Quem sabe

E porque não dizer que carrego comigo uma paixão. Uma paixão por uma expressão tão destruidora.

Quem sabe.

“Quem sabe” é a tal expressão. Diante de qualquer um, de qualquer assunto, já terminei velozmente e sem saída com um “quem sabe”.

Não diz nada. Talvez diga tudo. Ninguém sabe, sabemos disso, mas o “quem sabe” encerra o assunto.

“Quem sabe” te diz “não” com classe, esperança e vai te fazer sofrer. Mas eu prefiro um “quem sabe” a um simples, duro e pobre “não”.

Ninguém realmente sabe, mas eu creio que o Deus lá sabe sim. Só Ele sabe. Porque Ele sabe de tudo.

“Quem sabe” emite descrença e reflete esperança.

“Quem sabe”, pra mim, é sem um pingo de verdade.

Não sei porque a maldade vicia

Não sei o que acontece que as pessoas fazem mal às outras. Não sei porque as pessoas desejam o mal àqueles a quem um dia desejaram as melhores coisas do mundo.

Não entendo porque as pessoas traem a confiança tão fielmente depositada nelas, porque se riem satisfatoriamente (será?) ao saber que alguém passa por maus momentos, tristezas e doenças.

Não sei porque as pessoas não, apenas, reconhecem o amor que alguém lhe devotou e o que aprenderam (e como isso mudou-as e as fez feliz) com esta pessoas. Não sei porque as pessoas insistem em  tentar pisar os sentimentos alheios. Não sei porque as pessoas não morrerão felizes (será?) enquanto não tirarem tudo o que o outro possui, seja material ou não.

Não sei porque a maldade parece gerar tanta satisfação. Pois lhes digo que “parece”. Essas pessoas que tem tanta maldade nas suas mentes e nos seus atos e palavras não se mostram realmente satisfeitas. Nunca se satisfarão, nem com tudo, nem com muito, nem com o além.

Aliás, o além, nem lá de cima nem lá de baixo, não os deseja. Despreza-os imensamente. O entremeio aqui também não lhes devota muito ardor nem carinho.

Não sei porque uma vida (a de cada um) não lhe basta e é preciso sempre querer a vida dou outro, alimentar-se da vida do outro (ou outros), seguir-lhe os passos, os movimentos, as alegrias e tristezas para, talvez, aproveitar-se, deleitar-se.

Não sei porque (nem como!) essas pessoas sentem prazer nessa maldade desenfreada e sem limites. Prazer, ó, o prazer, que deveria ser umas das (ou a única!) coisas que é unicamente positiva! Você acredita que a maldade dê prazer? Bem, se há quem sinta isso realmente nunca experimentou o verdadeiro gozo.

Não sei porque as pessoas ficam acintosas com a sua maldade. Não sei porque estendem tentáculos desses sentimento – que é para além de desprezível. Há uma fome, uma necessidade, ambas também desprezíveis. Imaginem quantas coisas deixam de fazer, viver, experimentar, ver enquanto ficam ali, consumindo-se na sua maldade, no seu rancor, na sua vigília. Quanto amor não deixam de sentir. Amor? Não sei porque, mas desconfio que essas pessoas não sabem, de verdade, o que é isso. Seja lá qual for o tipo de amor, romântico, fraternal, amigo.

Não sei porque a maldade dessas pessoas é impossível de reverter e inverter. Destruir, trair, machucar, perseguir, aproveitar-se – isso tudo e muito mais que fazem essas pessoas – as deixa viciadas e tudo que está a volta delas vai desmanchando-se para aumentar o espaço dessa “vida”. Sim, alguns chamam isso de vida. Vicia de tal forma que tornam-se dependentes, nada pode mudá-los, creia-me.

Se o bem pode transformar-se em maldade, o contrário não ocorre.

Não sei porque nada disso que escrevi aí. Mas confesso-lhes que aprendi muito bem que isso aí tudo é muito verdade. Aprendi confiando, amando, convivendo. Conheci essas “pessoas”, elas sempre aparecem. Durmo e acordo sabendo disso e que uma vez eu me perdoei, mas que a nenhum desses cabe o meu perdão. Desses, nem Deus quer saber. Só isso me conforta.

