Inveja

Esses dias, durante o banho num período de inferno astral, fiquei pensando qual o pior tipo de inveja.

Não consegui chegar a uma conclusão e perguntei pro meu namorado o que ele achava.

Aí vai:

Qual o pior tipo de inveja? Aquela que a pessoa quer tudo o que você tem, tudo o que vê na tua casa; sabe aquele que te visita e diz “ai, quero um igual!”, “ai, onde você comprou isso? também quero!”, “quanto você pagou?”.

Ou aquela que tudo que você tem e faz a pessoa diz que também tem, que também faz igual, que pensou a mesma coisa. Vai na tua casa e diz “ai, eu tenho um igual”, “ah, esse aí minha mãe também comprou”, “ai, eu tive a mesma idéia pra fazer isso”.

Nas duas, é óbvio, tu se sente mal. É um esmalte, é um livro, é uma taça, um vaso, uma prateleira, um notebook, uma máquina fotográfica, um vestido, uma sandália, uma toalha de mesa (sim, até isso!)… Os exemplos aqui são todos bem reais. Bem mesmo.

Aí, meu namorado, quase um velho sábio (quase, vejam bem… um dia ele aprende) me responde: nenhum dos dois tipos. Segundo ele, tem um terceiro, que é ainda pior: aquele que a pessoa deseja que você não tenha, porque ela não tem. Sabe, quando tu tá com aquele namorado maravilhoso e a mal-amada ali fica desejando que tu termine, fica fazendo fofoca, só pra que você não tenha mais. Ela nem quer, necessariamente, pra ela.

Você tem uma família linda, saudável, estável em todos os sentidos… mas tem aquelas pessoas que ficam torcendo pelo teu mal, só pelo prazer.

Sim, a muitos anos na minha vida que descobri que a maldade proporciona prazer. Já vi muitas pessoas cometendo atos de extrema maldade e a única coisa que me explicaria o fazer isso seria algum tipo de prazer.

Sim, confesso que já cometi umas pequenas atrocidades, sem serem ligadas à inveja, e isso dá uma certa satisfação.

Então, meu namorado está certo? Esse terceiro tipo de inveja é a pior? Certo, todas são uma merda. Lembro sempre de um desses dizeres de caminhão “a inveja é uma merda”. E pode destruir. Amizades, famílias, relacionamentos, vidas…

Confesso que ao pensar assim já não sei qual é a “pior”. Os últimos acontecimentos fizeram eu me afastar de pessoas, lugares e situações por ter um nojo extremo dessa baixeza.

Eu alimento aversão à lugares, pessoas e coisas que me transmitem e relembram coisas ruins. Faço isso com muito gosto para viver melhor e como medida de sobrevivência e proteção.

E aí, afinal, qual o pior tipo de inveja?

Reflexões praianas sobre o fetiche, ou meu romantismo.

Estou um poço de romantismo hoje.

Talvez pela cena espetacular de amor adolescente que presenciei hoje na praia, talvez pelo sonho maravilhoso que tive esta noite (sem direito a acordar na melhor parte!). Ou simplesmente pelas reflexões praianas…

Fato é que estou.

E disso resultou um dos meus lemas de vida: respeito todos os fetiches e desprezo toda e qualquer necessidade.

Sim, o “eu quero/possuo” dos fetiches é uma paixão louca que eu respeito e admiro demais! Mas as pobres necessidades? Ah, essas eu desprezo com muito desdém.

Fiquei pensando se o amor adolescente na areia se encaixava no fetiche ou na necessidade. Amor na areia é um fetiche, para muitos, como o amor em lugares públicos ou ao ar livre. Infelizmente, para alguns trata-se de simples necessidade. Pobrecitos! Desconhecem o poder de um bom fetiche!

Sem dúvida o sonho foi puríssimo fetiche! Ah, e que fetiche… Pelo menos em sonho, já que na vida real torna-se algo bem distante. Mas eu fico feliz até com a posse em sonhos! Porque o segredo da felicidade eu não conto, não é mesmo? Não sou de contar segredos que não me interessam contar!

Bons fetiches a todos…

Da Bahia à Patagônia. Um dinheiro, uma câmera, um carro.

