Você só precisa saber

 

Você precisa saber que eu não ligo a TV aos domingos. E quando eu começo a gostar de alguém, me afasto de propósito porque sinto que a pessoa não vai gostar de mim como eu dela. Não posso mais viver amor não correspondido. Saiba que eu durmo todos os dias – todos – com o ventilador ligado. Me visto mal, tenho um gosto brega para cores e estilos. Nunca comprei um esmalte nem um livro repetidos – nunca. Mas não sou do tipo sistemática, não faço listas, nem cadastros, nem catalogo nada – detesto isso, acho doentio. Você só precisa saber que tenho muita prática em arrumar malas e dizem que sempre levo bagagem demais – não é verdade. Numa briga, não sou comedida nas palavras e acabo sempre fazendo discursos. Não queira brigar comigo, detesto brigas e elas me esgotam. Às vezes, fico em silêncio olhando para o nada. Eu sofro sozinha e calada. Tenho manias, mas até essas mudam de vez em quando. Já passei dos vinte e cinco anos e ainda uso franja e como algodão doce. Eu imponho certas regras que devem ser quebradas. Tenho claustrofobia. Desmaio em lugares públicos. De vez em quando tenho dores de cabeça, não para usar como desculpa para coisa alguma, são dores de cabeça inexplicáveis e, ao que parece, incuráveis. Elas surgem, me deixam irritadiça, nervosa e depois somem. É difícil eu avisar que elas são a causa de algum destempero meu. Eu amo água. Amo banhos. Já passei dos vinte e cinco anos mas tomo nescau todo dia e minha mãe vai ao médico comigo na maioria das vezes. Dizem que sou anti-social, antipática. Posso até ser, mas só com quem merece. Eu fujo das pessoas. Normalmente o que eu digo não era bem aquilo que eu queria dizer, cabe a você descobrir. Não tolero que mexam nas minhas coisas. Eu tinha completa aversão a incensos, hoje quase não passo um dia sem acender um. Saiba que eu posso não gostar de telefone, mensagem, bate-papos… mas por um bom motivo-alguém os uso com excelente habilidade. Saiba, também, que me apaixono fácil demais sem nem ser amor. Nessas horas nunca tive coragem de dizer a verdade. Saiba que eu tenho sonhos que você nem ninguém jamais vão saber. Ah, eu acredito em sinais. Eu fico prostrada diante de certas manifestações humanas como a fé, a coragem, a dor, a tristeza, a indignação. Já vivi, já sofri, e não trocaria minha vida por nenhuma outra – digo isso hoje e direi o resto dos meus dias. Às vezes me afasto, sem querer, porque não confio em ninguém e só eu entendo isso. Se você precisa que confiem em você, eu não sirvo. Eu adoro aprender. Eu me saboto. Sou muito condescendente comigo mesma. Não tenho – e, ah! nunca tive! – disciplina. Não consigo. Sou que nem peru, sofro de véspera. Crio histórias antes delas acontecerem. Fico na cama criando vidas, encontros, desastres, despedidas que nunca vivi – e em alguns casos nunca viverei. Detesto noites de domingo. Acho que elas são tristes. Não tenho o costume de acordar cedo, mas adoro fazê-lo – desde que não seja por obrigação. Detesto ser acordada, isso me deixa de mau humor. Eu não entendo as pessoas. De vez em quando deixo o coração falar, mas desconfio que ele é gago. Tenho sonhos (aqueles enquanto dormimos) loucos, insanos, extraordinários e eles fazem muito sentido, sonho com coisas, lugares e pessoas dessa vida e de outros mundos. Às vezes até gosto de contar os sonhos que tive. Meu inconsciente é um turbilhão. Não tenho a consciência tranquila. Fico horas remoendo fatos, frases, questões. Eu gosto do abstrato. Não gosto de quem não reflete sobre (quase) tudo. Adoro espelhos. Adoro vidros e tenho pavor de me cortar com eles. Saiba que eu nunca doei sangue e não sei se teria coragem de doar por alguém especial. Eu tenho coleção de conchas do mar e de pedras semi-preciosas. Eu gosto de pedras. Saiba que já fiz artesanato pra vender na escola e que já trabelhei com recepcionista e balconista. Já mandei cartas anônimas (e já li na constituição que isso é crime). Não sou doente por chocolate.

 

Saiba que sou assim, de pequenos e grandes detalhes. Nunca esqueça de me contrariar. Eu me afastar sempre diz muito mais do que a minha simpatia e meu lado prestativo. Muito mais.

 

Você só precisa saber disso, seja lá quem você for… assim, como num baile de mascarados da canção do Chico.

 

 

In/m ciganando

In/m

Improvável

Impossível

Inexplicável

Inviável

Inacreditável

Inesperado

 

Não quero tristeza de choro

nem de coração fechado

ou grito calado

 

Não é verão

quando esse frio todo dia

chega no meu colchão

 

Vi um dia mais lindo

em cada onda do mar

no meu corpo consumindo

 

Os silêncios

e os vazios

tudo tão conhecido

vivido

 

Não saciava

a angústia do corpo

e para rumos incertos me levava

 

Falta um ponto

O meio, a medida

O tempo – ele não

 

Domar instintos

Domar desejos

Domar destruições

E auto-sabotagens

Domar-se

Domar-se dobrar-se a si

 

Auto

Auto-controle

Auto-suficiente

Auto-nomia

Auto-carinho

Auto auto

Controle em alta

 

Mar céu areia lua estrelas vento chuva tempestades sol nuvens água árvores flores plantas bichos

Gente não.

 

In/m

Out não.

 

Diálogos antes de dormir

encerram o sonho

o desejo e a esperança

(ela já se foi? ou não?)

 

Um porto seguro no horizonte

Mas não

Seguro é sempre não.

 

In/m

Instável

 

Palpitação e olhares

enquanto na contemplação

na ilusão e na ficção

 

A cigana tinha razão

Não é a hora

das coisas do coração.

Casais e azeitonas

 

 

Eu nem sei o que foi exatamente que me fez pensar nisso tudo. Não sei se foram as azeitonas, alguma conversa truncada, aquela cena daquele filme, a novela, a passagem daquele livro.

As pessoas jogam jogos entre si. Parece que, segundo alguns, faz parte da conquista. Não gosto de perguntas. Não gosto de me sentir num interrogatório. Às vezes acontece.

Assisti dois capítulos de dois seriados que começaram suas segundas temporadas agora e fiquei analisando que, ao que parece, não sou só eu que penso como penso sobre relacionamentos. Casais não são felizes, como dizia um personagem de um deles.

Aí fiquei matutando sobre várias coisas. (e o post que estava para sair era sobre os dados da ANCINE e sobre como o brasileiro não assiste aos filmes nacionais – ou sim – e esse furou a fila) Liguei a TV para não perder a hora da novela das 18h (a melhor novela da Globo dos últimos tempos) e fui lavar a louça. Passava Malhação. Um casalzinho em crise. Eu me perguntei: essas crianças sofrem tudo isso mesmo? Sério? Ou é só na TV? Uma choradeira, gritos, promessas, te amos pra cá e te odeios pra lá. Pensei cá com meus botões que não posso esquecer de ensinar minha filha a nunca jamais sofrer por “amor”; definitivamente há coisas muitos mais importantes, sérias e dolorosas na vida. Definitivamente. Não posso esquecer. Vai que ela acredita nessas coisas que passam na TV. Aí juntei um capítulo de série aqui, outro ali, um filme acolá… lembrei da teoria da azeitona. Diz lá um personagem que o sucesso do casal está garantido se um amar azeitona e o outro odiá-la. No decorrer do capítulo (ou no seguinte), descobrimos que o tal casal que formulou a teoria na verdade se enganava. No primeiro encontro ela perguntou se ele gostava de azeitona ou se ela poderia pegar as dele. Ele disse que não gostava, só para que ela pudesse pegar as tais azeitonas. Eis que ela “confirmou” sua teoria sobre as azeitonas e ali provavelmente apaixonou-se por ele. Quando ele contou isso para o amigo, confessou que na verdade adorava azeitonas, mas nunca tivera coragem de contar para ela.