Se aprendi da pior forma possível, ainda bem! Assim há mais chances de nunca mais errar.

Pior para os pobres viciados na maldade que vagam neste mundo… perseguindo, destruindo (ou tentando), roubando, desejando o mal irreversível…

A maldade vicia. O prazer (do bem!) e o bem, também. Cabe somente uma escolha. Talvez, para muitos, uma escolha difícil. Escolher a maldade é muito fácil, só se deixar levar pela primeira “raiva” momentânea, pela primeira contrariedade, pela primeira decepção, pelo primeiro desejo de superioridade contra o mais que nós.

Pois eu sempre prefiro o mais difícil. Escolher o bem é mais tortuoso, dá mais trabalho, requer perseverança. Diz lá na Bíblia, não é novidade nenhuma. Infelizmente, até essas “pessoas” lêem a Bíblia. Talvez apenas para aumentar sua maldade, quem sabe.

Não sei os motivos, nem me interessam. Não pratico, não posso falar a respeito.

Se eu fosse mais cristã, teria pena e rezaria. Mas isso é demais pra mim.

E, se pensarmos bem, há muitos vícios interessantíssimos por aí… cabe escolher.

 

Inveja

Esses dias, durante o banho num período de inferno astral, fiquei pensando qual o pior tipo de inveja.

Não consegui chegar a uma conclusão e perguntei pro meu namorado o que ele achava.

Aí vai:

Qual o pior tipo de inveja? Aquela que a pessoa quer tudo o que você tem, tudo o que vê na tua casa; sabe aquele que te visita e diz “ai, quero um igual!”, “ai, onde você comprou isso? também quero!”, “quanto você pagou?”.

Ou aquela que tudo que você tem e faz a pessoa diz que também tem, que também faz igual, que pensou a mesma coisa. Vai na tua casa e diz “ai, eu tenho um igual”, “ah, esse aí minha mãe também comprou”, “ai, eu tive a mesma idéia pra fazer isso”.

Nas duas, é óbvio, tu se sente mal. É um esmalte, é um livro, é uma taça, um vaso, uma prateleira, um notebook, uma máquina fotográfica, um vestido, uma sandália, uma toalha de mesa (sim, até isso!)… Os exemplos aqui são todos bem reais. Bem mesmo.

Aí, meu namorado, quase um velho sábio (quase, vejam bem… um dia ele aprende) me responde: nenhum dos dois tipos. Segundo ele, tem um terceiro, que é ainda pior: aquele que a pessoa deseja que você não tenha, porque ela não tem. Sabe, quando tu tá com aquele namorado maravilhoso e a mal-amada ali fica desejando que tu termine, fica fazendo fofoca, só pra que você não tenha mais. Ela nem quer, necessariamente, pra ela.

Você tem uma família linda, saudável, estável em todos os sentidos… mas tem aquelas pessoas que ficam torcendo pelo teu mal, só pelo prazer.

Sim, a muitos anos na minha vida que descobri que a maldade proporciona prazer. Já vi muitas pessoas cometendo atos de extrema maldade e a única coisa que me explicaria o fazer isso seria algum tipo de prazer.

Sim, confesso que já cometi umas pequenas atrocidades, sem serem ligadas à inveja, e isso dá uma certa satisfação.

Então, meu namorado está certo? Esse terceiro tipo de inveja é a pior? Certo, todas são uma merda. Lembro sempre de um desses dizeres de caminhão “a inveja é uma merda”. E pode destruir. Amizades, famílias, relacionamentos, vidas…

Confesso que ao pensar assim já não sei qual é a “pior”. Os últimos acontecimentos fizeram eu me afastar de pessoas, lugares e situações por ter um nojo extremo dessa baixeza.

Eu alimento aversão à lugares, pessoas e coisas que me transmitem e relembram coisas ruins. Faço isso com muito gosto para viver melhor e como medida de sobrevivência e proteção.

E aí, afinal, qual o pior tipo de inveja?

Quem acredita não discute?

