Teoria da senhorinha

Eram tempos de crises, o mundo andava mal, o país estava mal, as pessoas perdiam seus empregos, roubos e assaltos como não se via há tempo. Por aqui chovia como nunca na minha vida eu havia visto. Chovia e quando não chovia sol não havia. O ano encaminhava-se para o fim, e como todo fim deveria ser celebrado – com os ânimos melancólicos da falta de esperança e de segurança no amanhã. Mas mais certo que a morte é que o amanhã sempre virá.

Entrei no mercadinho antigo do bairro, famoso pelo seu chineque e pelas suas cucas. Aliás, a fama não é em vão, pra mim são o melhor chineque e as melhores cucas da cidade. Estava a caminho de uma loja de jardinagem para comprar o pinheiro de Natal e num impulso parei ali. No fundo do estabelecimento fica a padaria e fiquei surpresa que agora tem mesas, está bem ajeitado e bonito. Eu gostava da rusticidade do lugar.

Duas senhorinhas sentadas numa mesa tomando seu café com cuca conversavam. Tinham essa idade que a vida se arrasta em reprises que de surpresa não traz mais nada. Aquela conversa boa sobre os outros, a vida desse, a vida daquele, quem está fazendo o quê. Até que uma delas dispara uma teoria.

Ela frequenta um lugar desses onde há pessoas que precisam do tempo de outros – alguns chamam caridade. E ao comentar sobre algumas de suas colegas ela frisou que frequenta o lugar há muito tempo. Segundo ela, há quem pratique o bem “por dor” e há quem pratique “por amor”. Ela pratica por amor, pois gosta de ser útil ao outro, de ajudar quem precisa dela – do seu trabalho, do seu tempo, do seu dinheiro. Enquanto quem pratica o bem por dor é quem sofreu muitas perdas, – “Sabe a fulana? Perdeu marido, filho, aí apareceu lá.” – quem se deparou com aquela parte desencantada da vida e procura refúgios para tentar seguir adiante. Com alguma malícia eu poderia dizer que ela insistiu em dizer que ela praticava o bem por amor, mas o mundo anda tão mal que nem malícia tem cabimento: ela pareceu sincera.

Não foram poucas as vezes que lembrei da teoria da senhorinha nos últimos dias. Além da sinceridade dela, a teoria me parece bem fundamentada. Há quem faça, o que quer que seja, por amor. Há quem só busque válvulas de escape para suas dores. Qual o problema, afinal? A legitimidade. Que ambos façam o bem, talvez seja ótimo – mas uma pulguinha atrás da orelha não me deixa em paz.

Por que não nos perguntamos sempre a razão dos nossos atos? Vai pra academia só para postar foto? Para a praia só para esnobar? Ajuda cães de rua porque tem a consciência pesada ou se sente inútil no mundo? Tem filho pra preencher algum vazio no relacionamento? Pega a cartinha de Natal dos Correios pra poder contar pra todo mundo no trabalho?

O mundo vai mal, talvez precisemos cada vez mais de gente que faz o bem. Sem esquecer que de boas intenções o inferno está cheio, claro. Não basta a boa intenção. Não basta enganar a si mesmo. Não basta o discurso inócuo. Talvez, na verdade, precisemos cada vez mais de pessoas com boas razões para fazer o que fazem. Porque dores nunca faltarão. E que nunca me faltem razões.

Histórias de Natal I – A maionese

Angelo ficou paralisado quando seus olhos foram tomados pelo brilho daqueles laços e embrulhos. A pequena sala estava tomada deles, nem nos seus melhores sonhos ele tinha visto coisa igual. O queixinho caiu, os dentes falhados arreganhados de emoção, até esqueceu que estava apertado para ir ao banheiro. Era Natal e as crianças iam para a sala de visitas enorme da casa dos avós na praia e eram proibidas de sair de lá – mas naquele dia 24 fizera um calor dos diachos e ele passou a tarde toda tomando a limonada que o avô fez. Agora, de roupa bonita, de banho tomado, as pernas cruzadas para segurar o xixi. Dera um jeito, se esgueirara pela porta da sala fingindo que ia brincar com os gatos da tia e correra para a porta da sala anexa ao quarto dos avós. E ali estava o tesouro!

A porta foi aberta e uma mulher entrou às pressas. Passou pelo menino sem reparar e seguiu para a porta do banheiro que ficava em frente.

– Você tá bem? Estamos atrasados, amorzinho. Eita! – a mulher começou a falar enquanto abria a porta e a cena chocou a plateia inesperada.

Lá estava Papai Noel sentado no vaso sanitário, o gorro vermelho caído bem na porta, o blusão cheio de pompons brancos jogado na pia, ele com as calças no chão, o rosto vermelho derretendo de suor e uma camiseta branca do candidato derrotado da última eleição para presidente ensopada era o que lhe restava no corpo.

