O que faz um casal quando casado?

Um casal sentado no sofá, em frente à TV:

– Você acha que eu tenho rugas aqui? – diz ela apontando o canto do olho direito.

– Não, amorico, você está linda. – responde ele com os olhos fixos na tela da TV.

– Você nem olhou pra mim! Eu não perguntei se estou linda ou feia! Eu perguntei de uma ruga, entende a diferença? – ela, alterada, quase grita.

– Amorzinho, não precisa gritar, tô aqui do teu lado. Claro que você está linda de ruga. – o olhar dele não desgruda da TV, uma mão vai até o controle remoto aumentar o volume, a outra tateia perdida a cabeça dela.

– O quê?! Linda de ruga? Agora virei uma velha enrugada linda! Você não percebe o que diz! Você não vê que me machuca com o que faz? – tirando bruscamente a mão dele do cabelo dela – Acha que adianta fingir que me ama, me dar carinho? – o rosto está vermelho, as lágrimas tremendo nos olhos.

Ele suspira, dá um mute na TV, coloca o controle remoto ao lado do sofá, fecha os olhos por um segundo, se ajeita no sofá e vira-se para ela. Coloca as duas mãos no seu rosto, uma de cada lado.

– Amorico, não foi isso que eu disse… Não precisa ficar nervosa. Olha, agora você está marcando ainda mais a expressão do teu rosto. Precisa relaxar… Sorrir mais! – ela está parada, fungando – Você é linda, não tem ruga nem nada que vá te deixar feia. Só não fique nervosa, irritada, isso acaba com você… Olha a tua mãe, com aquela cara de bruxa o tempo todo, acabou com a expressão dela, ficou velha mais cedo, e ainda diz que é por culpa do teu pai!

Ela arranca brutalmente as mãos dele do rosto dela e pula do sofá.

– O quê? Minha mãe é feia? Você ainda quer me comparar a ela? – o rosto convulsionado, ele sentado com os olhos arregalados – Eu vou ficar igual a ela, é? Com cara de bruxa? Você é um idiota mesmo! Bem que ela me dizia pra não casar contigo! “Sorrir mais” (com tom de ironia), sorrir do quê? Da cueca que você deixa jogada no chão? Do jogo de futebol toda quarta e domingo? – ela sai desabalada tropeçando no cachorro e bate a porta do quarto.

No quarto, ela se joga na cama e chora por duas horas, soluçando alto.

Ele suspira profundamente, levanta-se, vai até a geladeira, pega uma cerveja, volta para o sofá, coloca o som na TV (é quarta-feira…), chama o cachorro que vem correndo deitar com a cabeça no seu colo. Acariciando o cachorro, depois de um gole de cerveja, ele olha para a lata, faz que sim com a cabeça, sorrindo.

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