Casais são assim, vivem mentiras, vivem enganações. Diriam os chatos que, na verdade, cedem, ambos, um pouco ali, um pouco aqui. (nem pense em falar algo como “ah, mas há ‘afinidade'” – isso é palavra pra reality show) Eu até concordaria. (um momento para pensar em qual época da minha vida eu concordaria com isso) Não. Eu não concordaria.

Era sobre isso que fiquei pensando esses dias. O mais difícil, para as pessoas, é ser quem elas são. Sem invenções, sem mentiras, sem azeitonas, sem projeções para os outros. Um amigo comentou no Twitter um dia sobre as pessoas que se descrevem assim “sou eu mesma/sou assim do meu jeito/bobagens-sem-tamanho-e-sem-fim” e até quando iríamos ver isso. Até sempre. Damos ênfase a isso, somos quem somos, talvez esperando que as pessoas nos “aceitem” como somos. Vai entender porque alguém tem que te aceitar, mas, enfim, fica para outro post.

Porém, me surpreendo ao ver que, de fato, as pessoas não querem ser “aceitas” por quem/como são. Elas se fantasiam daquilo que você supostamente (invariavelmente se baseiam nas suas respostas e atitudes, até naquelas figurinhas com frases edificantes que você posta no Facebook, quem sabe – nas músicas que vocês ouve, o curso que você fez, os autores que você cita (ou deixa de citar), os filmes aos quais você assiste, sei lá, até a comida que você come) quer/espera de alguém. Por isso os interrogatórios, por isso observam teus passos, teus posts, tua vida, o tempo todo. O tempo todo.

 

Há quem pense que precisa disso tudo para conquistar alguém. E, realmente, às vezes funciona. Só, garanto para vocês, não dura. Ninguém esconde quem é (viu só?) o tempo todo. Você pode conquistar aquela menina ao puxar assunto sobre o filme que você sabe que ela adora (você ouvi-a comentando com a amiga, lembra?), convidar para aquele barzinho onde tem uma batata flambada que te contaram que ela é fã. Isso nunca será o suficiente. Antes de procurar a chance de despir-se das roupas para tentar encontrar mais coisas “em comum”, dispa-se das fantasias que você mesmo criou para ela. Não há garantia nenhuma de que ela ficará com você só porque você está sendo sincero – aliás, a sinceridade nunca é bem vista num relacionamento, prepare-se para o pior.

 

Eu já não tenho mais paciência para essas coisas. Aliás, nunca tive. Mas, sabe, a gente perde tempo na vida de vez em quando. Aí já digo que estou velha demais para perder tempo na vida – coisa, aliás, que sempre detestei. Não me dou mais ao luxo de perder tempo.

 

Nunca tente descobrir o que me atrai, o que me interessa em alguém. Como já não perco mais tempo com esses joguinhos, sei ser bem direta. Direta. (ah! o doce veneno da espontaneidade! – o que me faz lembrar que fiquei feliz pra caramba ao ter a palavra “veneno” tatuada na pele!) Nada de rodeios, invenções, perguntas. A vida torna-se bem mais simples quando a gente aprende com ela. Ou, até mesmo, quando apreendemos as coisas no ar. Veja só, poderia ser até com a Malhação. Seria o cúmulo da felicidade ver um adolescente perceber a bobagem sem tamanho de lágrimas e gritos porque o namoradinho dos teus quinze anos te traiu e você “nunca mais vai querer sofrer assim na vida” (foi uma fala da personagem).

 

Casais não são felizes. E dizia esta personagem que isso acontece porque eles não conversam e realmente ouvem um ao outro. Quem fantasiou-se para o outro jamais conseguirá fazer isso, serão sempre papéis sendo interpretados. Será sempre aquele desejo louco de comer azeitonas e não poder fazê-lo porque ele interpreta “the one” para ela segundo uma teoria (não vou jamais criticar teorias! tenho cá as minhas… eu não vivo sem elas, mas elas vivem sem mim). Isso me fez lembrar Sex and the City e o Mr. Big, ainda esses dias lembrei do filme porque fui assistir filmes em preto e branco na cama. Felizmente não tenho nenhum Mr. Big para supor genialmente que uma TV no quarto seria o supra sumo da felicidade de casal – tudo isso só porque… bem, assistam lá ao filme, ou leiam um outro post onde eu comentava isso.

 

Por falar em azeitonas, tenho uma relação esplêndida com elas. Quando criança era de atacá-las puras. Fiz a festa em uma feira na Argentina uma vez, eu e meu avô. Mas do nada fazia cara feia quando as encontrava numa salada, num prato. Nunca como azeitona na pizza. E já me perguntaram “mas você não gosta de azeitona?”. Veja bem, a resposta não é assim tão fácil. Eu ataco azeitonas no vidro na geladeira, assim, do nada. Porém, tenho uma indicação de receita na qual elas são protagonistas. Tentarei fazer ainda essa semana, se sobrar alguma no vidro. Se for para levar as respostas em conta, as minhas nunca são tão simples que caibam num “sim” ou num “não”. E, cuidado, transbordo espontaneidade e sinceridade – coisas que a humanidade abomina. Se eu quisesse interpretar algum papel, me dedicaria à vida de atriz e ganhava dinheiro com isso.

 

 

Os homens da minha vida – Anúncio de jornal

PROCURO HOMEM – De 16 a 55 anos.