Eu poderia mudar o mundo. Eu, um carro e uma câmera (com algum dinheiro) poderíamos ver aquilo que não vemos. Aquilo que as telas e quadros escondem. Eu poderia seguir adiante temendo não poder voltar. Ou eu poderia seguir adiante não desejando voltar. Eu poderia desejar minha Piedra Sola lá no Uruguai ao ver este mundo daqui, ao ver meus sonhos e ideais ruírem. Eu poderia me aposentar, plantar batatas no alto do Maciço. Eu poderia pescar e caçar para me alimentar, me exilar. Eu poderia ir às ruas, gritar, esbravejar. Eu poderia tentar falar com você. Eu poderia tentar ver, tentar enxergar, tentar pensar. Eu poderia somente desejar. Ou eu poderia amar. De tanto tentar complicar, eu poderia apenas simplificar. Jogar as cinzas no mar, não mais deitar e rolar até não conseguir dormir. Eu poderia esquecer. Esquecer tudo, todos, você, ontem, ano passado, o bem, o mal. Eu poderia, sim, recomeçar. Ou eu poderia parar, parar tudo, de repente, do nada. E deixar a todos sem explicações. Eu poderia simplesmente minar as esperanças, ninar a febre e trabalhar das 8h às 18h. Eu poderia desistir das escolhas e das opções e viver num celeiro. Eu poderia correr o mundo, tentar aquela imagem, aquele som, aquele gesto, aquele personagem. Eu poderia, também, voltar atrás, parar o tempo, brincar com o tempo, enganá-lo. Eu poderia ignorar e ir dormir, ou tapear o sono e decidir pensar, mudar. Eu poderia assistir TV, algum filme, e esquecer. Ou eu poderia fazer um filme e fazer pensar. Eu poderia incomodar. Eu poderia escrever e confundir, desestabilizar. Ou eu poderia… simplesmente… agradar. Eu poderia trair, convencionar. Ou eu poderia me trair, me matar. Eu poderia rever minhas opiniões, ou eu poderia apenas, cegamente, apenas reiterá-las. Eu poderia tentar gravar e gravar a mesma seqüência, sem entendê-la, sem entender o que ela me pedia. Eu poderia ter uma conversa de bêbados, ou uma conversa de loucos, e ser feliz. Ou eu poderia escolher uma conversa sã e culta. Eu poderia escrever a necessidade, ou eu poderia escrever a diferença. Eu poderia duvidar para conseguir acreditar. Eu poderia querer, com algum motivo obscuro no coração, e dizer não para me proteger. Ou eu poderia não saber se quero ou não e poderia não conseguir ouvir meu coração. Ou eu poderia não querer me proteger, nunca. Eu poderia criar, ou copiar. Eu poderia falar, ou ouvir. Eu posso sempre correr, ou andar. Eu poderia votar ou anular. Ou seria voltar ou anular-me? Eu poderia olhar, mas com medo, colocar a câmera em frente aos meus olhos. Ela, sempre, lá. Não há como não poder. Não há como não agir. Não há como não escrever. Eu poderia ligar. Eu poderia desligar-me. Eu poderia ter a paz e deixá-la escapar. Ou eu poderia vingar. Ou eu poderia jantar. Eu poderia subir morros, descer dunas, pular de cachoeiras, mergulhar no mar, adentrar matas, mas jamais me abandonar. Eu poderia guardar tudo e não ter nada. Eu poderia queimar as lembranças e os terrores. Ou eu poderia viver com os traumas. Eu poderia resumir tudo num sorriso. Ou acabar com uma frase. Eu não poderia me salvar. Eu poderia ir da Bahia à Patagônia. Eu poderia ser médica. Eu poderia ter casado. Ou poderia ser eu. Eu poderia ter uma crise de claustrofobia. Ou eu poderia me sufocar. Eu poderia parar… agora… ou nunca.

minhas roseiras – enfim poesia

Plante uma roseira

Ame-a

Deixe-a sempre perto da vista

Nunca a esqueça

Deixe-a em boa companhia

Com alguma palmeira

Com outras roseiras

Esqueça de onde as coisas vêm

Não pense porque as coisas acontecem

Regue-a

Dê a ela o sono silencioso da noite

O sol brilhante e quente dos dias

Ela gosta muito do sol

Precisa dele mais do que de você

Não tenha ciúme nem fique triste

Sempre há o que dá mais vida ao outro do que nós

Os dias passam, o passado de vez em quando volta

Mas as roseiras sempre estarão ali no seu jardim

Esperando por um olhar

Quem acredita não discute?

Esses dias mudei minha mesa de refeições de lugar, coloquei-a junto à janela. Moro sozinha e na maioria das vezes faço as refeições sozinha, coisa que eu realmente abomino. Às vezes perco até a vontade de comer só de me imaginar ali, comendo sem ninguém com quem dividir o momento. Às vezes como em frente ao computador (péssimo costume), só para não reparar que estou sozinha. Não me incomodo, de modo geral, em estar sozinha, até gosto… mas as refeições… por isso agora tenho a companhia de uma vista extensa, bonita e variada para as refeições. É ali, agora, que sento e fico pensando na vida, nas janelas, em coisas boas e ruins, apesar do esforço que tenho feito para pensar só coisas boas.

