Só benção e reza!

Eu diria que dá para sentir no ar que se respira, porém é justamente como se trancasse as narinas. Ela quer matar, sufocar, humilhar – não há um pingo de humildade nas suas intenções. A maldade percebe-se no ar: escorre pelas paredes de pequenas salas e contamina o sangue de grandes famílias. Ela move as decisões de estadistas das maiores nações. A maldade, meu filho, revive no creque do pisar numa inocente barata.

Queria também poder dizer que dela é possível proteger-se: só benção e reza, para os que crêem, e olhe lá! A maldade não se impõe limites e é difícil dificílimo contê-la entre leis e tarjas preta. Porque é instintivo, o ser humano é o único animal que age instintivamente para fazer o mal aos seus semelhantes, pelo puro prazer ou por, simplesmente, prejudicar, fazer sofrer, lucrar algo com a maldade. Não é só para disputar a presa ou a fêmea (como diz a canção) que causamos voluntariamente mal ao nosso igual. É para vê-lo sofrer. É para sentir-se superior. É para destruir sua integridade, sua paz, sua família, suas posses, sua felicidade. É esta maravilha, o animal humano.

A maldade é pegajosa. Haja banho para limpá-la das nossas almas. Porque ela contamina, nos deixa doentes, desvirtua nosso dia e nossas ações. Sempre foi e sempre será mais fácil ceder à maldade – vai de você preferir o difícil na vida, ou simplesmente agir pelo que é correto. Fazer o mal ao próximo – nem precisa ser cristão, convenhamos – é inaceitável. Regozijar-se com a maldade deve ter explicações psicológicas, psiquiátricas, quiçá científicas. Humanas, jamais.

Talvez o amor cure. Há casos em que o amor pode curar um coração tomado pela maldade. Ele age assim porque não é amado, ou porque não aprendeu a amar, ou porque conviveu tempo demais sendo mutilado pela maldade alheia. Ou algum outro ou. E amar essas pessoas más é um dever (kantiano, por certo). É preciso amá-las para que elas percebam que o amor é mais, é maior do que o que elas têm oferecido ao mundo. Porém, deixem-me dizer-lhes: há casos em que o amor não basta. Há pessoas que não sabem (ou não querem, ou ou ou…) receber amor. Há pessoas para quem o amor é uma falsidade, uma superficialidade qualquer que não lhes enche o coração, não lhes corre nas veias nem lhes abre um sorriso. Aí não há amor que dê jeito e só a distância resolve.

Amar não é, por sua vez, nada fácil. Nem é para todos, sejamos francos. Amar é doar-se – e nem todos conseguimos. Talvez, apenas talvez, por isso tantos se encaminhem para a maldade. O mal pensa em si mesmo; o bem sabe que o amor é por e pelo outro.

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