Ficcionando para explicar a realidade

Em janeiro.

– Oi, amiga!

– Ooooiiii!!! Guria, que coisa te encontrar aqui!

– Ai, nem tanto, né! Com esse calorão lá fora, só um arzinho condicionado de shops pra gente se salvar, né?

– Ah, isso é!

– Mas, me conta, o que tu tem feito? Como tu tá?

(com toda aquela ânsia de amigas de longa data que se encontram por acaso, sem premeditações que normalmente não funcionam)

– Ah, nada de mais! Meu desocupada, sabe. Fiquei meio pra baixo desde o final do ano passado. Tu soube, né? O Carlos terminou comigo, guria…

– Tá, calma aí. Eu soube, vi no teu Orkut, mas nem quis perguntar, sabe. Sem querer dizer nada, amiga, mas não foi a primeira vez que ele terminou contigo, né?

– Não, né… Ele é daquele tipo, sabe, que pisa, joga fora, se arrepende. Ui, um idiota. Mas, sei lá, depois de tanto tempo. Eu fiquei pra baixo. Não tinha vontade de nada… fiquei em casa, larguei tudo. A mãe que ficou comigo, ainda mais nessa época de natal, essas coisas.

– E ele apareceu com outra, ainda, né? Eu sempre…

– Outra? Como assim?

– Ahn? Desculpa… não sei.

– Onde você viu isso? (com lágrimas)

– A Marisa que contou. Lá em Garopaba… e eu acho que tu conhece. Quer saber? Ele termina só pra aproveitar. E, depois, tu, burra, volta.

– É, eu sei… Mas tô superando isso. Não volto mais, não!

– É? Ah, a Carla me contou que tu ia no analista.

– Então! (alegria brilhando) Eu vou sim. Já faz um tempinho, sabe. Tô conseguindo superar várias coisas. No dia que o Carlos foi embora eu liguei pra ela e a gente conversou, por telefone mesmo, porque ela estava sem horário na agenda. Ai, consegui diminuir a ansiedade, a tristeza, tudo!

– Ai, que bom, amiga!

– Pois é, mas daí no começo de janeiro, sabe, semana passada. Não, retrasada, acho. Ele me telefonou. Eu não ouvi a ligação porque estava no banho. Minha mãe disse pra eu trocar o número. Ela não agüenta mais ele, nunca gostou dele e não quer mais que eu sofra. Daí no dia seguinte liguei pra analista, ai, guria, ela está de férias. Marquei com a colega dela, que atende no mesmo consultório.

– E aí? Ela é boa também?

– Ah, sei lá, é, sabe. Não tive recaída, conversei numa boa, me ajudou bastante. Mas…

– Não é a mesma coisa, né?

– Não, né… De jeito nenhum. Sei lá, fica faltando alguma coisa. Porque lá a gente se abre, conta tudo. A minha é como uma amiga mesmo, já me conhece, sabe como eu sou, como eu faço as coisas. Com essa é meio que, sei lá, tem uma coisa que fica meio no ar, sabe?

– Sei, sei… ah, mas pensa positivo, daqui a pouco ela volta!

(toca o telefone da abandonada pelo Carlos)

– Só um minutinho, é a mãe. Ela tá muito preocupada comigo!

 

Não é a mesma coisa, sabe?

Pois é, tudo isso porque estou com saudade da minha máquina de lavar roupa.

 

Estar

Estarei fora… Estarei longe… Estarei mais perto de mim… Mais distante que eu possa estar de tudo, de todos… Estarei cá dentro, sem perspectiva, sem chance, sem expectativa, sem ansiedade… Estarei lá, onde você não pode estar, nem estará… Estarei só, e mais perto de tudo e dela do que nunca… Estarei dentro, sem convites… Estarei de portas abertas e janelas fechadas… Estarei surda, nunca muda… Estarei.

trust

Inside… Oh, I´m sorry! There´s nothing inside here… I never told you that? Ok, I´ll must remember next time. I know that´s difficult, but, please, trust me, it´s how the things happen. I don´t expect you to trust me again.

Quem sabe

E porque não dizer que carrego comigo uma paixão. Uma paixão por uma expressão tão destruidora.

Quem sabe.

“Quem sabe” é a tal expressão. Diante de qualquer um, de qualquer assunto, já terminei velozmente e sem saída com um “quem sabe”.

