Variando

Não vamos pedir piedade aos caretas e covardes.

Quem tem pressa morre antes.

Não existe pecado, seja acima ou abaixo do Equador.

Em terra de cego sobram hematomas.

Vem, vamos embora que isso aqui não tem jeito mesmo.

Mais vale um na mão do que duas mãos vazias.

Se você pensa que vai fazer de mim o que faz com todo mundo que te ama, provavelmente está certo.

Etiqueta para Redes Sociais

Vamos combinar uma coisa? Parece óbvia.

Se você pensa (sim, há quem não o faça) você tem isso para si, não inventaram nada ainda que lê pensamentos. Seus pensamentos são seus. Muitas das suas atitudes também, se ninguém as vê.

Mas, a partir do momento que você participa de uma rede social e clica em “compartilhar”, “publicar”, “send”, “enviar”, “postar” e afins, você está automaticamente divulgando o que você escreveu e estará, sim, vulnerável a qualquer comentário. Veja bem, qualquer. Assuma isso no momento que clicar.

Porque os seus pensamentos são seus. Não estou criticando, de modo algum, o conteúdo do que você escreve no twitter, no Face e afins. Você pode escrever muito, desde “tomando banho” até um pensamento altamente complexo, um desabafo, o que for. Eu mesma já tive momentos de escrever bastante nesses meios, publicar fotos e etc.. Mas, assuma isso.

Se eu vou lá e comento o que você publicou, tenha o mínimo de caráter de não apagar o que eu escrevi. Você causou isso. Não quer comentários? Só pense.

Uma questão de etiqueta, educação. E não me venham com essa “é meu perfil, meu mural, eu faço o que eu quero”. Faz nada, fofurinha, só o pensamento é seu, lembra? Tanto que o meu comentário eu posso apagar, se seguir esse raciocínio.

Fácil, super fácil.

Mas a ignorância é tão mais fácil e tentadora.

Lamento que não se encontram mais pessoas que sustentam o que falam.

 

Umbigos desimportantes

Os umbigos são assim tão desimportantes, acreditando serem cosmopolitas. É um “mainstream” pra cá e pra lá. Uma modinha, um lugarzinho da moda como tantos outros já foram. Uma exploração vulgar do próprio vulgar. E há quem defenda, quem ache “moderno”. (Moderno já não saiu de moda com o contemporâneo? Isso sou eu que mentalmente fico indagando.) Os arrotos se sucedem, pesteando o ambiente, o ar e a chuva radioativa que vem já do Japão – aliás, a melhor piada do século, só falta a tal chuva matar, a piada seria ainda melhor. Sou PhD, mas jogo videogame. Sou popzinha, mas freqüento boite fuleira. Sou intelectualóide, mas como peixe frito com o pé descalço na areia. Toco Caetano no violão, mas sou mestre por uma Federal. Amo moda indie, mas curto aquele filmão da Jolie. E assim se auto-denominam “multiculturais”, do A, do B, do C e do que mais for, “com um pé lá e um cá”, da “alta” e da “baixa” cultura e balelinhas semelhantes – que, por fim, são a mesma coisa. Tem lá o João Paulo, o Cacupé, e a Tapera, a Costeira. Mas quem tá lá não pisa aqui. Aí é fácil, aí qualquer um diz que é de todos os lados e de todas as culturas. Acha bunitinho o pessoal da favela e não ouve um “vai se f***” de um morador, trabalhador desses que mora lá no morro, no meio de tanta coisa ruim levando a vida como pode, sempre melhorando. Fica fácil aí do alto de um monstro colossal da Beira-mar norte, do carro próprio, da mesada e do salário confortável dizer que está do lado de uma prostituta que faz uma “personagem”. Não vive a pele esfolada auto-infligida com tesoura dessa mesma puta, ali, durante o dia, num momento de auto-dissolução da vida, na frente da boitezinha da moda dos playboys que se acham os alternáticos da cidade. Esses alternáticos que defendem a naturebice e moram em área de preservação permanente numa Ilha que é desrespeitada, andam de fusca porque é Cult e poluem mais que um ônibus. Esses mesmos que acham “escolha” de vida exercícios físicos e comidas naturebas – vão de carro até a academia do outro lado da cidade (porque é a que está na moda e vai que poluir também é moda!) e compram salada no McDonald’s e compram “orgânicos” no Angeloni, mas vivem lá no seu apartamentozinho hiper protegido com ar condicionado e nunca colocaram o mão na terra para plantar um pé de goiaba (essa árvore que esses aí nem reconhecem se verem uma, árvore das mais fáceis de pegar em qualquer lugar dessa região), ou vivem na casa toda arrumadinha pela empregada e com jardinzinho impessoal cuidado pelo jardineiro. Acham que frutinhas e verdurinhas saudáveis dão na prateleira refrigerada do supermercado popzinho do high society. E aí a moda diz que é sushi bar, comida japonesa, coisinha aqui e ali, e você vai e diz que “ama” isso ou aquilo, não sem antes consultar teus amiguinhos e afins sobre o que todo mundo está “curtindo”. E tem lá a defesa dos animaizinhos, vinda desses f**** da p*** que dão presunto para o seu poodle, que alimenta o seus gatinhos “tilindinhos” com lasanha e chocolate, que fazem os seus bichinhos que dormem nas suas camas sofrerem de obesidade e terem mortes infelizes e sofridas, mas que nunca abandonaram seus donos de m**** porque sabem que o amor é cego e, como diria meu pai, “quem você acha que tem que pensar? Você ou o animal?”. Esses aí, pai, são cabeças de m***** que fazem sofrer os coitadinhos que não pensam porque a natureza os fez assim. Quem deveria pensar, não pensa. E faz essas pobres criaturas padecerem. Mas não são esses mesmos que defendem a não exploração animal – seja para comida ou para outro tipo de exploração? É, são esses mesmos. Fazem padecer àqueles que declaram seu amor. Amor idiota. São humanos, incongruentes, incoerentes, infelizes, e Jesus diz lá de cima, balançando a cabeça de um lado para o outro: eu queria repetir que eles não sabem o que fazem, mas, po***, como que não sabem?!?! E aí tem uns lá nos seus luxos de pobre de alma e de dinheiro que um dia conseguem um carro parcelado e um apêzinho parcelado ou de aluguel e juntam as trouxas para diminuir as despesas com a aparência que é “por amor” – sim, eles se ajuntam dizendo que se amam mas é porque é mais barato pagar um aluguel do que dois. E esses aí compram sapato de seiscentos reais, frutas de R$30 o quilo, viagem pro nordeste em 12 vezes sem juros, mas ainda escrevem casa com “z”.