– Ah, ah… foi aquela maionese do Orlando! Só pode! Tô que não me aguento! Quase não deu tempo de chegar aqui. Ah, ah… foi uma dor aqui – e apertava a barriga protuberante – e não… ah, ah! – gemia o Papai Noel.

– Já te disse que não podes mais ficar jantando em todas as casas que a gente vai! Além de atrasar, só podia dar nisso. Mas você não se controla… aceita todo prato que te oferecem. – a mulher ralhava com o Papai Noel.

Angelo ficou mais estarrecido do que quando viu os pacotes. E esqueceu de vez das pernas cruzadas com força para não molhar as calças novas com estampa camuflada, presente do pai. Pela porta entrou outra mulher, madrinha de Angelo.

– O que você faz aqui, menino! – a surpresa de ver aquele doce de menino fazendo algo errado a desconcertou.

– Shhh! Dinda, dinda… o Papai Noel tá no troninho. – Angelo puxou-a pela saia até perto dele, de onde podiam observar o velhinho ainda sofrendo enquanto a outra mulher enxugava seu suor. – Dinda… o Papai Noel é casado? – eram tantas as aflições de Angelo naquele momento.

– Filho, vem cá. – a madrinha controlava o riso enquanto puxava delicadamente Angelo para fora da sala – Vai lá pra sala com teus primos. Se o Papai Noel está com problema, a dinda vai ajudá-lo, pode ser?

Angelo mal pôde concordar quando lembrou-se do aperto que a limonada lhe causava e virou para chamar a madrinha, mas ela já fechara a porta. Naquele Natal, Angelo desejou tanto que o Papai Noel se recuperasse da maionese, mais do que ansiava pela distribuição dos presentes.

Off

Naquela noite eu fui acordada três vezes. Era o celular que exigia ser recarregado. Estiquei o braço e achei por bem desligá-lo – seria melhor para nós dois. Logo cedo tive que, enfim, ligá-lo e colocá-lo para carregar, fulano vai não-sei-onde, pode precisar telefonar e tal. Mas minha sina mesmo era a geladeira.

A geladeira, vistosa por fora, pequena por dentro, é mandona. Se eu deixo a porta aberta por muito tempo – e é ela quem decide sobre o “muito” – ela começa a apitar. Um apito chato e irritante que fez dela minha inimiga. E hoje, logo hoje, acendo a luz da cozinha, pois mal amanheceu, e ela está com a porta aberta – uma frestinha de nada. Como ela não gritou furiosa ao desavisado que não fechou-a direito?! Madrugada, silêncio, alguém teria ouvido aquele bip insuportável. Mas, não. Ela prefere apitar só quando não precisa – nas horas que eu passo diante dela, arrumando potes e mais potes nas prateleiras mal desenhadas onde não cabe nada.

E hoje é dia de trabalho atrasado. Faço um chá e sento em frente ao computador, enquanto ele liga, arrumo uma papelada. Vejo que é a data de um prazo importante. Abro o arquivo que devo revisar para enviar por e-mail. Me abaixo para pegar a caneta que caiu e esbarro o ombro na escrivaninha. Com a trombada, o computador pula e desliga sozinho. Tento ligá-lo, sem sucesso, pelas próximas horas. Há meses levei-o na assistência: ele não tem nada de errado. Parece que tornou-se sensível à violência, a qualquer gesto brusco da minha parte ele desliga sozinho e se nega a voltar.

Depois do almoço, decido assistir um pouco de TV. me interesso por um programa sobre pesca de baleias no Caribe. Do nada, a TV me avisa que vai desligar em sessenta segundos. Não adianta fazer nada, a fábrica disse que é um dispositivo de segurança. Imagino que devo ficar feliz: tenho uma TV que se preocupa com a minha segurança.

Preciso sair para fazer um exame de rotina. Nem me incomodo com o som do carro que não obedece à ordem de repetir aleatoriamente todas as músicas do CD antes de repeti-las: já perdi essa guerra. Chego à clínica com vinte minutos de antecedência – levou dois meses para conseguir marcar o horário. Depois de passados cinquenta minutos do horário marcado, uma moça simpática avisa que os exames serão cancelados porque o aparelho apresentou problema nos cabos. Eles telefonarão para remarcar, pois da última vez a manutenção levou vinte dias. Chego no carro e a partida automática trava. Fico uma hora tentando. Ligo para a assistência e eles me dão um prazo de duas horas – “o sistema está com problema, a senhora entende…” – desisto e sigo a pé para casa.

Chego em casa e decido fazer um bolo para salvar o dia. O liquidificador é antigo, a tomada é nova daquelas de três pinos. Nunca três pinos despertaram tanto ódio no mundo. Procuro por todo lugar e nada de adaptador que sirva. Desisto. Vou para o banho como uma condenada. Hoje fez calor. Ontem fez frio. Para o chuveiro, pouco importa. Ele tem seis temperaturas, e ele mesmo quem escolhe em qual delas eu devo tomar banho – ainda esperançosa eu fico longos minutos girando o regulador da temperatura: em vão. Tomo um banho escaldante e saio suando do box.

