A morte cala as palavras.
Desfaz as imaginações.
Acelera a mil os pensamentos.
E me deixa assim, sem conectar umas coisas com as outras para poder mostrá-las.
Mas a morte nunca passa.
E eu preciso ficar.
A morte cala as palavras.
Desfaz as imaginações.
Acelera a mil os pensamentos.
E me deixa assim, sem conectar umas coisas com as outras para poder mostrá-las.
Mas a morte nunca passa.
E eu preciso ficar.
Eu conheço algumas das histórias de amor mais belas do mundo.
Conheço-as pessoalmente, convivi com os protagonistas delas.
Admiro-as muito.
Não as conheço de livros ou de filmes.
São belas.
Mas, enfim, todas tem o mesmo fim.
E o fim, sempre, é um triste fim.
Caminho de pedra se fez
E eu descalça segui
Quem me viu partir
Não recebeu meu adeus
E os pobres olhos meus
Avistavam longe
O que a tempos eu via
Das pedras
Restaram-me apenas
Cicatrizes
Como as letras
Sobre a superfície
Do passado
O vazio
Do futuro
O intangível
Porém atingível
(escrito da época da primeira decepção amorosa mais real – e definitivo para todas as outras)
Peço que se calem
As vozes torpes e vis
Da pura e maldita realidade
Afastem de mim o pensar
E todos os seus dogmas
E preconceitos deixem
Que eu me desiluda
Perca-me no ir e vir
Da vida e do caos que
Se faz na minha
Cabeça e alma aflitas
Não me renderei a nada
Que não seja fruto
Da felicidade e orgulho
Que provam os insensatos
E inconseqüentes
Aqueles que estão três
Passos à frente dos sérios
E cinco atrás dos estúpidos
E por isso alcançam a
Outra realidade doce
E entorpecente dos
Dias e dias passados na
Ação da contemplação
Calem-se, vozes
Da tristeza
Penitente.
Não sou tão fútil quanto pareço quando fico louca em busca de esmaltes.
Ontem saí em busca de um livro. Fazer isso indo a uma livraria é fácil. Mas em sebos é outra coisa. Há quem chegue lá e pergunte “tem A Divina Comédia”? E aí a moça do sebo percorre alguns corredores, pega um volume, entrega para o comprador, caminha mais um pouco até a prateleira escrito “poesias”, os olhos passeando. Aí, logo atrás vem o comprador com o livro que ela havia entregado pra ele “essa aqui é A Divina Comédia da Fama, eu quero o do poeta, do Dante!”. Eu ali, analisando os títulos da outra prateleira penso comigo que nunca entrei em um sebo e perguntei se tinha essa ou aquela obra. Talvez quase nunca tenha entrado em um sebo em busca de um livro em especial. Sebo sempre é a relação carinhosa da surpresa, do que ele guarda ali empoeirado na prateleira pra mim, especialmente pra mim.
Um pouco antes eu havia percebido que deixara o dinheiro na outra bolsa. Mania de sempre trocar de bolsa. Mas na carteira tinha alguma coisa.
Não encontrei o livro que eu procurava. Mas encontrei outras coisas, pelo dinheiro não seria possível levar todos. Aí pensei que me sentia feliz em vê-los ali, mesmo não podendo possuí-los. Estou em um momento especial e delicado em relação aos livros. Muito especial.
Deparei-me com alguns dos meus autores favoritos. Enfim resolvi levar dois Eça de Queirós que não tenho. Tudo por dez reais, apenas.
Pra mim, valor, dinheiro e números são inexplicáveis e até inexistentes. Nunca nenhum livro pôde ser mensurado por quanto eu paguei por ele em relação ao que eu aprendi, senti e pensei com ele.
O dia não estava bom e, como tantas vezes na minha infância e adolescência, eu me refugiei num sebo, em meio a prateleiras abarrotadas de livros velhos e amarelados. Não acredito que alguém conheça o verdadeiro prazer da relação com os livros frequentando somente livrarias. Para além do modismo e do preconceito, o sebo é quase um santuário.
Com uma próxima viagem a terrinha, novamente, no fim de semana, pensei em ir nos sebos de lá para procurar o livro que tornou-se meu atual objetivo. Quem sabe algum deles está esperando por mim com esta surpresa?
Viram? Nem só de lojas de cosméticos eu vivo. E agora largarei TV e computador e irei ao Eça.
1. Um longa metragem com o Del Toro como protagonista.
2. Dizer, em algum festival de sucesso, quando eu estiver velhinha, que entendo Hitler (e toda a Alemanha na época da Segunda Guerra). E espero que nessa data lá no futuro não façam mais o alvoroço que fizeram esse ano com o Lars (mas se os maiores financiadores cinematográficos ainda forem judeus, já sabe, né!). Direi que li Mein Kampf. Lembrarei que no meu discurso de formatura ninguém jogou ovos ou vaiou quando eu citei Hitler.