Eu poderia continuar. Mas há mais umbigos desses por aí do que eu tenha a mínima paciência de narrá-los. Desimportantes, continuam e sempre serão. Sempre “auto” tudo e mais um pouco. Repare nas auto-descrições on line e afins.

Já quase perdi amigos pelas coisas que escrevo aqui no blog. Já perdi leitores que prefiriram continuar sendo amigos. Desagrado.

Estou sempre com o “dane-se” ligado e deixo um aviso sobre a publicação: sim, há palavrões, por incrível que pareça. Não os tenho no meu vocabulário diário, eles são especiais para momentos nos quais eu preciso expressar essa intensidade. Feito.

No momento, não olhe para o seu umbigo.

 

Seu Danga, obrigada.

Por mais cicatrizes e experiência que uma pessoa tenha, há momentos na vida que a emoção pode, ainda, tomar conta. Pode parecer bobo? Sim, e deve ser.

Há eventos distantes da realidade de uma pessoa que “emocionam” muito mais pelo mídia bombástica do que pelo sentimento em si. Há pessoas que tem razão o suficiente para não se deixar “emocionar” facilmente, e talvez se sintam atingidas só dentro da sua realidade próxima, sem, contudo, perder a legitimidade da solidariedade.

Para quem viaja, conhecer o “outro” é particularmente especial. Há personagens interessantíssimos (sempre lembro do agregado de “Dom Casmurro” quando uso superlativos) em todos os lugares. De nada vale conhecer lugares, cidades, campo, rotas e afins sem conhecer as pessoas do lugar. Elas valem muito mais do que um restaurante “típico”, em muitos casos.

Eu, no interior (interiôrrrrr, como diriam os “nativos”), encontrei novamente o seu Danga (João, oficialmente). Ex-motorista de caminhão por esse Brasil afora, ex-morador da Lagoa da Conceição há uns 45 anos, nascido na serra catarinense, com uma idade imprecisa entre os setenta e oitenta anos, naquela belíssima idade que nada mais muda e na qual eles já sabem de tudo, como diria Cazuza. Já praticamente surdo do ouvido esquerdo, pelo que minhas aulas sherlockianas puderam compreender.

Conversa vai, conversa vem… sobre o tempo, assunto quando se quer falar com o outro e não se sabe sobre o quê. Muita chuva por aqui, seu Danga? Não, não. Pois é, por lá está feia a coisa, interditaram a 376, virou um caos. E na Dona Francisca o povo não sabe respeitar. É, eu vi, já tem mais de oito mortes. Eu ia muito pra lá, pra São Bento do Sul. Ah, sim, mas é pista simples na Serra, o pessoal está acostumado com 101 duplicada, se matam mesmo, seu Danga.

E a surpresa da continuação do diálogo, após breve suspiro vem: é, mas feio mesmo está lá no Japão, né. Tem duzentos e cinqüenta mil brasileiros que querem vir pra cá e o presidente já falou que não tem como trazer, deu no jornal ontem.

Eu, viajando e viajando, já sem muita paciência pra jornais, amparada pelo twitter no celular onde conseguia sinal, do alto da minha indiferença sobre o que acontecia lá do outro lado do mundo; pois aqui pelo meu mundo já havia consternação o suficiente com o que lidar, inclusive com a 376 interrompida – completamente – pela primeira vez em mais de cinqüenta anos. É mesmo, seu Danga? Mas que coisa, deveriam dar um jeito, pois lá está faltando comida, água, luz, o país vai demorar pra se reconstruir, melhor eles viram pra cá e gerar menos problema para o governo de lá.

Comentário assim, politicamente correto, comentário simples, banal.