Para relacionamento nada sério, mas divertido e que seja, todos os dias, interessante. Requisitos básicos: Goste de boas conversas, de preferência que tenha algo a dizer. Que aprecie mais a convicção do que a certeza. Tenha sempre as unhas aparadas e bem feitas (inclusive as cutículas) e as mãos e pés bem cuidados e macios. Que seja inteligente, independente de títulos e diplomas. Que saiba fazer as pessoas sorrirem mais do que rirem ou gargalharem. Que ame ler – não só livros técnicos, acadêmicos, a seção de esportes do jornal ou a Playboy – inclusive bons livros de ficção e poesia. Que goste de música – não precisa ser nenhum expert ou profissional da área – principalmente música brasileira, como o samba (se não, não seria bom da cabeça ou do pé). Por falar em samba, que já tenha amado de todo jeito e que já tenha sido amado, já tenha dado pé na bunda e já tenha levado, até, quem sabe, que já tenha sido traído (mas que jamais tenha traído a si mesmo), que já tenha vivido esses amores de samba e que entenda alguém que viveu amores de Cazuza. Preferência para quem gosta de tatuagem. Alguém que saiba apreciar o ócio e o dolce far niente e que tire de letra os dias de trabalho exaustivo. Que nunca pronuncie “estou cansado”. Que goste muito de bichos e flores e plantas. Que adore deitar na rede. Que ame praia, o sol, o mar, a areia, que goste de chuva e pare para ver o pôr-do-sol. Que saiba a delícia que é virar madrugadas – fazendo inúmeras coisas deliciosas. Que viva ocupado mas que tenha sempre tempo para mim. Que tenha mania de organização mas saiba quando é o momento da bagunça. Que sinta prazer em degustar um bom vinho, algum drink e até uma boa cachaça. Que adore viajar, pela terra, pelo céu, pelo mar. Que seja um pouco egoísta. É essencial que faça as coisas por si e para si, jamais pelos outros ou para os outros. Requisito muito necessário: que tenha imaginação e goste muito de fantasias (não necessariamente as de carnaval – por falar nisso, que não despreze o carnaval e uma bateria de escola de samba). Que seja piegas de vez em quando. Que seja sexualmente bem resolvido com o seu corpo. Que goste de inventar – coisas, programas, palavras, surpresas. Aliás, que não tenha medo de surpresas. Exigências: que leve os sacos de lixo para fora e troque o saco do aspirador de pó. Que saiba fazer pequenos consertos em casa e no carro. Que goste de fazer coisas (inclusive fantasias) ao ar livre. Que não reclame do frio quando fizer frio nem do calor nos dias quentes. Que goste de tomar banho de mar. Que passe um dia ou outro jogado no sofá debaixo das cobertas, assistindo seriados. Que goste de filmes (de todos os “gêneros”) e mesmo sendo mais barato e prático assistir em casa, que ainda valorize o encanto de uma ida ao cinema. Que não more sempre no mesmo lugar. Que não tenha medo (ou se tiver, que o encare) de mudanças. Que peque mais por fazer do que por deixar de fazer. Que tenha um sorriso lindo e olhos que digam o que pensa. Aliás, que pense sempre. Que goste de banhos de chuva e de observar a lua. Preferência para os que não gesticulam o tempo todo, mas saibam sempre quais os gestos exatos. Que tenha atitudes de homem – não de pirralho. Que não goste de café. Que saiba cozinhar bem, limpar, lavar e passar. Que nunca durma durante uma conversa. Que saiba elogiar quando eu usar uma saia, um vestido, um decote. Que tenha orgulho de quem anda ao seu lado – sem transformá-la num troféu. Que goste de crianças (e entenda como cuidar delas) e que queira ter filhos. Que não assista muita TV e que não goste dos canais Discovery. Se gostar de futebol ou esportes, que pelo menos dê intervalos para outras coisas (gostosas) durante a programação. Que não faça drama – de nenhum tipo. O ideal seria que não tivesse família e morasse sozinho. Na impossibilidade disso, que não tenha amor de mais nem de menos pela mãe, que não seja uma cópia do pai e não tenha irmãos aproveitadores e tias fofoqueiras. Que saiba fazer brincadeiras e piadas sem parecer um menino da quinta série. Que saiba ouvir elogios sem precisar deles e sem deixar inflar o ego. Que reconheça quando faz algo errado. Que saiba seduzir sem fórmulas prontas e repetitivas. Que precise variar sempre, em quase tudo. Que goste de janelas e varandas. Que goste de ver os aviões pousando e aterrissando, ou apenas cruzando o céu. Que entenda sinais. Que entenda riscos e perigos e não deixe de fazer nada por medo de encará-los. Que saiba dizer o que sente e que sempre o faça – e que saiba me ensinar isso. Que goste de mesas de cabeceira. Que chore – somente nos momentos de extrema dor ou alegria. Que seja explosivo – sinta mais indignação do que tristeza. Que seja crítico – mas não chato. Que goste de jogar, por mera distração, nunca por competição ou vício. Preferência para os que não gostam de videogame ou jogos no computador. Que goste de andar à pé, de longas caminhadas. Que fale abertamente sobre sexo. Que nunca grite – nem comigo nem com ninguém – mas que saiba quando é preciso falar grosso. Que discuta idéias, opções, propostas – jamais banalidades e besteiras. Que seja fiel a si mesmo, a tudo e a todos, menos ao dinheiro. Se gostar do poder, enfim, é aceitável. Independente da altura, do peso, loiro ou moreno, que seja sensual. Que goste de rebolar. (não é eliminatória, mas será levado muito em conta se tiver coxas grossas) Que dance mesmo sem saber dançar. Que nunca fique brabo por mais de três horas. Que goste de abraços – e que me ensine a gostar também. Que tenha muitas coisas a me ensinar. Que fale por horas, com paixão, daquilo que faz e gosta e me deixe fascinada por isso. Que coloque paixão em tudo o que faz. Que nunca corte o cabelo muito curto – deixe, no mínimo, aquele tanto para eu ter onde passar a mão, agarrar e puxar. Que saiba fazer massagens. Que saiba qual o lado do garfo e o da faca ao arrumar uma mesa. Que não reprima gemidos de prazer. Que seja espontâneo. Que beije muito, indiscriminadamente. Que tenha sintomas de ser possessivo e que transborde sinceridade. Que seja um ótimo amigo. Que goste de experimentar. Que goste de dar e receber presentes. Que leia pensamentos. Que, de vez em quando, olhe para trás. Que não use relógio. Que não tenha muitos pêlos, mas que não depile peito, pernas e braços. Não há exigências quanto ao estado civil, se possui filhos, profissão, cor da pele, signo do horóscopo ou número do calçado.

Contatos por aqui mesmo, ou nas esquinas da vida.

(em casos de não cumprir algum requisito ou cumprir mais uns que outros, serão todos analisado)

{Aos que exclamarem (em tom de galhofa ou crítica) “Quer um perfeito, então?”, direi que não sou perfeccionista (e, aliás, prefiro que ele também não seja), apenas sou detalhista.}

Sorte dupla e um tango

“- Oi, moça, você é daqui?

– Sim…

– Sabe dizer se andando por essa praia chega àquela outra?

– Sim, chega sim. É como se fosse uma só.”

E assim começou a minha caminhada pela praia hoje. A menina que me fez a pergunta estava acompanhada do irmão e da mãe que segurava ansiosa uma câmera fotográfica. Ela me fez a pergunta com alegres olhos arregalados. Todos pareciam surpresos e inebriados com a resposta.

Eu arregalei os olhos quando respondi que era daqui. Poderia responder que não sou daqui, mas também não sou de lá, não sou de lugar nenhum, mas vivo feliz demais aqui e lá, acolá também, e nesse meio tempo passo por ali… a resposta soaria insana demais, eu sei.

Foi mais um daqueles dias sublimes. Não adiantaria eu descrever cada mínimo detalhe, vocês não entenderiam. As coisas que surgiram, as que seguem em construção, as conquistas que dependem de alguns cálculos aqui e ali para dentro em pouco me deixarem com aquele sorriso mais enigmático e satisfeito. Fato é que ninguém entenderia. Eu entendo, isso nos basta, não é mesmo?

Durante o dia, enquanto esboçava minha criatividade culinária alimentada por desejos especiais, lembrei de uma história do ano passado que acho que não contei aqui (ou apenas citei superficialmente). Tenho muitas histórias e impressões de tudo o que vi e vivi ano passado que penso em publicar aos poucos por aqui. Ainda são muito presentes, deixarei que virem memórias.

Numa tenda na praça ali do Centro Cívico, em Curitiba, tinha a praça de alimentação da Virada Cultural, mais voltada à comida oriental. Claro que meu desejo por rolinho primavera e yakissoba dominaram. Mas, enquanto comia, vi um rapaz andando com uma cesta cheia de biscoitos da sorte. Catei umas moedas e disse que iria lá comprar uma sorte dupla, pois queria dois pra mim. Sei lá, eu tenho um dom pra sorte. Aí comprei três. Voltei, dei um pra minha mãe e coloquei os dois na minha frente. Todos me olham. Minha mãe agradece e minha irmã faz cara feia. Pois é, eram dois pra mim e um pra minha mãe. Eu disse que queria sorte dupla. Mas, sou uma boa irmã, sabe… fiz que era brincadeira e dei um pra ela.