Coisas da vida, ando relendo alguns textos, lendo outros que eu não conhecia e me deparando, finalmente, com questões interessantes novamente. Ao mesmo tempo, estou muito ligada à campanha política. Não porque eu gosto, ou porque tenho algum candidato. Mas porque a decepção é grande, porque não acredito em como as pessoas “pensam” (no sentido de que quem deveria mesmo pensar se mostra alienado), porque não me conformo com quase nada, muito menos com a ignorância. Tanta mentira nessa campanha, e alguns não vêem, os outros preferem fazer que não vêem. Alguns poucos acham que vêem mais que os outros “aquilo que a mídia não mostra”, “aquilo que o povo não sabe”; menos ainda, raríssimos, os que ficam ali, vendo tudo, comentando, lamentando, fazendo seu pouco, labutando e pagando os impostos, inconformados com o rumo de tudo mas que não levantam sua voz e seu poder.

Difícil ficar insensível a tudo isso, pelo menos para mim. Num programa qualquer de TV tinha um personagem que dizia “eu sou uma esponja absorvo as coisas e os outros”, e eu, como boa pisciana além de tudo, vou absorvendo como uma esponja, me enfurecendo, me decepcionando, discutindo, me indignando, altos e baixos hiper polarizados. Diante de tudo, sinto falta de uma coisa fundamental (que é o up da vida, que sempre me motivou, me mobilizou, que desde pequena eu ouvia “lá vem a Fahya…”): discussão. Não, não o bate-boca, por favor, que disso tenho um pavor absurdo (tal qual de casamento! E não é pra menos que os dois andam juntos, né?). Discutir idéias, ideais. Quando cada um apresenta os seus e as suas, e ninguém precisa convencer o outro, nem catequizá-lo, nem destruir os argumentos do outro (sim, discussão é apresentar argumentos). Sinto as pessoas aferradas as suas idéias e aos seus ideais, sem se disporem a discutí-los. O seu candidato é o melhor? Por quê? Mas chega nesse ponto as pessoas ridicularizam o “outro”, não se valem de auto-crítica, nem de crítica, falam (quando falam…) cegamente daquilo no que acreditam.

E assim eu chego ao que me deixa aterrorizada no momento: as crenças. Para dar um exemplo na nossa política, em 2002, na campanha presidencial, Lula pedia que acreditássemos. Era nisso que ele insistia nas imagens tão belas produzidas por marqueteiros. Eu acreditei, votei nele acreditando, cegamente disseminava essa crença, era repudiada por uns (minha mãe inclusive), era ouvida com desconfiança por outros (meu pai inclusive), era desenganada por uma (minha irmã), cegamente, nos meus dezesseis anos (fiz meu título porque queria votar) tão bem vividos, eu acreditava. Passou um ano, estava lá no terceiro ano do ensino médio, quando um professor de História (tive os melhores!) pergunta para a turma numa manhã cinzenta: por que o Lula, agora como presidente, não está cumprindo o que fez muitos acreditarem? O silêncio na sala, eu ali na última carteira do lado esquerdo, junto à parede me remexia. Nunca fui de levantar o dedo para falar durante uma aula, prefiro sempre ficar quieta na minha, exceto meus momentos de revolucionária (o que alguns confundem com revoltada). A turma não era politizada, longe disso, só pensavam em celular (na época eles eram um sucesso, ainda na coisa de mandar sms), nesse, naquela. Eu levanto o dedo e respondo: porque ele não mudou o sistema econômico do país. O professor, uma figura (!), vai até perto da minha carteira, feliz da vida com a minha resposta e diz: isso mesmo! Ah, eu casava contigo! (viu, tenho motivos para ter pavor de casamento! Esse é só um, mas a lista é grande! Traumas e mais traumas desse tipo!) Este professor, ex-aluno do Fernando Henrique Cardoso na federal do Rio de Janeiro, fez diferença na minha vida, como todos os meus professores de História, mas infelizmente não lembro o nome dele.