Mas seu Danga me surpreendeu: Eu tenho um neto que está lá. (é, eu achei que não tinha entendido direito) Ontem ele telefonou pra minha filha, disse que não sabe como vai ficar.

Um neto?

É, ele é casado com a minha neta, mas adotei como um neto. Moço muito bom. Ela faleceu, sabe (aquele breve intervalo que damos ao falar de alguém muito próximo que não está mais neste mundo e que diz tudo), naquele acidente, faz uns dois anos e pouco. Daí ele foi pra lá faz dois anos. Ele está bem onde foi atingido pela onda e pelo terremoto.

Não há politicamente correto a se dizer numa hora dessas.

Ele falava todo dia com o filho dele aqui, pela internet. Mas agora não consegue, ele conseguiu um celular pra falar com ele ontem, mas não sabia se ia conseguir por muito tempo porque estão no apagão, sabe, não tem energia por muito tempo.

O que fazer? Alguma pergunta para demonstrar interesse? Quantos anos tem o filho dele?

Seis anos. (sorriso – sim, sorriso de orgulho) Minha filha que foi lá em casa ontem e contou pra minha mulher. Lá ele só anda com máscara, estão com muito medo por causa lá do negócio, sabe? O negócio que vazou e está contaminando. Mas disseram que nem adianta porque não pega só pelo ar, pega pela pele também.

Aí, nesse ponto, nem pergunta adiantava. Sim, sim, muito perigoso mesmo. (a conversa seria interrompida)

Mas eu nem sei se ele conseguiu falar com a embaixada, alguma coisa. Era só colocarem dois aviões fazendo o trajeto e já conseguia trazer bastante gente, né?

Eu era intimada. Sim, claro, se não conseguirem trazer todo mundo, é uma coisa. Mas pelo menos estariam fazendo alguma coisa, do que só dizer que não dá. (era para falar mal deste governo, eu tinha algo a dizer)

Claro, claro.

Despedidas.

Seu Danga, ainda trabalhando. Agora não mais como caminhoneiro.

E não havia nada mais tenebroso do que o meu último comentário, se não der pra salvar todo mundo, mas pelo menos alguns. O dilema de toda uma humanidade, não dá para salvar todos. Quase nunca dá.

Seu Danga, a emoção em pessoa. Nada me liga a ele. Aquele mundo, lá do outro lado do mundo, agora fazia parte do meu mundo. Nada mais constrangedor e sem palavras. Aliás, ando sem palavras ultimamente.

Algumas horas depois, já na estrada, me peguei pensando na história do seu Danga. Admiro pessoas idosas como ele. Tive avós muito, muito, especiais. Sempre os trago na lembrança. O que mais me perseguiu foi o pensamento de trabalhar aos oitenta anos. Vi meus avós trabalharem até depois de aposentados. Vi ficarem um tanto sem rumo sem o trabalho de todo dia. Vejo a idade avançar sobre as pessoas e deixarem a carcaça com marcas irreversíveis do tempo – mas a cabeça, esta funcionando melhor do que a cinqüenta anos atrás. A cabeça alia a experiência à sabedoria do tempo e em raros casos deixa-se debilitar por patologias. O corpo padece, mas a mente continua sã.

Tudo isso irrompeu dentro de mim com o grito de que não quero parar nunca. Quando eu tiver oitenta anos quero estar trabalhando, vivendo, fazendo. Seja na condição que for, não vou parar. Não temo, hoje, ficar sozinha e enterrar todos a minha volta, acabar lá um dia bem velhinha. Aprendi com destreza a suportar as dores deste mundo, muitas delas, principalmente a perda.

Não vejo mais o “envelhecer” com aquele negativismo e pavor que eu via há quinze anos e solucionava com um suicídio prematuro planejado. O terror, naquela época, era me ver com quarenta anos, começando a decair, a sentir o peso do tempo. Antes disso era preciso tomar uma atitude.

Hoje eu quero encarar o tempo, traga ele o que trouxer.

E, sim, aos curiosos, o fim de tarde é meu momento especial. Principalmente o fim de tarde de um domingo de um fim de semana especial.

Tabu

Nada disso de a arte imita a vida, ou o contrário. Bobagens.

Nesta verdadeira quarta-feira de cinzas, no começo da madrugada (meu horário!), trocando de canal só para ter certeza que não havia nada interessante passando antes de ir dormir, eis que me surge algo interessantíssimo.

Sorrindo lembrei dos meus posts “Os homens da minha vida”, pensei até em nomear este post como mais uma versão dele. Mas, enfim, é mais uma versão, mas o título será outro.

Não falarei sobre o filme. Nada demais na direção, nem na fotografia. Talvez nem na atuação, exceto o pai da menina Jasira. A atriz novata que faz a Jasira tem uma mania “boca aberta” (literalmente) que pode chegar a irritar.

Mas o roteiro, baseado em livro, é de uma beleza sublime. Eu diria, perfeito. Que “Beleza Americana” que nada! Acho o filme boboca. Tabu (Nothing is Private) não pode sequer ser comparado a essa estapafúrdia estória americana.