Já é tarde, eu cansada, vencida, obrigada a ser feliz por estar protegida de todos os riscos. Deitei e sorri. Na terça-feira haviam ligado avisando que por manutenção na rede, a energia elétrica será desligada no domingo das sete da manhã às duas da tarde. Sonharei com esta promessa.

Imprescindível – Ação de Graças

Eu acredito que não importa quais teus nortes na vida: é imprescindível agradecer. Eu busco ver as pessoas além do que a vida mesquinha de todos nós acaba por envolver e guiar. Quando a gente deseja coisas boas aos outros – e que seja sempre assim – não importa gênero, crenças, conta bancária, sobrenome e tudo o mais. Importa querer bem. E é o que eu quero: o bem.

2015 foi um baita ano. Hoje, Dia de Ação de Graças, é dia de agradecer. Agradecer por não ter perdido. Agradecer por estar onde estou, com quem estou. Sei que as pessoas estranharam minhas mudanças, meus sumiços, minhas idéias diferentes, meu comportamento e uma dúzia de coisas neste ano. Eu fiz, mudei. A idéia que permeou 2015 é simples: deixei o ter e o ser (aquela velha dualidade) e busco existir. Busco, aliás, existir no tempo – é imprescindível, também, que seja assim. Não bastaria existir, é preciso existir no tempo. A idéia surgiu aí de longas reflexões, a partir de textos e conversas lá e cá.

Se é feriado americano, se é tradição estranha ao Brasil, pouco importa. É uma das tradições aqui em casa, já devo ter dito. É quando eu encerro o ano, é tempo de seguir para o Natal. Hoje cedo saí para comprar o pinheirinho, desci as caixas de enfeites, passei a tarde cozinhando um pato para o jantar, fiz uma bebida especial, tomei meu banho, coloquei um vestido e tirei este tempo para escrever. Amo esta época do ano desde sempre, sempre escrevo sobre ela, amo a decoração, amo músicas natalinas, amo o eterno retorno (já escrevi sobre), amo presentes, amo o significado cristão, amo me arrumar mesmo que, como hoje, não ponha os pés para fora.

Aliás, este ano quase não saí de casa. Vivi com quem amo. Escrevi bastante. Li um bom tanto. Assisti filmes e séries como há tempo eu não fazia. Corri atrás de coisas que, por exemplo, entre os três escolhidos eu ficava em quarto. Nunca me ergui tão rápido de todas as quedas que sofri. Sorri mais. Dormi muito, muito e muito bem. Cortei praticamente todo o supérfluo. Me desafiei a viver com bem menos, longe de outras tantas coisas que amo. Na balança, deixei de perder muito mais do que deixei de ganhar. E deixar de perder deveria ser o maior motivo pra gente agradecer sempre.

É o espírito da coisa, entende? Que tenhamos todos ao que agradecer. É o que eu desejo a vocês e a todos. Às vezes é difícil, eu já cheguei neste dia, em outros anos, e achava difícil ter pelo que agradecer. Mas a fé e a esperança são assim, tão humanas quanto nós. Não dá pra ser feliz sempre, mas é imprescindível que a gente saiba o caminho de volta para a felicidade.

Como eu disse, independe de crenças. Pra mim é uma semana muito especial (ontem foi dia de Santa Catarina de Alexandria, minha protetora e amanhã é dia de Nossa Senhora das Graças, a qual sou devota) e até dia primeiro de janeiro será assim, todos os dias serão especiais. Por isso, semana que vem terei festas, farei as visitas tão prometidas, enviarei presentes e cartas de agradecimentos e saudades. No mesmo tom do ano inteiro: só tenho a mim para oferecer.

Talvez eu até escreva sobre essas mudanças todas, mas não no nível de auto-ajuda (não gosto). Penso que quando escrevemos sobre o que alcançamos é para dar um testemunho de que aquilo é possível para qualquer um – basta querer. Sabe o gordinho que cria conta no Instagram pra mostrar a luta contra a balança? Então, mais ou menos isso – e acaba que sempre é auto-ajuda. (risadinhas por aqui)

Agradeço, claro, a vocês que lêem este meu desassossego todo. Vocês são especiais. Apareçam sempre (eu deveria aparecer sempre também, né). E que vocês tenham, hoje, muito a agradecer.

O retorno

Há pessoas que, sem saber, capturam meus pensamentos. Aquelas que dizem não sonhar, por exemplo. Mais curioso do que as que não sonham acordadas, são as que fecham os olhos e não vivem por algumas horas – até abrirem-nos novamente para este mundo. Viver só neste mundo real e táctil me parece insuportável. Devem, estas pessoas, ter alguns truques para sobreviver – lêem muita ficção, embriagam-se, usam, enfim, das mais variadas drogas.