Nem lembro o que saiu nos delas… mas eis que quebro o meu e… dois bilhetinhos da sorte dentro de um biscoito! Minha fama de “bocuda” (no sentido de dizer coisas que acabam acontecendo) já é grande. Era só mais um exemplo. Quando li os dois bilhetinhos senti, num breve momento, que a sorte anda ao meu lado. Como andou 2012 todo.

Por isso, hoje enquanto cozinhava lembrei das duas frases e aquele sorriso ficou dançando nos lábios… me deliciando com as certezas mais inexistentes do mundo.

“O bom caráter é consequência natural do pensamento profundo” e “Você terá uma capacidade refinada para desfrutar a vida”. Eu ria, ao ler as duas, e quando li em voz alta ainda complementei que eram feitas para mim, minha sorte dupla.

Quando eu tenho esses momentos que não posso descrevê-los, quando as coisas acontecem e eu sei o que elas significam, quando aproveito as horas do dia como fiz hoje, eu lembro da tal capacidade refinada… conheço bem poucas pessoas que podem, talvez, entender e praticar isso. E o bom caráter me parece tão óbvia, pensar, pensar, pensar… com bom caráter nós alcançamos a capacidade refinada. As duas vieram juntas porque não podem, em mim, viver separadas. Ninguém entenderá. Me julgam, me condenam, fazem cara feia, tentam mudar quem eu sou… tudo em vão. Como diz a canção, carrego em mim um “sentimiento de vida llena”. É difícil, praticamente impossível, dividir, compartilhar, expor isso a alguém. Meu mundo, minha vida, meu olhar sobre as coisas. Confesso que é divertido ver as reações, desesperos e caras horrorizadas (além de algum desprezo, inveja – mas não quero falar de coisas ruins!) quando tomam parte ou tentam conhecer este mundinho aqui.

E ninguém viu a coroa lilás-rósea que o mar e as ilhas ganharam hoje no final de tarde. Nem ouviu aquelas canções deliciosas e tão, mas tão, marcantes enquanto pisava forte na areia fofa e chutava as espumas brancas das ondas olhando para um céu com uma estrela mais brilhante que todas e aviões que o cruzavam vagarosos. Ninguém além de mim.

Que venha a madrugada, o incenso de rosas vermelhas, o vinho, as boas palavras… e quem sabe algum tango.

Eles são machistas, mas elas…

 

Chega a família, as mulheres colocam os pratos na mesa, alguns homens se revezam para servir as cervejas, todo mundo come, aí já começam a sair da mesa, as mulheres vão tirando os pratos, levando pra cozinha, umas ajudam as outras, uma começa a lavar a louça, a outra vai enxugando, outra guarda o que restou na geladeira. Enquanto isso, na sala ao lado, os homens continuam bebendo suas cervejas e vão preparando uma rodada de um jogo qualquer, ou ligam a TV num jogo de futebol, ou colocam as cadeiras lá fora para continuar a conversa. As crianças vão para um lado, as moças, obviamente, estão na cozinha onde rola aquele papo fofoca de família (Sabe a fulana?! Não tá mais namorando! E o bebê da fulana?), troca de receita, comentários sobre a novela. Os rapazes vão jogar videogame, ou futebol, ou assistem alguma coisa na TV.

 

A cena, infelizmente, é muito comum. Não sei se eu que vim de uma família um tanto rebelde e nem um pouco machista. Não sei e não entendo os relacionamentos de hoje em dia. “Hoje em dia” até parece estranho, porque parecem de algum século passado perdido no espaço. Eu não vi machismo na minha família. Não vi porque não havia. Tanto que é algo bem difícil de eu identificar por aí, e foi difícil nomeá-lo quando fui entender do que se tratava. Também não sei porque as pessoas se ofendem quando eu faço meus comentários sobre casamento. Mas, novamente, os farei.

 

A cena acima descreve a forma como muitos de nós fomos criados. Eu vi essa cena em famílias próximas. Eu comento sobre casamentos porque devo ter sempre achado os dos meus pais e avós um escândalo perto dos casais que eu vejo da minha geração. Falei em machismo, mas não vou deixar de citar os casamentos em que a mulher é dominadora e manda e desmanda em todos. Aquele tipinho de mulher (que normalmente casou por algum tipo de interesse, que não seria grandes coisa na vida não fosse pelas benesses do casamento, que manipulou o coitado até antes dele saber que se interessaria por ela) que é ruim, que mantém um frouxo no cabresto. Se tem mulher que se anula diante de um marido machista e babaca, há, também, aqueles homens bundões e frouxos que colocam o rabo entre as pernas diante de uma mulher autoritária.

 

E eu que não vejo um casamento nem de um jeito, nem do outro? E eu que vejo as casadas e casados a minha volta só reproduzindo essas situações e clichês?

 

Uma vez, na casa de uma pessoa, aconteceu a cena acima. Eu me neguei a ir tanto para um lado quanto para outro. Aquilo reproduzia o quê?

 

Em casa minha mãe sempre fez de tudo. Meu pai também. Bem, meu pai nunca cozinhou, é verdade. Até agradecemos que ele não faz isso! (Reza a lenda que na lua de mel ele foi fritar um ovo para ela e não deu certo!) Mas meu irmão sempre fez. Meu irmão lavava roupa, cozinhava, lavava louça e até brincava de boneca comigo (se eu jogasse futebol antes com ele, e caso não brigássemos durante o jogo). Lá em casa a coisa sempre foi igual pra todos. Eu sempre tive mais amigos meninos do que meninas. Aliás, sempre achei menina chata. Fomos criados sem frescura, é verdade. Mas eu nunca na minha infância/adolescência estive diante de situações que me fizessem ver que meu irmão era diferente de mim só por ser menino. De vez em quando, na casa de alguém, em alguma situação extraordinária, alguém soltava uma “ah, mas vocês dormem aqui, os meninos lá”. Esse tipo de segregação, como se meninos de dez anos não pudessem dormir no mesmo quarto com meninas. Eu dormia no mesmo quarto que o meu irmão. Aí uma vez veio o papo de que ele agora era mais velho, então não poderia dormir mais no mesmo quarto. Hein? Minha mãe sempre dirigiu, sempre trabalhou. Se precisava fazer alguma coisa em casa (trocar lâmpada, essas coisas de “homem”) e meu pai não podia ou estava viajando, ela fazia. Por um tempo é claro que as coisas eram divididas. Cada um de nós fazia a sua parte. Eu limpava a casa, lavava roupa, cozinhava. Eu e meu irmão ajudávamos o vô e o pai a arrumar o carro. Tinha que carregar geladeira, lá íamos nós. Eu aprendi tanto as “coisas de menino” (que os meninos de hoje nem têm idéia) quanto as “coisas de menina” (que as meninas de hoje cada vez mais têm ojeriza mas quando casam são obrigadas a fazer).

 

Talvez isso seja a causa de tanta dificuldade diante das coisas que eu vejo. A maioria das hoje mulheres da minha geração não sabe nem trocar o óleo, não abre um vidro de conserva, não troca um chuveiro, nem sabe fazer consertos simples num computador. E a maioria dos (supostamente) homens da minha geração não lava louça, não sabe como segurar uma vassoura, não sabe fritar um ovo. Ah, o pior: eles também não sabem trocar o óleo, nem arrumar um chuveiro ou consertar alguma coisa que quebra em casa.