Uma menina de treze anos, apenas. E um mundo maravilhoso no sangue. Gostei dos dois títulos (não sou o tipinho que vive implicando com as traduções para o nosso idioma), Tabu define muita coisa do filme – o que me fez ficar pensando o que seria o tabu, afinal, desejos naturais (extremamente naturais) de uma menina de treze anos? Ou Nothing is Private, com intenções políticas e implicações sociais? Mas, hoje eu renomearia meus posts “Os homens da minha vida” para Nothing is Private. Gostei muito da expressão. Num blog, nothing is private.

Por que não, né?

Fica o filme com expressão artística visual dos posts. E fica aqui o vídeo da expressão musical de algumas coisas dos posts. Viu só, palavras não são tudo. Realidade não é nada!

 

Brevíssimas

Sabe o fato do atropelamento em massa da tal “massa crítica” (já achei o nome deplorável) que aconteceu no domingo em Porto Alegre? Pois é. Sinceramente tenho dois comentários: 1. Eu não tenho coragem de andar na pista, ali no cantinho, onde o ciclista deve andar quando não há ciclovia (ter ciclovia é exceção, veja bem) e cometo o erro de andar na calçada. Porque motorista que respeita ciclista é ainda mais raro e eu prezo pela minha integridade (física e moral); 2. Ciclista que se acha o “bom”, que se diz “profissional” diante de uma reles mortal como eu que usa uma bicicleta, nem de longe “das boa”, para passear e de vez em quando como meio de transporte é tão desrespeitoso quanto um motorista desses como o do golf preto. O cara acha que a ciclovia não é lugar de quem passeia só porque ele não tem aquele capacete feio, shortinho de gel, blusa com os bolsinhos atrás (eu tenho, só para constar, mas não tenho usado) e bicicleta de aro fininho e de alumínio. Esse tipo de ciclista “profissional” eu também dispenso e coloco junto com os motoristas que não nos respeitam!

Pessoas correm. Sabe aquela “corridinha”? Então… não vejo sentido em correr! Tudo bem, opinião minha. Mas, sério, fique num calçadão observando. Tem cada figura! Cada um corre de um jeito e só o que me dá é ataque de riso! Tem os movimentos mais esquisitos que já vi!

Queridas, e esses shorts com forro do bolso aparecendo? O que é isso, meu povo? Era pra ser despojado, sexy. Uma atriz famosa dessas apareceu num lugar exótico com um short (estilo calça boyfriend cortada mesmo!) assim e as revistas disseram que era moda. Mas, queridas, esse shorts que vocês compram com pseudo-forro (sim, é colocado ali de propósito) com estampas de flores, desenhos e bobagenzinhas afins, aparecendo na barra do shorts só é uma coisa: brega! Sim, é brega! Não me conformo em vê-las andando por aí com essa coisa brega demais! Fico pensando, o look até que estava bom, mas aquilo ali dá teu atestado de breguice sem fim. Pode ser bonita, gostosa, aquele pedacinho de pano horrível acaba com os teus esforços na academia. Sabe quando lançam uma moda que pega, todo mundo usa e toda vez que você vê pensa “quando será que essa moda vai passar?”? Então, esse short pra mim está nessa. A gente sofre com essa inundação de coisas passageiras pelas nossas vistas. Pelo bem, quando vocês se derem conta, queridas, de que é brega e a moda passou, é só passar a tesoura na parte que aparece e o bom e velho short voltará à sua boa forma!

Querida Prefeitura de Florianópolis e CASAN: as obras da beira-mar norte ficaram muito boas! Sério mesmo, dá um gosto a mais caminhar, tirar fotos e andar de bicicleta por ali! Pena que quando eu morava ao lado da beira-mar sul não vi algo assim por lá. Aliás, acho que até hoje ela está lá abandonada. Com exceção dos píers, que poderiam ser copiados aqui na beira-mar norte! Agora, queridas, vocês sabiam que a beira-mar norte não termina no famigerado Koxixo’s? (Alguém me explica como essa coisa asquerosa ainda existe? O que as pessoas têm na cabeça de ir no “Koxixo’s”? Não gosto do nome, nunca fui lá e aquilo é um antro! Deixem de freqüentar, assim talvez ele deixe de existir!) Pois se não sabem vou lhes contar que a beira-mar continua até a entrada do Córrego Grande, atrás da UFSC! Isso mesmo! Novidade, né? E, sim, esse trecho merece o mesmo respeito que o outro trecho que ficou delicioso! Pensem nisso!

 

Os homens da minha vida – versão extra I

O que faltava

No período pós Antônio querido, houve um que relutei em colocar na “lista” por alguns motivos, mas depois, pensando, vi que pela importância ele deveria constar. R. Sempre que me remeto a ele a imagem é daquele apartamento com varanda, muito iluminado pela tarde, prédio antigo e espaçoso perto da biblioteca, a duas quadras… bem, melhor parar por aqui, pois aí estão alguns motivos da relutância. Foi com ele que a música irrompeu mais forte, revoltada, lírica e chutando a porta da minha vida. Tentei com todas as minhas forças aprender a tocar violão, mas nem ele nem ninguém haveria (ainda) de conseguir me fazer aprender teoria e prática musical. Um fracasso completo. Ainda tenho o violão daquela época. Moreno (é claro), com cabelos cacheados! Ah, aqueles cabelos cacheados! E uma voz (não do Wagner Moura) tão sutil e multiforme que embalaram meus ouvidos por muito tempo. Não havia calmaria, havia quase devoção. Mas algo não se encaixava. Foi um período breve, longe da rotina, que marcou tanto quanto a música significa hoje para mim.