Esses dias mudei minha mesa de refeições de lugar, coloquei-a junto à janela. Moro sozinha e na maioria das vezes faço as refeições sozinha, coisa que eu realmente abomino. Às vezes perco até a vontade de comer só de me imaginar ali, comendo sem ninguém com quem dividir o momento. Às vezes como em frente ao computador (péssimo costume), só para não reparar que estou sozinha. Não me incomodo, de modo geral, em estar sozinha, até gosto… mas as refeições… por isso agora tenho a companhia de uma vista extensa, bonita e variada para as refeições. É ali, agora, que sento e fico pensando na vida, nas janelas, em coisas boas e ruins, apesar do esforço que tenho feito para pensar só coisas boas.

Coisas da vida, ando relendo alguns textos, lendo outros que eu não conhecia e me deparando, finalmente, com questões interessantes novamente. Ao mesmo tempo, estou muito ligada à campanha política. Não porque eu gosto, ou porque tenho algum candidato. Mas porque a decepção é grande, porque não acredito em como as pessoas “pensam” (no sentido de que quem deveria mesmo pensar se mostra alienado), porque não me conformo com quase nada, muito menos com a ignorância. Tanta mentira nessa campanha, e alguns não vêem, os outros preferem fazer que não vêem. Alguns poucos acham que vêem mais que os outros “aquilo que a mídia não mostra”, “aquilo que o povo não sabe”; menos ainda, raríssimos, os que ficam ali, vendo tudo, comentando, lamentando, fazendo seu pouco, labutando e pagando os impostos, inconformados com o rumo de tudo mas que não levantam sua voz e seu poder.

Difícil ficar insensível a tudo isso, pelo menos para mim. Num programa qualquer de TV tinha um personagem que dizia “eu sou uma esponja absorvo as coisas e os outros”, e eu, como boa pisciana além de tudo, vou absorvendo como uma esponja, me enfurecendo, me decepcionando, discutindo, me indignando, altos e baixos hiper polarizados. Diante de tudo, sinto falta de uma coisa fundamental (que é o up da vida, que sempre me motivou, me mobilizou, que desde pequena eu ouvia “lá vem a Fahya…”): discussão. Não, não o bate-boca, por favor, que disso tenho um pavor absurdo (tal qual de casamento! E não é pra menos que os dois andam juntos, né?). Discutir idéias, ideais. Quando cada um apresenta os seus e as suas, e ninguém precisa convencer o outro, nem catequizá-lo, nem destruir os argumentos do outro (sim, discussão é apresentar argumentos). Sinto as pessoas aferradas as suas idéias e aos seus ideais, sem se disporem a discutí-los. O seu candidato é o melhor? Por quê? Mas chega nesse ponto as pessoas ridicularizam o “outro”, não se valem de auto-crítica, nem de crítica, falam (quando falam…) cegamente daquilo no que acreditam.

E assim eu chego ao que me deixa aterrorizada no momento: as crenças. Para dar um exemplo na nossa política, em 2002, na campanha presidencial, Lula pedia que acreditássemos. Era nisso que ele insistia nas imagens tão belas produzidas por marqueteiros. Eu acreditei, votei nele acreditando, cegamente disseminava essa crença, era repudiada por uns (minha mãe inclusive), era ouvida com desconfiança por outros (meu pai inclusive), era desenganada por uma (minha irmã), cegamente, nos meus dezesseis anos (fiz meu título porque queria votar) tão bem vividos, eu acreditava. Passou um ano, estava lá no terceiro ano do ensino médio, quando um professor de História (tive os melhores!) pergunta para a turma numa manhã cinzenta: por que o Lula, agora como presidente, não está cumprindo o que fez muitos acreditarem? O silêncio na sala, eu ali na última carteira do lado esquerdo, junto à parede me remexia. Nunca fui de levantar o dedo para falar durante uma aula, prefiro sempre ficar quieta na minha, exceto meus momentos de revolucionária (o que alguns confundem com revoltada). A turma não era politizada, longe disso, só pensavam em celular (na época eles eram um sucesso, ainda na coisa de mandar sms), nesse, naquela. Eu levanto o dedo e respondo: porque ele não mudou o sistema econômico do país. O professor, uma figura (!), vai até perto da minha carteira, feliz da vida com a minha resposta e diz: isso mesmo! Ah, eu casava contigo! (viu, tenho motivos para ter pavor de casamento! Esse é só um, mas a lista é grande! Traumas e mais traumas desse tipo!) Este professor, ex-aluno do Fernando Henrique Cardoso na federal do Rio de Janeiro, fez diferença na minha vida, como todos os meus professores de História, mas infelizmente não lembro o nome dele.

