Pulando do penhasco

Sei que não tenho aparecido muito por aqui, mas devo dizer que penso todo dia no blog e em vocês.

Ando com o coração batendo muito, muito – e se ele não está parado, vocês já sabem.

Talvez a sensação seja de um vácuo, um vácuo de experiência, de tempo, de novidade. Como se eu já tivesse vivido tudo e não houvesse mais possibilidades. (oh, wait!) Sempre há possibilidades. Será? Como acabei de ouvir no filme: não são todos iguais no trem? Todos tentam, mas são tão poucos, mas tão poucos, os que conseguem que nem se leva em consideração a inexpressividade do número.

Então essa velhice precoce causa transtornos devastadores e a maturidade contamina e não tem graça nenhuma, um saco, enfim.

Meu relógio tem o tempo dele e as pessoas acham que minha mãe quer ser avó – assim se sucedem as vidas tão iguais lá no trem. E ninguém faz questão de lembrar dos poucos (bem poucos) que tentam e conseguem. Porque se lembrarmos deles teremos que lembrar dos que tentaram e não conseguiram, ou seja, todos eles. E eles não querem lembrar o fracasso que são, preferem apenas ficar ali sentados no trem.

Por isso, entre o coração pensar e parar, quero me jogar de um penhasco. Sei que todos pensarão que é algo suicida, destrutivo e blá blá blá. Assim é como pensam os que estão no trem. Atirar-se do penhasco é logo o oposto disso. É atirar-se para uma vida, outra vida, quem sabe. Já tomei minhas atitudes para chegar à beira do penhasco e venho aqui avisar que em breve eu estarei iniciando a jornada penhasco abaixo. É algo, assim, deslumbrante. Se alguém irá junto? Pouco provável. Acredito que sempre faço bem as coisas sozinha, e, no fim, sempre estou só. Isso também não é triste nem nada que as pessoas no trem pensarão que é. É uma atitude. Como elas estão todas no trem, não sabem o que é atitude. Mas, bem, não quero parecer grosseira e estão todos convidados a pular do penhasco. Acreditem, é sempre bom.

Já escrevi mentalmente alguns posts para publicar aqui no blog, mas não achei digno do momento, ou do tempo de vocês. Quem sabe um dia. Eles estão arquivados aqui, mentalmente – ainda não inventaram um notebook à prova d’água que tenha um editor de texto que identifique a voz, infelizmente. Por outro lado, deixo um pouco as palavras de lado porque tenho trabalhado a outra paixão, os sons e as imagens. Aqui me exercito para não impregnar minhas imagens e sons de texto demais, é preciso espaço para cada um deles. Deixei a política, o cotidiano, as pequenas coisas, os entretenimentos e outras coisinhas de lado para cultivar um caminho até o penhasco.

Porque a vida é muito como esse filme que está passando agora na TV. Não é como a maioria deles. E ali o texto toma seu lugar e permite que os sons e as imagens dominem.

Sob novo teto, com novos objetivos, num novo tempo, apertos daqui e viagens de lá, o penhasco chegou. Faça um exercício, fique bem na beirada de um penhasco, bem na beirada, e estique a perna para a frente. Incline bem pouco o corpo e sinta. Sinta. Sinta o calor na nuca. Não sei se pra você, mas para mim essa sensação é o suficiente para desejar com loucura atirar-se.

E por falar na Ilha – Um pouco de Fpolis

Escrever sobre Florianópolis, ou sobre Fpolis como eu prefiro, ou ainda a “Ilha” como eu chamo, é algo especial. Desperta em mim centenas de sentimentos, mas, claro, com um bom senso do muito que se diz por aí, do que as pessoas pensam e como agem. Não é, em absoluto, “definitivo”.

 

 

Sobre classes sociais muito se fala atualmente porque o Brasil encara um “sucesso” econômico (que causará mais problemas e uma derrocada nunca antes vista, mas esse é outro assunto). A única coisa que eu gostaria de escrever aqui sobre isso é que tem quem está lá em cima, sobre o seu umbigo, e tem aqueles que andam por aí com as viseiras de cavalos, tem os que, ignorantes, disso muito se orgulham, os que nasceram para reclamar e não entendem a existência de um mundo além das suas janelas, e muitos outros “tipos” que empestam o mundo que é, assim, tão lindo.