Não diz nada. Talvez diga tudo. Ninguém sabe, sabemos disso, mas o “quem sabe” encerra o assunto.

“Quem sabe” te diz “não” com classe, esperança e vai te fazer sofrer. Mas eu prefiro um “quem sabe” a um simples, duro e pobre “não”.

Ninguém realmente sabe, mas eu creio que o Deus lá sabe sim. Só Ele sabe. Porque Ele sabe de tudo.

“Quem sabe” emite descrença e reflete esperança.

“Quem sabe”, pra mim, é sem um pingo de verdade.

Não sei porque a maldade vicia

Não sei o que acontece que as pessoas fazem mal às outras. Não sei porque as pessoas desejam o mal àqueles a quem um dia desejaram as melhores coisas do mundo.

Não entendo porque as pessoas traem a confiança tão fielmente depositada nelas, porque se riem satisfatoriamente (será?) ao saber que alguém passa por maus momentos, tristezas e doenças.

Não sei porque as pessoas não, apenas, reconhecem o amor que alguém lhe devotou e o que aprenderam (e como isso mudou-as e as fez feliz) com esta pessoas. Não sei porque as pessoas insistem em  tentar pisar os sentimentos alheios. Não sei porque as pessoas não morrerão felizes (será?) enquanto não tirarem tudo o que o outro possui, seja material ou não.

Não sei porque a maldade parece gerar tanta satisfação. Pois lhes digo que “parece”. Essas pessoas que tem tanta maldade nas suas mentes e nos seus atos e palavras não se mostram realmente satisfeitas. Nunca se satisfarão, nem com tudo, nem com muito, nem com o além.

Aliás, o além, nem lá de cima nem lá de baixo, não os deseja. Despreza-os imensamente. O entremeio aqui também não lhes devota muito ardor nem carinho.

Não sei porque uma vida (a de cada um) não lhe basta e é preciso sempre querer a vida dou outro, alimentar-se da vida do outro (ou outros), seguir-lhe os passos, os movimentos, as alegrias e tristezas para, talvez, aproveitar-se, deleitar-se.

Não sei porque (nem como!) essas pessoas sentem prazer nessa maldade desenfreada e sem limites. Prazer, ó, o prazer, que deveria ser umas das (ou a única!) coisas que é unicamente positiva! Você acredita que a maldade dê prazer? Bem, se há quem sinta isso realmente nunca experimentou o verdadeiro gozo.

Não sei porque as pessoas ficam acintosas com a sua maldade. Não sei porque estendem tentáculos desses sentimento – que é para além de desprezível. Há uma fome, uma necessidade, ambas também desprezíveis. Imaginem quantas coisas deixam de fazer, viver, experimentar, ver enquanto ficam ali, consumindo-se na sua maldade, no seu rancor, na sua vigília. Quanto amor não deixam de sentir. Amor? Não sei porque, mas desconfio que essas pessoas não sabem, de verdade, o que é isso. Seja lá qual for o tipo de amor, romântico, fraternal, amigo.

Não sei porque a maldade dessas pessoas é impossível de reverter e inverter. Destruir, trair, machucar, perseguir, aproveitar-se – isso tudo e muito mais que fazem essas pessoas – as deixa viciadas e tudo que está a volta delas vai desmanchando-se para aumentar o espaço dessa “vida”. Sim, alguns chamam isso de vida. Vicia de tal forma que tornam-se dependentes, nada pode mudá-los, creia-me.

Se o bem pode transformar-se em maldade, o contrário não ocorre.

Não sei porque nada disso que escrevi aí. Mas confesso-lhes que aprendi muito bem que isso aí tudo é muito verdade. Aprendi confiando, amando, convivendo. Conheci essas “pessoas”, elas sempre aparecem. Durmo e acordo sabendo disso e que uma vez eu me perdoei, mas que a nenhum desses cabe o meu perdão. Desses, nem Deus quer saber. Só isso me conforta.

Se aprendi da pior forma possível, ainda bem! Assim há mais chances de nunca mais errar.

Pior para os pobres viciados na maldade que vagam neste mundo… perseguindo, destruindo (ou tentando), roubando, desejando o mal irreversível…

A maldade vicia. O prazer (do bem!) e o bem, também. Cabe somente uma escolha. Talvez, para muitos, uma escolha difícil. Escolher a maldade é muito fácil, só se deixar levar pela primeira “raiva” momentânea, pela primeira contrariedade, pela primeira decepção, pelo primeiro desejo de superioridade contra o mais que nós.