Sim, ali eu já ficara temerosa por ter acreditado. E os anos seguintes confirmaram isso, grande foi a minha decepção ao acompanhar todo o mensalão, as declarações estapafúrdias do nosso presidente aqui e no exterior. Eu não conseguia mais acreditar. E hoje não consigo porque sei que não há um sucesso econômico, há apenas uma liberação de crédito para as pessoas se endividarem com a compra de computadores, carros (e reclamarem, portanto, do trânsito), celulares… Enquanto as taxas de analfabetos e analfabetos funcionais continuam nas alturas. Esse país ainda vai sentir o choque dessas dívidas acumuladas, não pagas, dos empregos péssimos, da falta de educação. Uma máquina administrativa que cresceu uns 200%, que tem impostos dos mais altos do mundo, que não tem educação nem saúde. Não falo por falar, por ouvir dizer. Não é a UNIMED de muitos que traduz o real estado da saúde por aqui, nem as universidades federais de excelência. Os médicos são mal formados, inexperientes, não conseguem dar um diagnóstico, isso porque a maioria vai fazer o curso de Medicina por status, por dinheiro. Os professores nas universidades vivem viciados na rotina de ganhar muito bem para uma vida aniquilante em sala de aula, e assim empobrecer e sucatear o ensino com atestados, faltas, conhecimento pífio.

Tenho muitas críticas a fazer ao governo do Lula, sem dúvida, com fatos e dados (não os estatísticos, porque não entendo números), com experiências. Não acredito mais. Tenho críticas da cegueira que abrange o país todo acerca do patrocínio dele para a candidata Dilma. E uma crítica a ela: no início da sua propaganda na TV ela falou que não era experiência que governava um país, que o governo do PT tinha descoberto que era preciso “paixão” para fazer as coisas. Paixão? Sim, eu pergunto, paixão? Antes era acreditar, agora é paixão? Eu não acho a Dilma a pessoa mais passional desse mundo, muito menos dessa campanha.

Sabe, talvez só porque eu não tenho mais dezesseis anos, talvez porque eu tenha me desiludido, talvez porque hoje desconfio muito mais de tudo e de todos. Mas pedir que eu vote na “paixão” é me chamar de burra, no mínimo. Sei de muita coisa que a paixão é capaz (ah, como sei…), mas também sei que só acreditar não basta. Menos ainda que acreditar, sei que paixão só não basta, não basta nem para um relacionamento, quem dirá para um país.

Não encontro ninguém que queira discutir essa “paixão” de que fala a candidata da maioria dos brasileiros. Ninguém que queira discutir a formação e o passado dela, suas crenças. As pessoas acreditam, cegamente. Sei como é, já passei por isso. Pena, nessa vida, que aprender com os nossos erros é ainda (talvez) a única forma de cairmos na realidade. Um dia esses aí também cairão. Mas até lá pagaremos todo o preço. Pior, que eu sinto muito mesmo, é não poder sequer discutir com essas pessoas. Discussão, lembrando, nos termos que citei acima.

Lamento, lamento muito esse país. Lamento ver o que me assusta. E muitos por aí reclamam do “tempo da ditadura” (sabe, às vezes penso que eles sentem falta daqueles tempos! E correm para uma nova, nosso presidente já “assinalou” isso…), durante o qual havia censura, perseguição; hoje não há e eles preferem ficar calados, cegos.

Reflexões na madrugada com Sex and the City 2

Depois de duas semanas cheias, atribuladas e cansativas, consegui finalmente, ontem, assistir um filme. Mas por esses mesmos motivos, tinha que ser aquele que não exigisse demais, até porque decidi assistir já no começo da madrugada.

E a escolha foi Sex and the City 2. Tinha colocado para baixar a pouco tempo, mas nem lembrava que já estava completo. Bem, era a melhor escolha diante da situação toda.

Mas por que eu faço isso comigo? Não adianta, Sex and the City sempre me faz pensar. Acompanhei o seriado, não era fã nem fazia de tudo para não perder um capítulo. Mas… Em relação ao primeiro filme eu já havia ficado pensativa, mesmo o tema central ser casamento e as personagens terem seus quarenta e tantos anos. O que eu lembro do filme é a decepção de ver a Samantha morando com um cara, isso não é pra ela! E a atitude do Mr. Big, de deixar a Carrie no altar, porque ela fez tudo errado. A ruiva, que não lembro o nome, é um do tipo casal mais insuportável que há por aí, a regra. A morena é a exceção, princesinha, tudo lindo e maravilhoso.

O casamento da Carrie, no primeiro, só fez eu confirmar o que penso de casamento: aquele show todo é desnecessário, não é para o casal, é para os outros. Parece mais um circo. A atitude dele era totalmente compreensível, a dela também (sabe Deus porque as mulheres só pensam em casar, chega um momento que elas só pensam nisso, é um saco!). Porém (ah, porém!), ele deveria ter tido outra atitude. Desde o seriado nunca fui fã do Mr. Big. Não sei explicar. Contudo, nos filmes, comecei a simpatizar. Principalmente no segundo.