 

Vamos pensar em algumas das coisas que mais se diz da cidade: provinciana, atrasada, “imóvel” (sobre a falta de mobilidade urbana), sem atrativos culturais, cara, somente para turistas, “pequena”, etc..

 

Antes de tudo, como em muitas discussões que já tive sobre o assunto, gostaria de ressaltar um ponto (que por mais óbvio que seja parece passar despercebido): tirando a pequena porção continental de Fpolis, ela é uma Ilha. Sim, uma Ilha. E eu tenho um desejo invencível de que as pessoas entendam de que uma Ilha tem limitações, a começar pela física. Aqui, há um começo, um meio e um fim. Sinto-me boba em citar isso, mas infelizmente é necessário.

 

Um dia, levei meus pais para almoçarem no Ribeirão da Ilha. A famosa Baldicero Filomeno lá com seus mais de 20 kilometros. E meu pai dispara: onde vai dar essa rua? Eu: em lugar nenhum, ela tem “fim”. Se o pai quiser, por trilha, deixando o carrinho lindo estacionado, chegará a uma bela praia chamada Naufragados, com farol! A cara de incredulidade do meu pai dizia tudo. Curitibano típico, não concebia que uma rua daquelas não levasse a lugar nenhum, que não fizesse conexão com outro bairro, outra via.

 

No mesmo dia, levei-os pela Pequeno Príncipe (agora posso dizer “pertinho de casa”) e meu pai chocou-se ao ver que a rua acaba na praia. Pai, aqui é uma Ilha! Nem preciso dizer que ele detesta dirigir aqui. Para ele não faz sentido. Meu namorado, por outro lado, manézinho típico da Lagoa, não se entende com o sistema de “quadras” de outras cidades.

 

Com esses exemplos posso mostrar o rídiculo de pessoas que vêm para cá e reclamam de coisas sem perceber, inicialmente, as peculiaridades do local. Do alto dos seus umbigos e da sua ignorância, não identificam expressividades tão latentes de onde se encontram e volta e meia você ouve um “mas lá em São Paulo”, “porque no Rio não é assim” e blá blá blá. Sim, muito blá blá blá.

 

Eu devo dizer que tenho fascinação pelo fato ilhéu de que a rua termina na praia. Sempre quis morar em um ilha só pra mim (quem me conhece lá dos velhos tempos sabe disso), aqui só tenho que dividi-la com umas centenas de milhares de pessoas. E, sinceramente, em vários lugares sequer percebo que existem essas milhares de pessoas. Sabem por quê?

 

Pois lhes digo: porque muitas pessoas não vivem a Ilha. Sim, isso mesmo. Como em todas as cidades, a maioria da população restringe sua “vivência” a poucos lugares, bairros e regiões. Eu acho isso triste.

Conheci algumas pessoas que moravam a anos aqui na Ilha e não a conheciam de verdade, sim, fiz lá minha boa ação e levei-as a explorar esse mundinho lindo. Outras sequer se interessam em conhecer. Paciência.

 

Não vou cometer a infâmia de compará-la a Ibiza, às ilhas gregas, à Salvador, ao Rio, ou a sei lá mais qual “lugar-maravilhoso-do-mundo-quando-somos-só-turistas-e-não-moramos-lá” que as pessoas tanto gostam de comparar, até porque nem os conheço. Fácil chegar em um lugar, ficar dois dias, uma semana, como turista, achar tudo lindo maravilhoso e comparar com o “inferno” onde você mora, trabalha, estuda e passa 90% do ano querendo fugir dali.

 

Sou turista de carteirinha e não me atrevo a, como turista, comparar nenhuma cidade na qual eu não tenha vivido de fato. Por isso, posso falar de duas cidades além da Ilha: Joinville e Curitiba. Talvez ao final eu diga o que me impede de voltar a morar nessas duas e o que me motiva a ainda morar por aqui. Talvez.

 

Pois falemos de Florianópolis (Floripa, nunca!). É uma cidade pequena, sim, é. Lembrem da limitação física. É linda? Sim, sem dúvida. É feita só de surfistas, turistas e marias-da-praia? Não, é óbvio que não.