Pois eu sempre prefiro o mais difícil. Escolher o bem é mais tortuoso, dá mais trabalho, requer perseverança. Diz lá na Bíblia, não é novidade nenhuma. Infelizmente, até essas “pessoas” lêem a Bíblia. Talvez apenas para aumentar sua maldade, quem sabe.

Não sei os motivos, nem me interessam. Não pratico, não posso falar a respeito.

Se eu fosse mais cristã, teria pena e rezaria. Mas isso é demais pra mim.

E, se pensarmos bem, há muitos vícios interessantíssimos por aí… cabe escolher.

 

Gorki, eu e o mar. O que me cala.

Sei que raramente, quase nunca, uso citações. Porém, deixarei aqui a reflexão de algo que as minhas palavras não alcançam…

“Ele, o ladrão cínico, adorava o mar. O seu temperamento vivaz, ávido de impressões fortes, não se fartava nunca de contemplar aquela imensidade livre e majestosa.

Quando estava no mar, uma emoção profunda e duradoura brotava-lhe do fundo do ser, extasiando-lhe a alma e livrando-o até certo ponto das indignidades da sua vida. Gostava daquela impressão, e sentia-se bem entre o céu e as ondas, nessa amplidão ilimitada onde os pensamentos perdem toda a sua maldade e até a vida perde o seu valor.”  – Gorki, in Tchelkache.

 

Só um russo para traduzir-me fielmente em palavras. Só um russo para dizer, ou escrever, como queiram, aquilo que eu não consigo.

Ah, o verão! – Parte II – Ilustrado – Vamos à praia!

Já que escrevi tanto sobre a peripécia de ir ao litoral na temporada, hoje me dei um desconto e publicarei o post parte II.

As Pessoas

Uma das minhas favoritas e a mais divertida. Se você parou pra reparar mais detidamente nisso alguma vez, vai lembrar do que eu vou escrever.

Sempre tem a tia gorda. Tente não rir quando ela colocar o maiô (meus queridos, se a sua tia gorda resolver usar biquíni, tente não passar mal!). Ela come demais, incomoda demais, ronca tão alto que acorda todo mundo, fala mal de tudo e de todos, sua às bicas, reclama do calor a cada três minutos, ocupa espaço demais em todos os lugares, não cabe na cadeira de praia e te faz passar a maior vergonha.

Tem o tio beberrão. É, ele bebe demais. É metido a tudo e mais um pouco. Mas, na verdade, não faz nada! Não cozinha, não ajuda na louça, não arruma a antena, não varre, não leva as cadeiras pra praia, não sabe nem colocar o guarda-sol na areia! Mas tudo ele pega e fica dando discurso de como fazer. E dali um pouco ninguém mais sabe onde ele se enfiou. Procure onde estão as cervejas, lá estará ele, sorvendo aquela coisa fedorenta e quente, babando e suado, sem camisa, é claro, e de bermudão. Faz piada machista com os rapazes sobre as moças que passam, e mal repara nas mulheres da casa, nem quando elas colocam a comida na mesa. Ele só bebe, bebe, bebe, também te faz passar vergonha e você ainda tem que ficar de olho pra saber onde ele está quando teu pai te perguntar.

O pai. Ele pode estar de férias, ou só aparecer nos finais de semana porque estará trabalhando durante a semana na cidade (a paz dele!). Ele chega na sexta-feira à noite, cansado, cheio de compras dos supermercados e tal que a tua mãe mandou trazer, só quer sentar um pouco e descansar. Aí ele pode ser aquele metido a garotão que adora pegar onda, fica o dia inteiro com a pentelhada na areia e no mar, dá umas palmadas na bunda da tua mãe com um sorriso maroto; ou ele já é mais conformado com a vida, mal vai até a beira do mar, fica em casa, destravando uma porta, limpando o terreno, tirando limo do telhado, procurando parafuso de determinado tamanho, fica quieto a maior parte do tempo e só quer se sujar de graxa arrumando o carro.