Sim, ali eu já ficara temerosa por ter acreditado. E os anos seguintes confirmaram isso, grande foi a minha decepção ao acompanhar todo o mensalão, as declarações estapafúrdias do nosso presidente aqui e no exterior. Eu não conseguia mais acreditar. E hoje não consigo porque sei que não há um sucesso econômico, há apenas uma liberação de crédito para as pessoas se endividarem com a compra de computadores, carros (e reclamarem, portanto, do trânsito), celulares… Enquanto as taxas de analfabetos e analfabetos funcionais continuam nas alturas. Esse país ainda vai sentir o choque dessas dívidas acumuladas, não pagas, dos empregos péssimos, da falta de educação. Uma máquina administrativa que cresceu uns 200%, que tem impostos dos mais altos do mundo, que não tem educação nem saúde. Não falo por falar, por ouvir dizer. Não é a UNIMED de muitos que traduz o real estado da saúde por aqui, nem as universidades federais de excelência. Os médicos são mal formados, inexperientes, não conseguem dar um diagnóstico, isso porque a maioria vai fazer o curso de Medicina por status, por dinheiro. Os professores nas universidades vivem viciados na rotina de ganhar muito bem para uma vida aniquilante em sala de aula, e assim empobrecer e sucatear o ensino com atestados, faltas, conhecimento pífio.

Tenho muitas críticas a fazer ao governo do Lula, sem dúvida, com fatos e dados (não os estatísticos, porque não entendo números), com experiências. Não acredito mais. Tenho críticas da cegueira que abrange o país todo acerca do patrocínio dele para a candidata Dilma. E uma crítica a ela: no início da sua propaganda na TV ela falou que não era experiência que governava um país, que o governo do PT tinha descoberto que era preciso “paixão” para fazer as coisas. Paixão? Sim, eu pergunto, paixão? Antes era acreditar, agora é paixão? Eu não acho a Dilma a pessoa mais passional desse mundo, muito menos dessa campanha.

Sabe, talvez só porque eu não tenho mais dezesseis anos, talvez porque eu tenha me desiludido, talvez porque hoje desconfio muito mais de tudo e de todos. Mas pedir que eu vote na “paixão” é me chamar de burra, no mínimo. Sei de muita coisa que a paixão é capaz (ah, como sei…), mas também sei que só acreditar não basta. Menos ainda que acreditar, sei que paixão só não basta, não basta nem para um relacionamento, quem dirá para um país.

Não encontro ninguém que queira discutir essa “paixão” de que fala a candidata da maioria dos brasileiros. Ninguém que queira discutir a formação e o passado dela, suas crenças. As pessoas acreditam, cegamente. Sei como é, já passei por isso. Pena, nessa vida, que aprender com os nossos erros é ainda (talvez) a única forma de cairmos na realidade. Um dia esses aí também cairão. Mas até lá pagaremos todo o preço. Pior, que eu sinto muito mesmo, é não poder sequer discutir com essas pessoas. Discussão, lembrando, nos termos que citei acima.

Lamento, lamento muito esse país. Lamento ver o que me assusta. E muitos por aí reclamam do “tempo da ditadura” (sabe, às vezes penso que eles sentem falta daqueles tempos! E correm para uma nova, nosso presidente já “assinalou” isso…), durante o qual havia censura, perseguição; hoje não há e eles preferem ficar calados, cegos.

Reflexões na madrugada com Sex and the City 2

Depois de duas semanas cheias, atribuladas e cansativas, consegui finalmente, ontem, assistir um filme. Mas por esses mesmos motivos, tinha que ser aquele que não exigisse demais, até porque decidi assistir já no começo da madrugada.