Que, quando não durmo ou durmo mal, não vivo. Quando criança sonhava muito com uma casa rosa de madeira que pegava fogo comigo dentro. Na adolescência sonhava com ondas gigantes como se o mar fosse na rua de casa. Agora, talvez adulta, sonho com bichos. Bichos: de várias espécies e em várias situações. A Ciência e os psicanalistas explicam tudo. Qualquer dicionário dos sonhos on line também.

Eis que ontem, como todos os dias, às nove e meia em ponto, entrei no meu quarto para realizar o ritual sagrado: tirar a colcha, passar creme nas mãos, hidratante labial, deitar, ler só com a luz do abajur e recepcionar meus sonhos – doces ou não. E não foi bem assim.

Um velhinho empertigado, de barba branca, monóculo, mãos cruzadas sobre o colo, vestindo um terno cinza bem cortado e tão fora de moda estava sentado na minha poltrona. Pensei em gritar – e não o fiz porque achei que ele se assustaria. Olhei para trás, seria brincadeira de alguém?

Ele me olhou triste e “Precisamos conversar”. Assim, a frase de terror e mais assustadora a sua familiaridade. “Precisamos?”, perguntei. “Preciso convencê-la a ser minha paciente” ele me respondeu aflito. “Estou doente?” minha incredulidade me fazia querer rir. Eu, que sempre temi ser diagnosticada como louca. Encostei a porta para ninguém ouvir. Ou todos já sabiam?

“Não é fácil ver o tempo passar, falarem tanto sobre mim e eu de mãos atadas!” ele desabafou elevando a voz. “Que civilização é esta? Por que ninguém – nem aquele ingrato que se dizia meu amigo e discípulo – continuou meus estudos? Por que jogam minha teoria no mundo de hoje – que nada tem a ver com a vida de vocês?” ele falava aos borbotões, suava, indignava-se com a humanidade. “O senhor quer que eu ligue o ventilador?” tentei aliviar o velhinho que se exaltava com razão. “Exato! Vamos começar por aí! Você dorme todas as noites, todas, com o ventilador ligado! Como você explica isso?” gaguejei e “Preciso explicar?”. “Deite-se, ligue o ventilador. Vamos conversar sobre isso.” e eu obedeci. Ele era autoritário e enérgico.

Em seguida quis fazer um acordo. Ele viria todas as noites. Eu teria que contar meus sonhos, minhas sensações, meus temores. Ele só ficaria ali observando e fazendo anotações. Disse que precisava de mim para expandir sua compreensão deste mundo – tão diferente da época dele! Eu fui aceitando, fui persuadida, deitei e respondi a tudo com sinceridade. Ele jurou que não atrapalharia meu sono.

“Você não sabe o que é ficar lá no outro mundo observando vocês, criando novas teorias – afinal, nem todas as neuroses têm origem sexual – sem poder me defender! Mas escolhi você para me redimir. Seu caso é assaz interessante!” ele por fim explicou-se e mandou que eu dormisse.

Não sei se ele voltará esta noite. De manhã, contei-lhe que sonhei com caixas vazias. Ele ficou exultante. Quis dizer que, talvez, um homem que usa monóculo e fala “assaz” não está preparado para interpretar e compreender este mundo. Diante do entusiasmo do velhinho, preferi me calar e entretê-lo com meus sonhos.

* 19 de novembro, Dia Mundial da Filosofia: que aos pensadores que já se foram, o mundo fica e ficamos com as idéias deles, mas o mundo nunca mais é o mesmo – nem eles seriam.

Nota

Onde torres são erigidas

Pedaços de terra são perdidos e conquistados

Onde há guerra ao lado

E as pessoas querem ser corajosas

Um gole de bondade

Uns petiscos de solidariedade

Nada vai e tudo volta

Em nome de que eu existo?

Cá estou, meu senhor, este é meu nome

Sobrenome, religião, princípios

Aqui, veja, tem até a hora que sinto fome

Agora pode, senhor, dizer quem eu sou?

Os arranha-céus e os igarapés

As bandeiras hasteadas

E o discurso de paz

Talvez se eu lhe disser, senhor

Qual o meu livro favorito?

Se prefiro anéis ou brincos?

Qual o meu signo?

Então me dirá se: culpado ou inocente

Onde doces as vinganças

Amargas as vitórias

Os heróis de terno não sabem seu destino

Senhor, por favor, uma nota de pé de página:

Não ato laços, eu crio casos.

O mal, uma questão existencial

Não sei bem quando foi que conheci a maldade. Talvez tenha sido quando a colega de escola, nos primeiros anos, me chamava de elefante – “ó, lá vem o elefante!”, gritava pelos corredores ao me ver, ela que era e ainda é magérrima. A mesma que hoje tem por companheiro um rapaz acima do peso e abriu um restaurante de comida vegana, além de viver cercada por mandalas e afins.