A mãe! Se você está de férias, na praia, aproveitando muito, sua mãe parece que está no cume do estresse. Tudo ela grita, ela vive na cozinha fazendo comida para aquele bando de esfomeados, às vezes vai à praia e não te deixa passar da água na cintura, além de ficar bronzeada demais e você ficar com ciuminho dela. Você ainda criança não vai entender porque de vez em quando ela vai deixar de ir pra praia (depilação? Menstruação? O que é isso?). A mãe vai cansar tanto e garanto que sonha com o fim das férias pra ela voltar pra tranqüilidade dos filhos na escola, das tias no interior, do marido no trabalho e da casa arrumada e limpa por mais tempo.

Os irmãos. Vão incomodar, vão te fazer companhia nos jogos na rua e na praia, vão fazer aquelas brincadeiras idiotas no mar e você poderá ficar traumatizado pelo resto da vida. Ou seja, irmãos, sempre os mesmos.

Os primos. Bem, se eles vierem do interior e não tiverem o costume de ir pra praia você terá que explicar algumas coisas e garanta uns momentos pra passar muita vergonha. Comece explicando como se vestir no verão na praia e para ir pro mar. Já será um passo e tanto! Não pense, em nenhum momento, na privacidade e não seja egoísta. Você vai ter que dividir tudo mesmo e não tem jeito. Sabe aquela tua bóia favorita? Pois é, eles vão pedir emprestada. Mas, se eles estragarem (aliás, esse risco é real e acontece com bastante freqüência), você tem todo direito de despertar a sua ira (olha os pecados aí!) e não esquecer nunca mais o que o malandro folgado que se aproveitava da tua casa de praia fez!

Os avós! Ah, os avós! Talvez a casa de praia seja deles, antes dos teus pais terem a deles. Eles raramente irão para a casa, talvez porque quase não tenha mais espaço para eles, ou porque eles já cansaram de tanta gente por lá. Mas quando ele forem será uma festa! Tua avó fará aqueles doces inesquecíveis e deixará você fazer tudo o que quiser! Teu avô te levará pro mar e você vai engolir tanta água que aprenderá a não temer aquelas ondas gigantes.

Você está na praia, mas irá para o mar!

A ida ao mar, tão esperada

Prepare-se, muita coisa poderá acontecer. As mais divertidas e engraçadas virão das pessoas desacostumadas a ir para a areia da praia. Creia-me, o riso poderá levá-lo às lágrimas, ou até ao banheiro.

Veja bem algo com o que você poderá se deparar à beira mar. Sim, eles são do interior do interior (Paraná!).

Não tive tempo para ver o que surgiria daquela armação. Até um senhor no andador iria abrigar-se ali. Será que conseguiram?

Coisas assim proliferam na areia da praia. E você poderá protagonizar uma dessas!

Aproveite e leve tudo o que você tiver em casa para o mar. Mas, por favor, tente fazer as crianças entenderem que é melhor cada coisa num dia, senão o cansaço de levar tudo (e nem sempre tudo vai voltar, depois você vai procurar e perceber que alguém perdeu) vai te desanimar. Leve a bóia tipo pneu, a bóia de braço e de cintura para os pequenos, os óculos de natação dos rapazes, os pés de pato para os mais metidos, o bote inflável (que só lá na hora você vai perceber que está furado e terá que trazer aquele trambolho de volta sem tê-lo usado), o caiaque da mais velha que ela nunca usa, as cadeiras e cadeiras, as esteiras, as kangas, os guarda-sóis multicoloridos. Ou alugue uma coisa horrorosa de baleia na beira da praia, a moda pegou faz anos. Nunca esqueça de levar um lugar seguro para guardar a chave da casa. Isso evitará transtornos, brigas e acusações na volta quando todos ficarem pra fora, sedentos e queimados.

Vai uma baleia aí? Como se não tivesse baleias (em todos os sentidos!) demais numa praia!

Aliás, use protetor solar nas crianças e velhos. Os rapazes não usarão nada para provar que são homens. As moças e mulheres vão ficar grudando e escorregando de tanto bronzeador. Permita-se uma vez ao ano tomar aquela tostada pelo sol, bem camarão. Todos precisam disso. Não dê ouvidos àquelas chatas branquelas que dizem preferir um fator 1000 porque não gostam de sol, é só dor de cotovelo, pois nem se passassem um ano inteiro no sol ficariam bronzeadas. Não ria da tua irmã, ou da tua tia, que vai passar os primeiros dias na laje (ou no quintal mesmo) rezando e passando bronzeador antes de criar coragem para sair de casa de biquíni. Isso pode ferir a auto-estima da pobre coitada.

