Retirado de um filme bobo, irônico sobre turistas americanos.
“Você não pensa na vida?
Não.
Como? Você está na Grécia, terra dos filósofos! Como não pensar, não refletir?
Sabe como é, sou motorista. Ganha mais.”
Retirado de um filme bobo, irônico sobre turistas americanos.
“Você não pensa na vida?
Não.
Como? Você está na Grécia, terra dos filósofos! Como não pensar, não refletir?
Sabe como é, sou motorista. Ganha mais.”
Das coisas que gosto.
Da água caindo do chuveiro no banho quente ou frio, escorrendo pelo corpo na sensação mais feliz de leveza, limpeza e alienação do mundo.
De ouvir, sem querer, de surpresa, aquela música romântica e doce mesmo que brega e sorrir.
De sofá. Deitar no sofá, me jogar no sofá. Toda estirada no sofá assistir aquele filme gostoso que me leva para longe mesmo que o filme seja bobo ou óbvio.
De fotografias. Fotografar. Ser fotografada. Ver fotografias. Digitalizar as fotos antigas. Colocar fotos em porta-retratos e quadros. Olhar fotos nas paredes. Lembrar de fotos. Pensar em enquadramentos e cores e luzes.
Do mar. Simples e direto: olhar o mar, viver o mar, estar no mar. Preciso tanto olhar o horizonte. O mar é meu horizonte.
De ler. Letrinhas, letrinhas. Me acompanham desde pequenina quando nem sabia ler nem escrever e rabiscava nos papéis e paredes imitando como se escrevesse um idioma próprio. Ler placas, legendas, embalagens de cosméticos, de comidas, ler revistas, jornais, panfletos (pego qualquer papel que me derem na rua, que estiver em cima de um balcão), livros, queridos velhos amigos, dos mais conceituados até os meus fofos romances de banca de revista. Preconceito pra que, as letras não merecem. Leio pichações, mesmo que minha mãe tenha sempre me dito para não ler.
De escrever. Porque as letrinhas além de entrar queriam sair.
De chegar. De partir.
De encontrar aquele prato delicioso preferido servido na mesa por aquela pessoa que me ama.
De encontrar. De desencontrar.
Da pele hidratada e macia e cheirosa.
Da chuva fraca à tarde.
Da janela aberta, sempre aberta.
Do sol queimando na pele e do cheiro de carne queimada.
De suar. Gosto muito. Suar por prazer.
De saia. Curta. Comprida.
Do silêncio que me permite pensar e sentir. Apenas desse.
De roupas feitas sob medida por uma boa costureira.
De unhas pintadas. Cores são essênciais na vida.
De andar. Andar tanto até sentir aquele formigamento nas pernas quando pára e senta.
De viajar. Para quem é inconstante não há constância na vida que seja bem vinda, nem a geográfica.
De bolsas. Não é vício, não é consumismo, não. É uma coisa que me pegou lá pequenina e com a qual convivo muito bem e feliz. Uma bolsa é uma companheira. Cada uma delas me diz algo. Desde aquela bolsinha vermelha com branco da Moranguinho.
De quindim. De sorvete de coco. De empada de palmito. De croissant de chocolate. De mjadra. De bacon. De melancia. De maçã. De pinhão. De milho! De camarão.
De vinho. De cachaça. De espumante. De frisante. De rum.
De caipirinha. De cuba.
De pessoas bem resolvidas – seja profissionalmente, com a família, amorosamente, financeiramente, sexualmente, pessoalmente.
De coalas.
De mesas de vidro.
De tela LCD.
De touch screen.
De banco pela internet.
De coberta de lã de carneiro.
De dormir com o ventilador ligado. Sempre e sempre. Sim, mesmo que faça muito frio.
De velas.
Dos quadros do Monet.
Dos filmes do Truffaut.
Dos livros do Érico Veríssimo.
De sabonete para o rosto.
De tartaruga.
De filmes de época.
De sentir a dor passar.
De saxofone.
De violino!
De lixa de unha. Mesmo quando as pessoas em volta ficam arrepiadas e reclamam.
De lavar roupa.
De lã.
De diálogos. Diálogos em filmes ou livros. Mas, principalmente, diálogos alheios, de pessoas estranhas, nas ruas, ônibus, lojas.