Presente

Depois me peguei pensando onde andam esses homens. Primeira constatação: não sou amiga de nenhum deles, o que confirma minha teoria de amigos e homens. Alguns vejo por aí de vez em quando, sem nenhum problema. Mas outros curtem aquele ódio de uma vez ter ouvido “não darei” ou “não darei mais”. Aliás, esta a grande lição, a mulher precisa aprender cedo a dizer “não”. As negativas “não darei” e “não darei mais” despertam a ira dos homens e para quem já passou por ameaças, telefonemas, perseguições, e-mails, mensagens, gritaria no portão de casa por algum inconformado desses nunca é demais tomar precauções e saber que é preciso levar a sério as ameaças, calúnias e difamações. Ontem mesmo uma mulher foi assassinada dentro de um ônibus porque queria terminar um relacionamento, a ira do homem e a sua não aceitação dessa iniciativa resumiu-se em facadas. Na loucura não patológica uma resposta ameaçadora de processo por calúnia e difamação (sim, eu processo mesmo) pode te dar a paz. Queridas, levem sempre isso com vocês. Eu aprendi que a ira de um homem ao ouvir um “não darei” pode te prejudicar e muito, seja no ambiente profissional, na família, nas amizades. Mas, como conto com a minha integridade e caráter, não me atingiram.

Enfim, onde eles estão? A maioria casado. É, lá vem essa história de casamento. Ah, só para constar, nunca casei. E isso aí é aquilo que citei sobre “sintonia” e “caminho”. Também nunca morei junto, nunca dividi pobreza nem juntei as escovas de dentes. O R casado com uma magricela e tem dois filhos. O CL (o mais velho dentre todos) já casou com uma magricela loira, teve filhos e hoje está divorciado, de vez em quando com uma namorada do acaso e continua com aquele sorriso sedutor. Ainda hoje eu cairia naquele sorriso.

De alguns nunca mais tive notícias, às vezes me encontram nessas redes sociais da vida e vejo que não perdi nada. Raramente, quase nunca, encontro algum pelas esquinas. Sinal dos caminhos e da sintonia.

Futuro

Com as loucuras (pequenas e grandes) e com relacionamentos auto-destrutivos, descobri que essa história de “pra sempre”, como diz a música, sempre acaba. Aprendi que o peso das palavras e promessas não serve para mim (eu já sabia isso, mas tive que quebrar a cara para relembrar isso). Talvez aí resida o problema do casamento, da terminologia.

Aprendi, acima de tudo, que gosto de mim. Isso sempre deve vir antes. E, ao contrário do que parece, não sou egoísta num relacionamento. Mas as pessoas são muito decepcionantes. Em relação à faixa etária, sinto que é inversamente proporcional mesmo. Me vejo uma velhinha babando por menininhos de quinze anos.

Só quero que conste aqui que não falei sobre como eu sou nos relacionamentos, isso fica para outro post, ou não.

(Agradeço as palavras do meu amigo Adenor de incentivo para não publicar estes posts. Elas serviram para que eu finalmente publicasse. E saibam que o “olhos tristes”, ao ser perguntado se ficaria incomodado se eu publicasse um post assim intitulado, respondeu que não. Infelizmente suprimi, por trapaças da memória e talvez outros motivos, alguns personagens e alguns fatos. O que não diminui em nada a narrativa.)

(Atualizações de última hora: Adenor: ex-amigo – ao que parece escorregou no erro fatal, amigos, amigos, homens à parte; “olhos tristes”, era tão indiferente a tudo que me importava tanto, levou um pé na bunda por e-mail.)

Por e para

Eu escrevo por mim, mas para vocês.

Ninguém escreve algo que torna público apenas para si mesmo.

Escrevo porque preciso, como diria lá o Deleuze.

Mas isso aqui é todo para vocês.

Os homens da minha vida – versão I

O início da descoberta

Primeira série, nunca havia freqüentado o convívio social, só um curso de inglês duas vezes por semana por um ano antes. Não conhecia as pessoas, o tempo longe de casa, era um bichinho do mato de fundo de quintal, mesa de costura da vó e oficina de máquinas do vô.

E aí o mundo mudou: lá estava eu na primeira série. Eu não queria ir, a caminho da escola, no primeiro dia de aula, disse isso para o meu pai. E ouvi “mas, filha, se você não for para a escola o papai vai preso”. Quase chorei, segurei o nó na garganta. Meu pai nunca foi preso: pai, te dei a liberdade.

E eu perdi a minha.

Perdi muita coisa além da liberdade. Perdi tempo. Tempo precioso. Perdi a inocência.

Dois choques. Um numa inocente brincadeira de Barbie, na hora do descanso, a Angélica colocou o Ken e a Barbie em posições estranhas e sem roupas. Até ali, a mulher engravidava com o beijo! Santa inocência.