 

Geograficamente a Ilha é linda. Áreas planas por onde o mar passou e baixou intercaladas por morros altos que eram antigas ilhas. Simples assim. Norte e Sul com características distintas, e as pessoas esquecem que há sudeste, oeste, sudoeste. O Leste as pessoas lembram porque tem a tão afamada Lagoa da Conceição, o reduto mais “cosmopolita” da Ilha para alguns. Dizem as más línguas que a Lagoa com seu cosmopolitismo subdesenvolvido não é nada perto dos lugarezinhos pop mundo afora tipo uma Lapa da vida do Rio de Janeiro. Geograficamente, portanto, ela viabiliza regiões e lugares com muitas características distintas e até, diria eu, para quase todos os gostos.

 

Sobre um comentário bem comum que citei acima: quem insiste em dizer que tem gente que acha ou que parece que a Ilha é só para surfistas e afins, eu digo que é de uma ignorância sem tamanho! Muito mais coerente dizer que é o lar do funcionalismo público, por exemplo. Uma fatia enorme da população da cidade é dessa “casta”, seja federal, estadual ou municipal. São eles que elevam alguns índices da cidade como a renda per capita, o número de automóveis, o valor dos imóveis e de alguns lugares. Não esquecemos que ela é a capital do Estado (este, por sinal, nutre por ela um ódiozinhoo doentio).

 

Os morros limitam, também, fisicamente o avanço dos seres humanos. Ponto positivo, sem dúvida. Um pouco de História: a Ilha foi “colonizada” em pequenas vilas, divididas pelo morros e pelos limites naturais dela. Comum era encontrar as trilhas ou caminhos de bois que ligam esta àquela vila, freguesia e afins. O manézinho vivia no seu terreno enorme, cultivando a mandioca, tendo seu engenho, pescando. O filho casava, fazia sua casa no mesmo terreno e por ali ficava. Localidades como Brava, Ponta das Canas, Lagoa, Sertão do Ribeirão e dezenas de outras formaram-se assim. As distâncias, à pé ou com carro de boi, eram enormes, com muitos morros quase intransponíveis. Pouco havia de “mobilidade”. As freguesias e o que chamamos de “bairros” hoje se formaram assim, com grandes propriedades familiares e que supriam suas necessidades com os famosos “centrinhos” na “geral”. A “geral” é normalmente a rua principal ou mais central de uma localidade, e onde há o centrinho com um mercado, uma loja disso ou daquilo. Assim os manézinhos contornavam as limitações físicas da Ilha (vejam bem, hoje eles são chamados pejorativamente de “manézinhos”, mas sempre foram bem espertos, compreendiam algo que os mais letrados e graduados hoje não percebem), fazendo seus caminhos e suprindo suas necessidades sem grandes desgastes.

 

Eis que um dia o mundo descobriu a Ilha. E aí chegaram pessoas de fora que ficaram deslumbradas com paisagens que são, no mínimo, deslumbrantes realmente! Se o manézinho sabia disso? Claro que ele sabia. Porém, é uma característica do manézinho não achar assim tão extraordinária essa paisagem, como, por exemplo, é raro o manézinho tomar banho de mar. A Ilha, para o mané, é o comum, é o diário dele, ele conhece e vê aquilo como “normal”, “natural”. Dali ele tira seu sustento e ali ele vive. O mané não está de férias aqui, nem precisa tirar fotos para mandar para os amigos dizendo que ele mora ali. Há uma diferença de perspectiva aqui. A perspectiva do mané e a nossa, mundo deslumbrado. (vejam bem, há os pobres de alma que nem conseguem se deslumbrar com as belezas naturais da Ilha)

 

E aí os deslumbrados chegaram para aquelas famílias pacatas com seus terrenos à beira-mar e ofereceram dinheiro (pouco, é verdade) para eles, em troca do terreno. Os manézinhos que não são burros, pegaram o dinheiro, olharam para aquele terreno insípido, grande demais, que dava trabalho e foram lá para o centro, para algum lugar que não fosse tão longe do trabalho, fizeram concurso e se estabeleceram com um novo tipo de vida.

 

Os terrenos? Foram estripados, construíram coisas abomináveis sobre eles, avançaram terras proibidas, hiperinflacionaram seus preços e mais gente veio para cá ficar deslumbrado, inclusive os argentinos. Assim a Ilha tomou seu novo rosto, muitas daquelas freguesias e vilas que ficavam isoladas foram conectadas ao mundo com vias simples e longas estradas, a construção de casas, prédios e coisas inomináveis surgiram e pintaram novas paisagens, ali ao lado do mar e das lagoas, no morros, nos penhascos.