Talvez tenha sido quando pessoas muito próximas, dessas que dizem que temos o mesmo sangue, traíram, enganaram e causaram uma infinidade de males às pessoas que mais amo. Lembro bem, enquanto na escola me chamavam de elefante, de uma ex-prima, ao dormir na minha casa, dizer que os pais dela diziam que conosco era tudo “olho por olho, dente por dente” e de uma ex-tia que me agarrou à força na frente de casa e me disse tanta coisa que ao chegar para minha mãe eu nem sabia repetir tudo aquilo – o bloqueio, graças a Deus, permanece até hoje.

E foi assim, de pessoas que eu nem ligava muito até aqueles que entram na casa da gente, que eu conheci a maldade. Vi as lágrimas correrem de olhos nos quais eu jamais imaginaria, tudo por conta da maldade. Lá se vão quase trinta anos de vida e posso dizer que, na pele, já senti a maldade em umas centenas de formas – enquanto observo-a, no mundo, em tantas outras fantasias que ela adquire.

O mal não é novidade. O mal é banal. Enquanto houver ser humano na face da Terra, existirá a maldade. Todos nós podemos praticá-la. O ser humano, enquanto ser, é mau – falta-lhe a humanidade. Já devo ter dito, mas não gosto dos adjetivos “selvagem” ou “bárbaro” para designar o que me parece estritamente humano, como a maldade.

Talvez pela minha natureza curiosa ou teórica, gosto de quem pensa a maldade. Foi o que me atraiu em Hannah Arendt. Ainda experienciando a maldade no meu dia a dia, tive contato com Eichmann em Jerusalém. Desde aqueles tempos da escola, a história da dizimação dos judeus me fascinava (a maldade, vejam só, tornar-se-ia um tema dos mais relevantes na minha vida) com suas fotos nos livros de Histórias (os quais guardo até hoje). É um fragmento da História da Humanidade que detém meus pensamentos há muito tempo. E a filósofa toma Eichmann, esta figura pretensiosa e angustiante, como exemplo do mal que se faz tomando o famoso “apenas cumpri ordens” por princípio. Ela quer distanciar os vilões, dessas moças bonitas, maquiadas e bem-vestidas das novelas da TV, por exemplo, da pessoa genial, da grande vilania da literatura. O vilão é um Eichmann, um ridículo. É esse cara com quem você almoçou ontem, de calça jeans e camiseta, sem nada de especial.

Recentemente me deparei com Labirinto de Mentiras e The Eichmann Show, além de ter revisto Hannah Arendt, estes dois utilizam as imagens reais de arquivo do julgamento de Eichmann – pois imagino que não há ator capaz de interpretá-lo na sua total falta de humanidade; só demonstra, talvez, no máximo, preguiça em estar ali – e me debrucei novamente sobre a maldade: como não gostamos de falar sobre isso, como fazemos de conta que ela não existe. Até, talvez, atacarem a capital mundial da liberdade. Aí é difícil evitar os noticiários e o assunto do momento permeado de opiniões rasas.

Depois que li A Sangue frio, delineei uma relação entre o livro da Hannah Arendt e a jóia de Truman Capote. Ambos tratam do mal, este mal banal que permeia a nossa vida, seja lá a vida de quem for. Eu já conhecia a história da família assassinada em Holcomb, porém ao começar a leitura percebi a genialidade de Capote ao traçar o caminho (não só geográfico) dos assassinos. Ao terminá-lo, perguntas ficam sem respostas. Não é o crime, a cena sangrenta, que interessa.

Talvez por este interesse em particular pela maldade eu não entendo a comoção histérica diante de grandes catástrofes e holocaustos perpetrados pelo ser humano. O mal que se faz ao planeta, tanto quanto o mal que se faz a qualquer ser humano (seja ele branco, negro, mulher, criança, homem, idoso, etc.) é o mal que se faz contra o mundo no qual vivemos e contra todos nós. Não existe grau de “mais mal” e “menos mal”, seja por questões pessoais, religiosas, geográficas ou políticas. Hannah Arendt enfatiza a maldade propagada por ideologias, pois muito mal se faz em nome deste ou daquele, desta ou daquela crença (em idéias, deuses, ídolos). Nossas crenças pessoais são as que mais praticam o mal. A colega da escola não me chamava de elefante porque pertencia ao partido de algum Estado totalitário, eram as convicções pessoais dela (sim, as temos desde cedo) que a levaram a agir assim. A maldade, em si, não precisa de grandes causas, não precisa encontrar em um povo inteiro a sua vítima.