 

E aí tenho ouvido com frequência na TV uma coisa que me lembrou tudo isso. Homens dizendo (na ficção e em programas documentais) que quer casar pra mulher cuidar da casa, dos filhos, da família, dele. Quando a situação é abastada, eles fazem cara feia (e até mesmo proíbem) que elas trabalhem fora. Se a situação é meio remediada, eles exigem que elas trabalhem fora – com a condição de que continuem cuidando da casa, da comida, da roupa…

 

Sabe aquela história de que o cara casa pra substituir a mãe, com o bônus do sexo? Pois é. Pior é que dizem que com o casamento o sexo diminui (se fossem sinceros diriam que acaba). Nunca fui casada. (uma prece de agradecimento a todos os santos e a mim) Conheço muitos casais. Vi amigas casarem. Vi amigos casarem. Vi descasarem.

 

Uma amiga me dizia, na minha primeira visita à casa dela, já então no famoso “morando junto”, que ela trabalhava, ele também, mas ela chegava em casa, fazia a janta e ele esperava que depois da louça ela estivesse linda, cheirosa, sorrindo e com as pernas abertas. (palavras da própria) E ela me disse que teve que bater a real pra ele que a coisa não seria bem assim. Ela deve ter percebido a minha cara, por isso veio com aquela conversa de que já estava mandando nele, que mandava fazer uma coisa ou outra. Realmente ela (ariana…) era do tipo manipuladora, faz com que ele acabe fazendo o que ela quer. Quem é que aguenta uma ariana reclamando, né, gente? O cara corre fazer tudo o que ela quer! E não adianta, porque logo ela vai reclamar de outra coisa.

 

Aí vejo casados que se orgulham de te contar algo e acrescentam “mas ele/ela não sabe”. Oh, wait! Eu, que sou uma reles amiga (ou às vezes nem isso!), sei de algo que a pessoa com quem você divide a cama não sabe?!

 

Agora não entendi mais nada!

 

Não foi um casado só que vi fazer esse tipo de confidência. Não foi só sobre traição. Às vezes uma bobagem qualquer. Ela não contou pra ele, ele não contou pra ela… mas tem umas dúzias de gente por aí que sabem. Ao comentar com um ex que eu prezava muito a sinceridade e que não consigo fugir disso quando falo com as pessoas (olha, pra dizer a verdade, nem tento fugir!), ele disse que sinceridade era bom, mas numa certa medida. “Certa medida”? Sinceridade não tem medida, meus caros!

 

Vejam só, o cara cozinha, tem idéia razoável de limpeza e responsabilidade com a casa, é bom filho e tal. Tu não consegue considerá-lo machista. Mas aí tem aquele momento que ele solta “ah, mas é que é papo de homem”. Hum… o alerta acende. Ele não pode sair com você e alguns amigos porque rola papo de homem. Bem, penso cá com meus botões, esse coitado não sabe que tipo de conversa eu já tive e ouvi na vida. Aí, um dia tu encontra filme pornô no computador dele. Não, não tenho absolutamente nada contra pornôs e putaria. Não nego que assisto putaria na TV desde os primórdios da minha adolescência e via escondida as revistas de mulher pelada do meu irmão (eu até escondia em lugares menos óbvios depois que a minha mãe pegou a primeira vez, meu irmão não era bom em fazer coisas escondidas – ele sabia que eu via, porque depois eu mostrava pra ele onde estavam), não nego que gosto, me divirto e assisto mesmo. Pornô é coisa de macho? Pára, né. Também leio os romances de banca de revista (mas, please, os que têm mais sacanagem!). Todo cara que me conhece sabe disso. Já disse aqui, não foi à toa que me chamavam, pelas costas, de pervertida e coisas afins. Não me incomodo. Tenho interesse no assunto, acho até saudável, não sou do tipo viciada (sim, tem quem é), me divirto! Aí o cara está contigo sabendo disso e tem pornô escondido no computador? Lá vem a explicação, rolou aquele “papo de homem” com o primo, este indicou um site e ele foi lá baixar alguns. Hum… mas não para assistir comigo, é isso? Porque isso não é coisa pra mulher. Isso não é coisa pra namorada. Bem, quando eu convidava pra assistir o privê na TV comigo, resmungava, recriminava e virava pro lado pra dormir. Lava, cozinha, limpa, é um doce. Mas assiste pornô escondido porque é coisa de macho? Não tem desculpa.

 

Essa coisa de “papo de homem”, gente. Não dá. Sério, os homens não fazem idéia do que eu posso chamar de “papo de mulher”, né?

 

Não entendo. Sabe o que falta nesses relacionamentos? Cumplicidade. E eu tenho isso aí em altíssima conta num relacionamento. Eu traio meu marido, conto pra todas as amigas, ele me trai, conta pra todos os amigos e… isso é casamento?

 

Ele trabalha, chega em casa, no máximo lava a louça de cara feia enquanto eu tenho que cozinhar, lavar roupa, limpar a casa, trabalhar para ajudar nas contas e… isso é casamento?

 

Aí você tem que ouvir que eles devem entender você e fazer o esforço de dormir de conchinha porque é disso que elas precisam. O diabo dormir de conchinha! Sou mulher e sou bem espaçosa na cama. Tem conchinha não. Tem momento de carinho, cafuné, sexo, tudo beleza… mas daí a achar que se lavar a louça e dormir de conchinha eles estarão fazendo o que uma mulher espera é demais. Quer dizer, muitas devem se contentar com isso.

 

Não sou contra casamento. Por um único motivo: vi que existem casamentos lindos. Eram outros tempos…

Casamento pra mim tem que ser de igual pra igual. Não tem que ter a questão financeira no meio. Tem que ter, acima de tudo, cumplicidade. Se você é mais cúmplice da tua amiga ou da tua mãe do que do teu marido ou esposa, alguma coisa errada tem. Não tem “papel” no casamento, você é o homem, eu sou a mulher. Tem que casar porque ama e só. Eu queria ver mais casamentos bonitos, mas cada vez que vejo um “fulano noivou” no Facebook (aliás, gente, estamos na primeira semana de janeiro e já foram vários!) eu perco as esperanças.

 

Como criticar os homens com seu machismo se as mulheres se rebaixam a fazer o mesmo papel? Queimaram sutiãs, se dizem independentes e donas do nariz mas não passam de amélias (ou empregadas dos seus respectivos, ou mães)? Como? Tem muito homem errado por aí, do tipo que vai jogar bebendo cerveja enquanto ela lava a louça, do tipo que não lava uma roupa e só casa porque vai sair da casa da mãe e precisa que alguém faça isso (e muito mais) por ele. E elas? E ela que se permite ir lavar a louça enquanto ele enche a cara? E ela que casa mesmo sem muita vontade? Ah, só um detalhe: não estou falando de pessoas de baixa renda, nem de pessoas de pouca instrução. Não mesmo! O detalhe não é à toa, falo de todas com, no mínimo, graduação completa. Todas em boa ou muito boa situação financeira. Tem gente que acha que isso é crítica a essas “pobres”, enquanto não olha o próprio umbigo. Ou a própria unha, feita na manicure paga do seu salário, lascada enquanto fritava linguiça pro maridão.

 

O coração, a cabeça e o corpo: para não esquecer o leitmotiv do blog

Bem que eu queria ter uma resposta, mas não a tenho. O que 2013 trará? Não sei. Lá se vai a primeira semana e ele ainda se mostra obscuro.

Fiquei com a leve impressão de que teremos alguns ineditismos também este ano. Mas a impressão mais forte mostrou-se com a idéia de que este ano dependerá das minhas ações. Ah, ações vêm de decisões… e decisões de uma pisciana?!