 

O manézinho se modernizou, dispensou a casa à beira-mar ou a casa com uma vista maravilhosa, pois isso tudo ele sabe que é dele. E a Ilha, por um lado, ganhou muito com isso. A maioria esmagadora do comércio na cidade é de pessoas de fora, o manézinho mesmo não tem muita familiaridade com esse ramo. Uma facção deles gosta de viver à sombra de aluguéis de temporada ou desses estrangeiros que por aqui decidem ficar alugando construções duvidosas, casas e similares. Outros fazem carreira no funcionalismo público. Alguns poucos ainda vivem como seus antepassados, ali à beira do mar, pescando, cuidando da sua pequena plantação, em localidades de difícil acesso (segundo uns). Essa é a Ilha deles.

 

Se dependesse deles a Ilha teria alguns sérios problemas. Mas quem veio (e vem) de fora supre algumas dessas “falhas”, como o exemplo do comércio. Este, aliás, que é muito bom, acima da média do Estado, tem para todos os gostos e todos os bolsos – faltando um pouco, talvez, o do super luxo (que, na minha opinião, não faz nenhuma falta porque quem quer isso vai lá pra Londres). Em algumas áreas, pelo contrário, os que vêm de fora apenas estragam.

 

E aí é o ponto mais triste da situação: Fpolis é a cidade mais descartável de que eu tenho notícia. As pessoas vêm, usam, abusam, tiram todo proveito e vão embora – deixando um rastro de sujeira, danos e estragos irreversíveis. A “mobilidade” da Ilha, neste sentido, é enorme. E eles, é claro, aproveitam para criticar, criticar e criticar enquanto estão aqui. (dizem as boas línguas que depois que vão embora “morrem” de saudade, declaram seu amor e volta e meia ligam para os amigos e/ou familiares dizendo quando chegarão – nem que seja por um dia!)

 

Não vou dizer que lamento, porque acho que devo lamentar coisas mais sérias e irremediáveis como as chuvas que castigam algumas regiões do Estado nas últimas semanas. Poderia dizer que tenho aversão, aí sim. Vejo textos e mais textos da playboyzada paulista ou do high society mané (filhinhos de papai que choram por terem nascido aqui nesse mundo atrasado e fogem para qualquer europa da vida na primeira oportunidade) e até comentários ao vivo sobre essa Ilha tão retrógada.

 

Pois eu digo que quem não sabe viver onde ama não merece nada da minha atenção. Desprezo profundamente as pessoas que vivem onde não estão felizes, são esses que só pioram o lugar, não fazem nada para melhorar e, por isso, são dispensáveis. Além de só saberem criticar do alto dos seus umbigos, no meio das suas baladinhas do P12, dentro dos seus carros do ano com seus Ipods entupidos de músicas do momento. Ou mesmo aqueles que chegaram de pára-quedas, foram morar nos rincões perdidos (e baratíssimos) da Ilha, pegaram um subemprego qualquer e sentam seus bundões nos ônibus para suspirar por São Paulo “que não é como aqui, tudo longe!”. Porque Educação, bom senso, auto-crítica nem nada dessas boas coisas escolhe quanto você tem na carteira.

 

Só lhes digo uma coisa, esta publicação “to be continued”. Pois comecei a escrevê-la impulsionada pela revolta, levei mais tempo do que esperava por turbulências de um dia e me aflijo sinceramente com a chuva que vai, novamente, devastar Santa Catarina, principalmente o Vale do Itajaí.

 

No próximo, prometo dizer do que gosto daqui. E tentarei imaginar porque isso não faz a cabeça de muitos. Tentarei elencar os “problemas” da cidade e farei meus comentários, mas já adianto uma coisa: as pessoas criam os maiores problemas da Ilha. Voltaremos!

 

 

 

E a Ciência diz que a dor de amor dói

Não preciso que ninguém me diga, muito menos a Ciência, que a dor de perder alguém que você ama dói! Ó!

“o que não mata, fere”

Perder quem amamos dói, e dói muito.

No caso de relações amorosas, dói mais para aquele que perde por própria responsabilidade (ou “irresponsabilidade” em muitos casos). Deve doer ao nível do quase insuportável. Desconheço essa dor, mas sei que a maioria esmagadora por aí sofre por ela.