Os biquínis e maiôs são peça importante, mas felizmente tem ganhado mais variações do que antigamente. Lembra aquelas asa deltas que pareciam querer alcançar os ombros delas? Dizer que a Adriane Galisteu usava aquelas coisas e se achava o máximo! Hoje eu fico bem satisfeita ao ver que não há uma ditadura sobre isso. A moda tem feito escravas em algumas temporadas. É a moda o cortininha: enjoa ver todas com isso. É a moda o de lacinho: vão todas na mesma onda. É um saco. Eita falta de criatividade. Hoje já é mais possível ver todos os modelos de maiôs e biquínis convivendo pacificamente. E não fique perguntando ou reparando nas moças que preferirem usar shorts. Elas têm lá seus motivos!

E os rapazes? Me digam o que aconteceu que eles hoje usam essas bermudas horríveis até abaixo do joelho? Desconhecem o prazer de uma coxa bronzeada? Fica aquelas coisa comprida, molhada, grudenta.

Eu sou da época que homem só usava sunga. Isso mesmo, sunguinha, meu povo. Coisa mais linda!

Reparem no comprimento das bermudas. Coxa branca é coisa de curitibano, please!!

Não me perguntem o que o rapaz da direita está gesticulando. Mas, rapazes, por que esse medo de usar sunga? E, assim, pode de quase todas as cores. Se for branca, dependendo, pode ficar bem estranha. Mas se você está seguro de si, use! As cores cinza, marrom, preta sempre acertam. Bonitas são as vermelhas, verdes, azuis. Amarela não, né, porque daí é de doer. Estampadas estão fora da lista se forem aquelas estampas de caveira, skate, letras. E não peçam opinião para a mãe, hein! Lembra de quando você era criança e vestia você? Então, não preciso dizer mais nada. Não conheço rapaz feliz que tenha continuado a usar o tipo de roupa que a mãe mandava usar.

Bermuda na beira da praia: isso tem que ter fim!

Um adendo para as mulheres: não usem jóias, nem bijus, nem maquiagem, nem perfume, por favor! Quer atestado de brega e pobre? Vá cheia de biju, com aquela maquiagem da balada e saltão! Mas aí você vai mostrar pra todo mundo que nunca teve o costume de ir à praia. Isso é coisa pra ir pra balada ou pro trabalho, fofa! Ah, perfume serve para os homens também, nem perfume nem aqueles desodorantes mata-rato, por favor! E nem jóias, porque você vai perder e ficar lamentando o resto da vida, além da choradeira na hora pedindo pra todo mundo procurar um anel no mar!

E algo que parece estúpido dizer (mas o óbvio, né): não faça prancha (chapinha, sei lá) nos cabelos para ir para a praia! Escreva na testa, se for o caso: sou uma poita!

Quem tem o costume sabe que roupa pra praia é só pra praia, você nunca vai usar em outras ocasiões. Aquele vestidinho, saída de praia, short, bermuda, camiseta, só irá para e praia e ponto. Aliás, uma camiseta é sempre bom, porque com vento dá frio na hora que sai da água. A água salgada do mar impregna e por isso não se usa roupas, toalhas e utensílios que vão para a praia para outras ocasiões.

Questão básica: não jogue lixo na praia, seja na areia, seja no mar! Isso é ignorância, falta de educação, sujeira mesmo. Parece um mundinho tão evoluído… mas passe numa praia e repare no chão. Não, meus queridos, o lixo não irá embora sozinho nem a prefeitura das cidades é obrigada a passar recolhendo. Leve uma sacola junto e recolha o seu, não custa nada levar até a lixeira mais próxima ou da sua casa!

Não é perdoável nem o lixo do foguetório. Estão ali esperando o mar levar tudo?

No mar, todo cuidado é pouco. Ouça quem já conhece mais as armadilhas que ele tem. Saiba que um milésimo de segundo é muito diante da imensidão dele. Jamais ignore placas e bandeiras. Nunca pense que pode “um pouco mais”.

A não ser que você queira uma respiração boca a boca daquele salva-vidas gostosão, respeite!

Nem saber nadar pode ser item de segurança contra o mar. Aproveite-o sem deixar que ele se aproveite de você!

Aproveite o sol, a areia, eles recarregam as energias e tiram coisas ruins.

(ufa! por incrível que pareça teremos a terceira parte! aguardem!)