Aqui no meu reduto, de onde faço questão de não sair antes de março, aqui onde já passei dias solitários maravilhosos, onde já fiz algumas dúzias de bobagens! Aqui onde o tempo parece não passar. Sim, a dez anos atrás não havia internet, nem televisão, nem telefone… e era tão melhor! Eu vivia mais. Colocava algum disco para tocar, lia meus livros na rede e vivia reclusa em casa, nem à praia ia. Uma vez ou outra ia tomar sol no quintal (aliás, esse quintal tem cada história para contar! daquelas que jamais contarei aqui!), cozinhava, cuidava da casa, do meu anjinho, lavava roupa. O tempo parava. Eu vivia. Os anos passaram, já tem 3G, telefone pega (só da TIM não, oh, wait!), tem TV e antena… e a minha vontade de solidão e reclusão continuam as mesmas. O meu dolce far niente também. Ah, a enorme vontade de fazer bobagenzinhas também! Ah, o ócio! Ah, as noites pensativas! Ah, o calor do Verão! O simulacro do vazio casado com um ócio e uma imaginação danada de boa fazem desses dias algo memorável. Parece que eu amo mais, parece que me entrego mais em tudo, parece que vivo apaixonada, que vivo nas nuvens num plano de eterno prazer. Não só “parece”…

Aliás, o coração anda vazio. Começamos 2013 num ineditismo e tanto! Desde a primeira vez que me apaixonei (lá se vão muitos e muitos anos – vide o post Os homens de minha vida), sofri tanto, num beliche desses aqui mesmo, ao acordar chorando e sentindo falta daquele “amor”, e desde então passei somente um Verão com o coração desocupado. Aliás, é justamente quando ele está desocupado que mais parece “ocupado”. Lembro do outro Verão que passei assim e eram tantas mudanças, tantas perspectivas, tanta coisa melhorando e acontecendo ao mesmo tempo que ele vivia aéreo demais para se ocupar.

Será, então, um tempo de boas perspectivas?

Porque ele anda vazio, a cabeça anda cheia, conturbada, se cobrando a todo tempo, num cabo de guerra entre o prazer e o dever, e o corpo… ah, o corpo. O coração, a cabeça e o corpo não estão, em definitivo, se entendendo. De jeito nenhum! E isso, é claro, me preocupa.

Agora mesmo o coração quer porque quer (e isso sempre basta a eles, os corações, não é mesmo?) fazer algo que a cabeça, imperiosa, tem lhe proibido há dias! E ela tem ganhado esta disputa. O corpo? Ah, ele normalmente pende para o coração! Mas tem desprezado este que gosta dos caminhos tortuosos, das conquistas, das palavras, dos gestos… ele tem dado preferência à despreocupação, à ausência de cobranças e compromissos, à plena e simples satisfação.

Eu digo, eles não têm se entendido…

Até quando a cabeça vai conseguir dominar não sei. Mas também temo um pouco isso. Porque o coração pode desanimar, ficar desencorajado… e talvez em outros cabos de guerra por aí ele já tenha perdido quando a cabeça lhe permitir agir.

E onde fico eu no meio dessa confusão?!

Eu me cobro! Eu tenho uma pilha de coisas para ler por obrigação, mais umas dúzias de páginas para escrever por obrigação. E a mesma medida por puro e simples prazer. Só aqui para eu me reencontrar tão bem. Não me preocupo tanto com as obrigações porque sei que as farei no tempo certo. Decidi que a palavra de ordem este ano será disciplina. Sim, até eu ri disso por aqui. Eu e disciplina? Piada, né. Mas eu me domino. Eu dou um jeito. Eu sempre dou um jeito em tudo. Tanto que ia deixar para começar a colocar em prática a disciplina nesta segunda-feira e acordei sábado, mudei de idéia e comecei no mesmo dia. E, até agora, está funcionando.

 

Tenho todo esse medo de que a cabeça prevaleça ao coração e ao corpo… ela pode ser dominadora, exigente e cruel demais. Ela me deixa exausta. Às vezes, ela me deixa triste… Eu preciso tantas e tantas vezes me deixar levar pelo coração e pelo corpo… senão não sou eu. Que 2013 não me tire isto, seja lá por qual razão for. Se o coração mandar, que eu obedeça. Mesmo que ele se quebre (novamente, como tantas vezes já…) depois, que eu não deixe de fazê-lo. Que eu obedeça mesmo sabendo que depois a cabeça vai passar longos e duros sermões. O corpo, bem, quanto a este a cabeça tem menos (ou nenhum) domínio. Os sermões são mais longos e duros, porém há pouco a se fazer antes. Quem sofre mesmo é o coração diante de tanto controle. Porque ele tem a melhor qualidade de todas: é espontâneo.

 

2013 começa assim, fazendo jus ao nome do blog, à intenção do blog: o desassossego. Faz jus à lembrança de que os corações não podem pensar, posto que não podem parar, e que só podem, depois, ouvir os sermões.

 

 

Too late ou tarde demais

Há um momento pelo qual já passei inúmeras vezes em todo os relacionamentos que tive. E acho que nem foram tantos assim. O momento em que ele deveria ligar. O momento que ele deveria vir com a conversa exata. Aquele momento que as palavras certas fariam toda diferença. Aquele momento de um pedido de desculpa. Ou de uma simples pergunta sincera. (sim, há perguntas sinceras, não somente respostas)

 

E esses momentos passam… todos eles sempre passaram. Quando ele ligou, quando ele veio conversar, quando brotaram as palavras certas, quando pediu desculpa ou quando perguntou com sinceridade já não era mais o momento. “O” momento, bem assim, destacado. De nada adiantou vir fora de hora.

 

A resposta que sempre me veio aos lábios foi “é tarde demais”. Mas antes de proferir essas três palavras tão cruéis, mentalmente sempre me ocorreu “too late”. Não sei o motivo, mas o “tarde demais” me parece realmente cruel enquanto o “too late” é todo carregado de tristeza, de melancolia e desamparo. E sempre me senti, nessas horas, longe da crueldade e mais próxima dos últimos. Lamentar não é um bom sentimento, mas não dá pra deixar de lamentar por alguém que, tarde demais, teve a coragem de fazer ou dizer o que deveria, o que precisava. Também, é claro, lamentava por mim… lamentava ter esperado tanto tempo por algo que veio, mas quando já não fazia mais sentido.

 

Poderia incluir na lista um desdenhoso “perdeu, playboy” (que tantas vezes ouvi de um memorável tutor), mas nenhum demorou tanto assim para receber o puro desdém.

 

Se parar para analisar, é bem fácil concluir que sou alguém que espera demais das pessoas. Alguém que idealiza a pessoa a quem ama. Sou mesmo. E quem não é? Eu idealizo, eu amo demais, eu sonho e espero demais (demais mesmo!) das pessoas. Tudo isso porque não imagino o amor de outro jeito. Se é pra idealizar, se é pra amar, se é pra pensar coisas boas de alguém, que seja pra valer. Que seja exagerado. A queda do lugar mais alto nem sempre é a mais dolorosa, posto que é mais longa, durante ela você amortece o encontro final com o chão. Quando a gente cai de lugares (expectativas) mais baixos a queda é curta e o contato com o chão é bem mais traumático. Se é pra cair, que seja bem do alto.