A dor latente é aquela quando perdemos quem amamos para o irreversível, para o que nos causa a maior frustração de todas, para a morte, enfim. Só respeito essa dor.

Porque toda dor dói, mas, garanto, passa!

Por isso, se não for no caso da morte, só vá embora ou deixe o outro ir embora quando não há mais amor. Porque aí não dói nada. Ao invés de dor, haverá somente uma leveza incrível e umas poucas fotos para apagar.

VIVA + Q ONTEM

Na dúvida, pule.

Perdido? Siga à direita.

Sair ou não sair? Sair, sempre.

Sim ou não? Sim, é claro.

Ir ou não ir? Ir.

Subir ou descer? Subir até não poder mais, aí sim, descer!

Nunca, jamais, “amanhã”. Somente o hoje e o ontem.

No elevado está pichado: VIVA + Q ONTEM

E diz tudo.

Do ontem que sejam lembranças, fotografias, sorrisos, cicatrizes, arranhões, presentes, caminhos. Hoje há de ser mais, muito mais.

 

 

 

“Chateada, filha?”

 

Se meu avô me visse hoje, ele perguntaria: Está chateada, filha?

E eu responderia: É, vô, tô.

 

Ele me daria um sorriso, passaria a mão na minha cabeça e me enterraria nos seus braços num abraço apertado e demorado, como sempre fez.

E estaria tudo resolvido.

 

 

Bons Ventos

Içar velas

 

 

Ventos de boas novas nos levam

 

É preciso mudar

 

 

Coração vagabundo como o meu

Nunca vi

 

E eu só sou eu quando estou no mar

 

 

Sem temor

Diante do impasse

 

Relembrei: e a fé?

 

Se a desgraça nunca vem desacompanhada

De primas e irmãs

 

A bonança torna-se imperatriz na sua vez

 

Coração vagabundo ama a si e as mudanças

E ama tudo, mesmo aquilo que for em vão

 

Ama.

 

É preciso mudar, pois então mudaremos

 

Bons ventos nos levam, eu e a fé

De braços dados.

 

 

Alheia

Já descobri sentimentos os mais insuspeitos em abraços.

 

 

As intenções mais frívolas nos beijos mais apaixonados.

 

Às vezes penso que ando pela vida alheia demais ao que me cerca tão de perto. Construo os tais castelos, sonho futuros distantes e olho para o nada. Aquilo que me espanta e intriga é meu vizinho mais próximo.

 

Só penso às vezes e quando não penso, vivo.

 

 

Muamba na Mostra Premium de Joinville

Em julho vi um anúncio de uma tal Mostra Premium patrocinada pela Petrobrás (sempre ela) que exibiria filmes e curtas nacionais gratuitamente em Joinville, no Shopping Müeller. Consultando a programação vi que os horários dos dois longas catarinenses que seriam exibidos não era convidativo: 10h. Os longas escolhidos foram os mais recentes, Muamba, de Chico Faganello e A Antropóloga, de Zeca Pires. Os curtas nacionais seriam exibidos em horário mais interessante, 19h, sábado e domingo. Pensei em ir assistir aos longas catarinenses, apesar do horário ingrato. Porém, me confundi e achei que o da sexta-feira seria o A Antropóloga, que na verdade seria exibido na segunda-feira. Com muito custo consegui chegar ao Müeller às 10h e lá estavam salgadinhos (eu sempre me pergunto como as pessoas conseguem comer fritura de manhã!) e as figurinhas de praxe do audiovisual catarinense. Fui a primeira a entrar na sala vazia e o filme começou atrasado.

 

Não recordo agora o nome do responsável pela Mostra. Ele foi lá no microfone, anunciou o filme (chamando o diretor errado), vi meu engano de ter trocado o dia dos filmes e tentei me resignar a assistir Muamba. Eu realmente não tinha interesse em assistir este filme, tanto que ele foi exibido no FAM ali pertinho de casa e eu não fui.

 

Em relação à Mostra tenho dois comentários: o horário dos longas foi muito infeliz, e a quase inexistência de platéia confirmou isso; o outro comentário é sobre a época da Mostra, julho, durante o Festival de Dança. A cidade fica realmente muito voltada à dança e eventos paralelos não terão nenhum destaque, talvez alguma época ou lugar onde possa ser melhor aproveitado pelo público seja mais interessante. Sei das implicações para organizar um evento como esse, mas precisamos desses eventos que levem as obras ao público.