Talvez não sejam esses medíocres a praticar a maldade verbal mais pobre que estejam aptos a praticar os grandes atos maus. Depois desses anos todos e de tanto pensar nisso, sei que o mal está em quem tem poder, dinheiro, meios tanto quanto em quem não tem um tostão no bolso, nem um cachorro que lhe lamba a cara: e os atos de todos prejudicam, matam, ferem, destroem, deixam cicatrizes para sempre.

Talvez a humanidade prefira creditar as atrocidades do mal à grandes grupos religiosos, étnicos ou políticos. Porque o que torna a nossa vida ainda mais difícil, ainda mais insegura, é sabermos que o mal em si é medíocre, é banal e, como Labirinto de Mentiras expõe tão bem, está no padeiro, nos nossos familiares, no professor da escola dos nossos filhos, nos grandes artistas do nosso tempo, em líderes que vêm do povo. É isso que nós não queremos saber.

O mal, a despeito do nosso medo de encará-lo, não tem limites ao ser praticado nem ao que ou quem atinge. E preferimos pensar que estaríamos a salvo no seio da nossa família, cercado pelos vizinhos do nosso condomínio, ao entrar no avião, ao jantar tranquilamente nos melhores restaurantes, enfim, cercados pela civilização da qual tanto nos orgulhamos.

É raro, mas quis deixar assim organizado (tudo fácil de encontrar, nada cult ou dificílimo de ver/ler).

* Lista das citações

Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt, 1963.

Im Labyrinth des Schweigens (Labirinto de Mentiras), Alemanha, 2014. Direção Giulio Ricciarelli

The Eichmann Show, Reino-Unido, 2015. Direção Paul Andrew Williams

Hannah Arendt, Alemanha e França, 2012. Direção Margarethe von Trotta

A Sangue Frio, Truman Capote, 1966.

E alguns outros que eu lembro agora porque me marcaram muito:

Areia Pesada, Anatoli Ribakov, 1978.

Wakolda (O Médico Alemão), Argentina, 2013. Direção Lucía Puenzo

Exceto A Sangue Frio, todos tratam do assassinato em massa dos judeus – é uma fixação minha, claro, mas considero um bom exemplo a não ser esquecido do ser enquanto não-humano. As bombas em Hiroshima e Nagasaki também podem ser usadas, a perseguição aos católicos no Oriente Médio, a Inquisição Católica, o tráfico de escravos, e tantos, tantos, tantos outros (volta e meia falo disso por aqui, aliás). O que só prova meu ponto de que o mal está sempre presente, é inerente a nós.

Quarenta e dois dias

Quando eu acordava, era você que eu via por primeiro. Não sei mais o que são meus dias sem você além de uma sucessão de horas passadas sem memória. Meu corpo sente a tua falta. Meus olhos sentem a tua falta. Nem em sonhos eu te vejo mais. Eu vivia num buraco escuro quando você surgiu. Fomos, sim, como dizem todas as canções, tão felizes juntos. Fomos feitos um para o outro. As melhores e mais belas coisas que eu fiz na vida, lá estava você. Ah, como sinto saudade das nossas fotos juntos. Com você eu me sentia viva. Pedalar pelas cidades na tua companhia era sublime, nem importava o fato de quase ser atropelada ou o suor abundante que escorria pelo corpo: eu estava com você. Quantas aventuras juntos? Quantas presepadas e quantos tropeços meus você presenciou? Sempre ali ao meu lado, consciencioso, firme e me transmitia tanta confiança. Era tão fácil confiar em mim, com você ao meu lado. Era tão fácil sorrir pra vida, sabendo que eu te teria comigo.

Tudo perdeu a cor. Tudo perdeu a graça. Voltei ao breu da vida. Sem desculpa e com muitas explicações e justificativas, você se foi. Se foi com alguma promessa vaga de voltar. Dizem que você vai bem, longe de mim. Dizem até que vai melhor assim. Mas eu me agarro à esperança de um dia te ver de novo. De um dia tê-lo novamente ali ao acordar. Sinto frio todos os dias, o dia inteiro. Dizem que estou pálida, que não me animo a nada, que não ponho os pés para fora de casa. E é verdade. É a falta de você. Como um presidiário com longa sentença a pagar, conto os dias da tua ausência em risquinhos na parede. O tempo é um castigo. Não sei o que fiz pra te perder e por mais que digam que não é culpa minha, me penitencio.

As flores do jardim, as árvores, os cachorros e gatos, todos sentem tua falta. Ou são meus olhos que vêem neles a falta que você faz. Por vezes, sinto que minha alma escoa junto à chuva, se perdendo em milhares de metros cúbicos pela terra encharcada. Tem dias que sinto-me à beira da loucura, como atada à punições severas e querendo fugir para uma terra onde possa encontrá-lo de novo. Acordar, abrir a janela e não vê-lo é o resumo do meu dia. Foi assim hoje e nos últimos quarenta e um dias. Então, sem você, abro inutilmente as cortinas da casa e espero o horário de fechá-las, sem que você tenha vindo me fazer sorrir. Sem que você tenha aparecido pra despertar em mim a vontade de encontrar o ângulo certo para captar uma bela foto. Sem que você me anime a sair pelas ruas novamente.