 

Já me propus inumeráveis vezes deixar de esperar demais das pessoas, para meu próprio bem. Não adianta. Vou continuar aqui esperando aquela mensagem, aquele telefonema, aquelas propostas, aquelas palavras, aquela conversa, aquela pergunta. Deixaria de ser eu se não fizesse assim e, de verdade, nem sei se saberia lidar com algo diferente. Eu espero. Porque ainda creio que além do período tão dedicado e deliciosamente interessante da conquista, há tantos (e tantos!) outros momentos verdadeiros e poderosos num relacionamento. Quando eles faltam, resta afastar-se. Quando eu cansar de esperar por aquelas palavras, ou quando elas vierem atrasadas, só restará um “too late”. Ou, para ser mais direta e compreensível, um “tarde demais”. A resposta a essa expressão é das coisas mais aterradoras que já vi na vida.

 

Como diz a canção, eu não me canso de esperar. E eu acredito nas coisas, porque nas pessoas já deixei de acreditar (pelo que eu me lembro). “Timing” é, por isso, fundamental. Não sei se ainda direi algum ou muitos “too late”, mas sei que ainda e sempre esperarei. Porque às vezes as mensagens, telefonemas, perguntas nunca vêm.

Joinville, o mirante, o descaso, os amores, o risco e as fugas. Escrevo porque posso.

Eu poderia passar sem essa. Não, eu não poderia. Não suporto sofrer auto-censura baseada em opiniões e julgamentos que os outros fazem a meu respeito. Já tive que ouvir até um “você não pode falar porque mora em Fpolis, não aqui”. Acho tão lindo que alguém saiba mais onde eu moro do que eu mesma. Nem eu sei onde eu “moro”. E aí me pergunto, então, se tenho endereço (rá! querem saber? eu tenho endereço em quatro cidades! então posso falar de todas, certo?!) em Fpolis não posso falar do Rio, nem de Mafra ou de Joinville? Pois bem, falo de onde eu bem entender. Falo quando eu penso que tenho algo a falar. Se os dignos “moradores” (muita gente só tem um endereço, tadinhas) de um lugar não sabem ser críticos acerca do seu entorno, entendam: o problema não é meu. Podem dizer que curitibano é bairrista, e somos mesmo! Digam, também, que o típico joinvilense tem características bem definidas e uma delas é você não poder criticar a cidade deles. Meu irmão era desses. Antes de qualquer consciência sobre o “típico joinvilense” eu já discutia horrores com ele (vê lá, não é a maior cidade do Estado, é só a mais populosa, a maior em território é Lages – nunca entendi porque os joinvilenses se agarram ao número populacional e ao título, enfim…), como volta e meia vejo a careta que minha mãe (nem tão típica, mas joinvilense) faz quando eu critico alguma coisa.

Quem me acusou de nem morar aqui foi a amiga virginiana que deixou de falar comigo por discussão política na última eleição. Ela defendia o candidato da igreja, vejam só, aquele que prometia meia dúzia de elevados e que nunca sequer fez uma proposta para o ridículo terminal de ônibus do centro. Essa amiga só anda de ônibus a vida toda dela aqui em Joinville. E eu perguntei pra ela: como tu pode votar em alguém assim? Ela teve que concordar! O terminal de ônibus (não só do centro, mas alguns dos bairros são, pelo menos, mais novos) do centro é a coisa mais ultrapassada que eu posso imaginar, desde que me entendo por gente é o mesmo! Trocaram o telhado ali faz alguns anos, mas não mudou nada! Esse é só um exemplo, não é o principal para hoje.

Sobre eu morar “aqui” ou “ali”, lhes digo que nos últimos dois anos, por motivos pessoais e avessos à minha vontade, tenho passado bastante tempo por aqui (sim, encontro-me faz alguns dias em Joinville). Nos anos anteriores estive mais afastada, mas sempre presente.

Sei que Carlito ganhou, novamente, destaque na imprensa por conta dos seus “últimos dias” como prefeito. Criticá-lo parece bater em cachorro morto, é verdade. Ele será para sempre, pra mim, o babaca que deixou retirarem as azáleas dos canteiros da JK. Sim, aquelas azáleas lindas, sempre floridas no inverno, barreira natural para pedestres afobados, que existiam lá desde que eu era criança. Foi ele também que deixou colocarem aquelas cercas dentro da rodoviária (esta abandonada desde a última reforma feita pelo Luiz Henrique) que não servem para nada. Foi durante o mandato dele que vi as ruas da cidade virarem mato.

Ontem tive que fugir de casa. Pois é, fugi mas tinha que voltar. Enfim, isso não vem ao caso. Saí andando rápido sem destino (por aqui posso andar de olhos fechados, como, aliás, eu fazia ao voltar da escola). Para onde ir quando se quer fugir de tudo e todos aqui? É difícil. Não tem praia. Tá, eu sei, tem. Mas eu não iria à pé até a Vigorelli ou ao Morro do Meio. Ah, sim! O zoobotânico! Lugar com mato, lago, bichos, pouca gente. Ou, quem sabe, o mirante? Para quem não sabe, sou apaixonada pelo mirante de Joinville. Claro, ninguém sabe disso. Mas, dizem, o mirante está interditado… desde quando? Desde sempre.

A missão era ir até o mirante. Na volta uma passada pelo zoobotânico (sempre me dá vontade de ir às segundas, coincidentemente, e nesse dia não abre). Eis que desacelero o passo ali pela Casa da Cultura, um dos lugares que mais tive o prazer de frequentar na vida. Me bate uma tristeza enorme toda vez que passo ali e a vejo fechada, abandonada. Ela foi interditada já faz algum tempo e nada de reabrir. Sigo e vejo mais movimento de pessoas do que eu gostaria. Lembro minha mãe dizendo que tomava banho ali naquela pequena barragem um pouco antes do zoobotânico. E eis a surpresa (ou não): pessoas chegando no portão do zôo e voltando. Alguém ali dizia o motivo de estar fechado. Eu nem ouvi, segui em frente. Já estava posto a tônica do governo Carlito: fechado. Foram escolas, Casa da Cultura, Museus, zoobotânico… tudo fechado por falta de manutenção, interditado, abandonado. Outro exemplo: o cemitério dos Imigrantes. Perdi a conta de quantas vezes fui lá e o portão fechado (apesar da placa com o “horário de funcionamento”), hoje pensei em ir lá, mas não sei se tenho vontade de dar com a cara no portão novamente. Ah, Museu Fritz Alt, que a maioria esmagadora do povo dessa cidade sequer conhece: fechado. A última vez que fui lá saí com o coração apertado. É um crime não conhecer. E está lá “em reforma” e abandonado. Mas se as pessoas nem conhecem, como poderiam condenar o abandono?!

Sigo e passo pela placa “perigo em obras” “acesso restrito”. Eu só paro diante de placas assim quando acompanhada por pessoas chatas, bundões em geral. Como, aliás, foi o caso da penúltima vez que estive no zoobotânico. Enfim, segui. A mudança foi drástica. O caminho que leva até o mirante era de terra na maior parte, até encontrar a antena lá em cima. Agora é toda ela iluminada (pelo menos há lâmpadas, desci já passava das 19h e não vi nenhuma acesa) e com paver na calçada e via. Ah, é uma “trilha” um pouco urbana no meio do mato. Minha alegria: não havia ninguém. Só perto de uma casa que tem ali havia dois meninos. E ela sobe, sobe… tão vazia que tirei a blusa ensopada de suor e segui só de sutiã em meio ao mato com vento refrescante.

