A morte cala as palavras.
Desfaz as imaginações.
Acelera a mil os pensamentos.
E me deixa assim, sem conectar umas coisas com as outras para poder mostrá-las.
Mas a morte nunca passa.
E eu preciso ficar.
A morte cala as palavras.
Desfaz as imaginações.
Acelera a mil os pensamentos.
E me deixa assim, sem conectar umas coisas com as outras para poder mostrá-las.
Mas a morte nunca passa.
E eu preciso ficar.
Eu conheço algumas das histórias de amor mais belas do mundo.
Conheço-as pessoalmente, convivi com os protagonistas delas.
Admiro-as muito.
Não as conheço de livros ou de filmes.
São belas.
Mas, enfim, todas tem o mesmo fim.
E o fim, sempre, é um triste fim.
Caminho de pedra se fez
E eu descalça segui
Quem me viu partir
Não recebeu meu adeus
E os pobres olhos meus
Avistavam longe
O que a tempos eu via
Das pedras
Restaram-me apenas
Cicatrizes
Como as letras
Sobre a superfície
Do passado
O vazio
Do futuro
O intangível
Porém atingível
(escrito da época da primeira decepção amorosa mais real – e definitivo para todas as outras)
Peço que se calem
As vozes torpes e vis
Da pura e maldita realidade
Afastem de mim o pensar
E todos os seus dogmas
E preconceitos deixem
Que eu me desiluda
Perca-me no ir e vir
Da vida e do caos que
Se faz na minha
Cabeça e alma aflitas
Não me renderei a nada
Que não seja fruto
Da felicidade e orgulho
Que provam os insensatos
E inconseqüentes
Aqueles que estão três
Passos à frente dos sérios
E cinco atrás dos estúpidos
E por isso alcançam a
Outra realidade doce
E entorpecente dos
Dias e dias passados na
Ação da contemplação
Calem-se, vozes
Da tristeza
Penitente.
I believe in love
I believe in God
I believe in good people
I believe in strange things
I believe in my faith
I hope I still believe till my death
sinto-me trespassada por milhões de flechas
na matéria, na forma e no invisível
soluços
olhos ardem
lembranças que não sossegam
mas para cada lado para onde olho para fugir dos pensamentos
há mais imagens e objetos, mais cruéis que as lembranças
vazio
vazio?
incompreensão
dor
desespero
se houvesse vazio, seria nada
a música me tolera
e eu só ouço música agora para ouvir minhas cicatrizes
e bebo chá com muito mel
porque não há álcool – que me faria sair deste mundo por um momento
e porque preciso lembrar na pele que ainda há algo doce na vida
e as flechas vão atravessando
cortando
matando
dilacerando
“será que você não vê?” como já diria Cazuza
o depois nunca vai ser presente
muito menos futuro.
mas é muito amor. muito.
é uma paixão que se revira, se traveste, se reveste, se desnuda.
sempre ali, a mesma, ou maior, melhor.
e vez em quando pena, mingua, entristece.
porque é amor.
muito.
é a violência que se rebela, se joga, se machuca. é paixão.
porque é muito amor que se esconde debaixo da cama.
esse mesmo grita no meio da rua.
se esfrega, se roça, se arrepia, se derrete.
é muito amor.
Plante uma roseira
Ame-a
Deixe-a sempre perto da vista
Nunca a esqueça
Deixe-a em boa companhia
Com alguma palmeira
Com outras roseiras
Esqueça de onde as coisas vêm
Não pense porque as coisas acontecem
Regue-a
Dê a ela o sono silencioso da noite
O sol brilhante e quente dos dias
Ela gosta muito do sol
Precisa dele mais do que de você
Não tenha ciúme nem fique triste
Sempre há o que dá mais vida ao outro do que nós
Os dias passam, o passado de vez em quando volta
Mas as roseiras sempre estarão ali no seu jardim
Esperando por um olhar
Quando o amor perde medidas
Quando o vinho está por todos os lados
Quando as roupas viajam
Quando os sentidos perdem espaço e loucura para o amor
Quando as palavras voam pelo espaço
Quando a TV ligada não quer dizer nada
Quando o chocolate é atacado pelas formigas
Ou deixado pela metade sobre a mesa
Quando os sons fluem pelas narinas
Quando a loucura atravessa feito punhal a alegria
Quando a comemoração é despedida
Quando o tudo não é mais nada
Quando o não não significa não, mas sim
Quando o álcool não permite pensar, mas deixa falar e falar
Quando o tempo não passa
Quando a vida lá fora continua
Quando os olhos estão estuporados
Quando os dedos não obedecem
Quando a mesa ficou solitária
Quando o copo ficar vazio
Quando a vontade é correr atrás do amor e trazer para ninar
Quando os beijos são de fogo
Quando se perde a noção do seguro e do inseguro
Quando as coisas fora do lugar fazem sentido
Quando as nuvens estão ao alcance
Quando a felicidade não é nome, é carne
Quando o tempo nunca basta
Quando a vida tem duas partes
Quando as partes se unem
E não se separam, nem de espírito nem de mente
Mas se separam de corpos, de vez em quando
Quando esse desespero é de um bêbado
Quando se é deixado
Quando a vida lá fora continua
Quando nada mais importa
Quando amar é o que te faz sentir viva
Quando amar é te livrar das amarras da vida
Quando amar é o vinho no sangue
Quando amar é a cama desarrumada
Quando amar é o silêncio dos gritos e declarações
Quando amar é romper tudo
Quando amar é querer sem ver
Quando amar é ter palavras demais
Quando amar é amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar amar
Me restam essas palavras e um olhar no portão