Fiz um quiz desses do Facebook e saiu que eu era a Samantha, entre as personalidades dos personagens. Também acho! Mas de vez em quando me sinto com um pé na Carrie, apesar de também não gostar muito dela. E a Samantha não casou, finalmente.

A seqüência do hotel, no casamento gay, foi metaforicamente perfeita. E como ontem fiquei viajando historicamente em metáforas, só me restou, alta madrugada, pensar nisso.

Estão num quarto a Samantha e um rapaz que ela pega na festa, a família perfeita da morena no outro e Mr. Big e Carrie no meio. Entre o sexo selvagem de Samantha e o choro convulsivo e irritante das filhas da família perfeita, lá estava um casal maduro assistindo TV (os filmes em preto e branco…) tranquilamente. Metáfora, né? Quais as escolhas que temos? Relacionamentos intempestivos, fortes, com sexo selvagem; relacionamentos de regra, família perfeita, filhos, como manda o figurino já a tanto tempo e suas conseqüências indigestas; um amor tranqüilo, calmo, com os dois em sintonia… assistindo TV. Você escolheria qual? Você já escolheu?

Vão me dizer que todos têm seus lados positivos e negativos. Não consigo ver nenhum positivo no da família perfeita. Se fosse possível, juntar um pouco do da Samantha com o da Carrie. Será possível? Ou você escolhe um deles e abre mão de certas coisas mesmo?

Estava eu aqui, sozinha, solteira, em plena madrugada. Era 2h30 quando me deu fome durante o filme. Fui até a cozinha, esquentei uma pizza, fui comer assistindo o filme, voltei para a cozinha, fiz pipoca, voltei pra cama e continuei a assistir. Sempre pensando nessa maravilha de estar sozinha, ser solteira, poder fazer pipoca às 3 da madrugada, sem ter que pensar em ninguém, sem reclamações, sem obrigações. Isso não parecia encaixar-se em nenhuma das opções de casamento. Foi o que mais me deixou intrigada. Mesmo quando a Carrie se irrita com pequenas coisas do Mr. Big – TV, sapato no sofá, comer em casa, não querer sair, etc. – e vai para o seu antigo apartamento ficar sozinha para escrever. Em relação aos homens algumas dessas coisas já me irritaram. Mas são irritações em determinados momentos, acredito que pelo excesso – excesso de TV, nunca querer sair, só comer fora ou só comer em casa, pois, para mim, variar é ordem do dia. Ah, sapato no sofá, toalha em cima da cama, coisas jogadas pelo chão, e esses lugares comuns que as mulheres reclamam dos homens realmente não me incomodam (aliás, acontece o contrário! Eu faço essas coisas!! E reclamam!!).

O tipo do casamento da Carrie merece meu apreço, e foi tão fácil perceber que o problema ali era o tempo: dois anos. Esse período é realmente ruim num relacionamento, seja ele qual for. Um ano de relacionamento me deixa com paranóia do tipo: a coisa é séria! Aí vem o peso, as responsabilidades, as obrigações, e isso eu não gosto. Mas quando chega aos dois anos vem o peso do costume, do comodismo, do já conhecer-se, da sinceridade, da cumplicidade, e já há um espaço para cada um – o que pode causar estremecimentos, porque cada um começa a rever-se como era antes do relacionamento e isso traz vontades e lembranças, como a Carrie querer ficar sozinha para escrever. Ou a coisa fica bem feia por aí, e já não vai sustentar-se no futuro próximo, ou isso serve para aumentar o conhecimento e a cumplicidade e daí pode ir bem longe ainda.

A própria Carrie, enquanto está sozinha no apartamento, escreve um texto sobre os dois anos. Se não assistiram, assistam. E reparem que quem traz o romance, as pequenas alegrias, quem pensa no relacionamento é o Mr. Big. Ela só implica, reclama, acha que ele faz tudo errado, o que leva-o a dizer que sente que está decepcionando-a. Isso faz a fama das mulheres! São sempre elas que reclamam, que implicam com tudo, e o cara lá (tá, não são todos, hein… mas ainda tem alguns Mr. Big por aí, acreditem em mim!), fazendo tudo, pensando nos dois, comprando uma TV para assistirem filmes em preto e branco (ah!) juntinhos na cama, como um programa especial deles. E ela? Ela nem disfarça, fala em jóia (ah, mulheres, hein… saco!), diz que aquilo foi numa noite, num hotel. Fazem por merecer a fama! E os homens, Mr. Bigs, não procuram uma (há de existir uma!) que dê valor a isso.

Tanto Aidan quanto Mr. Big dizem para Carrie que ela não é como as outras. Não concordo, não vi nada de extraordinário nela! E, afinal, todos os homens dizem isso para todas! Se até eu já ouvi tanto isso… Não conseguimos acreditar mais nisso, né? Cada um é só especial para o outro, não para todos.