E a escolha foi Sex and the City 2. Tinha colocado para baixar a pouco tempo, mas nem lembrava que já estava completo. Bem, era a melhor escolha diante da situação toda.

Mas por que eu faço isso comigo? Não adianta, Sex and the City sempre me faz pensar. Acompanhei o seriado, não era fã nem fazia de tudo para não perder um capítulo. Mas… Em relação ao primeiro filme eu já havia ficado pensativa, mesmo o tema central ser casamento e as personagens terem seus quarenta e tantos anos. O que eu lembro do filme é a decepção de ver a Samantha morando com um cara, isso não é pra ela! E a atitude do Mr. Big, de deixar a Carrie no altar, porque ela fez tudo errado. A ruiva, que não lembro o nome, é um do tipo casal mais insuportável que há por aí, a regra. A morena é a exceção, princesinha, tudo lindo e maravilhoso.

O casamento da Carrie, no primeiro, só fez eu confirmar o que penso de casamento: aquele show todo é desnecessário, não é para o casal, é para os outros. Parece mais um circo. A atitude dele era totalmente compreensível, a dela também (sabe Deus porque as mulheres só pensam em casar, chega um momento que elas só pensam nisso, é um saco!). Porém (ah, porém!), ele deveria ter tido outra atitude. Desde o seriado nunca fui fã do Mr. Big. Não sei explicar. Contudo, nos filmes, comecei a simpatizar. Principalmente no segundo.

Fiz um quiz desses do Facebook e saiu que eu era a Samantha, entre as personalidades dos personagens. Também acho! Mas de vez em quando me sinto com um pé na Carrie, apesar de também não gostar muito dela. E a Samantha não casou, finalmente.

A seqüência do hotel, no casamento gay, foi metaforicamente perfeita. E como ontem fiquei viajando historicamente em metáforas, só me restou, alta madrugada, pensar nisso.

Estão num quarto a Samantha e um rapaz que ela pega na festa, a família perfeita da morena no outro e Mr. Big e Carrie no meio. Entre o sexo selvagem de Samantha e o choro convulsivo e irritante das filhas da família perfeita, lá estava um casal maduro assistindo TV (os filmes em preto e branco…) tranquilamente. Metáfora, né? Quais as escolhas que temos? Relacionamentos intempestivos, fortes, com sexo selvagem; relacionamentos de regra, família perfeita, filhos, como manda o figurino já a tanto tempo e suas conseqüências indigestas; um amor tranqüilo, calmo, com os dois em sintonia… assistindo TV. Você escolheria qual? Você já escolheu?

Vão me dizer que todos têm seus lados positivos e negativos. Não consigo ver nenhum positivo no da família perfeita. Se fosse possível, juntar um pouco do da Samantha com o da Carrie. Será possível? Ou você escolhe um deles e abre mão de certas coisas mesmo?

Estava eu aqui, sozinha, solteira, em plena madrugada. Era 2h30 quando me deu fome durante o filme. Fui até a cozinha, esquentei uma pizza, fui comer assistindo o filme, voltei para a cozinha, fiz pipoca, voltei pra cama e continuei a assistir. Sempre pensando nessa maravilha de estar sozinha, ser solteira, poder fazer pipoca às 3 da madrugada, sem ter que pensar em ninguém, sem reclamações, sem obrigações. Isso não parecia encaixar-se em nenhuma das opções de casamento. Foi o que mais me deixou intrigada. Mesmo quando a Carrie se irrita com pequenas coisas do Mr. Big – TV, sapato no sofá, comer em casa, não querer sair, etc. – e vai para o seu antigo apartamento ficar sozinha para escrever. Em relação aos homens algumas dessas coisas já me irritaram. Mas são irritações em determinados momentos, acredito que pelo excesso – excesso de TV, nunca querer sair, só comer fora ou só comer em casa, pois, para mim, variar é ordem do dia. Ah, sapato no sofá, toalha em cima da cama, coisas jogadas pelo chão, e esses lugares comuns que as mulheres reclamam dos homens realmente não me incomodam (aliás, acontece o contrário! Eu faço essas coisas!! E reclamam!!).

