Pulando do penhasco

Sei que não tenho aparecido muito por aqui, mas devo dizer que penso todo dia no blog e em vocês.

Ando com o coração batendo muito, muito – e se ele não está parado, vocês já sabem.

Talvez a sensação seja de um vácuo, um vácuo de experiência, de tempo, de novidade. Como se eu já tivesse vivido tudo e não houvesse mais possibilidades. (oh, wait!) Sempre há possibilidades. Será? Como acabei de ouvir no filme: não são todos iguais no trem? Todos tentam, mas são tão poucos, mas tão poucos, os que conseguem que nem se leva em consideração a inexpressividade do número.

Então essa velhice precoce causa transtornos devastadores e a maturidade contamina e não tem graça nenhuma, um saco, enfim.

Meu relógio tem o tempo dele e as pessoas acham que minha mãe quer ser avó – assim se sucedem as vidas tão iguais lá no trem. E ninguém faz questão de lembrar dos poucos (bem poucos) que tentam e conseguem. Porque se lembrarmos deles teremos que lembrar dos que tentaram e não conseguiram, ou seja, todos eles. E eles não querem lembrar o fracasso que são, preferem apenas ficar ali sentados no trem.

Por isso, entre o coração pensar e parar, quero me jogar de um penhasco. Sei que todos pensarão que é algo suicida, destrutivo e blá blá blá. Assim é como pensam os que estão no trem. Atirar-se do penhasco é logo o oposto disso. É atirar-se para uma vida, outra vida, quem sabe. Já tomei minhas atitudes para chegar à beira do penhasco e venho aqui avisar que em breve eu estarei iniciando a jornada penhasco abaixo. É algo, assim, deslumbrante. Se alguém irá junto? Pouco provável. Acredito que sempre faço bem as coisas sozinha, e, no fim, sempre estou só. Isso também não é triste nem nada que as pessoas no trem pensarão que é. É uma atitude. Como elas estão todas no trem, não sabem o que é atitude. Mas, bem, não quero parecer grosseira e estão todos convidados a pular do penhasco. Acreditem, é sempre bom.

Já escrevi mentalmente alguns posts para publicar aqui no blog, mas não achei digno do momento, ou do tempo de vocês. Quem sabe um dia. Eles estão arquivados aqui, mentalmente – ainda não inventaram um notebook à prova d’água que tenha um editor de texto que identifique a voz, infelizmente. Por outro lado, deixo um pouco as palavras de lado porque tenho trabalhado a outra paixão, os sons e as imagens. Aqui me exercito para não impregnar minhas imagens e sons de texto demais, é preciso espaço para cada um deles. Deixei a política, o cotidiano, as pequenas coisas, os entretenimentos e outras coisinhas de lado para cultivar um caminho até o penhasco.

Porque a vida é muito como esse filme que está passando agora na TV. Não é como a maioria deles. E ali o texto toma seu lugar e permite que os sons e as imagens dominem.

Sob novo teto, com novos objetivos, num novo tempo, apertos daqui e viagens de lá, o penhasco chegou. Faça um exercício, fique bem na beirada de um penhasco, bem na beirada, e estique a perna para a frente. Incline bem pouco o corpo e sinta. Sinta. Sinta o calor na nuca. Não sei se pra você, mas para mim essa sensação é o suficiente para desejar com loucura atirar-se.

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