Ela e o Violino

Ela é joelho

Ela não sente seu peso

Ela não tem asas

Ela não é um beija-flor

Ela saltita como quem anda em brasas

Ela flutua como quem sente o amor

Ela é piruetas

Ela é cãibra sem pausa

Ela é furadas meias

Ela não pára quando sente náusea

Ela é som em nervos e músculos distendidos

Ela é carne em vibração das cordas ao seu ouvido

Ela se alonga, suspira e tira as sapatilhas.

Moço Bonito

 

Tão bonito o moço

Porém de outra já é esposo

Tão alto e musculoso

Para o trabalho não muito disposto

 

Tão bonitos os olhos verdes

E já tem uma filha de quase dezesseis

Tão sedutor e sorridente

Mas tão mal no Português!

 

Tão bonitos são seus sonhos

E doces palavras as que ele diz

Depois dos dias risonhos

Sei que fará qualquer uma feliz

 

Era como se desejasse a Primavera

Era como se desejasse a Primavera

Todas as vezes que sentia-se só

as árvores em botão, as rosas se abrindo

o sol a castigar de dia e a brisa em companhia com a lua

os animais a rolarem de desejos.

____

A Primavera, em si, nada resolvia

– nem lhe arrumava companhia.

Quem dera, a distraía.

____

E ano após ano, ansiava pela Primavera

Às vezes depositava confiança nela

Às vezes só queria lamber as feridas

Muitas vezes apaixonava-se

E, de vez em quando, ia ao inferno

Uma vez ou outra lhe chegavam desgraças

____

Como o anjo com pés sujos de barro

não era sempre que a Primavera

só lhe arrancava sorrisos.

____

Era como se desejasse a Primavera

Sempre que a esperança lhe faltava

Era como se desejasse a Primavera

Ao ver a palidez no espelho

Era como se desejasse a Primavera

Quando as palavras tiravam férias

____

Ficava brincando de sonhar

Entremeava desejos

Refreava impulsos

Tirava longas horas para passear

Trocava o olhar

Admirava a paz

Refazia seus hábitos

Jurava com voracidade – e nunca cumpria

Sonhava com precipícios

Tentava ser mais sincera

Derrubava seus muros

Rearranjava teorias

____

Era como se desejasse que nesta Primavera

ela reaprendesse a confiar.

Era como se desejasse que a partir desta Primavera

ela fosse sempre feliz.

Era como desejar que esta Primavera

nunca acabe.

____

(não tenho escrito, tenho lido pouco (depois de uma overdose de leitura), diriam que me falta inspiração, eu digo que tenho me preparado para dias lindos, tenho apreciado cada segundo dos dias com menos roupas e de um calor que me faz melhor, tenho pensado – não muito – bem melhor; e só por brincadeira escrevi uns versinhos colegiais para matar a saudade)

porta do desejo

 

Há portas abertas

Duas à esquerda

e uma à direita

Me basta um passo

o caminho está à distância de um braço

 

 

A vida e o seu gastar sola de sapato

tão aos poucos, tão sem perceber

vai a sola deixando de si

pedaços mínimos.

 

 

Sinto que já deixei sapatos aos prantos

pelas bordas dos caminhos.

Solas furadas machucam.

Troquei sapatos cá e lá

e hoje já não mais.

 

 

Ando descalça, por fim

 

 

Assim, não há mais o que deixar

não há mais o que ter

não há mais o que perder

ou sarar.

Não há.

 

 

Pés fortes e cicatrizados

estão agora diante das três portas.

Escolha feita seguirei

sem pensar nem levar as perdas.

Sou de promessas

dessas de prometer a si mesma

e prometi levar comigo

só o que cabe em mim

e o que comigo caminha.

 

 

Temo meus pensamentos

admito não ter razão

entrego-me de corpo e alma

ao que me consome.

Diante das portas, hesito

hesitações me correm pelas veias

sempre

e à porta desejo

seguirei sem pejo.

Todo dolor

 

Todo dolor

es insoportable

cuando necesito

el silencio

para callar mis lamentos

de las cosas que Dios me quita

de los reveses de la vida

porqué decir el dolor en palabras

es imposible

 

 

en mis sueños

– lúdicos y infantiles sueños

un abrazo suyo

llevaría el dolor y las personas malas

para él fundo del océano

hasta que el aire les cerrase los ojos

nadie echaria de menos quienes hacen daño a los otros

 

 

Todo el dolor

es incomprensible

no me engaño, pues no me hace más fuerte

solo hace sufrir y hasta llorar

Todo el dolor

Te hace infeliz

y si tienes ganas de gritar

hágalo con placer

porque callar-se

es imposible

 

 

la realidad

es incomparable

si lo supiera como traicionarla

me iba a poner mi mejor fantasía de sinvergüenza

la amaría una noche y otra

haría aquellas promesas de alcoba al pie del oído

y después la repudiaría

así como son todos los amores incontrolables

la amaría por desprecio

para llevarle conmigo su astucia

y su insolencia

 

 

Todo el dolor

tan solo duele

y hacemos poesía

y no tenemos presunción

de decir nada más que

el dolor

solo duele

almas escribas

Yo tentaba hacer música de las palabras, de los sentimientos y de los pensamientos

de verdad, de música no conozco nada.

Las palabras que no sé si existen

los sentimientos que no los siento

los pensamientos que me destruyen por dentro.

No hay mundo que de cuenta de todas las palabras

palabras que no se miran al espejo

prefiero las palabras que no pueden

ser dichas ni escritas.

Preguntaría a Dios de donde vienen tantos sentimientos

sentimientos que no caben en el pecho

me gustan los sentimientos que se ocultan

en miradas y pérdidas.