Respeite-o e ele te poupará

Ah, o Verão! – Parte I

No Brasil, é característico ir para o litoral nas férias de verão, de dezembro a início de março. Muitos emendam com o Carnaval, que fica entre fevereiro e março, e por isso se diz que as coisas só começam depois do Carnaval. Muitas cidades praianas vivem majoritariamente dos turistas e veranistas. Há os que têm casas para temporada, ou os que alugam ou vão para hotéis. Há um deslocamento em massa gigante, que sempre foi grande, mas com o advento do financiamento fácil de carros cresceu demais. Muitas e muitas pessoas vão para o litoral aproveitar o calor. Algumas fazem isso todos os anos, algumas só alguns anos e há os que vivem já no litoral.

As menores cidades de veraneio ficam vazias durante o ano, algumas mais badaladas já vivem independentes do turismo e da temporada, mas dobram, triplicam, a população nesse período.

Não vou escrever tecnicamente o que acontece e tal. Vou colocar algumas impressões, sugestões e observações. Sou viajante de alma, veranista desde antes do meu primeiro ano de vida, moro atualmente numa Ilha, mas vivo pra lá e pra cá entre o litoral e o pé da serra.

Ter casa de veraneio é algo extremamente divertido. Ser turista também. O primeiro implica em eternos retornos, o segundo encerra mais situações inusitadas. Mas o verão, a praia, tem peculiaridades fantásticas.

A Temporada

O início do verão é lá pelo dia 22 de dezembro. Aqui as férias escolares começam um pouco antes disso, mas até o Natal as coisas ficam ainda um pouco calmas, muitos passam esta data com a família e tal. Mas, só reparar nas estradas (sim, infelizmente os carros, ônibus e caminhões são maioria neste país), que a partir do dia 23 a situação muda completamente. Muitos vão e vem. O que antes era fácil dizer, em qual sentido e quando as estradas estariam mais cheias, hoje não faz mais sentido. O pessoal do interior e da serra vai e volta do litoral em variados momentos, mas encare o último dia do feriado de ano novo no sentido interior ou serra e aproveite para ficar parado horas na estrada achatando a bunda e aperfeiçoando seu mau humor.

Aqui em Santa Catarina, como em vários estados brasileiros, muitas casas ficam fechadas o ano inteiro, no litoral. É na temporada que elas reabrem.

Lembro bem que há alguns anos o período de férias era maior, todos passavam dois meses direto na praia. Bons tempos! Hoje a maioria mal consegue duas semanas.

A Viagem!

Ah, a viagem! Carro lotado! Todos com calor! E tem de tudo: cachorro, gato, periquito, cadeira de praia, bicicleta, malas, bola, travesseiros… Divertido passar por outros carros e ver que tem quem está em situação pior que você, sentado no colo da tia gorda, por exemplo, amassado pelo cotovelo do primo. Sempre terá alguém pior que você, lembre-se disso para a temporada toda.

A estrada? Ah, claro, todos tiveram a brilhante idéia de sair mais cedo, sábado à tarde, logo depois do Natal, pra não pegar movimento! E? Todo mundo fica ali na estrada, a uns quinhentos metros do conforto de casa, com o cheiro do peru de Natal embalado no colo da mãe.

A Casa

Bem, como tem gosto pra tudo nesse mundo, você vê de tudo em construções na praia. Tem aquelas que mais parecem um palácio, tantas portas, janelas, andares, que deixam a dúvida se o cara vai pra lá só pra passar um mês ou dois ou se é um mausoléu. Tem a típica casa de praia, nem grande demais (como dizia minha avó e diz minha mãe: não vou pra praia pra ficar me matando de limpar casa!) nem muito pequena (como já dizia o dono do Barracão do Curi: ter casa na praia é só para os outros irem!), antigamente eram de madeira, mas hoje já tem de material mesmo, normalmente com janelas de madeira e térreas. Item obrigatório (se for pra construir uma que não tenha, nem faça!): varanda! Varandas grandes, arejadas, com muitas redes por todos os lados! De preferência, no mínimo, dois banheiros (nessa época, até os menos chegados na boa higiene tomam banho!), porque casa cheia e um banheiro só pode dar confusão e esperas desastrosas! Vão por mim!

As cidades mais badaladas têm apartamentos (o povo mora o ano inteiro em gaiolas e quando vai pra praia prefere continuar nelas). Mas, apartamento não tem graça nenhuma, nem de veraneio. Pularei essa.