O segundo choque: o Gustavo. Menino feio, magricelo demais, meio loiro (desde então os loiros não entrariam na lista facilmente). Ele se apaixonou por mim. Se eu sabia o que era isso? Não. Só descobriria isso alguns anos depois. Mas aprendi, antes de tudo, o que era ser o objeto (ou a vítima)  de uma paixão alheia. Ele ficou louco por mim, a convivência tornou-se impossível, insuportável até o dia que ele me perseguiu freneticamente e eu me escondi no banheiro das meninas com umas colegas. Ele gritava por mim e uma amiga foi “negociar” com ele. Voltou com uma caixinha de jóia. Sim, era um anel dourado com um coração e uma pedrinha brilhante. Aquilo não me dizia nada. Não senti nada. Disse para ela: pode ficar com o anel. Ela adorou. Um dia ele viu e ficou injuriado comigo. Aí aprendi o que uma paixão não correspondida podia despertar. Não foi uma boa experiência, nunca mais ele olhou na minha cara e ela me devolveu o anel. Acho que ainda o tenho guardado em algum lugar.

O período aéreo

Rapazes, como rapazes, não me interessavam. Como amigos, sim. Desde então descobri que mulher é muito chata. Preferia correr o recreio inteiro atrás dos meninos (que queriam apanhar de mim) do que ficar de firula com as meninas. E como eu corria! Aí vieram os dois. Amigos, apenas. Para mim, é claro. Eu não tinha aprendido direito a tal coisa de despertar paixões. E de um rolo qualquer fiquei sabendo que ambos estavam apaixonados. Pena, perdi dois amigos. Um tão divertido, o outro tão sério e certinho. Um bobalhão, calmo, o outro tão nervoso. Brigaram e não se falaram mais. Ou não mais até esquecerem isso. Aí teve o R, menino precoce da turma, o primeiro a aparecer a barba e tal. Aí descobri um início de admiração que levaria a loucuras no futuro por homens mais velhos. Teve o R. B., um caso interessantíssimo… esse perdurou até o próximo capítulo, o que me fez ver meu lado um tanto quanto, bem, infiel.

A primeira paixão – mais um erro. É errando que se aprende!

Depois vieram outros amigos. E aí eu cometi o erro. Me apaixonei pelo “Floresta”, codinome que eu e minhas amigas colocamos nele para poder falar sem sermos entendidas pelos outros. Se eu contar que foi porque um dia eu vi a cueca dele pra fora da calça, num verde musgo até que muito bonito. Mas a cueca era muito grande. Era época do “Tchan na Floresta” ou algo assim. Ficou Floresta até hoje. Como eu cometi esse erro? Convivia, era amiga, vivíamos juntos, competíamos nas provas de matemática, brincávamos no recreio, contávamos segredos. Ele queria uma outra colega, que nem dava bola para ele. Chegaram as férias… Um dia eu acordo e sinto uma falta imensa dele, nas férias lá no barracão não tinha recreio e provas de matemática. Sofri. Por que por ele e não por outro? Não sei dizer. Ele era feio, magricelo. Os olhos, talvez. Acima de tudo o humor.

Resumo? Perdi mais um amigo. Ele não gostou das minhas amigas, isso começou a nos afastar. E eu, criança apaixonada, mandei chocolates e cartas anônimas denunciando meu amor! Já fiz coisas loucas nessa vida. Cartas anônimas para a casa dele. Bem, isso deixaria o ego de qualquer homem nas nuvens. Ele não era ainda um homem. Mas como a revelação parecia mais sem graça do que as artimanhas, enviei uma cueca de seda com estampa do piu-piu para a escola, numa entrega anônima. Pelo que eu saiba, ninguém nunca desconfiou. Mas lembro até hoje a cara dele, vermelha, entrando na sala e escondendo o presente dentro da mochila.

Aí aprendi duas coisas: a paixão dura dois anos em média (antes mesmo que qualquer pesquisa científica me dissesse isso). Amigo é amigo. Homem é homem. Nunca mais olhar um com os olhos de outro. Nunca. Esse erro cometi uma única vez, cedo o suficiente para me poupar enrascadas e enganos.

Ele? Hoje está casado, na profissão que desde aquela época queria, com uma magricela que trabalha com ele. Um dia, nas redes sociais da vida, eu perguntei se ele sabia quem tinha dado a tal cueca. Ele respondeu que estava com ela, se eu acreditava. Não acreditei. Ah, aprendi mais uma coisa: se os rumos são diversos e até contrários, não vale a pena seguir. Ele queria continuar ali, naquela cidade, naquela vida – eu queria ir mais longe.

A admiração e a curiosidade são parentes da paixão

Lembram o interesse pelos mais velhos? Pois é. Algumas meninas acham os colegas da mesma idade muito imaturos. E eles são mesmo.

Mergulhei num período nebuloso, sinistro, obscuro. O platonismo e a auto-descoberta falavam mais alto. O tal convívio social era um suplício.