O tipo do casamento da Carrie merece meu apreço, e foi tão fácil perceber que o problema ali era o tempo: dois anos. Esse período é realmente ruim num relacionamento, seja ele qual for. Um ano de relacionamento me deixa com paranóia do tipo: a coisa é séria! Aí vem o peso, as responsabilidades, as obrigações, e isso eu não gosto. Mas quando chega aos dois anos vem o peso do costume, do comodismo, do já conhecer-se, da sinceridade, da cumplicidade, e já há um espaço para cada um – o que pode causar estremecimentos, porque cada um começa a rever-se como era antes do relacionamento e isso traz vontades e lembranças, como a Carrie querer ficar sozinha para escrever. Ou a coisa fica bem feia por aí, e já não vai sustentar-se no futuro próximo, ou isso serve para aumentar o conhecimento e a cumplicidade e daí pode ir bem longe ainda.

A própria Carrie, enquanto está sozinha no apartamento, escreve um texto sobre os dois anos. Se não assistiram, assistam. E reparem que quem traz o romance, as pequenas alegrias, quem pensa no relacionamento é o Mr. Big. Ela só implica, reclama, acha que ele faz tudo errado, o que leva-o a dizer que sente que está decepcionando-a. Isso faz a fama das mulheres! São sempre elas que reclamam, que implicam com tudo, e o cara lá (tá, não são todos, hein… mas ainda tem alguns Mr. Big por aí, acreditem em mim!), fazendo tudo, pensando nos dois, comprando uma TV para assistirem filmes em preto e branco (ah!) juntinhos na cama, como um programa especial deles. E ela? Ela nem disfarça, fala em jóia (ah, mulheres, hein… saco!), diz que aquilo foi numa noite, num hotel. Fazem por merecer a fama! E os homens, Mr. Bigs, não procuram uma (há de existir uma!) que dê valor a isso.

Tanto Aidan quanto Mr. Big dizem para Carrie que ela não é como as outras. Não concordo, não vi nada de extraordinário nela! E, afinal, todos os homens dizem isso para todas! Se até eu já ouvi tanto isso… Não conseguimos acreditar mais nisso, né? Cada um é só especial para o outro, não para todos.

Ela, ainda como boa mulher, para sentir-se “bem”, “ela mesma”, vai toda arrumada (como a muito não se arruma para o próprio marido) encontrar-se com um ex-namorado e o beija. A volta é preenchida com o remorso. Remorso? Telefona para ele e conta o que aconteceu. Na volta para casa, fica esperando-o. E? Ele chega com um anel, para ela lembrar que é casada e não sair por aí beijando para sentir-se bem.

Cheguei a simpatizar bastante com o Mr. Big. Mas ele ter aceitado essa traição não caiu nas minhas graças. Porém, a atitude dele de “marcá-la” eu gostei… se é para estar junto é preciso ter algo que oficialize isso (esse negócio de só morar junto “abre” possibilidade para muitas coisas ruins acontecerem), se é para assumir, que seja um papel assinado (cada um com seus bens, hein…), um anel. Não precisa do circo todo que a Carrie queria no primeiro filme.

No fim, os dois anos chegam aos três e tudo volta a ficar melhor. Até a próxima crise…

O que as pessoas falam…

As pessoas falam coisas que, sabe Deus porque, nós guardamos lá na lembrança. Ouvi uma vez, de uma criatura que talvez tivesse interesse em me dizer isso (mas eu realmente não percebi!), que deveríamos casar com quem gostamos de conversar, porque quando tudo acabasse (amor, sexo, trabalho, e sei lá mais o quê) só restariam as conversas. Alguns dizem que devemos casar com aquele que nos faz rir. Já ouvi dizer que o mais importante é a estabilidade no relacionamento. São tantas as “sabedorias”!

Mas, pensando nessas concluí que discordo de todas – isso não significa que tenho outra que acredito melhor ou mais “sábia”, o que me faz lembrar da seqüência do Fahrenheit, Truffaut. Eles estão na biblioteca secreta da velhinha e ao andar através de tantos livros (proibidos, na época “futura”) o chefe do Montag comenta sobre a Filosofia, sempre vem um depois do outro a dizer que a sua é a “certa”, é a melhor. Pois bem, deixemos isso para os filósofos.