Em relação a isso tive um infeliz momento com um que se diz jornalista aqui da cidade, Osny Martins, que na verdade tem um programa de variedades na rádio. Ele comentou no twitter que um vereador propunha propaganda pública nas salas de cinema. Eu respondi dizendo que mais valia eles proporem obrigatoriedade de exibição gratuita de obras como curtas metragens produzidos aqui – até porque Joinville começa a correr atrás do tempo perdido nesta área. E questionei a colocação dele de que “povão” assiste TV e “povão” não vai às salas de cinema. Bem, primeiramente devo colocar que o tal “jornalista” confunde “sala de cinema” com “cinema”, mas, enfim, ele não deve conhecer muita coisa. Em segundo lugar, um elitista como ele citar “povão” é vigorosamente discriminatório. Eu afirmei, e afirmo, que “povão” no modo discriminatório, assiste tanto TV quanto cinema. Infelizmente o dito jornalista não tem educação nem parece sair da sua arrogância antes de enviar mensagens privadas de desacato e agressão ao profissionalismo de pessoas que ele sequer conhece! Pois bem, eu discuto e sei que há outros lados, pessoas assim baixas não conseguem esta proeza.

Contudo, com mais algumas palavras dele percebi que “povão” pra ele é só “número”. Ele fez alguma relação de que, em número, a quantidade de pessoas que vai às salas de cinema na cidade de Joinville é menor do que a que assiste TV num dia. Bem, não lido com números. Outra questão é o “consumo” do cinema que não se restringe de modo algum às salas de cinema. Porém, discutir com um arrogante ignorante sobre o assunto tratado é em vão e ele, como um coelho assustado, fugiu do assunto. Realmente, o público dele é quem corre atrás de sorteio de torta e notícias sobre ibope da A Fazenda. Sobre cinema ele precisa ficar bem calado.

 

Voltando à Mostra, a iniciativa é louvável. Pois, como vemos, cinema ainda é elitizado pela elite! Ainda acham que ir assistir um filme é mais nobre do que ver a novela das 21h. Ainda há quem pense que o mundo é o seu umbigo e diga que “cinema é caro, eu só assisto o que “baixo””. Ó, santa ignorância! Fiz meu juramento de libertar da ignorância e faço questão de renegá-lo ao me deparar com seres como esses.

 

Minha decepção maior foi acabar assistindo Muamba, do Chico Faganello. Ele, aliás, estava lá e fez um breve discurso antes do filme. Lembro de duas coisas que ele disse: sobre a dificuldade de produção na época de 2008 durante as grandes enxurradas que o Estado sofreu (lembro bem, gravei um curta nesta época) – recordando sempre o Paredes numa aula da primeira fase: cinema é a arte de resolver problemas – e que a qualidade técnica dos profissionais envolvidos que eram aqui do Estado era excelente. Sobre a primeira, penso que nada justifica pois o que o Paredes disse é correto. Sobre a segunda, fiquei matutando que é verdade. Temos muito bons técnicos aqui no Estado. Porém, técnica nenhuma superará, na obra, a criatividade. E é aí que situa-se a minha implicação.

 

Sobre o filme? Cheguei a pensar em não escrever nada sobre o filme porque confesso que há pouco (ou nada mesmo) a ser dito. Sabe quando você assiste um filme tão ruim, mas tão dolorosamente ruim, que não consegue parar de falar dele? Pois é, Muamba não é ruim, porque nem isso dá pra dizer dele.

 

Durante a exibição, automaticamente pensei que o diretor tem alguma fixação por pernas femininas. Sim, elas, de algum modo, são protagonistas até o ponto de você preferir ver o antagonista, que, neste caso, acho que era uma coleção de aberrações. Roteiro difícil, truncado, sem ritmo – como normalmente acontece. Atuações instáveis. A tal qualidade técnica é exacerbada em imagens macro de insetos e afins, porém sem encontrar seu lugar nem na narrativa nem no próprio fluxo de imagens. Entre as aberrações estavam um anão, um muambeiro fajuto, um interior perdido no tempo e cenários ridículos. Aliás, acredito que só pode ter sido proposital a ausência de contexto temporal e a escolha dos cenários e objetos de cena. Algo que me lembrou e muito o próprio “estilo” do Chico Faganello quando professor, pois hoje ele aparenta ter um jeito meio “descolado”.

