) de casais que se encontram (por acaso ou acasos calculados) nos corredores de supermercados. Acho que não é daí que vem minha teoria. Mas nunca vivi a cena de entrar num bar/restaurante e um cara se interessar de cara por mim e perguntar se pode sentar comigo – bem, a probabilidade de ele ter um “não” como resposta é enorme. Sabe esse tipo de cena? Ou no ônibus. Sei lá. Tem aquela do cara mandar um drinque pra tua mesa. Tinha mais uma ou duas que não me recordo agora. Escrevendo lembrei de uma cena que provavelmente existe em algum filme mas que já vivi. O cara chega e puxa conversa na praia e pede pra sentar do teu lado. É tão chato. Teve um mineiro ali no Campeche, uma vez, que foi muito chato. Eu sou a pessoa mais disposta a dispensar indiferentemente esse tipo de abordagem. Sério mesmo. Sou boa nisso. Aliás, eu vivo sozinha, e se me verem sozinha por aí não é porque estou aberta à abordagens ou infeliz sozinha. É um modo de vida. E tenha certeza que na quase totalidade dessas vezes eu quero estar sozinha. Aliás, em certos programas e passeios eu detesto companhia.

Foi aí que somo dois mais dois e fico pensando que se o amor da minha vida me abordar num supermercado eu poderei mandá-lo pastar com certa desenvoltura. Sou dessas de correr o risco, o tempo inteiro, de ver o amor da minha vida passar por mim e ainda despachá-lo com indiferença.

Christopher me fez pensar que sim. Porém, me deu uma certeza do que eu considero amor. Ah, sim, sou a mesma adolescente que teve suas teorias de que era só uma palavra para encobrir os coitos e os interesses. Ainda acho esta teoria válida. E a concorrente dela também.

Dentre os tipos de amor, desisti do que eu sempre vivi. Abracei, de vez, aquele que eu sempre admirei e fiz fé. Os outros são só inventados.

Se eu encontrá-lo num corredor de supermercado ou sentado ao meu lado num avião… quem sabe. Definitivamente não encontrarei-o nos corredores de um sebo. Nem num bloco de carnaval.

Como diz a outra canção, não ofereço quase nada. Nem quero tralhas nem medos nem ais, como diz, ainda, outra canção. Christopher me lembrou tanta coisa, das histórias de amor que existem sem um único beijo (e não são as platônicas ou não correspondidas), e o que de fato faz existir o amor em mim. É só nesse amor que acredito. Sempre foi, mas sempre me deixei distrair… como quando passamos pelas prateleiras dos supermercados olhando sem ver.

 

 

Liberdade de Expressão – liberdade se vive

Eu já devo ter citado por aqui em algum momento uma frase que segue comigo já faz bastante tempo, desde o dia quando encontrei-a nas páginas de um livro que vagava solitário lá em casa.

“Posso não concordar com uma palavra sequer do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-las.” Sim, é Voltaire.

Quando li essa frase naquelas páginas, vivia uma adolescência conturbada, violenta, sofrida, agressiva, idealista, sonhadora, indagadora e muito contestadora. As pessoas já naquela época não me suportavam, não gostavam dos meus questionamentos, das minhas opiniões e muito menos da minhas observações acerca das coisas (e das pessoas) que eu via/ouvia. Naquele tempo, eu já me debatia entre as palavras no papel. Lembro de, no dia da Liberdade de Expressão de algum ano perdido no tempo (agora nem sei dizer em qual dia e mês ele é comemorado, mas procurem e verão que ele realmente existe), ter escrito algo entre a poesia e o desabafo. Sei que essa criação ainda existe, mas encontra-se distante de mim no momento. Hoje ainda algumas dessas pessoas têm dificuldade com o que muitos já chamaram de “personalidade forte” e que eu em alguns momentos preferi definir como voluntariosa. Daí já surge uma baita dificuldade de convivência comigo. Não tem que “compreender”, “aprender” ou “respeitar”. Tem que viver a liberdade.

Liberdade é assim. Você diz, pensa, faz o que bem entende. Eu também. Liberdade a gente vive. Escrevendo “o que bem entende” agora lembrei do Mill. O teu limite acaba onde começa o meu. Claro que tem tudo a ver com a liberdade. E no nosso mundo essas duas coisas vão parar lá nos códigos e leis.

