Preces 

Rezo diante do mar. Faço preces com o corpo submerso na água e os olhos a distinguir a linha que separa o mar do céu – é a mesma que os une. Rezo a pedir proteção aos meus sempre mais do que a mim. Minha alma vaga abençoada sobre o tempo. Em idas e vindas os dias param sobre as ondas. Meu olhar fixo na ilha que cobiço. Rezo um Pai Nosso por mergulho. Que Deus sempre abençoe o mar e o nosso encontro. É no limiar da maré onde deposito o mundo, entro despida de coragem e ambições. Rezo angústias e aprecio milagres. Os peixes nadam na crista e eu sorrio: é doce viver no mar. Faço preces como quem ali jamais voltará; como quem não sabe se despedir. É o mar, eu e o céu: como não rezar? Deus ouve melhor uma prece acompanhada do quebrar das ondas. Mas nada peço. Ele sempre sabe, Ele ouve minh’alma. Os dias – que não existem além da areia da praia. Mundo, repara: e pára. Rezo que assim seja, cabelos molhados e dedos murchos. Nem o sol faz tanta falta – quiçá a chuva seja muita. No mar e diante de Deus é solidão absoluta. (sem ser só, esmoreço) Não há pedidos de ajuda, nem mãos estendidas. Rezo, que Deus abençoe as pessoas deste mundo. Rezo, o olhar à ilha como o futuro que me escapa, como o vazio e a distância que almejo, como os sonhos que alimento. Rezo, que Deus nos abençoe. 

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