Aí, um dia, ouvi de um historiador (também formado em Filosofia): onde não há luz, não há vida, querida. Na época, me vestia quase que só de preto (poucas variações com alguma peça vermelha ou branca) e vivia trancada no quarto, cortinas fechadas durante o dia, dormindo e madrugadas inteiras acordada lendo e sonhando. Ali eu construía o meu futuro e eu nem sabia. Na época eu achava que me enterrava no fundo do poço.

E esse historiador (daqui para a frente pouparei os nomes) me cativou. Muito. Era a janela para a minha escuridão. A curiosidade me arrastava. Um hotel no centro da cidade, conversas fantásticas sobre o mundo, a vida, a arte, a humanidade. A admiração transbordava. Eu praticava as pequenas loucuras de camisetas brancas transparentes sem sutiã por baixo de um moletom para exibir em momentos impróprios. Não sei quem cedeu a quem. Tudo foi. Ali me encontrei muito. Me encontrei demais. Ali eu já percebia o futuro. Tardes e tardes passadas num mundo a parte.

Não era “o” homem da minha vida. Ele era o homem da vida de outra, com enteados. Ali eu não pensava no pra sempre, só no agora. E descobri que isso era muito forte em mim.

Um dia as tardes foram escasseando. O tempo passou muito rápido. As palavras e tudo brotava. Algo acontecia com ele, já não era mais o homem daquela mulher. Também não era meu. Não houve “adeus”, houve uma risada com um abraço forte. No momento exato. Ali aprendi quase tudo.

Se me apaixonei? Talvez. Acho que até hoje não sei.

Ele? Querido Antônio (eu ia poupar?), descasou, apaixonou-se por uma mulher linda – não dessas que os homens deliram e chamam de “gostosa” – uma literata que eu tive o prazer de conhecer e admirar muito. Fiquei feliz quando soube por outros que eles estavam juntos e ela grávida. Eu sempre soube que ele descobriu isso comigo. Aí aprendi a saber mais do outro também.

A libertação

Aí a felicidade abria portas. Um longo período de pouco aprendizado e muita prática do conhecimento já adquirido. Todos tomados pela admiração, pois a curiosidade já havia sido sanada. Requisitos básicos: admiração, sintonia e fogo. Até então isso me bastava. Até então havia me apaixonado uma vez, lembram? E eu tinha sofrido. Sem querer decidi não passar mais por isso. Todos começavam, duravam, terminavam e não havia dores.

Morenos, na maioria. Um loiro. Ah… Um único, o CL (codinomes se fazem necessários!). Com o sorriso mais sedutor que eu já conheci. Compensava o fato de ser loiro. O PBJ, moreno… olhos mais claros – não é minha preferência. Muito, digamos, sem um “a mais”.

Tive que aprender a lidar com os desejos. Paixão vicia e eu não queria esperar dois anos para que ela acabasse. Como todos os impérios, as grandes civilizações, há um começo, um auge, um declínio e um fim. Eu fugia no auge. Se me perdi de mim? Não, não muito.

Dois casos típicos de gato e rato: J e E. Com o primeiro houve uma antipatia muito grande da minha parte no começo, mas ele gostava de mim, me admirava. Um ano depois nos reencontramos e, sabe-se lá porque, como nos romances de banca de revista, foi só amores. O E não me cativou. Era uma paixão insana, dolorida, sofrida, eu fugi – cabeça no lugar ainda. Aquele teria me dado sérios problemas. Havia lá o fogo, mas a admiração não. Aí conheci as pessoas que arrotam aquilo que não comem e descobri que não gosto delas.

O fogo chegou tão alto que a coisa quase se descontrolou. Ao contrário do que pensam, juízo eu tenho, quando ele me falta meu anjo é forte.

A calmaria e uma chance – pra mim

Um período calmo, aliviava a vida balanceando o convívio social com a solidão necessária. Entrei numa roda gigante e continha o deslumbramento.

Nesse período e no anterior, o caso mais corriqueiro era a paixão que eu despertava. Desde o Gustavo eu “sofria” com isso. Na verdade, muitos desgostos me causou. O fogo estava controlado – o suficiente para não causar estragos! Eu enjoei do que sentiam por mim: eu queria sentir.

Havia muitas opções, disso nunca reclamei. Mas as pessoas podem preferir errar por aí enquanto não encontram “o” certo. Eu prefiro apostar. E pago pra ver. Às vezes pago caro.

E aí teve o GS. Coisa mais linda, menino (indícios de uma regressão na faixa etária à vista), mas sem iniciativa. O ZM, surfista (oh, God, surfista!), gostoso demais, a fotografia nos aproximou e o sal de prata fez seu serviço. Conquistador, e eu não me incomodava! Mas o P, também conquistador de corredor, me incomodava e não havia fogo: passei.

Ou seja, muitas opções e eu sem opção! Pode parecer simples, mas não é!

E, claro, os amigos. Ah, meninos… Sofreram porque eu não olhei para eles como homens, apenas como amigos, desde o primeiro olhar.

Falta de opção? Não, não… eu não queria escolher!

