O espetáculo

Vejam o espetáculo chegando ao fim… ele cedeu suas últimas horas ao ar de descanso que tomará o seu lugar. O espetáculo que iluminou nossos dias, que atraiu as multidões às praias, que nos fez sorrir mais. O Verão é este espetáculo do qual eu não abro mão. Ele enche as pessoas de vida, aos poucos catequiza até aqueles que detestam o suor abundante e o sol que lhes fodem os olhos. Nós plantamos na Primavera, para ver crescer no Verão. E com cresce! Como é vigoroso tudo o que cresce no Verão.

O espetáculo nos despe das nossas mais ardorosas dúvidas e das roupas, é claro. Ele carrega ao longe as nossas vergonhas e não há celulite que fique mais feliz do que num shortinho. O ar circula mais pelos ambientes e pelos nossos pulmões, é um espetáculo respirarmos mais – exceto, bem, aqueles que preferem respirar filtros sujos de ares-condicionados. Ele descortinou todos os dias, amanhecer após amanhecer, esperanças rasgadas. E trouxe consigo luares apaixonados pelos costões… e pelas lagoas. Entre um sol e uma lua, ou mesmo quando eles se cruzavam pelo céu, as pessoas encenavam passeios, conversas despreocupadas, cervejas geladas e paqueras mediadas por biquínis minúsculos.

Eis o nosso Verão, este espetáculo de descobertas, risadas e horas passadas na preguiçosa rede. Eu sempre confiei nele, ele nunca me decepcionou. Mas um espetáculo é sempre diferente do outro, lembrem-se. Ele passa três Estações a preparar sua programação especial, cheia de surpresas e palpitações – às quais eu aguardo ansiosa, desde já.

O Verão nos aproxima, nos deixa cochilar no sofá numa tarde abafada. Ele traça caminhos que desconhecíamos e nos faz ver melhor à noite. Ele dá passagem a nossa falta de tempo, insiste que não joguemos promessas ao vento. Em todas as suas sessões há o aviso: aprecie bem tudo a sua volta. E é o Verão, este espetáculo, que nos ensina, para toda a vida, o que é o amor. Nos marca a ferro e fogo a tristeza da despedida, de todas as despedidas – principalmente aquelas sem o último adeus. Nos dá exemplo de companheirismo, daqueles para todos os dias e para todas as ocasiões. Nos leva às confissões e confianças inabaláveis. Nos faz superar as piores terças-feiras (e muitas outras ainda virão). Nos leva às igrejinhas de comunidades distantes para ver o sol passeando sobre nossas cabeças protegidas por alguma árvore que eu nem sei o nome.

É só o espetáculo do Verão que nos ensina a amar; que amar é, sempre, reaprender a viver. E não há melhor época (e por isso as férias são no Verão…) para reparar em como caminhar novamente – um pé depois o outro, um pé depois o outro… Voltam do Verão satisfeitos e felizes os que dele desfrutaram todas as alegrias e se vêem, hoje, pessoas melhores.

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