A vida é boa

 

Eu decidi que 2012 seria um bom, bom não, um ótimo ano. Decidi, meio que por acaso, que eu faria, neste ano, coisas que nunca havia feito na vida.

 

E eis que a minha decisão meio inconsciente, meio sem perceber, não ficou só no acordo tácito comigo mesma e com o destino, ela foi colocada em prática.

 

Talvez porque, como manda meu signo, eu tenha me reaproximado daquilo que eu sei que guia minha vida. E, sem querer, comecei a ver as coisas mudarem. Sem querer, me deixei guiar pelas coisas que aconteciam. Acima de tudo não tentei entender. E talvez seja essa a grande verdade da minha vida: não entender, apenas viver.

 

Porque as coisas se dão de uma forma que eu me agarro na minha fé (esta, felizmente, nunca me faltou) e não me pergunto nada. Querer explicar demais, querer respostas, não faz, em absoluto, parte do meu caminho. E as coisas sempre foram assim comigo. Talvez eu tenha passado por um período tão difícil (e põe difícil nisso) e tenha me curvado às dores, ao pessimismo, às exigências que as pessoas e que a vida comum, vulgar, trazem.

 

Eis que “me libertei daquela vida vulgar” e decidi assumir que a minha vida não tem explicação. Estou fazendo coisas, assumi certos riscos, que ninguém – e eu digo ninguém mesmo – consegue entender (nem mesmo acreditar, em alguns casos).

 

Nessa lista de “coisas que eu nunca fiz” eu coloquei algumas das quais eu já havia dito por diversas vezes “nunca farei”. Por quê? Porque eu gosto disso. Porque é disso que eu preciso. Porque cresci ouvindo minha mãe dizer “nunca diga nunca”. E eu sei que vai me faltar tempo, que algumas pessoas vão me ver menos do que gostariam e vão lamentar isso, sei (porque já sinto) que vou chegar ao cansaço com frequência. Porém, já passei por essas coisas, talvez seja a hora de repetir a dose. Sei que não tenho mais quinze nem dezoito ou vinte anos. Apesar disso, me sinto de novo com dezesseis! E tudo aquilo que não fazia sentido aos dezesseis, agora também não faz, e eu sei que é o certo.

 

Garanto pra vocês que a mente pequena, vulgar e mesquinha das pessoas não consegue entender (porque, enfim, mentes assim precisam entender tudo) alguém que tem duas profissões, mora em dois (ou mais!) lugares, vive uma vida dupla, quem sabe tripla, quadrúpla. Bem, talvez seja mal de família. Ou talvez seja uma necessidade real de não se deixar acomodar, de fugir da repetição, de não me enquadrar, de não querer e não conseguir viver sob rótulos. Pra mim, isso é simples. É até óbvio.

 

Estamos ainda em março mas eu poderia enumerar uma boa lista de coisas que já fiz e que nunca havia feito. Eu poderia. Mas não sei se ela faria sentido. Ando me furtando de, inclusive, publicar nas tais redes sociais esses “feitos”. Por quê? Logo eu que sou, sim, adepta delas. Porque talvez esteja espiritualmente em outro lugar. Ou porque não deu tempo. Ou porque debaixo de temporal fortíssimo com vento, raios a alguns metros e trovões o celular nem a câmera (que ainda não é à prova d´água – ou talvez até seja porque olha que ela já passou cada coisa!) peguem. Porque eles tiveram que voltar pro carro numa tentativa de que continuassem a funcionar enquanto eu ia lá pensar na vida num banho quente na lagoa do Peri. Ou porque sob um sol que prometia não aparecer, naquele lugar onde eu nunca havia estado, eu estava me queimando debaixo do guarda-sol, sem peixe nenhum no anzol e me divertia com o cara de tanga vermelha ao lado. Ou porque uma professora não pode ficar com o celular na mão o tempo todo publicando enquanto dá aula (como, aliás, fazem os aluninhos queridos – mas a professora é gente boa, não tem frescura e não se importa realmente com isso). Ou porque as idas e vindas para lugares inacreditáveis e fantásticos sejam tão inebriantes que o celular fica ali esquecido na bolsa, sem sinal. Porque a maioria dos melhores lugares do mundo não recebem sinal de celular, nem 3G nem nada. E essa é uma boa pedida! Talvez porque num belo dia de praia num excelente companhia, praia vazia, as aves almoçando um peixe espada de um cardume que passou a alguns minutos eu não havia levado a câmera. Tenho andado assim, mais leve. Mais despreocupada. Mais incoerente do que nunca. Mais satisfeita.

 

Sim, eu poderia enumerar muitas coisas. Falar e escrever sobre elas não faz sentido, por isso não o faço.

 

Acho que tudo isso estava anunciado nas cobras do final do ano passado. Há um surreal que cobre o que eu faço na companhia de um amigo que entra direto nessa lista aí do que eu nunca havia feito. E o surreal tem me perseguido esse ano. Confesso que estou me divertindo. Muito.

 

Às vezes me sinto quase como uma espectadora, aqui sorrindo com a vida como entretenimento que passa diante de mim. A vida é boa. Só não sabe disso quem não quer.

 

 

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2 comentários em “A vida é boa

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  1. Adorei esse seu post! E me fez pensar e repensar na vida…Lindas palavras minha amiga, ainda mais para uma virginiana rotirneira como eu…rs
    Um brinde a tudo de bom que já acontenceu em 2012 e um brinde a tudo que ainda está por vir!

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