Quarenta e dois dias sem sol. Quarenta e dois dias penando neste calabouço. Mas, dizem, você vai voltar. Dizem que ali acima, em algum lugar, você está. Tenho até medo da minha reação quando você aparecer… talvez eu saia dançando pelo jardim, numa espécie de dança do sol; talvez eu cante enquanto percorro as ruas buzinando e gritando “ele voltou!”; talvez eu sinta tanta alegria ao mesmo tempo que não consiga acreditar nos meus olhos; talvez, pela minha natureza desconfiada, eu espere pra ver se você veio pra ficar; talvez, meu querido, eu abra a cortina e te dê meu melhor presente: este sorriso que só você conhece.

Mas, volte. Volte porque nem eu aguento minha pele tão branca, nem tenho paciência para usar tanta roupa. Volte porque todos aqui sentimos a sua falta. Volte, porque se não me deste a Primavera dos deuses que me inspira tantos amores, ao menos me prometa um Verão inesquecível na tua companhia.

Da terra onde há quarenta e dois dias não vemos o sol.

Camelos passarão

E aquela mulher não ficava quieta. Chamou o filho “Diz que eu não tenho dinheiro pro remédio, diz pro médico que tu quer C E F A L E X I N A (dizia com uma acentuação engraçada) porque eu tenho um cunhado que já teve isso e curou.” E repetia C E F A L E X I N A. O rapaz quieto enquanto ela reclamava da demora. O segurança contava para um homem que ele não pegava a escala para trabalhar ali nas segundas-feiras, pior dia, porque sempre dava confusão e era preciso chamar reforço. A mulher irritante atravessou-se na conversa e, como havia entendido errado, comentou que era muito bom a Guarda Municipal cuidar dos carros do estacionamento. E o tempo não passava.

Os nossos problemas são, sempre, menores do que os problemas de tantas outras pessoas. Era este o meu pensamento sentada ao lado daquela mulher irritante. Sabe aquele tipo que dá palpite e acha que sabe tudo, manda e desmanda? Eu, quieta no meu canto, não escapei do seu ataque “Tá esperando muito tempo?” ao que eu respondi que não. Mesmo se estivesse, não daria este gostinho a ela. Não seria mais uma a me juntar aos reclamadores de plantão. Esperaria, é certo, e sabia que não levaria pouco tempo.

Naquele mesmo domingo, onze de outubro, o padre Juca fez um apelo. Pediu que rezássemos pelo nosso povo, pela intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, que seria celebrada no dia seguinte. Padre Juca lembrou dos desmandos, roubos e crimes que temos visto serem cometidos contra o nosso país – em favor dos que mais têm poder e que prejudicam muito os trabalhadores, nós, os que menos ou quase nada têm. Um país destroçado pela ganância e sede de poder. Um povo abandonado à própria sorte, sofrendo os danos infligidos por quem deveria trabalhar para ele. Talvez só reste, a este povo, rezar. Pedir à Mãe Aparecida a intercessão e proteção.

Estava no PA Sul pela décima segunda vez, segundo a minha ficha. Ao sair às pressas para a missa, prensei a mão no portão. Além dos ralados, doía. Era a mão direita, meu instrumento de trabalho – e eu imaginava o caos que seria não poder usá-la. A mulher insuportável e os dois filhos, homens feitos, tinham furúnculo. Um deles no dedo, outro lá onde vocês podem imaginar e ela eu nem sei. A cada minuto ela dizia que ia desmaiar, que estava tonta, foi até aferir a pressão. Eu aguardava a minha vez fingindo um estoicismo ardente.

Eis que minha atenção foi aprisionada por uma senhora. Agarrada a uma sacola plástica, ela era uma das vítimas da mulher irritante que a bombardeava de perguntas e ordens. Esta senhora era parente de um paciente que estava internado no PA – desconfio que irmã ou mãe dela. Sem notícias, aguardava. Sem deixá-la em paz, a mulher irritante incitou-a a entrar na área de internação.

Nossos problemas, como eu dizia, não são nada diante do que sofrem os outros. A senhora voltou da Observação e contou a história da paciente que ela acompanhava. Estava ali desde ontem, havia sofrido parada cardíaca e queriam transferi-la para Florianópolis, pois em Joinville não havia vaga. Vi as lágrimas conformadas naquele rosto seco e envelhecido, o vazio naquele abraço automático ao saco plástico. Os médicos estavam tentando de tudo, mas “na maior cidade do Estado” não havia vaga em CTI para um caso de parada cardíaca. Me senti por terra. Não queria mais estar ali. Passaria um cataflam na minha mão e ela ficaria boa. Mas por aquela senhora, por aquele paciente que nem sei quem é, eu não podia fazer nada.