De vermelho. De lilás. De laranja.
De cama com cabeceira alta. Antiga, de madeira.
Do Google Earth!
De sentir calor.
De secar o cabelo com secador. Só para vê-lo radiante, brilhante, armado, solto.
De cozinhar.
De mentir quando não é necessário. Aliás, de tudo que não é necessário.
De adiantar ou atrasar o relógio dos outros. Por interesse ou passatempo apenas.
De criticar! Ao contrário do que pensam, criticar não é só falar mal.
De sedas. De veludos.
De sentir a nuca arrepiar. Só por ver ou lembrar ou ouvir algo.
De andar pela casa no escuro.
De luz apagada na hora do filme.
De creme para as mãos.
De botas!
De almofadas.
De cruzar os olhos com um desconhecido que me olha fixamente e ao qual eu nunca mais verei.
De batom vermelho.
De virar para a direita (ou esquerda), caminhar um pouco, parar, pensar, (causando estranhamento nas pessoas), e caminhar para outra direção. Ou, ainda, parar novamente e voltar para a direção inicial.
De sentar quando recebo uma notícia. Seja boa ou ruim, eu sento. Como se sentar organizasse meus pensamentos e sentimentos.
De casas com escadas.
De sótão. De porão.
De caixinhas para guardar segredos. Enfim, das caixinhas pois não guardo segredos. Não que não os tenha, apenas não os guardo.
De retratos pintados. Como antigamente.
De dar uma rasteira – não literal – em quem não espera isso de mim.
De cabelos curtos!
De ficar acordada de madrugada. Sozinha. Com mil coisas para fazer. E pensando que a maioria das pessoas está dormindo. Do verso “o mundo inteiro acordar e a gente dormir”.
De vestido.
De área de serviço.
De anéis.
De pulseiras e braceletes.
De pedras preciosas e semi-preciosas.
De ouro branco.
De ir no dentista. No otorrinolaringologista. No oftalmologista.
De homem de barba recém feita.
De jogar dados. De jogar até não aguentar mais.
De xarope expectorante.
De tatu bola.
De freezer.
De fogueira.
Da lua.
De pescar.
De ir dormir. Assim, sem sono, ou caindo de sono e cansaço, mesmo sabendo que não irei conseguir dormir em nenhum dos casos.
De pijama!
De aquecedor elétrico.
De lembrar.
De tijolo à vista.
De madeira.
De gritar. Alto. Sem controle.
De sonhar meus sonhos loucos e incoerentes.
De olhos castanhos escuros.
Da palavra “terrível”.
“Amor, você não vai mais namorar comigo se eu ficar bombada? Não vai mais me amar?
Claro que não, amor, vou continuar com você.
(um beijo enternecedor na testa)”
Porque todo homem é burro, mas alguns até que são espertinhos.
Não vamos pedir piedade aos caretas e covardes.
Quem tem pressa morre antes.
Não existe pecado, seja acima ou abaixo do Equador.
Em terra de cego sobram hematomas.
Vem, vamos embora que isso aqui não tem jeito mesmo.
Mais vale um na mão do que duas mãos vazias.
Se você pensa que vai fazer de mim o que faz com todo mundo que te ama, provavelmente está certo.
I believe in love
I believe in God
I believe in good people
I believe in strange things
I believe in my faith
I hope I still believe till my death
Farmácia. Pouco movimento. Duas mulheres na entrada conversam. Um menino pequeno está entre elas. Menino mediano (o “barrigudinho catarrento” do Caco Antibes). Idade, não sei, nunca sei dizer idade das pessoas, quem dirá de crianças.
“Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci?”
As mulheres, alheias à repetição da vozinha estridente, continuam a conversa animadamente (sobre o que é que me escapa, vozes estridentes consomem minha atenção). Barulho na rua.
“Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? “
Eu, prestes a sair da farmácia (senão por já ter feito o que eu queria, mais para tirar aquela voz estridente dos meus ouvidos), com ânsias de beliscar o barrigudinho e soltar: não!! Tu tá gordo!
“Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci?”
Para a mãe aquela coisinha barriguda e estridente não parece existir.
O controle antes de ficar desesperada e intervir na cena me leva a disparar rumo à rua.
“Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mãe, eu emagreci? Mããããe!”