Casar com quem gostamos de conversar? Não. Nas conversas estamos sempre mais dispostos a ouvir ou falar. Nunca ambos. E vai que acontece que os dois do casal estão na mesma? Dois querendo apenas ouvir fica complicado, pior ainda dois querendo apenas falar. Fica um falando de uma coisa, o outro de outra. Mas quando combina de um querer falar e o outro ouvir? Acredito que precise sempre haver uma intercalação desses papéis. Sejamos sinceros, você casaria com alguma pessoa com a qual gosta de conversar? Conversamos com os familiares, com parentes, com amigos, com inimigos, com desafetos, com o cara da tenda de frutas, com o dono do restaurante, etc.. conversar se faz necessário, principalmente, com as pessoas com as quais não convivemos diariamente sob o mesmo teto. Não sei porque me ocorreu isto, mas fato é que cheguei a esse pensamento. Você não “precisa” conversar com quem está ali do seu lado, sabe o que você pensa, no que acredita, o que detesta. Para quem está ao seu lado, o mais importante é o silêncio. Hoje, depois de alguma “experiência” em relacionamentos interpessoais (bonito isso, né? Só para não parecer outra coisa!), percebo que com as pessoas mais próximas não sinto tanto a necessidade de conversar, mas o que me fez chegar a isso foi sentir que o silêncio entre duas pessoas, se incomoda, é sinal de que não é um bom relacionamento. Se o silêncio é terno, confortável (principalmente), é porque ali há algo muito bom.

Tenho ouvido bastante que sou engraçada. Longe de ser um elogio, penso que se nada der certo, virarei palhaça, que tal? Sou uma pessoa divertida, isso é fato (não com qualquer um, beleza?). Divirto muitas pessoas, como me divirto com tantas outras. A diversão é um quesito diário e importante da vida, mas não sempre. Ao mesmo tempo ouço que sou uma pessoa séria. É, é verdade. “rir de tudo é desespero”, não é mesmo? Ou como diria a Dra. Sônia (filósofa) “vocês estão rindo de nervoso” (ela dizia isso para nós pobres aluninhos de primeira fase). Divertir-se é necessário. Em um relacionamento é muito difícil (principalmente para as mulheres), diante de brincadeiras constantes, saber o que o outro leva a sério ou não. Posso ser um tanto chata nisso (não só nisso, diriam alguns), pois acredito que brincadeira tem hora. No relacionamento, por culpa da convivência, é mais complicado você encontrar essa “hora”. Por favor, não é pra ficar sério o tempo todo! Por isso que casar com quem te faz rir começa com um problema, quando você quiser falar algo sério e importante, aquela qualidade vai virar defeito.

E, finalmente, a estabilidade. Eu começo realmente a acreditar que as pessoas gostam disso, mas tenho certeza que isso não as faz feliz. Se é para ser um relacionamento duradouro, como aguentá-lo na estabilidade? É na instabilidade que descobrimos o outro, descobrimos a nós mesmos, descobrimos do que somos capazes e até onde vão nossos sentimentos e nossa palavra. Não é à toa, né, gente, que todo romance Best seller e água-com-açúcar tem aquele conflito para os personagens se apaixonarem. E por que, como, terminam com um “viveram felizes para sempre”? A estabilidade gera muita coisa (segurança, conforto, blá blá blá), mas não é a mãe da felicidade. As coisas sempre as mesmas não nos deixam sempre feliz. Agora ainda lembrei da teoria de um grande amigo e colega de profissão de que as mulheres é que selecionam e escolhem o seu parceiro. Discordo veementemente disso. Na maioria dos casos é o homem! E o que preocupa os homens para conquistar essa presa? Oferecer conforto, segurança, estabilidade, para mostrar que essa conquista é pelo “melhor”. Bobos, né? Porque a quase totalidade dos homens se preocupa tanto com a conquista, mas nem percebe que conquistar uma mulher é fácil (bobas, né?), o difícil é mantê-las. É sempre preciso oferecer mais a cada dia. Por isso que essa idéia de que “eles têm os mesmos gostos, os mesmos interesses, fazem as mesmas coisas, têm os mesmos amigos” é a pior sobre o “certo” num relacionamento. A estabilidade e a constância acabam com o cotidiano, admirar e gostar do que o outro faz é essencial, mas viver juntos requer a separação, requer a distância para que o sentimento sobreviva. Tenho visto muitas pessoas casando (não entrarei no mérito do casamento pois todos sabem que não sou lá uma pessoa com boas opiniões a respeito), procurando relacionamentos a todo custo, pessoas em situações bem estáveis. Algumas, que já estão nesta situação a algum tempo, mostram sinais de infelicidade. A perfeição pode ser bem monótona. E, como diria o velho sábio, tudo acaba. Algumas coisas pordem reviver, diria eu, mas os sentimentos não.

