Os homens da minha vida – o fora

Demorei, demorei demais para entender. Então, pela primeira vez eu levei um fora. Era isso, era assim. Não estava com dó de mim. Minha larga experiência em dar o fora não havia me prevenido. Precisei de tanto tempo para saber que fora um fora (perdão pelo trocadilho) e mais um tempo para poder verbalizar e vivenciar isso. O tempo, ah!, o tempo!, fora (!) tão cruel conosco. Coisa de dias, de semanas, nem chegou a meses – e tudo, t u d o, teria jeito. Mas, não. A vida a me trollar (na falta de termo melhor) ad infinitum desde então. E aí chegou esta semana, meses depois, em que abracei a vida e comecei a rir (de mim) junto com ela. Eu não tinha mais saída. Fui passear por caminhos onde tantas vezes pensei em você, onde tantas e tantas vezes pensei e repensei nos dias que passamos juntos, onde tantas vezes sonhei. Ali fiz minha penitência logo que vi um rosto e senti aquele sobressalto. Não posso mais. Não posso mais encontrar teu rosto por aí e sentir o coração pular. Que, o coração que me perdoe, mas isso não é coisa que se faça. Não posso mais ter receio imenso de voltar a frequentar certos lugares porque temo – com todo o temor que me é possível – encontrá-lo. Porque já não sei o que faria se te visse. E, em verdade, não quero saber. Foi ali, diante do mar verde da cor dos teus olhos, um vento norte frio e inimigo, entre o mar e a Ilha do Campeche, que afoguei o nosso amor. Gosto de rituais e não tinha lugar (nem trilha, aliás, porque é claro que até o mp3 me trolla) melhor para o nosso amor descansar em paz. Volta e meia irei visitá-lo e te garanto que todo ano ele receberá flores em fevereiro. Vou rezar pra Deus, nosso Senhor, para nunca mais te ver. Ah! Nunca mais. Que dessas coisas de fim entendo bem. E guardo a esperança, que nunca morre, para todo o resto. Naquele dia a sinceridade foi tanta que nenhum propôs “amigos?” porque amizade é outra coisa. Agora, tudo vira história. Quando me perguntaram, meses atrás, se depois de fulano eu não tinha mais me apaixonado, menti. Menti porque se eu contasse que, sim, havia me apaixonado (de novo, como sempre) mas que no único momento de sensatez da minha vida – porque, e só porque, você foi sensato como lhe é de costume – eu levei um fora com meu consentimento. Diriam aquelas almas bobas “você deveria ter lutado por ele”. Tadinhas, não sabem que luta travei de verdade. Se sofri, se doeu, nem sei. É aquela coisa dos 28 de que fala Stendhal. Só sei que agora sou bem mais cuidadosa quando digo meus “nãos” e saio (por hábito) pela querida tangente. Um dia contarei como fui abordada no trem semana passada. Não esperem, porém, a falsidade de um “estou pronta pra próxima” (nem pra levar um fora nem pra me apaixonar). Nunca estou, não é mesmo? Nunca espero nem procuro – e, às vezes, nem quero. Porque de você só me restou aquela foto que escondi em algum lugar pra bem depois achar – e aí sorrir ou jogar fora. E como não podíamos deixar rastros, sei que tens algo que nunca te deixará esquecer de mim. E foi assim, o que me fez demorar tanto a entender é que tuas palavras não diziam o mesmo que os teus olhos. Não foi não querer, era questão de não poder. Vou aproveitar este ano e rezar pra Santo Antônio. Pois que ele me manda os melhores sempre com os mesmos problemas. Errar é humano, não é coisa pra santo. Até santo me trolla. E aí tenho achado o amor essa coisa que fica bem nos filmes e nos livros – nem do amor na vida dos outros tenho achado graça. Porque hoje ainda pensava a minha vida como uma estação de trem e o filme da tarde, um daqueles que me tira do eixo, terminava sobre trilhos. “O caminho mais reto é o mais curto” disse a moça (entre outros diálogos potentes). E eu que só tenho curvas na vida?

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