Ela, ainda como boa mulher, para sentir-se “bem”, “ela mesma”, vai toda arrumada (como a muito não se arruma para o próprio marido) encontrar-se com um ex-namorado e o beija. A volta é preenchida com o remorso. Remorso? Telefona para ele e conta o que aconteceu. Na volta para casa, fica esperando-o. E? Ele chega com um anel, para ela lembrar que é casada e não sair por aí beijando para sentir-se bem.

Cheguei a simpatizar bastante com o Mr. Big. Mas ele ter aceitado essa traição não caiu nas minhas graças. Porém, a atitude dele de “marcá-la” eu gostei… se é para estar junto é preciso ter algo que oficialize isso (esse negócio de só morar junto “abre” possibilidade para muitas coisas ruins acontecerem), se é para assumir, que seja um papel assinado (cada um com seus bens, hein…), um anel. Não precisa do circo todo que a Carrie queria no primeiro filme.

No fim, os dois anos chegam aos três e tudo volta a ficar melhor. Até a próxima crise…

O suicida, no supermercado

Os motivos que ele tinha para ser um suicida em potencial eu não sabia. Acho que nunca saberei, pois os motivos de um suicida serão sempre obscuros, indizíveis, inescrutáveis para nós. Era uma sexta-feira à noite, agosto, um inverno incerto, com calor de primavera pela tarde e temperaturas de lareira à noite. Um movimento daqueles nos corredores do supermercado, casais que preparam as luxúrias para o fim de semana, crianças grudentas e fedidas saindo da escola sendo carregadas pelos pais carrancudos, estudantes, muitos universitários que moram longe de casa correm comprar a bebida nossa de todo porre, as comidas congeladas nossas de toda pré-balada. Ele é uma figura típica local, idade dos cabelos brancos e muitos pêlos, bermudão de velho que esqueceu de renovar a idade do guarda-roupa, moletom que já viu tantos sóis que esqueceu a sua cor. Um carrinho de supermercado gigante pairando incerto pelos corredores apertados e entulhados de pessoas. O caminho parecia ter sido traçado numa ordem lógica. Pães Oito garrafas de vinho. Tinto. Cabernet sauvignon pra qualquer hora, tão comum quanto água. Mas água não tem tinto. A qualidade indiscutível. Queijos. Provolone, gouda, mussarela, parmesão. Queijos firmes, adocicados, defumados. Boa combinação. Aqui, o mais destoante de tudo… ou não: cerveja. Cerveja? Para muitos ali era a compra básica, cerveja e cerveja, ou cerveja e carne. Mas para ele? O que a cerveja faria com os vinhos, o pão e os queijos? Ali parada na fila olhando para o carrinho dele eu descobri: ele era um suicida. Aquelas doze latas de cerveja diziam isso. Não haveria alguém que tivesse pegado os itens anteriores e chegado ao crime, ao avesso, de pegar aquelas latas. Aquilo o indicava. Aquilo o anunciava. Aquilo assinava sua carta derradeira. Eu, olhando aquelas latas, voltava os olhos para as garrafas (eu mesma com duas garrafas de vinho, rosé e branco, ambos suaves, nem eu mesma sabia porque, talvez para não pensar em questões tão duras quanto às do meu vizinho de fila), via o pão… saboreava as lembranças do gouda. E lá estavam elas, as latas. O barulho dentro do supermercado era tão irritante que o mp3 me ensurdecia. Uma fila parada com um cara e cinco pacotes gigantes de pães (pelo jeito estava barato, não?), uma mulher daquelas que já passou da idade pra tudo e é “intelectual” conversando com um projeto de homem que quer mostrar nas roupas, cabelos, postura que é intelectual, entre eles não pode haver sexo, minha imaginação não permite, mas há um sanduíche natural – só o que poderia haver, tudo que eles são, dizem e pensam se traduz naquele pão murcho e colorido de cenoura. Aquele suicida ali, eu ainda não havia entendido. Mas, volto os olhos para o carrinho dele, penso que não entendo aquilo. E… lá está! Lá está a prova definitiva! A minha estranha desconfiança se confirmava com aquilo, aqueles dois pacotinhos por baixo dos queijos que eu não havia percebido… lá estão as navalhas! Navalhas! Agora tudo se encaixava, tudo ficava claro. As latas de cerveja eram o indício. E ali estava a prova. Meu coração deu um salto. Meus gestos travados. Minha cabeça inconstante olhava para os lados. Eu não podia fazer nada. Diante de uma decisão nada pode ser feito. Virei os olhos, aguardei minha vez, paguei meus vinhos e segui para casa. Seria uma noite difícil.