Quando eu estava pensando em fazer isso novamente (tinha uma foto em mente para fazer), lá na última subida, quase chegando, vem um ciclista. Tiro uma foto aqui, outra ali e sigo. Lá em cima há o pedaço de uma placa onde se lê “perigo” e “acesso aos funcionários da obra”. Chego, o cara da bicicleta (ele tinha uma garrafa d´água!) faz a volta e desce, fotos para cá e para lá, relembro desde a primeira vez que lá estive e chega um carro. Um homem e uma mulher. Os dois de cara sobem no mirante. Penso cá com meus botões: eles são reforçados, espero aqui e vejo se vai cair, se não cair eu subo. E eu subo. Relembro cada vez que subi ali. Lá em cima aproveito um sol lindo, uma vista maravilhosa, vejo o quanto a cidade cresceu para a parte “de trás”, sim, o lugar mais lindo da cidade. Logo, mais um casalzinho, de carro. Depois eu desço e começo a me divertir. Sento ali no banco que pode cair a qualquer momento e resolvo observar as pessoas. Todo mundo sabe que tem bons e baratos motéis em Joinville. Mas uma fugidinha para um lugar êrmo deve fazer a cabeça das pessoas. Toda vez que vou para lá encontro os vestígios desses amores fugitivos. E dá-lhe chegar casal, dar uma volta, e ir embora. Já era lá pelas 18h, então o movimento tinha razão de aumentar. Além de observar as pessoas, reparei na sujeira que predomina, num portão ridículo que estava aberto sem impedir o acesso, em cercas de plástico há muito arrancadas, em grades que já não existem e oferecem risco real. Lá em cima, com um vento leste forte, reparei que o mirante mantinha-se firme – muito mais firme do que das últimas vezes. Ele resiste.

Logo chega um uno, um homem e umas cinco crianças pequenas (a maior não devia ter dez anos). Ele liga o som, toca Raul Seixas, abre uma cerveja (e eu me derretendo por um copo d´água!) e as crianças sobem e descem correndo, descem ali atrás do banco, sobem e correm por tudo. Ele nem aí. Pelo que entendi nem era o pai delas. Acende seu cigarro e fica ali, urina do lado de lá do carro. uma criança corre até onde não tem mais cerca de proteção e diz “se eu cair daqui será que eu morro?!” ao que uma um pouco maior forja empurrá-la. Ao observar tudo isso me lembrei daquelas grandes tragédias que a imprensa cobre de vez em quando. “Criança morre ao cair do mirante em Joinville” e aí viria todo o drama de um lugar da cidade supostamente em obras estar abandonado e gerando risco para as pessoas. Bem, quando subi no mirante tuitei: se eu morrer, não haverá indenização. Eu estava lá por minha conta e risco, ciente da situação. Como sou um tanto cética quanto ao mirante estar prestes a desabar (como disse, sempre ouvi isso), subi. E, também, ontem estava com a frase “quando eu morrer” desde quando acordei, ou seja, um tanto mórbida. Como poderiam responsabilizar alguma coisa ou alguém quando um babaca daqueles permite que crianças sob a sua responsabilidade façam o que não pode? Volta e meia é esse tipo de situação que gera as notícias dramáticas, mas aí só vale explorar a dor. Desse babaca só agradeço pela trilha, fazia tempo que eu não ouvia Raul e Maluco Beleza caiu como uma luva para o meu dia.

Nesse meio tempo cerca de cinco ou seis pessoas subiram até ali e desceram, pessoas que só estavam fazendo exercícios. Alguns carros e seus casais, duas motos. Logo chega um homem de carro alugado, tira foto daqui, dali e sobe. Eis que surge uma moto. O cara desce e me diz “Não pode ficar aqui, moça. É um perigo, tá tudo fechado, tem placa, não pode subir.”. Eu levanto para sair, né. Ele “Está sozinha, não é pra subir!”. Eu “Eu só estou aqui sentada, estou sozinha. Tem um cara lá em cima.”, ele “Ah, então desculpa, moça. Pode ficar. Só não pode subir. Só pode vir aqui pra fazer caminhada, subir é que não pode.”, eu “Mas eu passei lá embaixo e o cara não falou nada.”. Ali depois do zoobotânico há uma corda barrando a entrada de carros e uma guarita, onde havia um homem que não me impediu de subir.

Eis que ele chama o cara lá de cima, ele desce, diz que “não viu placa nenhuma” (aham…), só tirou fotos, pede desculpa. O guardinha da moto diz que o portão ali foi arrombado ontem (aham, sei…) e que não pode subir, que é um perigo, que está pra cair. O cara do carro vai embora, o guardinha sobe e chama o casalzinho que está lá. Aí chega um carro com placa de outro Estado cheio de gente e uma moto com dois. O guardinha desce e diz que não podem subir, que está interditado. Olha pra mim e diz que vai fechar o portão, eu levanto e vou saindo. Só ouço a voz alta dizer para os turistas “Não pode, não, pessoal. Está fechado. Vou fechar o portão, vocês precisam sair.”. Achei uma abordagem linda para turistas, né? Já passei por coisas semelhantes em certas cidades e é o que a gente sempre lembra ao associar o lugar. Quando eu estava ali perto da antena passou o carro, um ciclista e a moto. Logo o guardinha (que me esperou um pouco mais adiante), me senti escoltada.

Pouco tempo sobe um carro com mais um casal, e lá vem o guardinha atrás! Achei as cenas hilárias. Logo, desce o carro escoltado pelo guardinha. Na descida ainda encontrei dois maratonistas (uhuhu) e três adolescentes subindo. Nada mais do guardinha.

No final da rua pavimentada há uma placa onde constam os planos para o mirante “janela”, a pavimentação da via, etc.. Segundo a placa (sem data) a pavimentação estava concluída e as outras duas etapas em “fase de licitação”. Licitação eterna. Por que não começou pelo mirante, depois a pavimentação?! Eu nunca deixei de ir no mirante porque a rua era de barro. Aliás, havia alguma rua ali que dava acesso aos fundos da prefeitura, onde ela foi parar?

Na volta, sigo à pé pela beira-rio e me irrito com aquele asfalto jogado às pressas e sem nenhuma noção onde havia o belíssimo mosaico português. E dizer que teve quem elogiou aquilo ali! Carlito se resumiu, bem resumidamente, àquilo: pavimentação. Ou nem isso. Porque aquele cimento grosso, mal acabado e feio não é pavimentação. Eu caminho com certa frequência pela beira-rio. Então eu posso falar, certo? Aliás, ninguém tem idéia da minha revolta, durante a campanha para prefeito, quando tive que passar por ali e ver os caras arrancando e jogando fora o mosaico português enquanto o caminhão despejava o cimento. Por que não cimentam o Cachoeira duma vez?!

Por que não fecham tudo, duma vez?! O mirante não recebe sequer manutenção desde, no mínimo, o primeiro mandato do Luiz Henrique. Ele teve dois, mais um do Tebaldi e um do Carlito. Calculem o tempo. Antes disso minha memória política não alcança. Posso, sem orgulho mas com razão, dizer que sou mais joinvilense que muitos “daqui” que eu conheço. Não vou, por nada nem ninguém, fechar os olhos ao que eu vejo seja onde for. Porque, segundo dizem, até parece que eu não critico Fpolis, por exemplo. Não critico Curitiba. Vejam só, cheguei ao desparate de criticar o tão babado Rio de Janeiro! E, quando tenho os melhores motivos, me derreto em elogios…

Assumam o risco, subam ao mirante de Joinville. É inesquecível, lindíssimo. Você vê a Baía da Babitonga, a cidade toda, os morros. E quando subirem a Serra do Mar, numa determinada curva lá depois da Santa, olhem para traz e vejam uma pedacinho disso ali. É lindo. É, sim, emocionante. Não esperem que algum prefeito arrume o mirante, acho que infelizmente ele cai antes disso (e olha que acho bem difícil que ele caia tão cedo!).

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