Colonos do Novo Mundo

Tem uma piada que fala dos japoneses. Um deles viaja e quando volta alguém pergunta: e aí, como foi a viagem? Ao que ele responde: não sei, ainda não vi as fotos. (ou “revelei”, lembrando das analógicas)

Isso me levou a pensar nas pessoas que hoje em dia viajam e passam um tempão postando fotos nas redes sociais da vida. Quando voltam, da experiência sublime que é ver o outro pouco sabem dizer.

E o que mais me choca é o anseio pelo “velho” mundo! Ó colonialismo que nunca nos abandonará! Dá-lhe Europa. As pessoas mais críticas, as mais estudadas, o povo das universidades… não podem deixar de fazer mestrados, doutorados e viagens de folga, onde? Europa, é claro. E a Europa mais óbvia, sim, Londres (parece que só existe isso na Inglaterra toda), Itália, França. Nem ao Leste Europeu chegam.

E são essas pessoas que aqui, ali no intelectualismo das nossas esquinas, pregam a valorização da cultura brasileira, dos nossos autores, do nosso povo, e blá blá blá. Babacas, isso sim.

Velha ignorância brasileira. Povinho medíocre. O que vem de fora é melhor, lá fora é sempre melhor que aqui. Não entendo porque continuam aqui. Além de vermos as fotos, já reparou o papinho chato desse povo quando volta? Ah, quinto mundo… Ah, educação…

Está aí a Copa que não nos deixa fugir. Os times europeus é que são os melhores. Quando Paraguai, Uruguai, Argentina ganham, aí é surpresa, zebra. Itália? Fiasco. França? Escândalos. Inglaterra? Ausente. Alemanha? Vergonha.

Mas, enquanto esse povinho aqui preferir ir aos EUA pra fazer cursinho de inglês e ser garçonete nas férias ou ir “pras oropa” tirar foto da Torre Eiffel ou do Big Ben, o país continua na velha e má colonização.

Sempre o mesmo?

O que seria do mundo hoje se todos os livros, teorias e afins, escritos e divulgados até 1999 fossem queimados/perdidos??

O que seria dos professores universitários? O que seria das aulas?

Tenho a infeliz impressão de que, ao entrar em uma sala de aula daqui a vinte anos, encontrarei as mesmas idéias e teorias dos meus idos cinco anos na universidade.

Benjamin ainda será idolatrado como muito adiante do seu tempo, Kant será o pai dos muitos que por aí usam a priori e a posteriori. Cultura? Stuart Hall. Arte? Duchamp. E lá vamos nós…

Décadas de 40, 70, 80… dos anos 1900. E a vida não criou mais nada?

Ou os professores que já são velhos e só sabem falar disso?

Não… meus “colegas”, alguns anos a mais e a menos que eu, também só falam disso.

E o mundo assim persiste na infelicidade. Sim, pra mim hoje só se resume a isso.

O desassossego do blog não encontra mais razão de ser nos estudos. Crise? Sim. Adoraria continuar estudando, mas não encontro bons motivos. Porque só por bons motivos, nunca apenas por motivos puros e simples.

Bons motivos encontram-se ausentes no momento.

E enquanto isso, a vida segue. Só esqueceram de avisar ao povo.

Frases sobre mulheres

Engraçado, as mulheres dão muito valor para o perdão.

Os homens pensam que elas estão diretamente relacionadas ao dinheiro.

Eles não gostam de estar nas mãos de uma mulher.

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