Numa casa de praia onde todo mundo resolveu aparecer (parentes e afins sempre fazem isso, muitas vezes ao mesmo tempo) não dá pra mudar a caixa d’água do dia pra noite, por isso, prepare-se para a falta de água tão comum.

Quando você chega na casa de veraneio (que ficou meses e meses fechada) dá vontade de voltar. É muita poeira, lagartixas, baratas, e outros seres habitando-a. O cheiro de mofo e umidade é enjoativo e persistente. Mas aí você lembra da estrada parada e decide ficar por ali, vai tirando umas teias de aranha e senta em alguma cadeira que não foi comida pelo cupim. Outra obrigatoriedade da casa de praia é a mesa de jogos! Baralho, sinuca, futebol de botão, dados, jogos de tabuleiro, tem que ter tudo (lembre-se, é verão e chove bastante!). Além disso, TV em lugares mais distantes raramente pega algum canal (eu sei que houve uma invasão de antenas parabólicas – horríveis – e que hoje em dia ninguém vive sem TV, mas no meu tempo pegar a Globo era um parto – ok, ainda é!). Internet? Então, nos últimos anos até internet chegou nesses lugares, mas em lan houses ou a sua móvel. O sinal do celular também não é uma maravilha e de vez em quando você vai ver seu vizinho pendurado na varanda gritando, não é com você, é com a esposa dele que está na capital.

Casa de praia mesmo tem muita cama em pouco quarto, mais colchões que camas e sofás-cama são obrigatórios.

Amor e Sexo

Bem, já dizia minha avó: amor de verão não sobe a serra! Olha, nunca vi nenhum subir mesmo! Mas, pense bem, se não sobe a serra, pode reacender no próximo verão! Só, por favor, não discutam o que cada um fez durante o ano! Daí não reacende amor nenhum! O verão é muito propício para o amor e para o sexo (bem, qual estação não é?!?!). Uns dizem que não… conversa fiada! O amor, principalmente adolescente, está sempre no ar com aquele contato próximo e quase desnudo do clima de praia, de tantos rostos novos ali na casa do vizinho, do clima festeiro de jogos na rua e na praia, de noites quentes e longas.

O sexo segue quase o mesmo caminho. Mas, cuidado ao praticá-lo nas areias, costões e matinhos. Cuidado em dois sentidos, com um possível flagra ou com pequenos acidentes. A areia e o mar podem causar sensações inesquecíveis nessas horas! As pedras e o mato, então! Será definitivamente algo que você vai lembrar pro resto da vida, nem que seja com uma boa cicatriz no joelho! Eu mesma vivo testemunhando amores solitários ou de casais aí pelas areias. Não me incomodo, mas cuidem das crianças porque alguns desses podem ser mal intencionados. Aliás, durante toda a temporada: cuidem das crianças! Seja no banho de mar, nas ruas pacatas, elas andando descalças, no banho em casa, na brincadeira com outras crianças.

Junte aí dois pecados capitais se seja feliz: luxúria e preguiça. O verão pede isso, não negue. Aproveite até os dias de chuva!

A Comida

Ah! Viram como o verão pede, clama, implora pelos pecados capitais? A gula é uma amiga muito próxima do verão! Eu poderia escrever aqui apenas duas coisas: caldo de cana e milho cozido! Se você passar um verão sem tocar num milho cozido nem tomar caldo de cana, vá para uma estação de esqui porque não é digno destas terras!

Troque, de vez em quando, o milho cozido pelo pastel de camarão! Porque ir pra praia, tomar banho de sol, banho de mar, caminhar, jogar, fazer sexo e tudo mais dá fome, muita fome!

Por favor, não coma frituras pesadas na beira da praia. Ah, nem bebidas alcoólicas. É o cúmulo da farofagem e da breguice! Farofar é permitido, mas sem caixas de isopor, por favor! Leve umas bolachas, água. Mas não precisa levar o frango! Nem cerveja!

Eu sei que criança é difícil, mas não leve os salgadinhos da vida pra elas ficarem derrubando por tudo. Em casa, coma de tudo, tudo mesmo, sem culpa. Tenha sempre frutas e sucos, verduras, arroz, feijão, carnes.