Um olhar espantado (pareci dizer “ó, essa coisinha ainda existe, não foi hoje que ele se perdeu na multidão!) para baixo.
“Emagreceu, filho, emagreceu.” A conversa continua.
“Eba! Agora eu não sou mais gordo! Né, mãe? Eu sou magrinho!”
Sorriso triunfante.
Rindo, eu subo a ladeira. Sofro algumas vezes com a visita mental da voz estridente e repetitiva.
Quantidade, quantidade, quantidade… números, números, números.
E eu me pergunto: pra que, pra que, pra quê?
Tadinhos.
Vamos combinar uma coisa? Parece óbvia.
Se você pensa (sim, há quem não o faça) você tem isso para si, não inventaram nada ainda que lê pensamentos. Seus pensamentos são seus. Muitas das suas atitudes também, se ninguém as vê.
Mas, a partir do momento que você participa de uma rede social e clica em “compartilhar”, “publicar”, “send”, “enviar”, “postar” e afins, você está automaticamente divulgando o que você escreveu e estará, sim, vulnerável a qualquer comentário. Veja bem, qualquer. Assuma isso no momento que clicar.
Porque os seus pensamentos são seus. Não estou criticando, de modo algum, o conteúdo do que você escreve no twitter, no Face e afins. Você pode escrever muito, desde “tomando banho” até um pensamento altamente complexo, um desabafo, o que for. Eu mesma já tive momentos de escrever bastante nesses meios, publicar fotos e etc.. Mas, assuma isso.
Se eu vou lá e comento o que você publicou, tenha o mínimo de caráter de não apagar o que eu escrevi. Você causou isso. Não quer comentários? Só pense.
Uma questão de etiqueta, educação. E não me venham com essa “é meu perfil, meu mural, eu faço o que eu quero”. Faz nada, fofurinha, só o pensamento é seu, lembra? Tanto que o meu comentário eu posso apagar, se seguir esse raciocínio.
Fácil, super fácil.
Mas a ignorância é tão mais fácil e tentadora.
Lamento que não se encontram mais pessoas que sustentam o que falam.
Os umbigos são assim tão desimportantes, acreditando serem cosmopolitas. É um “mainstream” pra cá e pra lá. Uma modinha, um lugarzinho da moda como tantos outros já foram. Uma exploração vulgar do próprio vulgar. E há quem defenda, quem ache “moderno”. (Moderno já não saiu de moda com o contemporâneo? Isso sou eu que mentalmente fico indagando.) Os arrotos se sucedem, pesteando o ambiente, o ar e a chuva radioativa que vem já do Japão – aliás, a melhor piada do século, só falta a tal chuva matar, a piada seria ainda melhor. Sou PhD, mas jogo videogame. Sou popzinha, mas freqüento boite fuleira. Sou intelectualóide, mas como peixe frito com o pé descalço na areia. Toco Caetano no violão, mas sou mestre por uma Federal. Amo moda indie, mas curto aquele filmão da Jolie. E assim se auto-denominam “multiculturais”, do A, do B, do C e do que mais for, “com um pé lá e um cá”, da “alta” e da “baixa” cultura e balelinhas semelhantes – que, por fim, são a mesma coisa. Tem lá o João Paulo, o Cacupé, e a Tapera, a Costeira. Mas quem tá lá não pisa aqui. Aí é fácil, aí qualquer um diz que é de todos os lados e de todas as culturas. Acha bunitinho o pessoal da favela e não ouve um “vai se f***” de um morador, trabalhador desses que mora lá no morro, no meio de tanta coisa ruim levando a vida como pode, sempre melhorando. Fica fácil aí do alto de um monstro colossal da Beira-mar norte, do carro próprio, da mesada e do salário confortável dizer que está do lado de uma prostituta que faz uma “personagem”. Não vive a pele esfolada auto-infligida com tesoura dessa mesma puta, ali, durante o dia, num momento de auto-dissolução da vida, na frente da boitezinha da moda dos playboys que se acham os alternáticos da cidade. Esses alternáticos que defendem a naturebice e moram em área de preservação permanente numa Ilha que é desrespeitada, andam de fusca porque é Cult e poluem mais que um ônibus. Esses mesmos que acham “escolha” de vida exercícios físicos e comidas naturebas – vão de carro até a academia do outro lado da cidade (porque é a que está na