 

O excesso de objetos de cena incoerentes e a atenção que se dá a eles é cansativa. Os figurinos transitam no espasmo da ausência de contexto temporal e distancia definitivamente os personagens. Tudo ali parece ter sido escolhido para fugir de algo – dos clichês, talvez? – e obteve sucesso: fugiu tanto que se perdeu.

 

Num roteiro de clichê, não será a direção de arte que mudará o rumo. Nem a qualidade técnica dos equipamentos e dos profissionais. O pior é não poder nem dizer que o filme é no sense porque ele tem um roteiro presente (apesar de frouxo) que impede isso. Também não é “cinema do absurdo” (como um amigo classifica) porque não há absurdo, há só o ridículo.

 

Como eu disse, infelizmente nem a excelência técnica supera a criatividade. A sensação ao final é de aquilo andou, andou, querendo chegar além e foi muito longe que caiu em algum vácuo.

 

Quando o filme acabou eu e mais uns quatro adolescentes saímos da sala antes dos créditos finais, mas nos deparamos com a porta de trás fechada ao que que um deles diz: como se não bastasse tudo, ainda isso! Eu sorri.

Como se não bastasse aquele filme ainda queriam nos manter presos ali? Mas a tortura era completa! Logo, ouço aplausos. Porque elite que é elite fica até o final dos créditos e ainda aplaude!

 

E porque o cúmulo do cinema no Brasil é aplaudir o enorme esforço que é conseguir exibir um filme numa sala de cinema, independente de qualidade e de qualquer coisa! Sei lá, tem gente que aplaude o sol, né?

Policiais Voluntários

Quando eu era criança achava que político servia ao país, que era um carreira, não recebia salário, tinha apenas sua moradia e comida paga pelo governo enquanto servisse ao povo. Um dia eu descobri que isso não era verdade.

 

 

Descobri que além de terem suas muitas despesas pagas ainda recebiam salário e, claro, depois descobri que roubavam. Para alguém que era pequena na época do impeachment do Collor, tudo isso era bem tumultuado.

 

Mas, enfim, cresci. Já faz algum tempo que eu acredito que aquele mundo idílico que eu imaginava quando criança, políticos servindo ao país, seria o ideal. Sim, sou contra político ser “emprego”, receber salário. Tenho a convicção de que este mundo seria bem melhor se isso fosse praticado.

 

Por várias vezes, caminhando por aí, vejo inúmeras infrações de trânsito. Esses dias mesmo, em menos de dez minutos vi muitas infrações de pessoas sem cinto de segurança, falando ao celular enquanto dirigem (esta é comum, infelizmente), etc..

 

Foi aí que lembrei do meu “ideal de servir ao país”. Eu me ofereço voluntariamente para integrar algo que seria um projeto inovador. O projeto se trata de treinar nós, cidadãos, que desejamos ser “policiais” voluntários para poder autuar pequenas e médias infrações que vemos no dia a dia. Sabemos que temos poucos policiais nesse país, eles não conseguem estar em todo lugar o tempo todo, e os crimes mais graves e violentos aumentam a cada dia e são, obviamente, prioridade.

 

No meu mundo ideal isto seria perfeitamente praticável. Mas, também, levem em consideração que sou Liberal na Política, pisciana, e idealista. Não é pouco. É muito distante da realidade.

 

No meu mundo ideal os políticos serviriam ao país.

 

Contudo, acredito que apesar dos meus poréns idealísticos, o projeto seria muito interessante se colocado em prática. Porque, infelizmente, as pessoas não agem corretamente por consciência, somente por coação e punição.

 

 

 

Os Homens da minha vida – Parte IV

Todos eles, menos um, me disseram que eu era a mulher da vida deles. Alguns disseram isso depois que eu já havia seguido outro rumo. Alguns disseram cedo demais.

Muitas vidas para uma mulher só. Na vida deles vieram muitas mulheres depois de mim.

 

Mas um, só um, disse que eu sou o amor da vida dele.

Porque, enfim, há coisas que a maioria nunca vai entender.

 

(Atualização de última hora: disse, mas não demonstrou.)

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