Curtas

 

Eu fico feliz ao ver cágados nos córregos da cidade. Fico ali parada vendo-os. E perco a hora do banco por isso!

Eu não consigo parar quieta em casa. Fico zanzando pra lá e pra cá.

Tenho paixão louca por doce de coco da sococo, aquele que dá pra comer de colher. Comprei um potinho ontem no mercado aqui perto de casa. Está de babar!

Não caso com homem que não saiba cozinhar (e bem!) doces!

Mudei de idéia sobre em quem vou votar para governador e presidente (tá, ainda posso mudar até o dia da eleição).

Ando viciada em twitter e facebook. Vocês não?

Fico rindo muito das pessoas que falam mais do que são. Principalmente algumas que estão “envolvidas” em audiovisual aqui na Ilha.

Não puxo saco. Nunca puxei, nem hei de puxar. Não preciso disso. Mas, tem tanta gente aí que precisa.

Lembro sempre da minha avó (e tenho lembrado com bastante freqüência) quando vejo umas criaturas por aí e a expressão que ela usava me vem direto: pode matar que é bicho!

Tenho idéias brilhantes para resolver sérios problemas sociais e políticos do nosso mundinho, mas ninguém me pergunta! Posso vendê-las. Ou fazer um documentário. Estou mais pra segunda opção. Logo, logo, nas nossas telas.

Não consigo me animar com o youtube, sabe. O povo vidrou nisso, e eu, eh…

Ando me preocupando demais com as pessoas que são boas, mas que não percebem a maldade que há por aí e se prejudicam com isso.

Não acredito nos enredos das novelas. Acho que é só coisa de novela. Mas, começo a desconfiar que acontecem na vida real também!

Gosto do tempo, é um bom amigo, mas ele anda como a maioria dos meus amigos: ausente!

Tenho vícios. Muitos. Mas sei que tenho tendência a vícios. Por isso que preciso demonstrar que tenho domínio sobre eles. Semana passada troquei alguns esmaltes por uma tarde saborosa na Casa das Tortas. Ontem não comprei esmaltes, deliberadamente.

O vinho tem me acostumado mal. Divindade, sem dúvida.

Aguardo ansiosamente a Primavera. Mas o dia de Inverno que fez hoje me deixou mais que feliz.

Saí de mini-saia hoje. Tanta gente olhou para mim (homens e mulheres!) que me senti um ET. Ah, vai dizer, nesse calor!

A Ilha fica mais “respirável” quando algumas pessoas a deixam. Hehe

Eu quis ir ver a neve lá na Serra semana passada. Ninguém quis ir comigo. Assim as pessoas me perdem!

Há traições que mantenho o traidor por perto. Traições podem ser piores quando totalmente inesperadas.

Posso resolver a vida de muitas pessoas, mas elas não me ouvem.

Quero um cachorro, mas dizem que é melhor eu não ter. É, quero ter, cuidar daí já preciso contratar alguém.

Ontem comi um x-bacon com tanta vontade que ainda roubei uns bacons do sanduíche do meu namorado.

Tem uma coisa deliciosa: Pepsi geladinha. Oh, coisa boa!

Estou pensando em me mudar. Só porque ouvi da Mercedes Sosa: “hablo de cambiar esta nuestra casa De cambiar por cambiar, no más” Simples assim que decido o que fazer da vida, num verso lindo.

Estou achando um saco esse politicamente correto de eu não poder usar “bicha” e “sapatão” no twitter e etc. só porque tem isso e aquilo e blá blá blá. Temos referências de vida e visuais, estereótipos, por que censurá-los? Acho uma chatice isso.

Semana que vem irei viajar pra um lugar que ainda não conheço. O motivo não é lá muito nobre. Pouco me importa. Viagens aproveito-as e quero fotos!

Semana passada fiquei bem pensativa sobre um assunto que me assombra desde pequena: envelhecer. Prefiro até fugir desses pensamentos. Dói de várias formas.

Resumindo para vocês: minha cabeça está momentaneamente fragmentada, dispersa, desorientada, desfocada, aérea, viajante, vendida…

O que faz um casal quando casado?

Um casal sentado no sofá, em frente à TV:

– Você acha que eu tenho rugas aqui? – diz ela apontando o canto do olho direito.

– Não, amorico, você está linda. – responde ele com os olhos fixos na tela da TV.

– Você nem olhou pra mim! Eu não perguntei se estou linda ou feia! Eu perguntei de uma ruga, entende a diferença? – ela, alterada, quase grita.

