Histórias de Amor

Eu conheço algumas das histórias de amor mais belas do mundo.

 

Conheço-as pessoalmente, convivi com os protagonistas delas.

 

Admiro-as muito.

 

Não as conheço de livros ou de filmes.

 

São belas.

 

Mas, enfim, todas tem o mesmo fim.

 

E o fim, sempre, é um triste fim.

 

 

 

Letras sobre a superfície

Caminho de pedra se fez

E eu descalça segui

Quem me viu partir

Não recebeu meu adeus

E os pobres olhos meus

Avistavam longe

O que a tempos eu via

Das pedras

Restaram-me apenas

Cicatrizes

Como as letras

Sobre a superfície

Do passado

O vazio

Do futuro

O intangível

Porém atingível

 

 

(escrito da época da primeira decepção amorosa mais real – e definitivo para todas as outras)

 

 

 

 

Tristeza Penitente

Peço que se calem

As vozes torpes e vis

Da pura e maldita realidade

Afastem de mim o pensar

E todos os seus dogmas

E preconceitos deixem

Que eu me desiluda

Perca-me no ir e vir

Da vida e do caos que

Se faz na minha

Cabeça e alma aflitas

Não me renderei a nada

Que não seja fruto

Da felicidade e orgulho

Que provam os insensatos

E inconseqüentes

Aqueles que estão três

Passos à frente dos sérios

E cinco atrás dos estúpidos

E por isso alcançam a

Outra realidade doce

E entorpecente dos

Dias e dias passados na

Ação da contemplação

Calem-se, vozes

Da tristeza

Penitente.

milhões de flechas

sinto-me trespassada por milhões de flechas

na matéria, na forma e no invisível

soluços

olhos ardem

lembranças que não sossegam

mas para cada lado para onde olho para fugir dos pensamentos

há mais imagens e objetos, mais cruéis que as lembranças

vazio

vazio?

incompreensão

dor

desespero

se houvesse vazio, seria nada

a música me tolera

e eu só ouço música agora para ouvir minhas cicatrizes

e bebo chá com muito mel

porque não há álcool – que me faria sair deste mundo por um momento

e porque preciso lembrar na pele que ainda há algo doce na vida

e as flechas vão atravessando

cortando

matando

dilacerando

“será que você não vê?” como já diria Cazuza

o depois nunca vai ser presente

muito menos futuro.

muito amor

mas é muito amor. muito.
é uma paixão que se revira, se traveste, se reveste, se desnuda.
sempre ali, a mesma, ou maior, melhor.
e vez em quando pena, mingua, entristece.

porque é amor.

muito.

é a violência que se rebela, se joga, se machuca. é paixão.

porque é muito amor que se esconde debaixo da cama.

esse mesmo grita no meio da rua.

se esfrega, se roça, se arrepia, se derrete.

é muito amor.

minhas roseiras – enfim poesia

Plante uma roseira

Ame-a

Deixe-a sempre perto da vista

Nunca a esqueça

Deixe-a em boa companhia

Com alguma palmeira

Com outras roseiras

Esqueça de onde as coisas vêm

Não pense porque as coisas acontecem

Regue-a

Dê a ela o sono silencioso da noite

O sol brilhante e quente dos dias

Ela gosta muito do sol

Precisa dele mais do que de você

Não tenha ciúme nem fique triste

Sempre há o que dá mais vida ao outro do que nós

Os dias passam, o passado de vez em quando volta

Mas as roseiras sempre estarão ali no seu jardim

Esperando por um olhar

amor e vinho

Quando o amor perde medidas

Quando o vinho está por todos os lados

Quando as roupas viajam

Quando os sentidos perdem espaço e loucura para o amor

Quando as palavras voam pelo espaço

Quando a TV ligada não quer dizer nada

Quando o chocolate é atacado pelas formigas

Ou deixado pela metade sobre a mesa

Quando os sons fluem pelas narinas

Quando a loucura atravessa feito punhal a alegria

Quando a comemoração é despedida

Quando o tudo não é mais nada

Quando o não não significa não, mas sim

Quando o álcool não permite pensar, mas deixa falar e falar

Quando o tempo não passa

Quando a vida lá fora continua

Quando os olhos estão estuporados

Quando os dedos não obedecem

Quando a mesa ficou solitária

Quando o copo ficar vazio

Quando a vontade é correr atrás do amor e trazer para ninar

Quando os beijos são de fogo

Quando se perde a noção do seguro e do inseguro

Quando as coisas fora do lugar fazem sentido

Quando as nuvens estão ao alcance

Quando a felicidade não é nome, é carne

Quando o tempo nunca basta

Quando a vida tem duas partes

Quando as partes se unem

E não se separam, nem de espírito nem de mente

Mas se separam de corpos, de vez em quando

Quando esse desespero é de um bêbado

Quando se é deixado

Quando a vida lá fora continua

Quando nada mais importa

Quando amar é o que te faz sentir viva

Quando amar é te livrar das amarras da vida

Quando amar é o vinho no sangue

Quando amar é a cama desarrumada

Quando amar é o silêncio dos gritos e declarações

Quando amar é romper tudo

Quando amar é querer sem ver

Quando amar é ter palavras demais

Quando amar é amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar

Me restam essas palavras e um olhar no portão

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