Quisiera no ser mas humana y me deshacer de los pensamientos

pensamientos que me explotan hasta el hueso

me interesan los pensamientos que seducen

astros, estrellas y lunas.

A mi, Dios no ha dado la virtud de la música

y escribo como si fuera el poeta

la más noble persona

que de todo sabe, que de todo habla, que todo lo siente.

Es, pues, que a todos ustedes

el pobre les engaña.

Hay almas sin palabras ni sentimientos ni pensamientos

almas viajantes

almas que viajan por entre las otras almas de las gentes

y hacen de sus reflejos una posada

donde el vivir tiene algún sentido

y algún instante de amor.

Hay almas que hacen música

hay almas que suelen saber escribir.

hesitación

“no hesites en me escribir”

es tu mensaje

y yo me ahogo en hesitación

hace frio

y yo no lo siento

llueve

y yo camino

sin paraguas

el perro del 302

llora

y poco me importa

no te busco

porque estás lejos

– estás del otro lado del océano

pero

quería te escribir

me quita el sueño

encontrar palabras

que no te dirán

nada

es que no te veo

en mis sueños

pero tienes

lugar en mi

cama toda

madrugada

bebo té por la tarde

y aguardiente por la noche

no sé si para olvidarte

o solo para calentar

mi cuerpo casi sin

voz

busco razones

para escribirte

una respuesta

y no logro

encontrarme

me preguntaba esos días

si eras tu mi amor

no lo sé

y cómo puedo descubrir?

es que me hacen falta las palabras

para, por nada,

te decir que te quiero

si te pregunto

cómo está el verano allí

es que no supe inventar

otra cosa

pero puedes decir que

vendrás con el verano

y mi deseo no sabrá

esperar

por fin

no tengo nada para decir

sólo quería aquella charla

tranquila, bella, enamorada

y luego tu sabrías

que se pasa

y yo sabría si no pasa nada

antes que el verano – y quién sabe tu – llegue

Perna torta

Passei a tarde olhando a mesa de perna torta. Quatro pernas – mesa tem perna? – e uma, só uma, torta. Torta. E a mesa está lá, em pé, firme. Firme? Não sei. Parece que sim. Uma perna: fé. A outra: esperança. A última reta: amor. A torta: coração. E a mesa em pé. Talvez firme.

Ao Ovídio

 
Lia pouca poesia
E na hora da febre
Da loucura
Da dor

Era dos versos que precisava
Vasculhei prateleiras
Insinuei abater-me nas prosas
E não
Eram versos o que eu queria

Tinha pouca poesia
Prosa
História
Filosofia
Artes
Críticas
Confabulações
Sonhos antológicos
Tudo tinha
Poesia não

E aquela lombada fininha
Discreta e quase invisível
Salvou-me
Já havia passeado os olhos por aquelas linhas
Conhecera-o de um emprestado de uma amiga

Se era respeito
Hoje foi cumplicidade

E é assim
Não conseguia escrever
Nem tais nem porquês
E queria
Queria dizer
Queria sentir
Sem o quês nem por quens

Abro-o ao acaso
E é assim
Mais alto nos fala o que fala à alma
Era respeito pelo distanciamento
Foi cumplicidade pelo sentimento

Flores à pele
Revoltas ao coração
Surto à mente
Ele agora era cúmplice

Foi a flecha, menino
Flecha certeira, pobre de mim – não é assim?
Peço licença: “Agora queimo, e no peito vazio reina o Amor”
Se dizes, te digo eu que entoo o coro
Me aposso dos teus versos
São meus
Como um filho que damos ao mundo
Escrever é dar ao mundo aquelas palavras
– já não são mais nossas
Ceder ou lutar?
Lutar, sempre – te diria
Não confundas, não lutar contra – lutar por
Que se avive o fogo – que queime, destrua, lance labaredas visíveis a milhas
Que sopre o vento sul pela janela e o alimente

Há pessoas que passam pela vida
Sem perceber que o que alimenta o fogo
É o ar
Se sufocado, ele se extinguirá

Se os bois sofrem mais ao renegar o jugo
Venha dor, venha trabalhos forçados
Se fosse para
Entregar-se fácil
E evitar as dores
Teria arracado a flecha
Ou teria me lançado ao abismo para fugir da sua mira

Estenderei as mãos
Esfoladas e sangrentas
Já lhe aviso
E antecipo a rendição
Eis que só precisas de tempo – o tempo, não os ponteiros que giram

Mantenha bem atada a Boa Mente, o Pudor e as milícias – não os tenho como amigos
Faço festa entre iguais junto
Às Carícias, à Loucura, ao Furor e à Ilusão – somos do mesmo sangue

Se me amará ou eu sempre o amarei – pouco se me dá
Quebrei as bolas de cristal
O Futuro é a peça atrás da cortina
Desde que eu saiba meu nome
E onde conseguir água
Não quero conhecimento de nada

“Surgirão poemas” dirias tu
Rabiscos lhe entrego
Que não se tomem só beijos
Nem avareza
Sigam-se negações
Eu não faço objeções

Já disse
Do Futuro não quero palavra
Nem em verso nem em prosa
Talvez em promessas por carta
Ou ilusões em mensagens

Encontrei-te pela mão hábil do Destino
Esse velhinho, esse safado
Estou nas mãos dele
Fui flechada, atada, subjugada, amordaçada

Restava entregar-lhe o coração
E tu, mão amiga do Destino
Apostou-o num jogo
Entre palavras e mordidas
Não resisto – nunca
Às palavras e às mordidas

O meu Amor
Precisa de palavras – em verso prosa no embaçado do vidro
E de mordidas
Flechas não bastam
O menino que melhore suas artimanhas

Voltarás para as prateleiras
Dano feito
Estrago contabilizado
Feridas rasgadas
E um obrigado

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