Pouco antes de eu ser chamada, a senhora voltou – sem esperança. Os médicos haviam conseguido a vaga em Florianópolis, mas a paciente não estava em condições de empreender as pouco mais de duas horas de viagem. “Acho que ela não vai conseguir mesmo, só estão esperando” foi o que ela disse. E mesmo neste momento a mulher irritante soltou “Leva pelo menos até o Betesda, não deixa ela morrer aqui” ao que a senhora repetiu que não havia vaga.

Sabe quando você sente que nunca mudará o mundo? Quando você se sente sem palavras ou sem ter o que fazer? Eu me sentia pior. Eu vi chegar mais um senhor e uma moça com os olhos pastosos de tristeza. Eles se debatiam em telefonar pra esse, chamar aquele. E não havia vaga em nenhum hospital para que aquela pessoa lá dentro tivesse o tratamento necessário. Para salvar aquela vida.

Fui examinada e segui para o raio-X. Pela primeira vez encontrei o corredor dos consultórios vazio – justo naquele dia eu havia sido encaminhada para o Cirúrgico. No silêncio, rezei uma Ave-Maria pela paciente que estava diante da realidade. Da realidade de não ter um leito numa cidade que se orgulha dos seus mais de 500 mil habitantes. Da realidade de médicos que tentam de tudo, mas que se frustram por não ter como fazer mais. Da realidade da tristeza impotente dos que a amam.

A mulher irritante e seus filhos saíram de lá com os remédios e curativos. Eu peguei uma receita. Ao todo, o atendimento durou cerca de duas horas.

Pensei tantas vezes naquela senhora e na paciente. Aliás, não consegui tirá-las da cabeça. Me socorri nas palavras do padre Juca. Senti como é estar tão desolado que a prece é a única coisa na qual podemos nos agarrar. Mas senti, também, uma necessidade de escrever. E este texto saiu a marteladas, como se eu tivesse tanta coisa para dizer e não conseguisse, como se eu quisesse apontar culpados, como se eu precisasse escrever para dividir minha angústia. O caso da falta de vaga não rendeu capa para os jornais locais. Ninguém perderá votos, por isso, na próxima eleição. Eu não sei o que aconteceu com a paciente, mas desejo que ela esteja bem. Que o amor dos familiares, a intercessão divina e o empenho dos médicos tenham-na salvado.

O evangelho daquele domingo foi a famosa passagem sobre ser mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que um rico ir para o céu. Talvez seja mais fácil fingirmos que o país vai bem, ou reclamarmos inclementes do péssimo atendimento de um PA que abrange toda a região sul de uma cidade populosa, ou simplesmente pagarmos um plano de saúde. Muitos camelos passarão, enquanto achamos nossos problemas mais importantes do que os dos outros e a todos nós só nos resta rezar aos céus.

Como ser um little boy

12 de outubro, dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, dia, também, das crianças. Talvez eu escrevesse aqui aquelas quatro ou cinco páginas sobre mil coisas e pensamentos que tenho vivido. Mas sobre esses dias que a gente não quer que acabe, terei muito ainda por escrever nas próximas semanas.

Escrevo para deixar uma pérola do cinema, um sonho como todo filme deveria ser. Nunca repararam como os filmes se assemelham muito aos sonhos? Pois é. Deixarei a crítica de cinema de lado, por ora, – só devo dizer: Fotografia (iluminação, as cores e enquadramentos e movimentos de câmera, essas coisas) deslumbrante e com um toque de felicidade; atuações maravilhosas; roteiro sensacional; – para comentar uma lista, “an ancient list”, que é praticamente um personagem do filme.

Gosto de escrever de coisas boas, de como podemos ser melhores. E o filme, numa sessão Dia das Crianças, e increase your faith, ambas perfeitas para este feriadão, é exatamente isso: como ser melhor. Como melhorar a nossa fé, e nada melhor do que a partir da visão de uma criança. Deixo aqui a lista com o desafio: conseguiríamos dar conta dela? O post de hoje é breve e imprescindível, com tempo poderíamos discutir cada item. Na última lição a ser empreendida e aprendida devemos acrescentar o nome do nosso Hashimoto: quem mais odiamos na vida, o que desperta nossa ira, a quem destinamos nossas más ações. O nome que devemos colocar ali fica aberto à nossa livre e sincera escolha.

Fiquem com a lista. Assistam ao filme Little Boy (Alejandro Monteverde, 2015) se quiserem porque quem sou eu para impor alguma coisa a alguém. É emocionante, no mínimo. Qualquer dia talvez eu fale mais dele por aqui (porque por aí falarei pelos cotovelos, certeza).

the-list

Ps.: não sei se a lista tem alguma origem e tal, depois pesquisarei com calma (mas vi que tem textos interessantes sobre o filme por aí).

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