As ilusões não estão todas perdidas, mas só no mundo virtual

Podem me chamar do que for… antiquada, provavelmente. Mas o mundo visto só por essas telas, o mundo à distância on line, o mundo dos contatos não imediatos de milésimo grau não é pra mim.

Sei que tenho estado virtualmente bastante presente. Faço isso porque gosto. Mas nem sempre. É uma ferramenta, meio de comunicação, entretenimento e tal. Até aí, tudo bem. Mas a coisa pára por aí.

Lembro que faz um tempinho (não muito mesmo) eu comecei um namoro. A coisa começou a desenrolar depois de nos conhecermos no jantar de aniversário de uma amiga em comum. Aí eu chego em casa, uma coisa, outra e chega mensagem no celular. Eu não conhecia o número e juro que nem lembrava quem era a criatura pelo nome (a amiga havia apresentado alguns naquela noite e eu não guardo nomes). Ele envia, eu respondo e descubro que ele e a tal amiga estavam no msn depois da festa e ela havia passado meu número de celular pra ele.

Pois bem, um crime. Porque celular fazia uns dois anos que eu tinha. Msn? Eu não tinha! Sempre detestei msn, aquele barulhinho chato que ele fazia quando chegava mensagem (meu irmão tinha e eu conhecia só por isso). Ah, claro, uns casos antes também tinham e inclusive teve aquele que só entrava no msn pra fazer merda. Foi o meio, inclusive, pelo qual ele arquitetou uma traição. Tinha como eu gostar dessas coisas, gente?

Bem, nunca fui fã. Mas eis que um caso desses aí foi evoluindo pra namoro e eu acabei fazendo o maldito msn. Aí o relacionamento ficava mais no msn do que pessoalmente. Isso não tem a minha cara. Ali eu já podia prever a desgraça que seria o final do relacionamento, quando nem por msn, nem por telefone, nem pessoalmente nos víamos mais. Esse acabou assim, por e-mail, depois de três tentativas (minhas) frustradas de terminar pessoalmente (e ele não entender). Então, né, nada mais justo do que fazer por um meio que ele “entendia”.

Para vários desses eu sempre disse: amor tem que ser alimentado todo dia. Todo dia. Simples assim. E não sou daqueles bichinhos virtuais… a coisa é viva. Bem viva. E é nisso que se ganha e se perde. O último ali, depois que eu abandonei o msn, ligava todo dia no mesmo horário. Oi? Algo todo dia do mesmo jeito no mesmo horário? O que é isso, trabalho? Escola? Não é pra mim. Aí ele viu que me irritou e… começou a mandar mensagens. Várias, todos os dias… Ah, santa paciência. Palavras? Eu as encontro nos livros. E, garanto, muito mais originais, lindas, interessantes e até gostosas do que a maioria das pessoas pode me proporcionar.

Adoro uma boa conversa, é verdade. Mas “conversar”, pra velha aqui, demanda uma linguagem toda especial de gestos, lugares, olhares, sons… não de uma tela.

Um grande amigo que nem fala mais comigo era o melhor exemplo disso. Conversávamos afú no msn (o único motivo pelo qual o mantive por um tempo e a ausência dele foi o motivo pelo qual abandonei) e eram ótimas conversas, assim como pessoalmente nas nossas excursões loucas e com muito sentido. Assim é com amigas de longa data que de vez em quando converso pelo chat do Facebook e que nos encontramos com frequência. Rola um papo, é óbvio, sem problema. Mas essa não é, nem de longe, a base forte da relação.

Esses dias, no Twitter, alguém deu RT numa frase que comparava o programa The Voice Brasil (o cara vai lá cantar e os jurados ficam de costas, só ouvem a voz) com você entrar em contato com um cara só vendo o pinto dele. Pois bem, muitos rapazes acham que é isso mesmo! Tu começa a conversar e lá vem o cara com a foto do dito cujo, ou entra em site de relacionamento e os caras não colocam foto da cara, mas do pinto em ação. What the hell?! Que eu saiba a coisa funciona melhor (bem melhor) em 3D e foto nenhuma faz jus, além do que, a velha aqui aprecia o conjunto, não só uma pecinha do quebra-cabeça!

A velha aqui ainda gosta de estar à beira-mar tendo conversas lúdicas sobre assombrações. Ou na mesa da praça de alimentação de um shopping conversando sobre a vida. Ou em frente a prateleiras de livros expondo dúvidas incomensuráveis. Ou, ainda, discutindo aquele filmão e contando fofoca durante uma caminhada. Além das conversas, nem preciso falar de outras coisas.

A velha aqui gosta de viver. Mas tem encontrado cada vez menos pessoas que topem isso.

Essas poucas eu valorizo muito. Aquelas que usam chats para pequenas e medíocres traições ou para encontros casuais… eu não as entendo. Diz uma das minhas amigas que é assim mesmo, que essas preferem se iludir. Guardadas as proporções, prefiro ficar com as minhas ilusões cara-a-cara.

Não uso msn faz muito tempo, o telefone tem recebido ligações não atendidas sistematicamente (porém não intencionais!), mensagens por engano (algumas até engraçadas), e cada vez mais eu sumo de um mundo ao qual provavelmente nunca pertenci, mas que era, numa boa dose, para ser agradável e útil. Enquanto ele for assim, por mim tudo bem. Mais que isso não é a minha praia. Ah, por falar em praia! Só não me convide pra um café. Os bons sabem disso.

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