– Amorzinho, não precisa gritar, tô aqui do teu lado. Claro que você está linda de ruga. – o olhar dele não desgruda da TV, uma mão vai até o controle remoto aumentar o volume, a outra tateia perdida a cabeça dela.

– O quê?! Linda de ruga? Agora virei uma velha enrugada linda! Você não percebe o que diz! Você não vê que me machuca com o que faz? – tirando bruscamente a mão dele do cabelo dela – Acha que adianta fingir que me ama, me dar carinho? – o rosto está vermelho, as lágrimas tremendo nos olhos.

Ele suspira, dá um mute na TV, coloca o controle remoto ao lado do sofá, fecha os olhos por um segundo, se ajeita no sofá e vira-se para ela. Coloca as duas mãos no seu rosto, uma de cada lado.

– Amorico, não foi isso que eu disse… Não precisa ficar nervosa. Olha, agora você está marcando ainda mais a expressão do teu rosto. Precisa relaxar… Sorrir mais! – ela está parada, fungando – Você é linda, não tem ruga nem nada que vá te deixar feia. Só não fique nervosa, irritada, isso acaba com você… Olha a tua mãe, com aquela cara de bruxa o tempo todo, acabou com a expressão dela, ficou velha mais cedo, e ainda diz que é por culpa do teu pai!

Ela arranca brutalmente as mãos dele do rosto dela e pula do sofá.

– O quê? Minha mãe é feia? Você ainda quer me comparar a ela? – o rosto convulsionado, ele sentado com os olhos arregalados – Eu vou ficar igual a ela, é? Com cara de bruxa? Você é um idiota mesmo! Bem que ela me dizia pra não casar contigo! “Sorrir mais” (com tom de ironia), sorrir do quê? Da cueca que você deixa jogada no chão? Do jogo de futebol toda quarta e domingo? – ela sai desabalada tropeçando no cachorro e bate a porta do quarto.

No quarto, ela se joga na cama e chora por duas horas, soluçando alto.

Ele suspira profundamente, levanta-se, vai até a geladeira, pega uma cerveja, volta para o sofá, coloca o som na TV (é quarta-feira…), chama o cachorro que vem correndo deitar com a cabeça no seu colo. Acariciando o cachorro, depois de um gole de cerveja, ele olha para a lata, faz que sim com a cabeça, sorrindo.

Tempestades de Inverno

Tem dias que a chuva insistente e o dia mais frio de décadas faz o espírito ficar quietinho e o corpo dolorido. Cabe a nós saltar da cama e começar a pular, tomar um Nescau quentinho, e sair.

Mas, não vivemos só nesse mundo e o que os outros fazem podem nos magoar, machucar. E aí o dia cinzento fica ainda mais sem cor, doloroso. Nesses momentos, aquelas pequenas coisas chatas da vida te deixam indiferente. O longo e chato caminho até o Detran, as pessoas sem educação, tudo isso nem existe porque a cabeça fica lá longe ouvindo as músicas do mp3. Livre tradução: a um coração ferido a música lhe dá sentido.

O trajeto e as “obrigações” não são nem um pouco encantadoras. Daí no meio do caminho tem a Casa das Tortas. Para quem mora e para quem não mora aqui na Ilha, tem ali no Mercado Público (com o nome Café Vidal, mas com a mesma qualidade) e perto da Praça dos Bombeiros, também no centro. Para quem aqui havia saído de casa sem almoçar, só com um Nescau a pedida era boa.

Sou fã da Casa das Tortas desde que vim morar pra cá e descobri essa preciosidade. A pedida perfeita pra mim é uma fatia de empadão de palmito, um copo de suco natural de abacaxi (sem açúcar e sem gelo!) e uma fatia farta de torta trufada! (o valor é bem razoável, uns R$10) São, pra mim, as melhores tortas da cidade. Um programa e tanto. E ali naquela mesinha, olhando pela vitrine, vendo a chuva… às vezes precisamos alimentar o corpo e a alma. Ali a música dava sentido a esse coração ferido.

A chuva continuou (continua ainda) e isso não significou, em nenhum momento, que sair fosse um programa ruim. Minha alma precisava caminhar, precisava da torta trufada… principalmente para me lembrar porque gosto de morar aqui e porque essas idéias de me mudar de cidade podem ser apenas relâmpagos numa tempestade.

A tempestade continua.

O último programa de índio era passar no supermercado. No fim das contas saí com duas sacolas: três caixas de leite e uma garrafa de vinho. O suficiente para quem mora sozinha nessa onda de dias frios!

O leite já está esquentando para o Nescau da noite e logo mais, com uma sopa de frutos do mar, teremos um vinho tinto.

Não é porque a tempestade continua que precisamos nos manter molhados…

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