Teve ainda alguns vai e vens durante o próximo, o que confirmava minha infidelidade, confirmava meu espírito inquieto. Por uma vez, eu quase, mas quase, cometi o maior erro de todos. Mas esse eu não posso contar porque ele não aconteceu! Graças ao meu santo que é forte e intercede por mim quando eu desligo o juízo, a uns celulares sem créditos, eu me salvei das enrascadas mais absurdas. E mantive minha integridade. Sabe os que arrotam mais do que comeram? Os que eu despertava a paixão? Então, fui me salvando desses com um jogo de cintura sem igual.

E numa avalanche conturbada, por uma insistência que nunca vi igual, mesmo quando ativei toda minha crueldade, me deixei vencer pelo cansaço. No vai e vem de alguns pedidos de namoro, pedidos de casamento (foram três), alguns aceitos para logo depois serem negados, fui para um caminho tortuoso. Me enganei achando que estava me dando uma chance, e, no fim, a chance não era pra mim.

Às vezes me acho a encarnação da Madre Teresa, mas aprendi cedo que tudo tem um limite. Ao ser constantemente desafiada, assegurava da minha firmeza e da minha palavra. Eu achava que estava apaixonada. Por um momento, realmente estava lá eu apaixonada como a primeira vez, de forma dolorosa, sofrida, inconstante, por vezes insana. Esse não honrou nem os próprios sentimentos. Sofri, caí, desabei, levantei, ergui a cabeça, virei as costas e fui embora com a determinação de nunca mais me apaixonar por quem se apaixonou por mim, pura e simplesmente. Amor? Não deveria ser porque a dor e a traição tinha trespassado fundo. Não, isso não haveria de ser amor.

Me dei uma chance? Perdi. E perdi com orgulho.

A maturidade e o olhar triste

Nos turbilhões é onde eu mais me dou bem. Mil coisas acontecendo, idas e vindas, este é o prato preferido. Bastava isso para colocar tudo no lugar. Eu já não acreditava mais na dependência, no desamor falso. Eu me reconhecia velha, experiente. Agora, eu queria. Já tinha aprendido o suficiente, não havia curiosidade, não queria admiração – e a faixa etária foi regredindo ainda mais! (piada pronta: quando eu estiver com uns quarenta anos só vou querer os meninos de dezessete)-, não queria ser só objeto de paixão alheia, não queria errar, não queria, de jeito algum, sofrer. Queria a leveza. Tudo me interessava, todos me inspiravam. Mas aquele eu que viveu leve com fins no auge – depois de um fim na decadência – queria voltar. Só que ele não parecia fazer sentido.

E ali estava, na minha frente, o olhar mais triste do mundo. Moreno (aiai…), gestos contidos, sério, calado. E o olhar. O que houve? Fascinação. Senti em mim, muito antes da ida ao banheiro e da volta com olhar observador sobre a vítima que agora se sentava ao meu lado, a missão de adentrar aquele olhar triste e aquele rosto calado. Era um desafio. Aí aprendi o que me fez apaixonar novamente: desafio. E seria um desafio interessante. Mesmo ao meu lado, eu chegando junto a noite toda, com mãos desinibidas e falante, não houve um único gesto que demonstrasse interesse. Ah, esse seria meu! Esse eu queria.

Já ali me apaixonei da melhor forma. Depois de um breve desânimo por conta de achar que aquela loira tinha todos os homens aos pés dela e que o olhar triste também a queria, de um desenrolar de exatos catorze dias, com indiretas e farpas trocadas – afinal, eu queria o desafio, mas ele tinha que querer e ficar querendo. Se eu conquistei isso? Com louvor!

Aí eu não precisava mais nada. Descobri que o tempo é relativo, pois posso resolver tudo em vinte e cinco horas, cravadas.

O coração? Agüenta, agüenta firme. E lá no alto do morro da praia do Gravatá, numa vista noturna sem igual, nos braços dos olhos mais tristes do mundo, o meu velho eu cedeu lugar à aventura e se rendeu à terminologia e ao encantamento da novidade. Pela primeira vez, tudo tinha nome, tudo era como tinha que ser – e o que tanto me criava aversão só me encantava. Tudo isso com duas regras de ambos (a experiência também une!): sofrer e fazer sofrer, jamais; desde que você não me traia, o resto a gente dá um jeito.

Na promessa de não cair no comodismo e não “precisar” um do outro (este último é o melhor de todos os aprendizados!), sem necessidade alguma envolvida, sem ser um “negócio”, um interesse ou uma facilidade, ser apenas sentimento, vivo hoje. Aí descobri a maturidade e como sou uma velha precoce, cheguei ao auge.

(Nomes foram omitidos, capítulos e personagens foram pulados por vários motivos não prejudicando, com isso, o conteúdo geral. Contudo, pelo escrever frenético da ficção (?) deve ter faltado alguns detalhes importantes.)

(Atualização: como promessas não bastam, o comodismo invadiu e eu fugi pela porta da frente.)

Perdeu

“na minha fantasia o mundo era você e eu”

Parece escrito por uma pisciana.

De qualquer forma, quem não viveu essa música numa pista de dança  está perdendo.

Aliás, quem não vive música com sentimento (dane-se Schopenhauer) está perdendo.

E você que não vive com sentimentos, já perdeu.

 

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