Se bem me lembro já escrevi aqui sobre censura. Lembro porque houve uma história bem recente acerca de censuras nas redes sociais e, imaginem, aqui no blog. Eu já me auto-censurei por aqui devido a motivos poucos nobres. Não era para proteger ninguém, era para me proteger.

Indignação define.

Eu não digo a nenhum de vocês o que devem ou não publicar nas suas redes sociais, nos seus blogs, o que devem falar, o quanto ou como (e até em qual tom). Ah, mas vejam como a linha é tênue. Vocês vêm me dizer o que eu posso, o quanto, escrever, falar. Vocês têm, segundo a frase do Voltaire, todo o direito de dizer. Mas eu vou permanecer no meu direito de ignorar as censuras de vocês. Vocês não concordam com uma palavra do que eu digo, nunca esperei nem espero isso. Aliás, até prefiro que não concordem. O dia que alguém concordar com tudo o que eu penso/falo/escrevo vou me sentir muito mal. (lembrei do Nelson Rodrigues, é claro) Mas daí vocês virem me censurar, devo lembrar o Mill. O seu limite acaba em não concordar comigo, o meu começa em ter a liberdade de poder falar/escrever/pensar o que eu bem entender. Viram como é fácil juntar os dois?

Até porque não vejo vocês seguirem toda a frase do Voltaire, ficam só ali na zona de conforto de não concordar, mas jamais lutam pelo meu direito de dizer o que não lhes agrada.

Não vejo em mim maior dificuldade de convivência do que nesse tipo de pessoa. Se é difícil aguentar alguém que diz/escreve/pensa o que bem entende, daqui parece-me impossível, impraticável, conviver com quem censura os outros. Não serão, jamais, aceitas censuras. Em nenhum nível de relacionamento. De nenhum tipo. On ou off.

A rede social é minha, faço o que bem entendo nela. O blog é meu. A vida é minha. O corpo é meu. Antes disso tudo encostar no seu, será sempre meu.

Conviver, dizem, é essa via de duas mãos. Por isso tem tanto casal infeliz, tanta gente mal humorada, tantos corações rancorosos, tanto mais rugas do que sorrisos.

Hoje ainda me perguntei porque as pessoas, ao responderem “quem você é” (perguntinha básica de perfis sociais), elencam profissão, diplomas, méritos, posições, cargos, títulos. Você é os valores que você vive. Mas a maioria só consegue se definir por pedaços de papel com carimbos e assinaturas. Ou pelo contra-cheque.

Não entendo ainda o que querem dizer com “personalidade forte” ou “geniosa”. Só sei que as pessoas assumem um tom pejorativo quando falam nisso. A boiada está aí para quem quiser seguir. Desconfio de muitas coisas e mais ainda de muitas pessoas.

Tenho até a forte desconfiança de que quem mais censura (esses que não conseguem ver alguém dizer/escrever/pensar algo que não é corrente com o que eles dizem/escrevem/pensam) é justamente quem mais se auto-censura, quem mais se projeta sendo alguém que, definitivamente, não é. E faz isso por causa dos outros. São, normalmente, os que se preocupam demais com a opinião dos outros a seu respeito, que projetam imagens de um “si” que gostariam de ser – e, invariavelmente, não seriam se seguissem suas aflições, seus entusiasmos, seus prazeres, medos e ideais. Porque a liberdade está ainda mais presente nas ações. Quem não assume sua liberdade para “ser” jamais conseguirá entender quem o faz.

Em honra ao patrono do blog, eu que não sou das mais fãs de citações, deixarei mais uma das minhas (pouquíssimas) favoritas. Obviamente ela já deve ter aparecido pelo blog em outros momentos.

“Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.” (Fernando Pessoa)

Você só precisa saber

 

Você precisa saber que eu não ligo a TV aos domingos. E quando eu começo a gostar de alguém, me afasto de propósito porque sinto que a pessoa não vai gostar de mim como eu dela. Não posso mais viver amor não correspondido. Saiba que eu durmo todos os dias – todos – com o ventilador ligado. Me visto mal, tenho um gosto brega para cores e estilos. Nunca comprei um esmalte nem um livro repetidos – nunca. Mas não sou do tipo sistemática, não faço listas, nem cadastros, nem catalogo nada – detesto isso, acho doentio. Você só precisa saber que tenho muita prática em arrumar malas e dizem que sempre levo bagagem demais – não é verdade. Numa briga, não sou comedida nas palavras e acabo sempre fazendo discursos. Não queira brigar comigo, detesto brigas e elas me esgotam. Às vezes, fico em silêncio olhando para o nada. Eu sofro sozinha e calada. Tenho manias, mas até essas mudam de vez em quando. Já passei dos vinte e cinco anos e ainda uso franja e como algodão doce. Eu imponho certas regras que devem ser quebradas. Tenho claustrofobia. Desmaio em lugares públicos. De vez em quando tenho dores de cabeça, não para usar como desculpa para coisa alguma, são dores de cabeça inexplicáveis e, ao que parece, incuráveis. Elas surgem, me deixam irritadiça, nervosa e depois somem. É difícil eu avisar que elas são a causa de algum destempero meu. Eu amo água. Amo banhos. Já passei dos vinte e cinco anos mas tomo nescau todo dia e minha mãe vai ao médico comigo na maioria das vezes. Dizem que sou anti-social, antipática. Posso até ser, mas só com quem merece. Eu fujo das pessoas. Normalmente o que eu digo não era bem aquilo que eu queria dizer, cabe a você descobrir. Não tolero que mexam nas minhas coisas. Eu tinha completa aversão a incensos, hoje quase não passo um dia sem acender um. Saiba que eu posso não gostar de telefone, mensagem, bate-papos… mas por um bom motivo-alguém os uso com excelente habilidade. Saiba, também, que me apaixono fácil demais sem nem ser amor. Nessas horas nunca tive coragem de dizer a verdade. Saiba que eu tenho sonhos que você nem ninguém jamais vão saber. Ah, eu acredito em sinais. Eu fico prostrada diante de certas manifestações humanas como a fé, a coragem, a dor, a tristeza, a indignação. Já vivi, já sofri, e não trocaria minha vida por nenhuma outra – digo isso hoje e direi o resto dos meus dias. Às vezes me afasto, sem querer, porque não confio em ninguém e só eu entendo isso. Se você precisa que confiem em você, eu não sirvo. Eu adoro aprender. Eu me saboto. Sou muito condescendente comigo mesma. Não tenho – e, ah! nunca tive! – disciplina. Não consigo. Sou que nem peru, sofro de véspera. Crio histórias antes delas acontecerem. Fico na cama criando vidas, encontros, desastres, despedidas que nunca vivi – e em alguns casos nunca viverei. Detesto noites de domingo. Acho que elas são tristes. Não tenho o costume de acordar cedo, mas adoro fazê-lo – desde que não seja por obrigação. Detesto ser acordada, isso me deixa de mau humor. Eu não entendo as pessoas. De vez em quando deixo o coração falar, mas desconfio que ele é gago. Tenho sonhos (aqueles enquanto dormimos) loucos, insanos, extraordinários e eles fazem muito sentido, sonho com coisas, lugares e pessoas dessa vida e de outros mundos. Às vezes até gosto de contar os sonhos que tive. Meu inconsciente é um turbilhão. Não tenho a consciência tranquila. Fico horas remoendo fatos, frases, questões. Eu gosto do abstrato. Não gosto de quem não reflete sobre (quase) tudo. Adoro espelhos. Adoro vidros e tenho pavor de me cortar com eles. Saiba que eu nunca doei sangue e não sei se teria coragem de doar por alguém especial. Eu tenho coleção de conchas do mar e de pedras semi-preciosas. Eu gosto de pedras. Saiba que já fiz artesanato pra vender na escola e que já trabelhei com recepcionista e balconista. Já mandei cartas anônimas (e já li na constituição que isso é crime). Não sou doente por chocolate.

 

Saiba que sou assim, de pequenos e grandes detalhes. Nunca esqueça de me contrariar. Eu me afastar sempre diz muito mais do que a minha simpatia e meu lado prestativo. Muito mais.

 

Você só precisa saber disso, seja lá quem você for… assim, como num baile de mascarados da canção do Chico.

 

 

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