3. Ficar presa num elevador. Para testar minha sanidade.
4. Sumir do mapa sem dar notícias nem deixar vestígios por um período de tempo não previamente definido. Sim, assim, sem definir destino antes, sem avisar ninguém. Para exercitar minha real liberdade.
5. Viver sem celular. Para exercitar minha alegria. (já consegui me livrar de conta bancária, só falta o celular!)
6. Fundar a Escola de Cinema em Santa Catarina.
7. Levar minha mãe para a Espanha.
8. Encontrar um parceiro e darei música a algumas letras que eu tenho já escritas.
9. Dar um tapa na cara de alguém num momento de fúria extrema. (talvez essa seja a última coisa que eu faça, vai que a pessoa resolve revidar e eu não sobreviva?)
10. Fazer sexo com um total estranho, em algum lugar público e nunca mais o ver.
Não me passe a sua senha e o seu usuário que eu posso, sim, mudar algumas informações do seu perfil. Não, não sou confiável. Mas, este texto abaixo foi tirado de uma conversa divertidíssima com uma amiga. É, definir status de relacionamento pode ser algo complexo. Eu, particularmente, sempre tive dificuldades!
Solteira (louca pra dar, procura homem freneticamente; homem na farra, não quer grude nem pensar)
Em um Relacionamento Sério (esse é pra depois de dar; tudo lindo e maravilhoso! Quer dizer, pelo menos nos primeiros meses)
Em um Noivado (esse é pra quando tu quer dar o golpe e o menino tá resistindo – pelo menos os meninos espertos!)
Casada (pra quando cansar de pagar aluguel e/ou não tiver mais sexo)
Em um relacionamento Enrolado (não dá nem desce – ou seja, não faz nem desocupa a moita. Os dois estão na mesma, querendo a mesma coisa, mas são tansos demais pra tomar atitude!)
Amizade-colorida (coisa pra gay e fã do Restart)
Viúvo (a felicidade plena, mesmo que sem herança! Ela: livrou-se do traste; Ele: livrou-se da megera)
Separado (resumindo, mulher tá com tudo, raspou o marido mas perdeu a moral, homem é que tá na pindaíba feia, a mulher levou tudo e sofre com dor de corno – mesmo não tendo sido corno!)
Divorciado (dor de cotovelo total, mas compreensível – subdivisões de desesperados em busca e recalcados até a alma, talvez até algumas outras categorias)
Há quem não coloque nada – isso mesmo, nenhuma das opções acima – desses aí, desconfie sempre! Pô, não sabe nem definir a sua relação – ou se não há relação! – é porque boa coisa não pode ser!
E há aquelas (as minhas preferidas) que não estão listadas aí, tipo, amante nas horas vagas, praticante de sexo casual com estranhos e/ou conhecidos, amásia, encalhada…
As pessoas amparam-se em muletas para viver. Seja no amor, no trabalho, na família, na saúde. Precisam sempre de uma aliança, de salário mais alto ou estabilidade, do doar-se falsamente, de deixar para amanhã aquela caminhada.
Há sempre uma muleta para quem quer entrar no ônibus, sem pagar e ter um banco garantido.
Difícil mesmo é viver sem muletas e ter que ficar em pé, segurando um monte de sacola pesada, o trajeto todo. Mas, quem iria querer, não é?
Com ele eu deveria ter aprendido a chutar a porta, esbravejar ao ouvir um não, jogar a cadeira longe, chutar a porta do carro, dar um murro na cara, dar aquela risada debochada pra provocar até levar um murro na cara e revidar com tudo, gritar alto uma gama variada de palavrões que eu não conhecia metade na época. Sim, eu deveria ter aprendido.
Ano passado ainda, ao invés de sentar e chorar, eu queria ter empurrado quem aparecia no meu caminho, quebrado metade das portas da casa, chutado o telefone xingando alto os idiotas parcialmente culpados pelo que havia acontecido, mandado tudo e todos à merda (ou coisa pior, pois acho que hoje minha gama de palavrões pode estar ampliada), quebrado a mesa da sala de jantar.
Eu deveria ter aprendido e só naquela situação aterradora de impotência diante do inevitável é que me dei conta de tudo que eu deveria ter aprendido com ele.
O desespero calado da impotência traduzido em lágrimas é muito sofredor.
Controlar a ira faz mal à alma – e faz bem às portas, cadeiras, vidros. Mesmo que romper os limites da ira possa fazer mal (muito mal?) até ao corpo, a alma se sentirá em paz.
Afinal, com ele aprendi. Porque a vida ensina que tempo e distância não são nada.
Retirado de um filme bobo, irônico sobre turistas americanos.
“Você não pensa na vida?
Não.
Como? Você está na Grécia, terra dos filósofos! Como não pensar, não refletir?
Sabe como é, sou motorista. Ganha mais.”