Sabe a vó ou a tia que já estão numa idade ou num peso que não vão mais para a beira da praia? Então, explique para elas que além de fofocar sobre quem a vizinha recebeu a noite passada elas também podem preparar a comida! Porque não tem coisa mais chata e esfomeante do que chegar da praia e ainda ter que cozinhar!

O meio de transporte

Ande a pé! Esqueça carro e ônibus. Caminhe! Faça tudo que der à pé, ou tire finais de tarde para pedalar. No máximo, se quiser visitar alguém ou ir para alguma praia distante, vá de buggy! Sim, o buggy é o meio de transporte oficial do verão. Pra mim é o veículo oficial. Mas, muitos acham que não. Aproveite o vento na cara, a falta de frescura de sujar de areia ou molhar os bancos: o buggy foi feito para isso. Só ele te recebe de braços abertos (quase literalmente). Mas lembre-se de um boné ou da capota de verão, pois insolação é algo incômodo que pode te fazer passar a noite tomando água e indo ao banheiro.

As Doenças

Coisa triste, mas é fato que sempre tem doente numa temporada. As famosas: diarréia, garganta e ouvidos inflamados, gripe, insolação, desidratação, bicho de pé, picadas de abelhas e outros insetinhos, queimaduras do sol, de águas-vivas, etc.. A lista é grande. A maioria pode ser evitada, mas se chega, incomoda muito. Todo mundo tem que se sacrificar um pouco por causa daquele que está lá jogado sem poder aproveitar.

Os Animais

Você tem animalzinho de estimação? Leve junto! Ele vai te incomodar muito, vai incomodar os vizinhos, os outros habitantes da casa, mas leve! Ele vai ficar desesperado com os foguetes, vai ganir madrugadas inteiras, vai fugir, vai tudo. Mas leve!

Com um porém gigantesco: NUNCA leve-o para a areia da praia. Além de ser proibido porque simplesmente transmite doenças (ouça bem você aí que acha que porque o seu animalzinho dorme com você, na sua cama, e toma banho dia sim, dia não, ele é limpinho) e faz sujeira na areia, que conseqüentemente vai pro mar e entra em contato direto com as pessoas. Você não deixa que ele faça coco na sua mesa, não é mesmo?

Acho incrível, mas ainda hoje isso precisa ser dito e repetido. Ontem mesmo fui à praia, sentei na areia e veio um casal com um bebê e um cachorro correndo solto pela areia. Ele fez coco a alguns metros de mim e o casal não fez nada! Os donos acham NATURAL levar um animal desses para a beira do mar. Reclamei com um salva-vidas que passou por ali (o cachorro avançou nele), e ele disse que não podia fazer nada! Se é proibido, como ninguém faz nada? Reclamei, saí reclamando, levantei e fui embora. O casal não tomou nenhuma atitude, é claro. E isso não é aqui ou lá, durante o ano presenciei várias vezes nas praias mais badaladas (inclusive Jurerê) donos passeando com seus cães na areia, indiferentes às reclamações.

Animais já há o suficiente na praia. Aproveite para ter seu pé espetado por um siri, fique admirando os peixinhos lutando contra a corrente, tire fotos de seres estranhos que aparecem por todos os lados, cate vieiras e caramujos. Não precisa levar o seu de casa! Creia-me!

(este era pra ser um post, mas devido ao tamanho dele, e porque hoje voltei da praia inspiradíssima e choveu – o que fez minha internet móvel oscilar – vou fazê-lo em partes. Aliás, podem esperar por fotos!)

Simplificando…

Saudade se sente quando se perde de vez, sem volta, aquele a quem se amou. Sentir falta podemos sentir de qualquer um, qualquer coisa, que não temos por um período de tempo… mas a saudade inflama, dói, alegra, preenche, aquela presença que nunca mais teremos do mesmo modo.

Quem se ri da saudade nunca cativou nenhum amor.

Carrego a saudade com orgulho, com até felicidade, por ter ainda um amor que existiu e que me faz companhia.

Quem não tem esperança, despreza o que de bom acontece sempre achando que o hoje é mais, despreza as coisas ruins e difíceis que a vida proporciona, é infeliz. Tão sem chão anda por este mundo vagando infame e vazio por dentro, assim qualquer ventania o derruba. Na verdade, para este, qualquer sopro o desmancha.

Amar e ser feliz por ter onde pisar não é desprezado pelo sábio. Quem despreza isso só demonstra sua ignorância e mediocridade.

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