moda e vai que poluir também é moda!) e compram salada no McDonald’s e compram “orgânicos” no Angeloni, mas vivem lá no seu apartamentozinho hiper protegido com ar condicionado e nunca colocaram o mão na terra para plantar um pé de goiaba (essa árvore que esses aí nem reconhecem se verem uma, árvore das mais fáceis de pegar em qualquer lugar dessa região), ou vivem na casa toda arrumadinha pela empregada e com jardinzinho impessoal cuidado pelo jardineiro. Acham que frutinhas e verdurinhas saudáveis dão na prateleira refrigerada do supermercado popzinho do high society. E aí a moda diz que é sushi bar, comida japonesa, coisinha aqui e ali, e você vai e diz que “ama” isso ou aquilo, não sem antes consultar teus amiguinhos e afins sobre o que todo mundo está “curtindo”. E tem lá a defesa dos animaizinhos, vinda desses f**** da p*** que dão presunto para o seu poodle, que alimenta o seus gatinhos “tilindinhos” com lasanha e chocolate, que fazem os seus bichinhos que dormem nas suas camas sofrerem de obesidade e terem mortes infelizes e sofridas, mas que nunca abandonaram seus donos de m**** porque sabem que o amor é cego e, como diria meu pai, “quem você acha que tem que pensar? Você ou o animal?”. Esses aí, pai, são cabeças de m***** que fazem sofrer os coitadinhos que não pensam porque a natureza os fez assim. Quem deveria pensar, não pensa. E faz essas pobres criaturas padecerem. Mas não são esses mesmos que defendem a não exploração animal – seja para comida ou para outro tipo de exploração? É, são esses mesmos. Fazem padecer àqueles que declaram seu amor. Amor idiota. São humanos, incongruentes, incoerentes, infelizes, e Jesus diz lá de cima, balançando a cabeça de um lado para o outro: eu queria repetir que eles não sabem o que fazem, mas, po***, como que não sabem?!?! E aí tem uns lá nos seus luxos de pobre de alma e de dinheiro que um dia conseguem um carro parcelado e um apêzinho parcelado ou de aluguel e juntam as trouxas para diminuir as despesas com a aparência que é “por amor” – sim, eles se ajuntam dizendo que se amam mas é porque é mais barato pagar um aluguel do que dois. E esses aí compram sapato de seiscentos reais, frutas de R$30 o quilo, viagem pro nordeste em 12 vezes sem juros, mas ainda escrevem casa com “z”.
Eu poderia continuar. Mas há mais umbigos desses por aí do que eu tenha a mínima paciência de narrá-los. Desimportantes, continuam e sempre serão. Sempre “auto” tudo e mais um pouco. Repare nas auto-descrições on line e afins.
Já quase perdi amigos pelas coisas que escrevo aqui no blog. Já perdi leitores que prefiriram continuar sendo amigos. Desagrado.
Estou sempre com o “dane-se” ligado e deixo um aviso sobre a publicação: sim, há palavrões, por incrível que pareça. Não os tenho no meu vocabulário diário, eles são especiais para momentos nos quais eu preciso expressar essa intensidade. Feito.
No momento, não olhe para o seu umbigo.
Há sempre um dia no qual você encontra-se sozinho, mas sem o desejo de solidão. Para driblar essa inexatidão de sentimento e realidade você tem algumas opções:
Talvez tenha quem entre no MSN, telefone para a mãe, vá para o bar com os amigos. Ou quem tome um tarja preta. Ou quem prefira um livro (a atividade mais solitária que há, por isso não recomendo, ela só irá enfatizar a realidade da solidão e desesperar o sentimento de companhia).
Hoje me sinto assim e pratiquei as quatro opções acima. Além disso, deixei só a luz do abajur acesa… a fraca intensidade da luz não me deixa perceber que a casa está vazia.
Apesar de sair de casa como na opção “a”, não queria encontrar ninguém, me desviei dos conhecidos. E lembrei da frase da Érica no http://desenhocego.blogspot.com/: “Não quero me esconder, mas prefiro não me mostrar.”
Embalada pela música me arrisquei à distância da poesia: vontade de ir à pé de Fpolis a Salvador e tomar banho gelado no inverno do Inferno.
Isso que nem deu um dia do mal criado Outono.